Porto Bayern

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terça-feira, 10 de dezembro de 2013

FC Porto 2013/2014

A época teve início há precisamente quatro meses, quando FC Porto e Guimarães se defrontaram em Aveiro para a Supertaça Portuguesa. O FC Porto substituíra o bicampeão Vítor Pereira pelo treinador sensação da época anterior, Paulo Fonseca, o qual parecia apostado em melhorar a qualidade exibicional da equipa, sem com isso pôr em causa a segurança defensiva patenteada recentemente. E pode se dizer que a estreia oficial na nova temporada deixou água na boca aos adeptos, já que o FC Porto venceu o jogo por uns esclarecedores 3-0.

Paulo Fonseca lançou o ex-Estoril Licá no 11, ao qual se juntou o retornado Fucile, sendo que os restantes 9 jogadores que alinharam de início já faziam parte do plantel há pelo menos um ano. No banco de suplentes figuravam outras caras novas do plantel, tais como Josué, Quintero, Ghilas e Herrera, e fora dos 18 convocados tínhamos ainda Carlos Eduardo, Ricardo, Reyes e Iturbe. O novo treinador do FC Porto introduziu uma alteração em relação ao modelo táctico utilizado pelos anteriores treinadores. Ao contrário de Jesualdo Ferreira, Vilas Boas e Vítor Pereira, Paulo Fonseca pretendia ver invertido o triângulo do meio campo portista, colocando um homem ao lado de Fernando e adiantando Lucho Gonzalez no terreno. Pretendia, também, um futebol mais incisivo, objectivo, rápido e directo, desvalorizando um pouco o futebol de posse das anteriores 3 temporadas. E, aparentemente, as suas ideias iriam concretizar-se na pratica.

Os indícios dos jogos da pré temporada deixavam antever que o FCP teria um plantel forte e o início de época foi prometedor. Existiu, ainda, a possibilidade ou a tentação de contratar um extremo de qualidade inegável, tendo Bernard ficado muito próximo de vestir de azul e branco (e que falta faz hoje em dia, acrescente-se!). De qualquer forma, parece-me claro que um treinador que pode contar com: Helton, Fabiano e Bolat para a baliza; 3 centrais de qualidade como Mangala (internacional francês), Otamendi (internacional argentino) e Maicon e um quarto  (Reyes) com um potencial de crescimento muito significativo; 2 laterais de classe mundial como Danilo e Alex Sandro e  Fucile que, surpreendentemente para mim, até correspondeu nos jogos em que foi chamado e que poderia jogar tanto à esquerda como à direita; um trinco como Fernando, na sua melhor forma de sempre; dois médios centro com provas dadas em Portugal como Lucho Gonzalez e Defour (internacional belga de quem gosto muito), tendo ainda optado por emprestar Castro para que este pudesse jogar com regularidade em ano de mundial;  vários médios centro versáteis como Marat Ismaylov, Carlos Eduardo, Josué e Herrera; Varela (bom jogador, aparece quase sempre nos momentos decisivos, apesar da sua irregularidade), Licá, Kelvin, Ricardo, Iturbe e Juan Quintero para as alas; e Ghilas(um 2º ponta de lança, algo que Vítor Pereira nunca teve), uma das revelações de 2012-2013, a fazer companhia no ataque a Jackson Martinez, não pode dizer que tinha ou tem um plantel fraco. Pode-se sempre argumentar que não é um plantel de estrelas e que João Moutinho e James fazem muita falta, mas Paulo Fonseca tinha e tem um plantel com qualidade mais que suficiente para ser favorito a conquistar o título nacional e para discutir taco a taco o apuramento na Champions.

