Porto Bayern

Porto Bayern

domingo, 29 de dezembro de 2013

Se tivessem sido os menos utilizados até percebia...

A equipa do FC Porto que jogou hoje contra o Sporting tudo fez para dar um presente de anos envenenado a Pinto da Costa. Foi uma exibição fraca, sem chama, sem garra, sem organização (a transição defesa-ataque é demasiado fraca para ser verdade) e sem fazer jus à história do nosso grande presidente. 

Não merecíamos o empate e tenho, até, sérias dúvidas que merecessemos perder só pela margem mínima, tal foi o volume de ataque do adversário e tais foram as oportunidades de golo iminentes desperdiçadas pelos leões ou negadas por Fabiano.
Volto a frisar que, para mim, a Taça da Liga não é importante. Não consigo vê-la como uma competição a sério. Mas das duas uma:

1) Ou aproveitamos para dar rodagem aos jogadores menos utilizados e que precisam de se ambientar às exigências do FC Porto e assumimos que perder e exibições fracas fazem parte desse processo evolutivo 

2) Ou encaramos a competição para ganhar e jogamos com grande parte da equipa habitualmente titular, não podendo admitir exibições como a de hoje.

Agora, não faz qualquer sentido não dar oportunidade a jogadores como Kelvin, Reyes, Quintero, Ricardo e outros da equipa B (p. ex. os laterais) e depois sermos brindados com massacres como o de hoje. Preferia ter jogado com os menos utilizados e ter arriscado uma derrota a ver o que vi hoje, que me relembrou o pré Braga.

Não gosto de falar de Paulo Fonseca, até porque é evidente a minha opinião sobre o nosso treinador, mas hoje não posso deixar de comentar as suas declarações no final do jogo. Continuo com a sensação que ele não sabe a equipa que está a treinar e que não faz ideia do que é Ser Porto. Os discursos sem ambição e que não transmitem qualquer motivação e força aos adeptos repetem-se a uma velocidade alucinante.
Hoje ouvi Paulo Fonseca considerar que o resultado se aceita, que o FC Porto foi para este jogo com muitas cautelas e que a exibição não foi melhor porque o FC Porto fez alinhar vários novos jogadores.

O facto de ter referido que o resultado se aceita, leva-me a crer que do banco não se vê bem o jogo.

O facto de ter optado por jogar com muitas cautelas, todos nós já tínhamos percebido isso. Uma única clara oportunidade de golo (na primeira parte) e uns segundos quarenta e cinco minutos a rezar para que Fabiano nos safasse tinha sido suficientemente elucidativo dessa opção. Meu caro, de uma vez por todas, isto não é o Paços de Ferreira, toca a acordar para a nova realidade!!!

O facto de ter afirmado que utilizou vários novos jogadores, é falso. Os únicos jogadores que jogaram de início com pouca utilização esta época foram Ghilas e Fabiano. Herrera joga com regularidade. Ou seja, uma única alteração em relação aos jogadores de campo (o Sporting também jogou com Dier e Marcelo, já para não falar de Slimani, habitual suplente). Uma única alteração não justifica termos feito tão pouco durante 90 minutos.

Análise aos jogadores:

Fabiano -  intransponível. MVP
Maicon e Mangala - não estiveram muito bem, mas não foi por aí que abanamos
Alex Sandro e Danilo - ainda não voltaram das férias de Natal no Brasil
Fernando -  exibição mais fraca do que o normal, mas mesmo assim foi dos melhores do meio campo
Herrera - tirando um ou dois bons apontamentos ofensivos, exibição para esquecer
CE20 - muito mais apagado que o normal, marcado muito bem William Carvalho. Mal expulso
Varela - o melhor do FCP na primeira parte, baixou um pouco de rendimento na segunda
Licá - confesso que estava muito entusiasmado com a sua contratação e início de época. Neste momento tenho dificuldades em perceber como caberia sequer nos 18 convocados
Ghilas - Sem ritmo e abandonado na frente de ataque, não conseguiu segurar jogo de costas para a baliza
Lucho - entrou bem, tentou organizar o meio campo
Jackson - sem tempo para mostrar serviço, não se destacou pela positiva ou negativa
Defour - entrou mal, com baixa rotação e não conseguiu fazer o trabalho que de Fernando

Olegário Benquerença fez uma razoável arbitragem, se exceptuarmos os últimos 15m em que tentou empurrar o Sporting para a frente. O primeiro amarelo de CE20 pareceu-me forçado. Todos os jogadores falaram e berraram o que quiseram, só ele levou amarelo. O segundo amarelo foi claramente exagerado, foi uma disputa de bola mais dura, mas nada de mais. Se CE20 merecia amarelo por aquela falta, o William Carvalho merecia um cartão de cor quando varreu Varela sem bola?

Ao menos o empate abre boas perspectivas de passar às meias finais. Espero é que o FC Porto defina bem o que quer desta competição...

Adenda: Parece que CE20 foi expulso por engano...bem me parecia que o primeiro amarelo tinha sido muito forçado e sem razão de ser. Não se viram imagens do jogador a protestar e quem fez a falta foi o Danilo, que minutos antes tinha sido avisado pelo árbitro para ter calma...



Ao intervalo - SCP vs FCP

Primeira parte bastante fraca, vários jogadores a demonstrar que acusaram nitidamente as férias incompreensivelmente concedidas. 

Licá a manter o nível exibicional dos últimos jogos. Será que apenas joga pela obrigatoriedade de termos um determinado número de jogadores portugueses em campo? Fernando conta como português para essas contas? Espero mesmo que Kelvin entre já, pior do que o que Licá tem feito não pode fazer.

Herrera capaz do bom e do muito mau. Carlos Eduardo bastante apagado. Fabiano bem, excepto quando a bola lhe chega aos pés. Maicon e Mangala relativamente seguros.

Esperemos melhorias na segunda parte, até porque os centrais do SCP são extremamente fracos.

P.S.: dos jogadores que estão em campo, quantos do Sporting são melhores do que os do FC Porto? Capel vs Licá, Slimani vs Ghilas. e mais?

sexta-feira, 27 de dezembro de 2013

A reabertura do mercado e mais uns bitaites

O FC Porto voltou hoje ao trabalho e "o pé que está mais à mão" aproveitou a boleia para regressar ao activo depois de uma pequena pausa natalícia. Queria agradecer ao Filipe Ortigão Guimarães a crónica com que nos brindou, realçando que concordo quase integralmente com ela (quase integralmente porque acho que o Herrera e o Ghilas vão ser muito úteis na segunda metade da época) e agradecendo-lhe o boost que proporcionou às visualizações da página e à divulgação deste blog. Gostaria também de agradecer ao Vila Pouca e ao Miguel os votos de feliz de natal que me endereçaram, esperando que tudo lhes tenha corrido como desejavam durante estes dias.

No que à agenda dos dragões diz respeito, vamos agora entrar num ciclo muito complicado. O próximo mês será decisivo não só para percebermos se o FC Porto está, definitivamente, no bom caminho em termos de futebol jogado, como também para retocar o plantel que atacará a recta final do campeonato. Se por um lado é importante entrarmos com o pé direito na taça da liga e nos jogos oficiais de 2014, por outro lado é ainda fulcral agir com critério nesta reabertura do mercado de transferências.

Ricardo Quaresma ainda não treinou hoje no Olival mas é reforço do FC Porto e será uma solução com características diferentes nas alas do ataque. Com o regresso do "Cigano", penso que Ricardo acabará por ser emprestado (Guimarães?) e não haverá mais mexidas nessa zona do terreno. Não sei se Quaresma é a melhor opção para reforçar a equipa, mas atendendo ao facto de que estava sem contrato, não me parece um negócio muito arriscado, concordando ainda com a opinião de Jaime Pacheco quanto ao seu rendimento.

