Porto Bayern

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terça-feira, 14 de janeiro de 2014

O plantel do FC Porto e a sua falta de qualidade

Passadas 48 horas do descalabro que foi a exibição no Estádio da Luz, constatamos que o treinador do FC Porto tem cada vez menos apoios e que começam a ser muito poucos aqueles que acreditam que esta pode ser uma época de sucesso, caso Paulo Fonseca não seja substituído no comando técnico dos azuis e brancos. É público aquilo que penso que Pinto da Costa deveria fazer quanto a este assunto (facto que ficou claramente demonstrado no último post), mas tentei perceber as razões que levam alguns adeptos a defender a continuidade de Paulo Fonseca. A principal e, porventura, única razão para essa continuidade e para a sua desculpabilização prende-se com a alegada falta de qualidade do plantel dos dragões.

Alegam os defensores da continuidade do treinador que este será o plantel mais fraco dos últimos 10 ou 12 anos e que as saídas de Moutinho e James não foram devidamente colmatadas. Provavelmente serão os mesmos que defendiam que devemos contratar os jogadores que mais se destacam no nosso campeonato (fora dos três grandes), os quais já estariam adaptados a Portugal e que não seriam assim tão caros (Licá, Josué, Carlos Eduardo, Ghilas, Ricardo Pereira, Tiago Rodrigues).

Terão, ainda, sido contratados jogadores para posições em que estávamos bem servidos em detrimento da contratação de extremos de qualidade, o que até admito, mas que não justifica a pobreza franciscana a que temos assistido.

Começo por abordar a questão da falta de qualidade dos extremos. É verdade que, tirando Silvestre Varela, a equipa sentia e sente falta de um jogador que desiquilibre na ala. Não nego. Ter-nos-ia dado muito jeito um jogador como Bernard ou um qualquer novo Hulk. Chegou agora Quaresma e veremos o que é que ele tem para nos dar. No entanto, não nos esqueçamos que Vítor Pereira também não teve grandes opções para essa posição o ano passado. Atsu, um miúdo, jogou a espaços até ao Natal e depois de ter participado na CAN no início do ano, praticamente deixou de jogar, uma vez que não renovava o contrato. No lugar de extremo esquerdo jogou, várias vezes, o belga Defour, o que demonstra bem os jogadores que Vítor Pereira tinha à disposição para essa posição. Em vez de Atsu, Paulo Fonseca tem Kelvin à sua disposição, mas este apenas joga a espaços. Existia, ainda, Iturbe, mas alguém optou por não contar com ele...

No que à saída de Moutinho diz respeito, não me espanta a dificuldade que estejamos a sentir para encontrar um jogador à sua altura. No entanto, para a posição 8 do meio campo temos: Defour (titular da selecção belga que estará presente no Mundial, ao serviço da qual o nosso jogador tem assinado belíssimas exibições), Herrera (campeão olímpico pelo México e internacional A), Carlos Eduardo, Josué (internacional A por Portugal), Lucho Gonzalez e optámos por dispensar Castro. Não vou ser hipócrita, é verdade que Moutinho é superior aos que enumerei, mas também não deixa de ser verdade que compete ao treinador escolher um sistema táctico e uma estratégia de jogo que permita aos jogadores exporem da melhor forma as suas virtudes e qualidades, escondendo os seus defeitos e debilidades. Com Mourinho, Tiago e Marco Ferreira pareciam bons jogadores e Paulo Ferreira, Nuno Valente, Costinha e Derlei jogadores de classe mundial. Com Jesualdo, Adriano era um matador e Fucile um defesa lateral instransponível...


Para o lugar de James contratámos Quintero, o qual é considerado uma das grandes promessas do futebol mundial e um dos melhores jogadores da sua idade. Quintero já é internacional A pela Colombia, mais uma selecção que estará no mundial. É pior do que era James quando o FC Porto o contratou? Não me parece, competirá, mais uma vez, ao treinador lapidar o diamante que temos em mãos. E não me venham com tangas de que é muito novo e que não tem idade para jogar. Sabem que idade tem o Markovic, por exemplo? Ah, pois...é mais novo!!! E o William Carvalho? Ainda, em termos de ataque, Vítor Pereira foi campeão com Janko a titular e o ano passado nem ponta de lança suplente teve. Paulo Fonseca tem Ghilas, jogador sensação da última época numa equipa da segunda metade da tabela e que estará, também, no mundail e não consegue encontrar forma de o juntar a Jackson na frente de ataque, como, por exemplo, Leonardo Jardim faz com Slimani e Montero.