Mas, infelizmente, e apesar de um início empolgante, o FC Porto tem-me desiludido com uma frequência assustadora. Se até ao jogo com o Gil Vicente a qualidade de jogo apresentada era satisfatória, já a partir desse dia, e apesar das várias vitórias, o nível exibicional tem se mantido confrangedoramente fraco. Arrisco-me a dizer que, tirando a recepção ao Sporting e a deslocação a Guimarães para a Taça, a produção dos azuis e brancos tem estado ao nível de uma equipa que luta apenas pela qualificação para a liga europa. Podemos incluir também a recepção ao Zenit neste lote de lufadas de ar fresco, a qual, infelizmente, foi sol de pouca dura. Não se ganhou uma equipa, apenas se perdeu a passagem aos quartos de final da champions (gostava de estar enganado, mas acho muito complicado ganhar em Madrid, sendo certo que tal não é suficiente, teremos sempre de esperar que Hulk e Cia. não vençam em Viena).

Na nona jornada, já em inícios de Novembro e com  quatro meses de treino nas pernas, deslocámo-nos a Belém, ficando a deslocação marcada por um empate a uma bola, naquela que foi, para mim, a pior exibição da época até à data. Quando achei que as coisas só podiam melhorar, eis que nos cinco jogos seguintes apenas vencemos um (em Guimarães, para a Taça de Portugal), desbaratando a vantagem alcançada no campeonato. O empate no Dragão com o Áustria de Viena e a derrota em Coimbra traçavam, assim, pensava eu, o destino de Paulo Fonseca. Não havia volta a dar. Era preciso mudar alguma coisa. As introduções tácticas e a filosofia de jogo do novo treinador não resultavam e os mesmos jogadores que o ano passado não consentiam sequer oportunidades a adversários de valor semelhante a Nacional, Académica, Áustria de Viena e Belenenses, demonstravam uma organização defensiva ao nível de equipas da segunda liga. A isto juntava-se uma total incapacidade de pressionar alto e de criar jogadas de envolvimento, sendo habitual ver Jackson Martinez abandonado na área adversaria à espera do jogo directo dos médios e centrais azuis e brancos. Chegou se ao ridículo de ver Helton na área adversaria por 2 ou 3 vezes, sendo que numa dessas ocasiões estávamos apenas empatados quando ainda faltavam jogar quase 20 jogos até final. Tudo mau de mais para ser verdade.

Parece-me evidente que o sistema introduzido por Paulo Fonseca não resulta, já que Lucho nunca foi um 10 (muito menos hoje em dia), já que Fernando sempre jogou melhor sozinho (por alguma razão tem como alcunha o Polvo), Josué não tem características para jogar encostado à ala (pelo menos em jogos contra equipas pequenas que estacionam o autocarro a frente da baliza) e porque tanto Herrera, como Carlos Eduardo e Lucho Gonzalez são muito mais fortes na posição 8 num triângulo com um vértice recuado.

Em abono da verdade, é também necessário dizer que Paulo Fonseca não é o único culpado pelos maus resultados. É evidente que os jogadores não estão confortáveis em campo e não estão com a confiança desejada, acabando por cometer erros infantis e desnecessários. Contudo, não me parece uma questão de atitude, porque fico sempre com a sensação que os jogadores correm desalmadamente em todos os jogos. Só que no futebol profissional correr muito não chega, é preciso organização e é preciso saber o que estamos a fazer em campo e porque fazemos determinados movimentos e certas jogadas. E isso, honestamente, dá-me a sensação que muitas vezes os jogadores neste momento não sabem.

O Presidente do FC Porto acabou por segurar o treinador, apesar da enorme contestação e da recepção à equipa no Dragão depois da hecatombe de Coimbra. Era, pois, imperativo vencer o Braga e dar uma sapatada na crise. Esperava-se um jogo à Porto, jogadores cheios de garra, a comer relva, não deixando o adversário respirar. Finalmente, tudo a postos para o começo do jogo, estádio bem composto, claques a marcar presença e a incentivar, arbitro apita para o início...da segunda parte, que foi quando o FC Porto começou a jogar, uma vez que até ao intervalo apenas vimos 11 jogadores com a camisola do FC Porto sem saber o que estavam a fazer no relvado.