Em sentido contrário, Fucile vai abandonar o FC Porto e deverá estar de regresso ao Uruguai, o que me deixa bastante satisfeito. Fucile deixou que a fama lhe subisse à cabeça desde que brilhou no Mundial da África do Sul e nunca mais foi o Fucile das primeiras épocas de dragão ao peito. Com o uruguaio de partida, ficamos com apenas dois laterais de raiz no plantel, sendo que Maicon poderá desenrascar à direita e Mangala à esquerda. Quanto aos laterais da equipa B, já se percebeu que Paulo Fonseca confia mais em Victor Garcia do que em Quiñones, que nem convocado foi para o último jogo do campeonato com Alex Sandro de fora devido castigo. Talvez contratar um novo lateral esquerdo com margem de progressão para ser suplente do brasileiro não fosse má opção...

Quanto a mais saídas e entradas, preferia que o plantel não sofresse alterações, até porque desconfio que os reforços para a segunda volta já estão no plantel. CE20 está a mostrar a razão pela qual foi contratado e Herrera, Quintero e Ghilas (convém entrar antes do 85m para isso...) têm tudo para render muito mais do que até aqui. Gostava que Otamendi e Jackson Martinez ficassem pelo menos até ao verão e que o FC Porto resistisse à tentação de os vender. Já no que respeita a Fernando e a Defour, tenho, infelizmente, a sensação que um dos dois vai abandonar o FC Porto. Ou Fernando sai e permite algum retorno financeiro ao clube, ficando Defour responsável pelo meio campo defensivo dos dragões, ou sai Defour, que precisa de jogar para marcar presença na dream team belga que estará no Brasil, ficando Fernando até ao final da época. A ver...

Taça da Liga:
Não vou fingir que este ano a Taça Lucílio Baptista passou a ser importante e que gostava que o FC Porto alterasse a forma como a encarou nas últimas edições. Embora o FC Porto tenha obrigação de jogar sempre para ganhar, ainda para mais em competições nacionais, penso que Paulo Fonseca deveria apostar em vários dos jogadores menos utilizados, misturando-os com outros que trazem alguma consistência à equipa. 
Penso que esta é a melhor competição para os jogadores ganharam alguma rodagem e não é o facto do jogo ser em Alvalade que me faz mudar de ideias, até porque o jogo para a Taça de Portugal com o Atlético antecede a deslocação à Luz. Assim, o Porto deverá apresentar-se com um 11 muito próximo do 11 titular que jogará na Luz para os jogadores não irem sem ritmo para o clássico, o que não permitirá aos menos utilizados jogarem os minutos que ambicionam.

Em Alvalade, gostaria de ver um onze como o que a seguir sugiro: Fabiano, Danilo, Reyes, Mangala, Alex Sandro, Fernando, Defour, Carlos Eduardo, Kelvin, Jackson e Ghilas, com Herrera e Quintero a terem oportunidade de jogar durante alguns minutos na segunda parte. 

Premier League - Boxing Day:

Enquanto em Portugal a Liga Zon Sagres pára 3 semanas sem nenhuma razão válida, em Inglaterra não se brinca ao Pai Natal e ao futebol profissional. Por alguma razão a Liga portuguesa vai perdendo visibilidade e importância e a Premier League mantém-se no topo das preferências dos adeptos do futebol. Não consigo compreender uma paragem tão longa no campeonato e as constantes desculpas dos treinadores portugueses relativamente ao cansaço dos jogadores, sendo que estes apenas jogam aos fins de semana, ao contrário das mais variadas ligas europeias. Veja-se o exemplo do Chelsea: jogou segunda com o Arsenal (equipa de champions league), jogou ontem com o Swansea (equipa apurada na fase de grupos da liga europa) e joga o fim de semana com o Liverpool, que é só uma das equipas em melhor forma na europa. Já em Outubro tinha jogado dia 27 com o Man. City e 29 com o Arsenal. e ganhou os dois!! Estes são jogos em que o tempo útil de jogo, a qualidade dos intervenientes, as condições meteriológicas e a dureza dos tackles e os contactos físicos permitidos nem se comparam ao que se vê por cá. E não os oiço constantemente a queixarem-se que estão cansados. São profissionais de futebol, são pagos para jogar futebol, para dar espectáculo, ponto (vejam as reviravoltas no marcador, os resumos e os resultados!!).

Em Portugal, jogos da porcaria da Taça de Liga e da pouco motivante Taça de Portugal são jogados ao fim de semana, provocando grandes paragens no campeonato. O FC Porto joga domingo com o Sporting e depois só no fim de semana seguinte com o Atlético. Porque não à quarta feira? O Sporting, por exemplo, joga domingo com o FC Porto e só volta a jogar passadas duas semanas para o campeonato. Profissionais, nós? Em Portugal? Só se formos profissionais das folgas, das férias e das greves, porque de resto.....











segunda-feira, 23 de dezembro de 2013

O Síndrome de Estocolmo explicado à Luz… daqueles lados

Em primeiro lugar, e antes de conjugar factos, queria sublinhar que apesar de ser um apaixonado por Desporto e por Futebol e apesar de ter sido um blogger activo em bitaites de 2005 a 2008, nunca escrevi um artigo sobre este tema. Agradeço ao novato Tiago Stuve Figueiredo a oportunidade de o fazer hoje.

Segundo o Oxford Dictionary, o Síndrome de Estocolmo acontece quando “as vítimas passam a nutrir sentimentos, afecto ou mesmo paixão por alguém que os rapta, maltrata ou faz deles reféns”. Pela sua nacionalidade, podia ser um artigo sobre o Martin Pringle, mas não é. É sobre o Luís Filipe Ferreira Vieira. Este “empresário” ligado ao sempre-lucrativo negócio de pneus e sucatas deu os primeiros pontapés na bola nos ribatejanos do Alverca. Se tiver menos de 25 anos, queira por favor passar já ao próximo parágrafo, uma vez que este clube, após 5 anos na I Divisão, desaparece em 2005 do panorama do futebol, afogado em dívidas, claro. Foi uma estreia auspiciosa, but the best is yet to come.

Em Novembro 2003, Luis Filipe Vieira sucede a Manuel Vilarinho como presidente do Sport Lisboa e Benfica, e entra logo determinado e empenhado em “engrandecer e relançar o clube”. E entrou, claro está, em grande assumindo que em 3 anos “o Benfica seria o melhor clube do Mundo”, tendo esperado 1 ano e meio para dizer que se até Outubro não tivermos 300.000 sócios demito-me (divirtam-se neste link). Escusado será dizer que o clube nunca passou os 224.000 sócios, sendo que uma “maioria” de 10 a 20% pagam as quotas regularmente. Se fossem as frases emblemáticas do Presidente, o artigo tinha 2 salmos e 7 capítulos. Prefiro ser breve e focar-me nos títulos conquistados no Futebol por LFV nos últimos 5 anos. Campeão Nacional em 2009/2010. E nem a Supertaça levaram, Rolando e Falcão marcaram em Aveiro numa vitória simples e incontestável de Verão.

Nesse período, em 5 época desportivas completas, o Sport Lisboa e Benfica do Vieira apresenta 1 (um) título nacional. O Presidente Jorge Nuno Pinto Costa conquistou entretanto nacional e internacionalmente 14 títulos. Este ano, ambos estão afastados da Champions e empatados nas contas nacionais (presentes na Taça e com o mesmo número de pontos no Campeonato). Este post não está relacionado com o Quem Quer Ser Milionário, mas vou pedir a ajuda do público para medir o pulso aos clubes, começando pelo que lidera.

No FCP as opções são unânimes e racionais – tem sido uma época difícil. O plantel não foi escolhido na perfeição, Janeiro servirá para corrigir erros, o treinador não é o ideal, as opções de jogo são duvidosas, as compras de passes (Herrera / Ghilas) revelam-se dolorosas, mas há a esperança, cimentada com abertura do mercado e melhorias em campo, que em Maio tudo acabará como sempre, a festejarmos o tetra-campeonato.

No SLB as opções também são unânimes, mas aqui difíceis de perceber. A culpa, não deste ano, mas desteS mauS anoS é…. dos árbitros.

