Azul e Branco

Azul e Branco

domingo, 12 de janeiro de 2014

Agora já só não vê quem não quiser!

Li nas notícias que o FC Porto perdeu hoje por 2-0 com o Benfica no Estádio da Luz. Fui confirmar e fiquei aliviado. Na verdade, quem perdeu o jogo não foi o FC Porto, tri-campeão nacional e dominador do futebol português nos últimos trinta anos, mas sim um grupo de 11 jogadores vestidos com umas tshirts azuis e brancas. Estes outrora bons jogadores de futebol não fazem, hoje em dia, a menor ideia do que estão a fazer em campo e parece que não têm qualquer noção da importância do símbolo que trazem ao peito. Sob a  (des)orientação de um dos maiores incompetentes desde os tempos de Octávio Machado, os jogadores que entraram em campo, na sua esmagadora maioria internacionais pelos seus países, os quais eram cobiçados até há pouco pelos colossos do futebol mundial, proporcionaram aos magníficos adeptos que se deslocaram a Lisboa um espectáculo na senda daqueles com que têm vindo a brindar os portistas esta época. Um espectáculo deplorável, deprimente e amador, o qual envergonha todos aqueles que tenham um nível de exigência minimamente semelhante àquele que foi imposto por Pinto da Costa quando tomou conta do clube. Realço a lição de civismo e fair play dada pelos adeptos dos dragões ao respeitarem (na sua esmagadora maioria) o minuto de silêncio em memória de Eusébio e, também, a lição de amor ao clube que nos foi sendo dada durante os 90m, já que, mesmo a perder por 2-0, por diversas vezes se ouviram os cânticos a puxar pela nossa equipa.

Foi um FC Porto sem ideias, sem organização, sem garra, sem crença e sem qualidade aquele que se apresentou hoje na Luz. O Benfica, apesar de não ter feito uma grande exibição, fez aquilo que lhe competia. Explorou o centro do terreno e aproveitou as falhas da nossa defensiva. Teve várias oportunidades de golo para além das duas que concretizou, ao contrário do FC Porto, que apenas podia ter feito o golo num cruzamento de Licá desviado por Jackson (em fora de jogo). Penso, até, que a vitória do Benfica podia ter atingido outros contornos depois do segundo golo e, ainda, após a expulsão de Danilo. Fiquei com a ideia que os encarnados tiraram o pé do acelerador (ou então estavam simplesmente esgotados) e que não forçaram o terceiro golo. Enfim, demasiado mau para ser verdade, à imagem do sucedido em Alvalade (e no Restelo e em Coimbra), com a diferença de que o SCP não concretizou as suas oportunidades.

Individualmente, apenas gostei de Varela e em parte de Mangala (apesar de batido por Garay no segundo golo) e de Alex Sandro. Pela negativa, Danilo fez o terceiro jogo consecutivo em que não me causou boa impressão, Otamendi foi simplesmente horrível a defender (o primeiro golo tem duas falhas claras do argentino, falhando o passe na saída para o ataque e não fechando o meio na assistência de Markovic), Fernando perdido no meio dos dois centro campistas encarnados, Lucho novamente sem pernas para jogos com maior intensidade, CE20 longe daquilo que pode fazer e demasiado encostado a Jackson, Licá esteve melhor do que nos últimos jogos mas mesmo assim não chega, Jackson irreconhecível e perdulário, Quaresma sem ritmo mas com vontade e toque de bola, Josué entrou bem. Helton alternou o bom com o muito mau (talvez pudesse ter feito melhor no primeiro golo, mas o remate foi muito forte; no segundo golo fez me lembrar o Ricardo na final do Euro 2004...).