Poucos instantes antes dos segundos 45 minutos se iniciarem, apercebi me que ia entrar Carlos Eduardo (como irão perceber, acredito MUITO neste menino), e pensei que saíria Herrera, que estava a passar claramente ao lado do jogo. Para meu espanto, o substituído foi Lucho Gonzalez. Defour começou a jogar sozinho à frente da defesa, Herrera subiu quase para junto do recém entrado no meio campo, Carlos Eduardo veio buscar a bola mais atrás. Curiosamente, ou TALVEZ não, o jogo dos tricampeões nacionais

melhorou de uma forma impressionaste (claro que o golo também terá ajudado, mas não foi só isso). A pressão foi mais eficaz com Herrera a mostrar onde pode ser realmente útil, os passes foram mais precisos, as linhas estavam mais próximas, os alas a abriam o jogo, os laterais subiam alternadamente e com critério, Jackson podia ficar na área e a não tinha de vir buscar o jogo ao meio campo com tanta frequência, Varela tinha espaço para o 1x1 sem que os defesas contrários viessem às dobras, Josué fechava dentro a defender e distribuía bem o jogo no ultimo terço do campo e Carlos Eduardo encontrava espaços na defesa do Braga, fosse em penetrações com a bola dominada, fosse em tabelinhas que baralhavam os adversários (desculpem a heresia, mas este rapaz tem pormenores que me fazem lembrar Anderson Luiz de Souza).

O 1-0 chegou rapidamente, mas a equipa não se dava por satisfeita. Queria mais. Queria mostrar que está viva, que somos candidatos, os principais candidatos. As oportunidades sucederam-se até que Jackson bisou e o dragão pôde respirar de alívio, acreditando que a crise estava de partida. Os jogadores mereceram o aplauso no final do jogo e o treinador, aparentemente, também. Antes de o ouvir na flash interview, pensei que teria aprendido a lição e teria dado o braço a torcer. Duplo pivot nunca mais, jogo directo nem pensar. Contudo, o pior veio depois...

Já depois de Herrera se ter mostrado satisfeito com a exibição da segunda parte e de ter admitido que se adiantou no terreno a partir dos 45m, Paulo Fonseca explica que apenas tirou Lucho porque este estava lesionado e que não mexeu na estrutura do meio campo. Segundo o treinador do Porto, as posições dos jogadores em campo mantiveram-se as mesmas.

Não queria acreditar no que estava a ouvir. Então toda a gente viu que o Herrera (o jogador incluído)
subiu no terreno, que Defour jogou sozinho na frente da defesa e que Carlos Eduardo veio buscar o jogo mais atrás quando comparado com Lucho e o treinador vem dizer que isso não e verdade.

Das três uma:
  1. Está a dizer que isso não se verificou para tentar induzir os adversários em erro e apanhá-los de surpresa nos próximos jogos; ou
  2. Os jogadores mudaram de posições sem instruções do treinador nesse sentido e isso é extremamente grave, sendo que o treinador quer resolver o problema internamente; ou
  3. Não se apercebeu das mudanças tácticas, o que é impensável num treinador profissional e revelador de falta de qualidade para o lugar que ocupa.

Penso que os próximos dois jogos para o campeonato serão decisivos para se avaliar definitivamente se Paulo Fonseca tem condições e qualidade para se manter no cargo. Temos dois jogos importantíssimos antes do Natal, contra adversários que temos obrigatoriamente de vencer antes da deslocação ao Estádio da Luz. Na minha opinião, o treinador não pode voltar ao sistema táctico da primeira parte do jogo com o Braga. Se o fizer e os resultados forem negativos, não vejo alternativa que não seja a sua substituição. Se por outro lado, der o braço a torcer, esquecer o duplo pivot, colocar os jogadores nas posicoes certas, estou convencido que ainda vamos ter muitas alegrias esta época, ainda para mais se o pai natal for generoso.