E aqui entra Estocolmo! O Presidente do Clube comete os seguintes erros:

i. Contra tudo e contra todos, segura Jorge Jesus, o treinador que 4 anos antes lhe deu um título e que (muito) mais recentemente, em Maio com 3 derrotas em 3 finais mostrou a sua estaleca e na cabeça dos seus jogadores tatuou a palavra FALHADO na testa;



ii. Rodeia-se mal, planeia mal, vende mal (perdão, não vende) e constrói mal um plantel, uma estrutura e uma equipa. Louvo o estudo recente da brasileira Pluri Consultoria que revela que o Benfica subiu 4 posições e valorizou o plantel esta temporada. A nação Benfiquista rejubilou. E nem se perguntam como é que com 12 entradas no plantel e 0 vendas, seria possível desvalorizar um plantel! Sálvio, Matic, Gaitán e Garay têm “meia-Europa” atrás deles, mas pelo que vejo, é só a outra metade que anda a comprar.

iii. Compra mal os árbitros. Esta é impossível de ficar indiferente. “Se o FCP ganha títulos consecutivamente porque os compra”, o Presidente dos encarnados anda a dormir.

Posto tudo isto, fico siderado quando vejo que apenas 8 em 100 adeptos do Benfica culpa o Presidente por ter reservado inúmeros mas conquistado apenas 1 título nacional em 5 anos. Se os Portugueses fossem melhores a avaliar quem os comanda, acredito que o próprio País estivesse melhor. Jorge Nuno Pinto da Costa, presidente que tem admiração eterna, gratidão ou pelo menos consideração por parte da totalidade (100%) de adeptos do FCP não ganhou 3 ou 4 jogos em Novembro deste ano e tenho a certeza que o índice de culpabilização dele rondaria os 20% num estudo e plataforma semelhante. 

Perante estes factos, podem chamar a uns iludidos e a outros mal-agradecidos. Podem chamar a uns mal-habituados e a outros resignados. Eu cheguei há dias a esta conclusão. Os adeptos do Benfica sofrem do Síndrome de Estocolmo, o tal estado mental onde as vítimas desenvolvem laços afectivo pelo(s) seu(s) malfeitor(es), que muitas vezes se transforma “numa verdadeira relação de cumplicidade, chegando muitas vezes as vítimas a defender os seus sequestradores e mesmo a ajudá-los a fugir ao cumprimento da lei.”




Alguém tem outra explicação melhor?

PS - Este artigo foi escrito ao obrigo da opinião de que a Taça Carlsberg / BWIN / LIGA não é meritória de ser incluída no palmarés de um clube como título nacional.

PS 2 - Este artigo também foi escrito ao NÃO-abrigo do novo Acordo Ortográfico, apesar dos esforços do corrector, que desde uma actualização de software, passou a estar indrominado.

Filipe Ortigão Guimarães








sábado, 21 de dezembro de 2013

A Luz ao fundo do túnel que vai ganhando intensidade

Durante a semana disse que o FC Porto tinha obrigação de ganhar à Olhanense, nem que estivesse obrigado a utilizar grande parte dos jogadores que pertencem à equipa B. Os algarvios são, provavelmente, a equipa mais fraca da Liga Zon Sagres e demonstraram-no  no relvado  do Dragão. No entanto, a verdade é que o FC Porto esta época já tinha sentido imensas dificuldades em jogos contra equipas deste calibre, dificuldades essas que se traduziram em exibições medíocres e em  perdas de pontos incompreensíveis.

Na noite fria de ontem, nada disto aconteceu. Os dragões mostraram em campo que são infinitamente melhores que estas equipas do fundo da tabela da nossa liga e castigaram o adversário com uma goleada por 4-0, tendo, ainda, desperdiçado pelo menos mais 4 ou 5 golos cantados. O resultado pecou por escasso, mas a atitude e a qualidade dos portistas ficou bem patente ao longo dos 90 minutos e em especial nos dois últimos golos. Deveria ser sempre assim, tem de ser sempre assim! Contra adversários que não têm qualidade para acertar 3 passes seguidos e que se limitam a bombear a bola para o meio campo dos azuis e brancos, não podemos dar quaisquer hipóteses. Temos plantel para isso, ao contrário do que tem sido defendido por muitos portistas. Considero que temos um bom plantel, ao qual apenas falta um extremo de qualidade (não sei mesmo se Quaresma é a melhor solução) e com a saída de Fucile precisaremos também de um lateral .

A boa exibição de ontem deu seguimento a uma 2ª parte muito bem conseguida frente ao Braga  e a um jogo em Vila do Conde que tinha trazido alguns bons indícios. Com CE20 disponível, o meio campo do FC Porto transforma-se. Fernando joga solto à frente da defesa, varrendo aquele espaço como só ele sabe fazer e entregando a bola jogável nos médios à sua frente ou nos alas abertas na linha. CE20 assume o jogo de ataque, criando desequilíbrios com passes de rotura ou ultrapassando os adversários com a bola controlada num misto de qualidade técnica e de explosão em curto espaço. Lucho vagueia pelo meio campo, dando um equilíbrio táctico que só ele sabe fazer (talvez defour também o consiga), permitindo equilíbrios à equipa quando esta perde a bola. Honestamente não consegui perceber com que tipo de triângulo jogamos neste momento. Numas alturas do jogo, pareceu-me ver Lucho recuar um pouco e juntar-se a Fernando, noutras fiquei com a sensação que este se juntava mais à frente a CE20. Calculo que Paulo Fonseca lhe dê um pouco de liberdade nesse sentido, cabendo a Lucho decidir onde se colocar nos espaços entre o médio mais avançado e o mais recuado, consoante aquilo que o jogo for pedindo. A outra boa notícia em termos tácticos, é que pelo segundo jogo consecutivo jogámos com dois extremos verdadeiros, sem adaptações, o que não permite a subida da defesa contrária com tanta facilidade e os obriga a baixar as linhas para junto da grande área. Jackson Martinez pode assim jogar regularmente dentro da área e não tem de recuar tanto ao meio campo para ir buscar jogo. Este desenho táctico permitiu ao FC Porto vencer os últimos três jogos para o campeonato e fez com que os dragões subissem consideravelmente o nível exibicional. Caso o mesmo se mantenha, prevejo que a luz ao fundo do túnel que se vislumbrou na segunda parte do jogo com o Braga vá ganhando intensidade e que no final da época a luz que iremos ver seja a dos foguetes sobre a Câmara Municipal.

Quanto aos destaques do jogo de ontem, penso que Helton e os restantes defesas estiveram bem, melhor Otamendi que Maicon, o qual insiste em fazer algumas faltas desnecessárias. Danilo não atacou muito, mas quando o fez, fê-lo com critério.Mangala surpreendeu na esquerda e podia até ter bisado. Fernando fez mais uma grande exibição, na senda daquilo que tem vindo a fazer esta época. Lucho esteve bastante apagado na primeira parte, lento com e sem bola, falhando passes fáceis e perdendo muitas bolas divididas. Varela esteve bem qb, não deslumbrando mas também sem estragar jogadas de ataque. Licá foi o elo mais fraco da equipa, e está, neste momento, a léguas daquilo que fez no primeiro mês da temporada. Ele nunca será tão bom como nesse mês, mas, seguramente, é muito melhor do que aquilo que produziu ontem. Jackson Martinez voltou a facturar e a mostrar que é um avançado de grande qualidade (ai se aquela bicicleta entrasse!!). Kelvin entrou bem, querendo mostrar serviço. É verdade que por vezes exagera, mas essa noção só se ganha com tempo de jogo e penso que é isso que ele necessita. Herrera mostrou bons pormenores no meio campo ofensivo e estreou-se a marcar com um excelente golo. Ghilas, mais 5 minutos em campo. Juro que não consigo entender porque entra tão tarde. Muito honestamente, acho que está a ser feito tudo para perdermos este jogador para a segunda volta do campeonato... No que diz respeito ao árbitro, honestamente não gostei. Fiquei com a sensação que estava com "pena" da Olhanense e não queria que o resultado disparasse. Dois penaltis ficaram por marcar: um evidente  por mão na bola na étapa complementar e um menos evidente por derrube a Licá nos primeiros quarenta e cinco minutos. Na segunda parte, CE20 sofreu uma falta absolutamente clara na direita do ataque. O árbitro nada assinala. CE20 pede falta e ri-se, o árbitro responde "é igual" e ri-se também. Como quem diz, mais um, menos um, o que interessa?