Quanto ao árbitro, confesso que não sei o que me enerva mais. Se a incompetência de Artur Soares Dias, se as desculpas esfarrapadas dos adeptos do nosso clube. A arbitragem foi muito fraca, mas não foi por aí que o FC Porto perdeu. Existiram erros grosseiros para os dois lados, sendo que, para mim, os mais evidentes foram o penalti por marcar por mão de Mangala e o lance interrompido quando Jackson vai isolado. Podia também falar do cartão mostrado a Jackson por empurrão a Maxi, do encosto por trás a Quaresma na área e no 2º amarelo a Danilo, mas não vou entrar por aí. Não vou tapar o sol com a peneira.

Quando decidi começar "O pé que está mais à mão", nos primeiros dias de Dezembro de 2013, prometi a mim mesmo que não iria estar constantemente a dizer mal do treinador do FC Porto e que iria aguardar, pelo menos, até aos jogos em Alvalade e na Luz. No entanto, e chegados a essa altura, já não consigo esconder a minha total descrença neste treinador. Não tem decididamente capacidade e qualidade para treinar o tri-campeão nacional. A regressão comparativamente com as últimas três épocas é indesmentível. Não existe qualquer vertente do jogo em que tenha existido evolução e nem o discurso é capaz de motivar adeptos e jogadores.

Comparativamente com os últimos anos, esta equipa defende INDISCUTIVELMENTE pior. Não existe qualquer comparação possível entre a solidez defensiva das equipas de André Villas Boas e Vítor Pereira e a tremideira que se verifica com Paulo Fonseca. Jogadores que eram sinónimo de fiabilidade e concentração e que eram alvo constante do interesse de grandes equipas europeias são hoje jogadores que dificilmente teriam lugar em equipas de Champions League. Danilo raramente era ultrapassado no passado, Alex Sandro defendia bem e saía para o ataque com critério, Mangala impressionava pela imponência. Hoje, o comum adepto até treme quando a bola está nos pés de Otamendi. Hoje, nem me entusiasmo quando vejo Danilo ou Alex Sandro subirem no terreno porque dificilmente as suas incursões terão sucesso...

A equipa de Paulo Fonseca sofre mais golos e marca menos, sendo certo que este ano, ao contrário do último, temos dois pontas de lança de raiz no plantel. Esta equipa perde 12 pontos em 15 jogos quando o ano passado Vítor Pereira perdeu 12 pontos em 30 jogos. Esta equipa não é forte nas bolas paradas defensivas, nem tem um meio campo que consiga imprimir o ritmo de jogo que mais lhe convém, nem tão pouco é capaz de pressionar à saída da área do adversário, recuperando a bola no último terço do terreno. Esta equipa está em terceiro lugar no campeonato, atrás de um Sporting com um orçamento muito inferior e com uma equipa de miúdos. Esta equipa fez uma prestação nas competições europeias em que consegue alcançar os mesmos pontos que o inofensivo Austria de Viena, não conseguindo vencer um único jogo em casa. Esta equipa, em ano de mundial, não consegue valorizar um único jogador. Não há nenhum jogador (talvez Fernando) que neste momento valha mais do que valia no final da última época. O futebol é qualitativamente muito inferior ao das últimas épocas. O discurso do treinador é fraco e não vemos evoluções desde Julho. A equipa joga há 6 meses junta e não conseguimos perceber qual a estratégia delineada nem existe qualquer fio de jogo.

Está na hora de dizer basta. Paulo Fonseca será, certamente, uma óptima pessoa e estará a fazer o seu melhor. Não duvido. Mas isto é o FC Porto. Só isso não chega. É preciso mais. MUITO mais. Como disse na antevisão do jogo, não exijo vitórias, não exijo resultados. Exijo atitude, exijo qualidade. Exijo ser Porto. E isso não se tem visto desde meio de Setembro. Está na altura de procurar alternativas. A altura é boa, o mercado de inverno está aberto, o treinador que vier/voltar poderá retocar o plantel à sua medida. Podem-me dizer que um novo treinador poderá não fazer melhor. Acredito, é um risco. Mas de uma coisa não tenho dúvidas. Quem vier só muito dificilmente poderá fazer pior. Vamos à 32.ª decisão, Presidente?