Sejamos honestos, o plantel que o treinador do FC Porto tem à sua disposição é mais do que suficiente para alcançar o primeiro lugar. Não digo que o FC Porto seja mais equipa que o Sporting, porque, neste momento, talvez não o seja. Mas quantos jogadores do Sporting é que entravam no onze do Porto? Rui Patrício, Montero, William Carvalho, Capel, talvez, apenas talvez. O Sporting está em 1º lugar porque o seu treinador tem sido mais competente que o do FC Porto, tendo já jogado com o Benfica e com o Porto. Ao contrário de Paulo Fonseca, Leonardo Jardim escolheu um sistema em função dos jogadores disponíveis. Um sistema que potencia as qualidades e as principais características dos intervenientes, escondendo ou menorizando os seus defeitos, ao invés de escolher um sistema de jogo tentando que os jogadores se adaptem a ele. Se o nosso treinador der o braço a torcer e fizer o mesmo, estou convencido que os apanharemos muito brevemente.

Já quanto ao Benfica, está um pouco como nós. Tem um bom plantel, apesar de Luisão estar em claro declínio, de Artur ser muito irregular e de Cardozo não ter alternativa ao seu nível. O que nos vale é que o presidente do Benfica optou por manter o treinador quando grande parte do plantel já não acredita nele, levando o Benfica a perder pontos impensáveis, como por exemplo com os dois recém promovidos, caso contrario, já estaríamos bem atrás na classificação. 

Imaginam o Benfica e o FC Porto do ano passado nesta liga? Estariam à frente do Sporting, a lutar taco a taco pelo titulo.






3 comentários:

  1. Bem-vindo e boa-sorte. Vou linkar o teu blog e procurar passar por aqui.

    Abraço

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  2. caro Tiago,

    bem-vindo! e muita fortuna para esta nova aventura :D.

    as minhas primeiras impressões (e se mo permites):
    1) aspecto agradável
    2) lettring a reconsiderar: tamanho da letra é pequeno e, por vezes, dificulta a leitura
    3) enquanto portista, tens hiperligações para sítios que não considero recomendáveis (por mais "monstros" que sejam) :D
    4) a tua apresentação poderia estar inclusa numa página à parte (para além de que falta a referência ao meu estaminé :D - estou a reinar, acredita)
    5) considera a hipótese de colocares imagens a embelezar os posts
    6) esta é dura: e pensava eu que escrevia testamentos :D a sério: não o faças, por mais vontade que tenhas. eu sei o quão difícil se torna acatar esta sugestão, mas acredita que é para o teu bem e do teu blogue :D

    no fundamental:
    «fico sempre com a sensação que os jogadores correm desalmadamente em todos os jogos. Só que no futebol profissional correr muito não chega, é preciso organização e é preciso saber o que estamos a fazer em campo e porque fazemos determinados movimentos e certas jogadas. E isso, honestamente, dá-me a sensação que muitas vezes os jogadores neste momento não sabem.»

    não poderia estar mais de acordo contigo. nas duas últimas vezes que fui ao Dragão (ante o Nacional e o SC Braga), saí exactamente com essa impressão.

    abr@ço
    Miguel | Tomo II

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    Respostas
    1. Miguel,

      Muito obrigado pela visita e pelas tuas dicas. O lettering é uma das coisas que à partida vou alterar.
      A minha apresentação passará para uma página à parte assim que atingir um certo volume de posts e quando (ou se) os bloggers e os leitores já souberem quem sou.
      Pensei em pôr imagens, mas também tinha a noção que o post ia bastante longo. Optei por abusar um pouco no tamanho por ser o primeiro e querer fazer um pequeno apanhado destes quatro meses. Por fim, a referência a outros blogs "menos recomendáveis" deve-se ao facto de gostar de saber o que o "inimigo" pensa, o que não significa que concorde com o que lá é postado. De qualquer forma tens de concordar que dá um gostinho especial ir lá espreitar depois de momentos como o "K 92" ou a final da Liga Europa.

      Um abraço

      Tiago Stuve

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