MVP: CE20 foi, mais uma vez, o melhor em campo. Joga e faz jogar. Remata, finta, sprinta, corta. Bate livres, cantos e espero que também venha a marcar penaltis. Ontem somou 2 assistências e um magnífico golo à sua conta pessoal. Na retina ficou ainda uma bomba de primeira na 2ª parte que não deu golo por muito pouco, uma assistência milimétrica para a bicicleta de Jackson e uma arrancada na esquerda na 1ª parte, em que passa a bola por cima do adversário, embala para dentro da área e remata para a defesa do guardião da Olhanense.


Estamos, finalmente, no bom caminho. Há que mantê-lo!!










quinta-feira, 19 de dezembro de 2013

Sistema: o FC Porto e os treinadores/clubes da Liga Zon Sagres

Calma, não se assustem com o título! O meu blog não foi roubado por nenhum fanático das teorias da conspiração ao estilo dos mais irracionais adeptos do Benfica! Bem pelo contrário, apenas pretendo desmistificar a ideia por eles defendida de que o Porto apenas vence por colocar vários ex jogadores a treinar diversos clubes da Liga Zon Sagres, os quais têm como missão abrir as pernas nos jogos com os Dragões e comer a relva nos jogos contra os Lampiões. Antigamente ainda me ria quando os ouvia, e achava que ignorar era a melhor solução, mas se posso desarmá-los com factos concretos, tanto melhor. Então cá vai.

Consideram os benfiquistas que o Porto tem muitos clubes amigos, nos quais coloca treinadores afectos aos dragões (de preferência ex jogadores), e que estes não são sérios profissionais.
Entre os clubes apontados como afilhados do FC Porto e do suposto Sistema contam-se os seguintes:

* Académica - Sérgio Conceição é o actual treinador, Pedro Emanuel e André Villas Boas também por lá já andaram.
* Belenenses - As boas relações entre o FC Porto e os azuis do Restelo, as quais se traduzem em pontuais contratações pelo FC Porto (ex. Emerson, Rolando, César Peixoto), não são nada bem vistas pelos rivais lisboetas.
* Olhanense - Sérgio Conceição e Jorge Costa já foram treinador dos rossoneros de Olhão.
* Paços de Ferreira - Costinha e Maniche assumiram o comando técnico dos homens da capital do móvel esta época, sendo que o ex treinador dos castores lidera actualmente o FC Porto.
* Braga - Domingos Paciência e Jorge Costa já treinaram os bracarenses, Jesualdo Ferreira está lá neste momento, António Salvador terá ligações privilegiadas a Pinto da Costa (na prática apenas não maltrata o presidente do FC Porto e por isso é acusado de lhe ser submisso e querer ficar com o lugar dele no futuro, mas isso é outra história).
* Gil Vicente - Aloísio já foi director desportivo dos gilistas, Rui Quinta já fez parte da equipa técnica, António Fiuza não tem por hábito afrontar o FC Porto e o seu presidente publicamente.
* Rio Ave - Nuno Espírito Santo é o actual treinador, o anterior treinador era Carlos Brito, o qual sempre foi associado ao FC Porto e as relações entre as direcções sempre se pautaram pela cordialidade.
* Setúbal - Dizem as más línguas que os jogos contra o Setúbal não contam, que são seis pontos garantidos para os dragões, mas esquecem-se do resto, já lá iremos.
* Sporting - Conotado nos últimos anos como clube amigo dos dragões, os leões têm sido acusados de serem submissos aos azuis brancos, pelo menos até à chegada de Bruno de Carvalho.

Exposta a teoria da conspiração, vamos aos factos concretos (jogos oficiais dos últimos 5 anos - fonte www.zerozero.pt).

FCP vs Académica = Liga 7v, 1e, 1d; Taça de Portugal 1d; Taça da Liga 1v, 1e; Supertaça 1v.
SLB vs Académica = Liga 6v, 2e, 1d; Taça de Portugal 1v; Taça da Liga 1v.

Curiosidades: 
Pedro Emanuel treinava a Académica quando esta eliminou o FC Porto da Taça de Portugal ( resultado 3-0) e quando a Briosa empatou a 1 no Dragão para o campeonato (ambas em 2011-2012);
Sérgio Conceição treinava a Académica quando esta venceu o FC Porto para o campeonato por 1-0 (2013-2014).


FC Porto vs Belenenses = Liga 1v, 2e, 0d; Taça de Portugal 1e.
Benfica   vs Belenenses = Liga 2v, 1e, 0d.


FCP vs Olhanense = Liga 5v, 3e, 0d.
SLB vs Olhanense = Liga 6v, 3e, 0d; Taça de Portugal 1v; Taça da Liga 2v.

Curiosidades: 
Jorge Costa treinava o Olhanense quando os Algarvios empataram a 2 golos no Dragão (época 2009-2010), roubando dois pontos aos portistas que tentavam uma aproximação final ao Benfica. Nessa época, os comandados de Jorge Costa apenas comeram a relva contra o SLB na Luz, perdendo injustamente por 5-0.


FCP vs Paços de Ferreira = Liga 5v, 4e, 0d; Taça da Liga 1v; Supertaça 1v.
SLB vs Paços de Ferreira = Liga 9v, 0e, 0d; Taça da Liga 1v; Taça de Portugal 1v, 1e.

Curiosidades:
O Paços de Ferreira foi acusado de facilitar a vida ao FC Porto no último jogo do campeonato da época passada. Por outro lado, podemos verificar que os homens da capital do móvel apenas se esforçam contra o SLB. Um empate em 12 jogos (numa 2ª mão de uma meia final em que tinham perdido 2-0 em Paços de Ferreira, que estava praticamente resolvida, estando os pacenses de atenções voltadas para a tentativa de manutenção do 3.º lugar no campeonato) e um total de 9 golos marcados contra 32 sofridos são demonstrativos das dificuldades sentidas pelo SLB nos últimos anos.


FCP vs Braga = Liga 8v, 0e, 1d; Taça de Portugal 1d; Liga Europa 1v; Taça da Liga 1d.
SLB vs Braga = Liga 5v, 2e, 2d; Taça de Portugal 1v; Liga Europa 1v, 1d; Taça da Liga 1e.

Curiosidades:
Domingos Paciência (ex jogador e capitão do FCP) venceu os dragões por 1-0 na Pedreira (época 2009-2010). De resto, podemos concluir que o SLB não se dá bem com a corrente de ar que se sente em Braga, fruto de não haver bancadas nas superiores.


FCP vs Gil Vicente = Liga 3v, 1e, 1d; Taça da Liga 1e.
SLB vs Gil Vicente = Liga 4v, 1e, 0d; Taça da Liga 1v.

Curiosidades:
Vítor Pereira perdeu o seu único jogo para a Liga Zon Sagres contra o Gil Vicente (3-1 em Barcelos, na época 2011-2012). O director para o Futebol dos gilistas era...Aloísio, grande figura dos anos 90 dos dragões. O ano seguinte, ainda com Aloísio como director para o futebol, o Porto empata na jornada inaugural com o Gil Vicente em Barcelos. Empatando com o FC Porto em Barcelos em 2012-2013, o Gil Vicente não se fez rogado e dificultou a vida também ao Benfica nessa época, já que tudo fez para não perder por 3-0 em Barcelos e 5-0 na Luz.


FCP vs Rio Ave = Liga 8v, 1e, 0d; Taça de Portugal 2v; Taça da Liga 1v.
SLB vs Rio Ave = Liga 8v, 1e, 0d; Taça de Portugal 1v; Taça da Liga 1v.