P.S. 1 - A desculpa de que mudar de treinador não dá resultado no Porto é uma falácia. Não é possível saber isso! Mourinho substituiu Octávio quando estava em 4.º a 7 pontos do SCP. Terminou em 3.º a 7 pontos do SCP. Ou seja, não perdeu qualquer ponto para o SCP desde que entrou e subiu um lugar na classificação. E preparou as duas épocas que se seguiram. Quem vos garante que se Octávio tivesse sido corrido um pouco mais cedo, que o FCP não teria sido campeão também em 2001-2002? É fácil dizer que as trocas de treinador não dão resultado quando o Porto está já a meia dúzia de pontos na tabela...

P.S. 2 -  Robson substituiu Ivic e foi o melhor que nos aconteceu

2 comentários:

  1. Qualquer Portista concordará com esse texto (O Miguel Sousa Tavares não conta porque só é portista quando o FC Porto está em primeiro). O Porto tem jogado como o Sporting nos últimos anos e o pior é que o Presidente do FC Porto quando troca de treinador costuma ser tarde. Se perdermos o campeonato, na próxima época somos campeões mas é penoso para qualquer portista aguentar isto até Maio.

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  2. Mais uma vez, excelente comentário.
    Gostava de comentar com mais profundidade, mas não tenho o tempo e já não sei, se o interesse que esta equipa, comandada por um comandante concordia merece.
    Apenas falo do Danilo e dos milhões que estiveram envolvidos na sua transferência, a qual deve ter enchido bem os bolsos dos nossos queridos comandantes da Náu. É certo que são bons, mas também são pagos a peso de ouro.
    Relativamente ao Danilo, que desviamos do Benfas, não vou-me alongar nas premissas financeiras mas sim no potencial futebolístico do rapaz.
    Desafio a verem os golos que o Santos "tomava" na altura do Danilo ( não tenho tempo para arranjar links do youtube). Este jogava a defesa esquerdo, e nem sempre era titular, o que se compreendia dado os seus 19, 20, 21 anos. Como sabemos o Santos é um bom viveiro de novas promessas do futebol brasileiro, e os treinadores vão apostando em jovens, umas vezes com resultados (caso do Neimar, Ganso entre outros) outras vezes não. E com isto não quero dizer que Danilo ou Alex Sandro não possam vir a dar excelentes jogadores. Precisam é de terem uma excelente orientação técnica. Por exemplo no caso de Robinho e de Diego ( outra dupla excelente que saiu do Santos) a sua passagem pela Europa, não foi produtiva para as suas carreiras, e já eram jogadores mais formados, porque os seus lideres sempre foram fracos. E Robinho com agravante de jogar num clube de manias e craques como o Real.
    Voltando novamente a Danilo, como já disse anteriormente, ele sobressaiu mais no Santos quando jogou a meia esquerdo. mas o treinador (Muricy Ramalho) foi sempre Burro, a coloca-lo a defesa esquerdo ( isto porque poupava jogadores para a Libertadores, e jogava o Campeonato com os B [Danilo e Alex incluído - O titular era o Leo,Benfiquista]). Se bem que o Santos para o meio campo tinha muitas opções, como Ganso, Arouca, Elano.
    Conclusão, isto do futebol tem muito que se diga, mas claramente também não é um bicho de sete cabeças que querem muitos dos envolvidos fazer passar. Quando o rei vai nu não restam muitas dúvidas. E para mim Fucile era muitíssimo melhor defesa esquerdo que Danilo, isso posso afirmar depois de ver alguns jogos do Danilo pelo Santos (clube que aprecio). Por outro lado Danilo é muito melhor que Licá a fazer de extremo.
    Agora sim concluindo. O problema do FCP não é um problema de jogadores ou de treinador. É simplesmente um problema de GESTÂO DE RECURSOS HUMANOS !

    Cumprimentos,

    R.A

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