Até agora apenas falei do meio campo para a frente, porque apesar de não termos um plantel de sonho, temos um plantel capaz de fazer muito mais do que até agora. Nem me apetecia falar da defesa, mas lá terá de ser. Temos uma defesa composto por Helton, Danilo, Alex Sandro, Mangala (internacional francês), Otamendi (internacional argentino) e Fernando. Nos últimos 2 anos a defesa era praticamente intransponível e batiam-se recordes de invencibilidade e de número de golos sofridos. Esta época, qualquer adversário causa grandes calafrios na nossa defesa. Até o Austria de Viena marca no Dragão... Para além dos que enumerei, existem, ainda, Maicon e Reyes, grande esperança do futebol mexicano, internacional A e campeão olímpico. Não consigo, honestamente, perceber que se diga que de repente os nossos defesas são maus, quando durante dois ou três anos eram considerados o grande esteio da equipa.

Resumindo, se em termos ofensivos a qualidade do plantel não é extraordinária, que não é, já a defesa e o meio campo dão-nos opções mais do que suficientes para, pelo menos, sermos uma equipa segura, confiante e que sabe o que faz. Deveríamos ser uma equipa que sofre poucos golos, que controla o jogo e que apenas sentiria algumas dificuldades no último terço, o que não é o que se tem visto. Seja contra equipas fortes ou fracas, a verdade é que o FC Porto poucas vezes dá a sensação de que controlo verdadeiramente o jogo e que só não ganha porque não concretiza as ocasiões que cria.

Não vou entrar em grandes comparações com o plantel dos rivais. Apenas digo que o FC Porto tem jogadores muito superiores aos jogadores do Benfica nas posições recuadas e que o Benfica tem melhores jogadores que o FC Porto na frente de ataque. Quanto ao Sporting, tenho muita dificuldade em perceber como é que uma equipa de jogadores contratados na Argélia, Estados Unidos e 2ª divisão do Brasil misturados com putos de 20 anos é capaz de jogar mais do que o FC Porto. Em termos individuais, o Sporting tem 3 ou 4 grandes jogadores: Patrício, William Carvalho, Adrien e Montero. No entanto, o treinador do SCP conseguiu que jogadores que nos últimos dois anos eram autênticos coxos parecessem jogadores de futebol, os quais encostaram o FC Porto às cordas em Alvalade. Já Paulo Fonseca fez o contrário aos jogadores do FC Porto...

Não exijo que o FC Porto vença sempre, nem sequer considero que o FC Porto tenha qualquer obrigação de ganhar ao Benfica que maior investimento fez nos últimos anos. É normal que não se ganhe sempre. É normal que os jogadores precisem de algum tempo para se adaptarem. Exijo é que não se jogue consecutivamente tão pouco e tão mal. Exijo um discurso e atitude à Porto. É anormal o que temos visto esta equipa fazer. É anormal que o treinador não perceba que tem de mudar, sob pena de se ter de mudar de treinador...

P.S.: Convocados para amanhã (Penafiel, taça da cerveja) - Helton, Fabiano, Maicon, Quaresma, Josué, Jackson, Quintero, Ghilas, Reyes, Herrera, Varela, Carlos Eduardo, Ricardo, Mangala, Fernando, Alex Sandro, Kelvin e Defour.

Minha equipa: Fabiano, Ricardo, Reyes, Mangala, Alex Sandro, Defour, Herrera,Carlos Eduardo, Kelvin/Quintero, Ghilas, Quaresma






1 comentário:

  1. @ Tiago

    na minha opinião de adepto profissional de (às vezes) bancada e (muitas mais) de sofá, digo-te que o problema é a porra do esquema táctico e do raio que parta o duplo-pivôt.
    esta imagem é exemplar da ineficácia que se verifica na equipa, quer a atacar mas sobretudo a defender.
    repara onde está o Fernando quando o Lucho perde a bola e a "avenida" que se abre para o Markovic... assim não há defesa que resista, pois que lances destes acontecem às dezenas por jogo e independentemente do adversário.
    não se culpem só os jogadores; estes cumprem ordens e tentam desempenhar o melhor que sabem a função que lhes foi destinada. o desatino do Fernando no lance em causa é evidência disso mesmo.

    abr@ço
    Miguel | Tomo II

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