Curiosidades:
Nuno Espirito Santo (ex guarda redes do FC Porto e símbolo do balneário nas épocas de Jesualdo Ferreira) era treinador do Rio Ave quando os vila condenses alcançaram um empate a 2 no estádio dos Arcos contra o FCP (o empate do FC Porto surgiu já perto do final da partida por Jackson Martinez). Nessa época, roubou dois pontos ao FC Porto, que tanta falta podiam ter feito nas contas do final da época. Em compensação, perdeu os dois jogos com o SLB, sendo que o jogo da segunda volta na Luz acabou com esclarecedores 6-1. Parece-me que os jogadores do Rio Ave gastaram as pilhas todas a correr atrás do Moutinho e do James Rodrigues...


FCP vs Setúbal = 9v, 0e, 0d; Taça da Liga 2v.
SLB vs Setúbal = 7v, 1e, 0d.

Curiosidades:
É verdade que o percurso do FC Porto frente ao Setúbal tem sido 100 por cento vitorioso. Contudo, é também verdade que Benfica não encontra grandes dificuldades contra os homens do Sado. 7 vitórias e um empate em 8 jogos, 29 golos marcados contra 4 sofridos. No único empate registado nos 8 confrontos, saliente-se que o Setúbal fez tudo para não perder, tendo para o efeito marcado apenas um golo na própria baliza e cometido somente um penalti já em período de descontos, sendo que Cardozo o falhou (atirou à barra, o Guarda redes não defendeu).


FCP vs SCP = Liga 5v, 3e, 1d; Taça de Portugal 1v.
SLB vs SCP = Liga 6v, 2e, 1d; Taça de Portugal 1v; Taça da Liga 2v.

Curiosidades:
Sendo o Sporting tão submisso ao FC Porto, não deixa de ser estranho que o Benfica obtenha melhores resultados contra o leões do que os drãgoes. Repare-se até que numa das piores épocas de sempre do Sporting, os leões conseguiram roubar dois pontos ao FC Porto (empate a 0 em Alvalade a época passada, roubando dois pontos que podiam ter sido muito importantes nas contas finais), sendo que nessa época perderam os dois jogos contra o SLB (3-1 e 2-0).

Desmontada a teoria da conspiração (uma das muitas, diga-se!), quero apenas dizer que tenho muito orgulho em ser do FC Porto. Podemos falhar, já falhámos muitas vezes, e iremos certamente falhar mais vezes no futuro. Mas nessas situações, olhámos e voltaremos a olhar para dentro, para tentar perceber o que foi mal feito e o que tem de ser corrigido (seja vender jogadores e comprar outros, seja despedir o treinador, seja responsabilizar os dirigentes, etc.), para voltar a vencer, porque esse é o nosso destino. Não procurámos nem procuraremos razões mirabolantes, mitos inacreditáveis e teorias da conspiração para desculpar os nossos falhanços.

P.S. Se calhar o SLB também faz parte do sistema, abrem sistematicamente as pernas...
Resultados dos jogos oficiais entre FCP e SLB:
Últimos 11 anos (desde 2002-2003): Liga 12v, 7e, 3d; Taça de Portugal 1v, 0e, 2d; Supertaça 2v;  Taça da Liga 0v, 0e, 2d.
Últimos   5 anos  (desde 2009-2010): Liga  5v, 2e, 1d; Taça de Portugal 1v, 0e, 1d; Supertaça 1d; Taça da Liga 0v, 0e, 2d.



segunda-feira, 16 de dezembro de 2013

De Vila do Conde a Frankfurt, com paragem em Londres pelo meio

Não tive possibilidades de assistir ao jogo de ontem, já que estava em plena A1 a regressar de Lisboa. Acompanhei o jogo pela TSF e estive atento aos comentários de João Ricardo Pateiro, que é, para mim, o jornalista/comentador desportivo de referência neste momento. Na crónica publicada na véspera do jogo tinha sugerido o onze que deveria ser apresentado pelo FC Porto no Estádio dos Arcos, sendo que Paulo Fonseca apenas não seguiu o meu conselho quando escalou Licá no lugar de Kelvin (acabaria por trocá-los no decorrer do jogo). Fiquei, portanto, mais confiante e animado para o jogo, já que, pelo menos, iríamos jogar com dois extremos de raiz e havia a perspectiva de Fernando jogar solto à frente da defesa, com Lucho e Carlos Eduardo lado a lado na organização do jogo ofensivo.

Não posso tecer muitos comentários sobre o jogo, já que ouvir o relato e ver o jogo na TV ou no estádio são coisas completamente diferentes. Pelo relato, fiquei com a sensação que o Porto teria sido um justo vencedor e que o nível exibicional teria sido um pouco melhor do que o habitual. Os comentadores foram também unânimes em considerar Carlos Eduardo como o melhor jogador em campo e foram, ainda, da opinião que Kelvin entrou bem e que Ghilas entrou tarde (já lá vamos).

Ao fazer a ronda pela minha bluegosfera de referência (confirmei que a vitória foi justa e que a qualidade jogo foi um pouco melhor. No entanto, reparei que o posicionamento de Lucho e, consequentemente, o modelo táctico utilizado, não foi totalmente perceptível ou pacífico. Enquanto que os caros Jorge ("há naturalmente um enorme beneficiado com a cambiante 1-2 do meio campo" @Porta19), Vila Pouca ("está visto que o meio campo tem de deixar o duplo pivot" @Dragão até à morte) e Zé Luís ("Paulo Fonseca não confirma as alterações que todos vêem: mais um 4-3-3 do que o 4-2-3-1 que ele diz não ter mudado" @Portistasdebancada) consideraram que existiu uma mudança ao nível da eliminação do duplo pivot, já o Miguel ("mudaram-se os intervenientes mas o espartilho táctico continuou lá" @Tomo ii),  Mário Faria ("introduziu algumas mudanças, mantendo o sistema táctico sem alterações substanciais" @Reflexãoportista) e o 4Lusos ("Lucho recuou para junto de Fernando, formando o duplo pivot a meio campo, com Carlos Eduardo a jogar a 10" @Bibóportocarago) são da opinião contrária. Se a isto juntarmos as declarações de Paulo Fonseca no fim do jogo, considerando que o duplo pivot voltou a marcar presença no desenho táctico da equipa, nem sei bem o que vos diga. Vou esperar pelo jogo de sexta com a Olhanense para poder emitir uma opinião mais fundamentada, se bem que estou a torcer para que a mudança tenha, de facto, existido. Faço votos para que Carlos Eduardo não saia tão cedo da equipa, já que tem uma margem de progressão gigantesca (já vos disse que me lembra o Deco, não já?).

No que à utilização de Ghilas diz respeito, honestamente não percebo como pode o treinador estar a arriscar tanto com um jogador. Meter o homem constantemente nos últimos 5 minutos de jogo, esteja ou não o jogo resolvido, é estar a pedir problemas. Os seus níveis de motivação devem estar abaixo de zero e quando Paulo Fonseca vier a precisar dele (porque vai precisar), a ver vamos se ele conseguirá dar a resposta necessária. Porque não entrou logo depois do golo de Danilo?!

No que ao sorteio da Liga Europa diz respeito, fiquei com um misto de sensações. Se por um lado tivemos sorte na equipa que nos calhou no 16-avos de final, por outro tivemos azar com a equipa que nos calhou nos oitavos de final. O Nápoles é a equipa mais forte em competição e, na minha opinião, a principal favorita a vencê-la.

O Eintracht de Frankfurt é uma equipa que luta para não descer de divisão na Bundesliga (ocupa actualmente o 15.º lugar, com 14 pontos em 16 jogos, sendo que perdeu 8 dos 16 jogos realizados). É necessário dizer que a Bundesliga é, neste momento, e a par da Premier League, a melhor e mais competitiva liga europeia de clubes e que todas as equipas alemãs são extremamente competitivas, mas o Porto tem todas as condições de ser apurado e deverá ser considerado como claramente favorito na eliminatória. O plantel do Eintracht de Frankfurt não tem jogadores como Higuain, Callejon, Mertens, Pandev, etc, mas será necessário ter atenção ao trio composto pelo avançado checo Kadlec, pelo dianteiro espanhol Joselu e pelo médio ofensivo Alexander Meier. Os jogos contra o Eintracht de Frankfurt terão lugar numa altura um pouco complicada, já que nessa altura, teremos deslocações a Guimarães e a Barcelos, e receberemos também o Estoril. A primeira mão jogar-se-á no Dragão a 20 de Fevereiro.

