Azul e Branco

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quinta-feira, 12 de dezembro de 2013

O descalabro europeu do FC Porto - Episódio VI

Confesso que depois da 2.ª parte do jogo de sábado com o Braga tinha uma secreta esperança de que o FC Porto se pudesse apurar para os oitavos de final. Ao ver a equipa inicial do Atlético, mais esperançado fiquei. A poupança de vários jogadores nucleares era uma vantagem que podíamos aproveitar.

Pensava que o (ainda ?) treinador do FC Porto teria percebido de que forma devia colocar a equipa a jogar, evitando o posicionamento de um outro homem ao lado de Fernando e não deixando que Lucho Gonzalez se colasse a Jackson Martinez no ataque (ver imagem em baixo retirada do www.reflexaoportista.com exemplificando a minha escolha em termos tácticos, não olhando a nomes). No que diz respeito a Josué, embora reconheça que ele não é um ala ou extremo, talvez fizesse sentido a aposta de Paulo Fonseca nele para este jogo. Pelo menos para a 1ª parte, reforçando o meio campo numa primeira fase, para depois na 2ª parte vir a ser substituído caso fosse necessário forçar o ataque para chegar ao golo.

Não podia estar mais enganado. Paulo Fonseca não só voltou a cometer os erros tácticos habituais, como ainda não compreendeu como atacar defesas mais fechadas. Fico mesmo a pensar se ele vê um jogo diferente de todos os outros ou se nos treinos as coisas saem na perfeição e depois nos jogos é o que se vê. A forma como os laterais despejam constantemente a bola para a área, limitando-se os restantes jogadores a esperar por ela estaticamente nas costas dos defesas contrários, é sintomática da falta de organização e de ideias no últimos terço do terreno. E se mesmo assim não se aposta em Quintero, pouco mais haverá a dizer sobre a tentativa de encontrar soluções e alternativas por parte do treinador. É que nem a meia distância exploramos!!!

Convém, no entanto, conceder que a exibição do Porto não foi tão má como aquelas que a equipa realizou nos dois jogos contra o Austria de Viena nem como as recentes vergonhas contra Belenenses, Académica e Nacional. Mas também não se pense que jogámos bem, porque isso não é verdade. O adversário limitou-se a jogar qb, dando às vezes a ideia que se imprimisse outra velocidade e se disponibilizasse mais homens nas saídas para o ataque, poderia ter causado sérios problemas à defesa do FC Porto durante a 2ª parte. Quanto às desculpas com azares, penaltis falhados e bolas nos postes, desculpem lá, mas isso sempre foi conversa de benfiquistas e sportinguistas. Mais um bocado e também nos queixávamos do árbitro, que perdoou um penalti a Alex Sandro na primeira parte.


No plano individual, gostei de Jackson e, a espaços, de Danilo e Varela. O avançado mostrou-se muito batalhador e inconformado, enquanto Danilo e Varela tentaram forçar o ataque pelo lado direito. Pela negativa tenho de destacar os capitães de equipa, Helton e Lucho. O primeiro tem sido de uma regularidade impressionante na liga portuguesa, e tem-nos garantido muitos pontos. No entanto, no que toca à liga dos campeões, a história muda de figura. Tirando o "peru anual" das ediçoes anteriores, este ano o nosso guarda redes ficou ligado a vários golos do adversário. No Dragão frente ao Atlético falhou totalmente uma saída a um cruzamento e deixou Godin cabecear para a baliza deserta; na Rússia dividiu a paragem cerebral com Alex Sandro no golo do empate de Hulk; contra o Aústria de Viena, não sendo um frango, pareceu-me mal colocado, já que, como se viu na câmara colocada atrás da baliza, a bola nem entra junto ao poste e hoje divide as culpas com Maicon no primeiro golo, já que aquele poste/lado tem de ser do guarda redes. Relativamente a Lucho é preciso realçar o seguinte: já todos sabemos que ele não é um jovem e que já não tem a condição física de outros tempos.
Se ainda para mais está lesionado ou condicionado, como já tinha acontecido contra o Braga, simplesmente não deve jogar. Está-se a prejudicar a equipa e o jogador. Se contra o Braga foi apenas um jogo menos conseguido (à imagem dos outros 10 jogadores nos primeiros 45 minutos), já hoje foram notórias as suas limitações. Lento a pensar, lento a reagir, vários passes falhados, muitas perdas de bola incaracterísticas no nosso número 3.




Para finalizar, considero que até tivemos muita sorte em termos garantido o 3.º lugar, já que a 2.ª mais fraca prestação de sempre na Champions tenho dúvidas que merecesse sequer a passagem à Liga Europa. Recorde-se que em seis jogos, realizámos pelo menos 4 exibições sofríveis, sendo que a única exibição à Porto terminou com a derrota por 1-0 frente ao Zenit e a outra exibição, não à Porto, mas pelo menos razoável, traduziu-se numa derrota por 2-1 frente ao Atlético, ambas no Dragão. Terminámos com apenas cinco pontos, empatados com uma equipa que se quedaria no meio da tabela na liga portuguesa.


Muita coisa tem de mudar para Vila do Conde. Se não se mudar o treinador (não me parece o melhor dos timings, a mudar, mudaria depois desse jogo ou depois da recepção ao Olhanense), pelo menos que se mude a táctica e os princípios de jogo, a exemplo da 2ª parte do jogo com o Braga. Mais do mesmo, por favor, não!!

(fotografias retiradas de www.ojogo.pt)


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