Para finalizar, um pequeno apontamento sobre o despedimento de AVB do Tottenham. Já aqui manifestei o meu descontentamento com Paulo Fonseca e aproveito para dizer que sou um admirador das qualidades de AVB. No entanto, penso que este não é o momento ideal para o seu regresso, já que a sua posição estaria demasiado fragilizada em virtude do seu despedimento e da forma como abandonou o FCP. A sua contratação neste momento daria a entender que só veio para o Dragão porque foi despedido, e isso não seria bom para nenhuma das partes. Contudo, caso Paulo Fonseca tenha prestações decepcionantes e desmotivadoras nas duas deslocações que em breve teremos a Alvalade e à Luz, talvez a hipótese do seu regresso tenha mesmo que ser avaliada.








sábado, 14 de dezembro de 2013

Aposta na Liga Europa vs Foco no Campeonato

Confirmado o fracasso na fase de grupos da Liga dos Campeões, resta agora ao FC Porto a consolação da passagem para a Liga Europa. Todos nos lembramos da época de AVB e das alegrias que a conquista europeia nos trouxe, pelo que, à primeira vista, poderia não ser assim tão má a continuação nas provas europeias. A juntar a este facto, muita gente se apressou a considerar o FC Porto favorito nesta competição, manifestando, a meu ver, não só uma total falta de conhecimento dos adversários que nos podem calhar em sorte, como também uma falta de percepção preocupante sobre aquela que é, até ao momento, a qualidade do futebol praticado pela nossa equipa esta época.

Desengane-se quem pensa que a Liga Europa é uma liga dos coitadinhos, em que só existem adversários fáceis e que se perspectiva um passeio semelhante ao da época de 2010-2011. Se por um lado é verdade que os grandes tubarões se mantiveram em prova na Liga dos Campeões, por outro lado será um erro considerar que este FC Porto é ou tem a obrigação de ser favorito em jogos contra equipas como Nápoles (12 pontos na fase de Grupos da Liga dos Campeões), Sevilha, Shaktar Donetsk, Valencia, Tottenham, Juventus (campeã italiana da época passadas e líder isolada desta edição), Lazio, Ajax (tricampeão holandês) ou Benfica. Qualquer destas equipas nos poriam muitas dificuldades e só um Porto transfigurado para melhor os levaria de vencida. Se a estes possíveis adversários juntarmos ainda o Basileia (alcançou as meias finais o ano passado e bateu o Chelsea em casa e em Stamford Bridge na fase de Grupos da Liga dos Campeões), a Fiorentina, o Lyon ou o Dinamo de Kiev, temos de concluir que dificilmente encontraremos equipas acessíveis e que não exijam níveis de concentração e motivação no máximo.

Considero, como não podia deixar de ser, que o FC Porto deve entrar em todos os jogos para vencer, mas penso que será um risco muito grande colocar expectativas muito elevadas nesta competição, até porque nos anos das últimas conquistas europeias o desempenho interno da equipa permitia uma maior rotatividade do plantel, o que se traduzia em pontuais poupanças em jogos do campeonato, situação que este ano não se verifica. 

Na minha opinião, se o treinador do FC Porto, seja ele quem for em finais de Fevereiro, for colocado perante a questão de optar entre Liga Europa e Campeonato, em termos de selecção e poupança de jogadores, não tenho dúvidas que a aposta deverá ser o Campeonato, até porque o Sporting já só tem o Campeonato e Taça da Liga com que se preocupar e o Benfica terá aprendido a lição o ano passado.

A aposta poderá até ser em ambas as competições, mas apenas se os jogadores menos utilizados se revelarem muito mais úteis do que até agora (Reyes, Ghilas, Kelvin, Carlos Eduardo); se o Pai Natal for muito generoso e nos trouxer um lateral (de preferência que possa fazer ambos os corredores) e, também, um ou dois extremos de qualidade inegável que possam fazer a diferença individualmente e se a SAD não decidir despachar o melhor central do plantel (Otamendi) e o jogador em melhor forma (Fernando). Quanto a este último, entre vendê-lo agora por um valor residual ou deixá-lo sair a custo zero no fim da época, preferia mesmo que ele ficasse até ao Verão.

P.S.1: Ao que parece, Quaresma já estará a caminho do Olival. Se for o Quaresma que saiu do FC Porto há uns anos, temos reforço. Se for o Quaresma das últimas 2 ou 3 épocas, estamos bem lixados.

P.S.2: Carlos Eduardo, Ghilas e Kelvin nos convocados. Gosto. Será que é desta que jogamos com a táctica do ano passado? A minha equipa para amanhã seria: Helton, Danilo, Maicon, Otamendi, Alex Sando, Fernando (trinco, sozinho à frente da defesa), Defour/Lucho, Carlos Eduardo, Kelvin, Varela e Jackson. Penso que voltar a optar por Lucho a 10 encosta a Jackson, Josué na ala e duplo pivot à frente da defesa seria estar a pedir nova recepção com tochas no Dragão se as coisas correrem mal.
 


quinta-feira, 12 de dezembro de 2013

O descalabro europeu do FC Porto - Episódio VI

Confesso que depois da 2.ª parte do jogo de sábado com o Braga tinha uma secreta esperança de que o FC Porto se pudesse apurar para os oitavos de final. Ao ver a equipa inicial do Atlético, mais esperançado fiquei. A poupança de vários jogadores nucleares era uma vantagem que podíamos aproveitar.

Pensava que o (ainda ?) treinador do FC Porto teria percebido de que forma devia colocar a equipa a jogar, evitando o posicionamento de um outro homem ao lado de Fernando e não deixando que Lucho Gonzalez se colasse a Jackson Martinez no ataque (ver imagem em baixo retirada do www.reflexaoportista.com exemplificando a minha escolha em termos tácticos, não olhando a nomes). No que diz respeito a Josué, embora reconheça que ele não é um ala ou extremo, talvez fizesse sentido a aposta de Paulo Fonseca nele para este jogo. Pelo menos para a 1ª parte, reforçando o meio campo numa primeira fase, para depois na 2ª parte vir a ser substituído caso fosse necessário forçar o ataque para chegar ao golo.

Não podia estar mais enganado. Paulo Fonseca não só voltou a cometer os erros tácticos habituais, como ainda não compreendeu como atacar defesas mais fechadas. Fico mesmo a pensar se ele vê um jogo diferente de todos os outros ou se nos treinos as coisas saem na perfeição e depois nos jogos é o que se vê. A forma como os laterais despejam constantemente a bola para a área, limitando-se os restantes jogadores a esperar por ela estaticamente nas costas dos defesas contrários, é sintomática da falta de organização e de ideias no últimos terço do terreno. E se mesmo assim não se aposta em Quintero, pouco mais haverá a dizer sobre a tentativa de encontrar soluções e alternativas por parte do treinador. É que nem a meia distância exploramos!!!

Convém, no entanto, conceder que a exibição do Porto não foi tão má como aquelas que a equipa realizou nos dois jogos contra o Austria de Viena nem como as recentes vergonhas contra Belenenses, Académica e Nacional. Mas também não se pense que jogámos bem, porque isso não é verdade. O adversário limitou-se a jogar qb, dando às vezes a ideia que se imprimisse outra velocidade e se disponibilizasse mais homens nas saídas para o ataque, poderia ter causado sérios problemas à defesa do FC Porto durante a 2ª parte. Quanto às desculpas com azares, penaltis falhados e bolas nos postes, desculpem lá, mas isso sempre foi conversa de benfiquistas e sportinguistas. Mais um bocado e também nos queixávamos do árbitro, que perdoou um penalti a Alex Sandro na primeira parte.


No plano individual, gostei de Jackson e, a espaços, de Danilo e Varela. O avançado mostrou-se muito batalhador e inconformado, enquanto Danilo e Varela tentaram forçar o ataque pelo lado direito. Pela negativa tenho de destacar os capitães de equipa, Helton e Lucho. O primeiro tem sido de uma regularidade impressionante na liga portuguesa, e tem-nos garantido muitos pontos. No entanto, no que toca à liga dos campeões, a história muda de figura. Tirando o "peru anual" das ediçoes anteriores, este ano o nosso guarda redes ficou ligado a vários golos do adversário. No Dragão frente ao Atlético falhou totalmente uma saída a um cruzamento e deixou Godin cabecear para a baliza deserta; na Rússia dividiu a paragem cerebral com Alex Sandro no golo do empate de Hulk; contra o Aústria de Viena, não sendo um frango, pareceu-me mal colocado, já que, como se viu na câmara colocada atrás da baliza, a bola nem entra junto ao poste e hoje divide as culpas com Maicon no primeiro golo, já que aquele poste/lado tem de ser do guarda redes. Relativamente a Lucho é preciso realçar o seguinte: já todos sabemos que ele não é um jovem e que já não tem a condição física de outros tempos.
Se ainda para mais está lesionado ou condicionado, como já tinha acontecido contra o Braga, simplesmente não deve jogar. Está-se a prejudicar a equipa e o jogador. Se contra o Braga foi apenas um jogo menos conseguido (à imagem dos outros 10 jogadores nos primeiros 45 minutos), já hoje foram notórias as suas limitações. Lento a pensar, lento a reagir, vários passes falhados, muitas perdas de bola incaracterísticas no nosso número 3.




Para finalizar, considero que até tivemos muita sorte em termos garantido o 3.º lugar, já que a 2.ª mais fraca prestação de sempre na Champions tenho dúvidas que merecesse sequer a passagem à Liga Europa. Recorde-se que em seis jogos, realizámos pelo menos 4 exibições sofríveis, sendo que a única exibição à Porto terminou com a derrota por 1-0 frente ao Zenit e a outra exibição, não à Porto, mas pelo menos razoável, traduziu-se numa derrota por 2-1 frente ao Atlético, ambas no Dragão. Terminámos com apenas cinco pontos, empatados com uma equipa que se quedaria no meio da tabela na liga portuguesa.


Muita coisa tem de mudar para Vila do Conde. Se não se mudar o treinador (não me parece o melhor dos timings, a mudar, mudaria depois desse jogo ou depois da recepção ao Olhanense), pelo menos que se mude a táctica e os princípios de jogo, a exemplo da 2ª parte do jogo com o Braga. Mais do mesmo, por favor, não!!

(fotografias retiradas de www.ojogo.pt)


terça-feira, 10 de dezembro de 2013

FC Porto 2013/2014

A época teve início há precisamente quatro meses, quando FC Porto e Guimarães se defrontaram em Aveiro para a Supertaça Portuguesa. O FC Porto substituíra o bicampeão Vítor Pereira pelo treinador sensação da época anterior, Paulo Fonseca, o qual parecia apostado em melhorar a qualidade exibicional da equipa, sem com isso pôr em causa a segurança defensiva patenteada recentemente. E pode se dizer que a estreia oficial na nova temporada deixou água na boca aos adeptos, já que o FC Porto venceu o jogo por uns esclarecedores 3-0.

Paulo Fonseca lançou o ex-Estoril Licá no 11, ao qual se juntou o retornado Fucile, sendo que os restantes 9 jogadores que alinharam de início já faziam parte do plantel há pelo menos um ano. No banco de suplentes figuravam outras caras novas do plantel, tais como Josué, Quintero, Ghilas e Herrera, e fora dos 18 convocados tínhamos ainda Carlos Eduardo, Ricardo, Reyes e Iturbe. O novo treinador do FC Porto introduziu uma alteração em relação ao modelo táctico utilizado pelos anteriores treinadores. Ao contrário de Jesualdo Ferreira, Vilas Boas e Vítor Pereira, Paulo Fonseca pretendia ver invertido o triângulo do meio campo portista, colocando um homem ao lado de Fernando e adiantando Lucho Gonzalez no terreno. Pretendia, também, um futebol mais incisivo, objectivo, rápido e directo, desvalorizando um pouco o futebol de posse das anteriores 3 temporadas. E, aparentemente, as suas ideias iriam concretizar-se na pratica.

Os indícios dos jogos da pré temporada deixavam antever que o FCP teria um plantel forte e o início de época foi prometedor. Existiu, ainda, a possibilidade ou a tentação de contratar um extremo de qualidade inegável, tendo Bernard ficado muito próximo de vestir de azul e branco (e que falta faz hoje em dia, acrescente-se!). De qualquer forma, parece-me claro que um treinador que pode contar com: Helton, Fabiano e Bolat para a baliza; 3 centrais de qualidade como Mangala (internacional francês), Otamendi (internacional argentino) e Maicon e um quarto  (Reyes) com um potencial de crescimento muito significativo; 2 laterais de classe mundial como Danilo e Alex Sandro e  Fucile que, surpreendentemente para mim, até correspondeu nos jogos em que foi chamado e que poderia jogar tanto à esquerda como à direita; um trinco como Fernando, na sua melhor forma de sempre; dois médios centro com provas dadas em Portugal como Lucho Gonzalez e Defour (internacional belga de quem gosto muito), tendo ainda optado por emprestar Castro para que este pudesse jogar com regularidade em ano de mundial;  vários médios centro versáteis como Marat Ismaylov, Carlos Eduardo, Josué e Herrera; Varela (bom jogador, aparece quase sempre nos momentos decisivos, apesar da sua irregularidade), Licá, Kelvin, Ricardo, Iturbe e Juan Quintero para as alas; e Ghilas(um 2º ponta de lança, algo que Vítor Pereira nunca teve), uma das revelações de 2012-2013, a fazer companhia no ataque a Jackson Martinez, não pode dizer que tinha ou tem um plantel fraco. Pode-se sempre argumentar que não é um plantel de estrelas e que João Moutinho e James fazem muita falta, mas Paulo Fonseca tinha e tem um plantel com qualidade mais que suficiente para ser favorito a conquistar o título nacional e para discutir taco a taco o apuramento na Champions.

Mas, infelizmente, e apesar de um início empolgante, o FC Porto tem-me desiludido com uma frequência assustadora. Se até ao jogo com o Gil Vicente a qualidade de jogo apresentada era satisfatória, já a partir desse dia, e apesar das várias vitórias, o nível exibicional tem se mantido confrangedoramente fraco. Arrisco-me a dizer que, tirando a recepção ao Sporting e a deslocação a Guimarães para a Taça, a produção dos azuis e brancos tem estado ao nível de uma equipa que luta apenas pela qualificação para a liga europa. Podemos incluir também a recepção ao Zenit neste lote de lufadas de ar fresco, a qual, infelizmente, foi sol de pouca dura. Não se ganhou uma equipa, apenas se perdeu a passagem aos quartos de final da champions (gostava de estar enganado, mas acho muito complicado ganhar em Madrid, sendo certo que tal não é suficiente, teremos sempre de esperar que Hulk e Cia. não vençam em Viena).

Na nona jornada, já em inícios de Novembro e com  quatro meses de treino nas pernas, deslocámo-nos a Belém, ficando a deslocação marcada por um empate a uma bola, naquela que foi, para mim, a pior exibição da época até à data. Quando achei que as coisas só podiam melhorar, eis que nos cinco jogos seguintes apenas vencemos um (em Guimarães, para a Taça de Portugal), desbaratando a vantagem alcançada no campeonato. O empate no Dragão com o Áustria de Viena e a derrota em Coimbra traçavam, assim, pensava eu, o destino de Paulo Fonseca. Não havia volta a dar. Era preciso mudar alguma coisa. As introduções tácticas e a filosofia de jogo do novo treinador não resultavam e os mesmos jogadores que o ano passado não consentiam sequer oportunidades a adversários de valor semelhante a Nacional, Académica, Áustria de Viena e Belenenses, demonstravam uma organização defensiva ao nível de equipas da segunda liga. A isto juntava-se uma total incapacidade de pressionar alto e de criar jogadas de envolvimento, sendo habitual ver Jackson Martinez abandonado na área adversaria à espera do jogo directo dos médios e centrais azuis e brancos. Chegou se ao ridículo de ver Helton na área adversaria por 2 ou 3 vezes, sendo que numa dessas ocasiões estávamos apenas empatados quando ainda faltavam jogar quase 20 jogos até final. Tudo mau de mais para ser verdade.

Parece-me evidente que o sistema introduzido por Paulo Fonseca não resulta, já que Lucho nunca foi um 10 (muito menos hoje em dia), já que Fernando sempre jogou melhor sozinho (por alguma razão tem como alcunha o Polvo), Josué não tem características para jogar encostado à ala (pelo menos em jogos contra equipas pequenas que estacionam o autocarro a frente da baliza) e porque tanto Herrera, como Carlos Eduardo e Lucho Gonzalez são muito mais fortes na posição 8 num triângulo com um vértice recuado.

Em abono da verdade, é também necessário dizer que Paulo Fonseca não é o único culpado pelos maus resultados. É evidente que os jogadores não estão confortáveis em campo e não estão com a confiança desejada, acabando por cometer erros infantis e desnecessários. Contudo, não me parece uma questão de atitude, porque fico sempre com a sensação que os jogadores correm desalmadamente em todos os jogos. Só que no futebol profissional correr muito não chega, é preciso organização e é preciso saber o que estamos a fazer em campo e porque fazemos determinados movimentos e certas jogadas. E isso, honestamente, dá-me a sensação que muitas vezes os jogadores neste momento não sabem.

O Presidente do FC Porto acabou por segurar o treinador, apesar da enorme contestação e da recepção à equipa no Dragão depois da hecatombe de Coimbra. Era, pois, imperativo vencer o Braga e dar uma sapatada na crise. Esperava-se um jogo à Porto, jogadores cheios de garra, a comer relva, não deixando o adversário respirar. Finalmente, tudo a postos para o começo do jogo, estádio bem composto, claques a marcar presença e a incentivar, arbitro apita para o início...da segunda parte, que foi quando o FC Porto começou a jogar, uma vez que até ao intervalo apenas vimos 11 jogadores com a camisola do FC Porto sem saber o que estavam a fazer no relvado.

Poucos instantes antes dos segundos 45 minutos se iniciarem, apercebi me que ia entrar Carlos Eduardo (como irão perceber, acredito MUITO neste menino), e pensei que saíria Herrera, que estava a passar claramente ao lado do jogo. Para meu espanto, o substituído foi Lucho Gonzalez. Defour começou a jogar sozinho à frente da defesa, Herrera subiu quase para junto do recém entrado no meio campo, Carlos Eduardo veio buscar a bola mais atrás. Curiosamente, ou TALVEZ não, o jogo dos tricampeões nacionais

melhorou de uma forma impressionaste (claro que o golo também terá ajudado, mas não foi só isso). A pressão foi mais eficaz com Herrera a mostrar onde pode ser realmente útil, os passes foram mais precisos, as linhas estavam mais próximas, os alas a abriam o jogo, os laterais subiam alternadamente e com critério, Jackson podia ficar na área e a não tinha de vir buscar o jogo ao meio campo com tanta frequência, Varela tinha espaço para o 1x1 sem que os defesas contrários viessem às dobras, Josué fechava dentro a defender e distribuía bem o jogo no ultimo terço do campo e Carlos Eduardo encontrava espaços na defesa do Braga, fosse em penetrações com a bola dominada, fosse em tabelinhas que baralhavam os adversários (desculpem a heresia, mas este rapaz tem pormenores que me fazem lembrar Anderson Luiz de Souza).

O 1-0 chegou rapidamente, mas a equipa não se dava por satisfeita. Queria mais. Queria mostrar que está viva, que somos candidatos, os principais candidatos. As oportunidades sucederam-se até que Jackson bisou e o dragão pôde respirar de alívio, acreditando que a crise estava de partida. Os jogadores mereceram o aplauso no final do jogo e o treinador, aparentemente, também. Antes de o ouvir na flash interview, pensei que teria aprendido a lição e teria dado o braço a torcer. Duplo pivot nunca mais, jogo directo nem pensar. Contudo, o pior veio depois...

Já depois de Herrera se ter mostrado satisfeito com a exibição da segunda parte e de ter admitido que se adiantou no terreno a partir dos 45m, Paulo Fonseca explica que apenas tirou Lucho porque este estava lesionado e que não mexeu na estrutura do meio campo. Segundo o treinador do Porto, as posições dos jogadores em campo mantiveram-se as mesmas.

Não queria acreditar no que estava a ouvir. Então toda a gente viu que o Herrera (o jogador incluído)
subiu no terreno, que Defour jogou sozinho na frente da defesa e que Carlos Eduardo veio buscar o jogo mais atrás quando comparado com Lucho e o treinador vem dizer que isso não e verdade.

Das três uma:
  1. Está a dizer que isso não se verificou para tentar induzir os adversários em erro e apanhá-los de surpresa nos próximos jogos; ou
  2. Os jogadores mudaram de posições sem instruções do treinador nesse sentido e isso é extremamente grave, sendo que o treinador quer resolver o problema internamente; ou
  3. Não se apercebeu das mudanças tácticas, o que é impensável num treinador profissional e revelador de falta de qualidade para o lugar que ocupa.

Penso que os próximos dois jogos para o campeonato serão decisivos para se avaliar definitivamente se Paulo Fonseca tem condições e qualidade para se manter no cargo. Temos dois jogos importantíssimos antes do Natal, contra adversários que temos obrigatoriamente de vencer antes da deslocação ao Estádio da Luz. Na minha opinião, o treinador não pode voltar ao sistema táctico da primeira parte do jogo com o Braga. Se o fizer e os resultados forem negativos, não vejo alternativa que não seja a sua substituição. Se por outro lado, der o braço a torcer, esquecer o duplo pivot, colocar os jogadores nas posicoes certas, estou convencido que ainda vamos ter muitas alegrias esta época, ainda para mais se o pai natal for generoso.

Sejamos honestos, o plantel que o treinador do FC Porto tem à sua disposição é mais do que suficiente para alcançar o primeiro lugar. Não digo que o FC Porto seja mais equipa que o Sporting, porque, neste momento, talvez não o seja. Mas quantos jogadores do Sporting é que entravam no onze do Porto? Rui Patrício, Montero, William Carvalho, Capel, talvez, apenas talvez. O Sporting está em 1º lugar porque o seu treinador tem sido mais competente que o do FC Porto, tendo já jogado com o Benfica e com o Porto. Ao contrário de Paulo Fonseca, Leonardo Jardim escolheu um sistema em função dos jogadores disponíveis. Um sistema que potencia as qualidades e as principais características dos intervenientes, escondendo ou menorizando os seus defeitos, ao invés de escolher um sistema de jogo tentando que os jogadores se adaptem a ele. Se o nosso treinador der o braço a torcer e fizer o mesmo, estou convencido que os apanharemos muito brevemente.

Já quanto ao Benfica, está um pouco como nós. Tem um bom plantel, apesar de Luisão estar em claro declínio, de Artur ser muito irregular e de Cardozo não ter alternativa ao seu nível. O que nos vale é que o presidente do Benfica optou por manter o treinador quando grande parte do plantel já não acredita nele, levando o Benfica a perder pontos impensáveis, como por exemplo com os dois recém promovidos, caso contrario, já estaríamos bem atrás na classificação. 

Imaginam o Benfica e o FC Porto do ano passado nesta liga? Estariam à frente do Sporting, a lutar taco a taco pelo titulo.