Porto Bayern

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sexta-feira, 17 de janeiro de 2014

Pinto da Costa entrevistado para preparar a 2ª volta

Pinto da Costa deu ontem à noite uma entrevista ao Porto Canal na qual abordou vários temas da actualidade do FC Porto. Optei por escrever "deu uma entrevista" e não foi entrevistado porque tenho de ser coerente, e se não me parece bem que Luís Filipe Vieira dê entrevistas à Benfica TV da forma que o faz, também não posso ficar muito contente quando é Pinto da Costa a fazê-lo ao canal ligado ao FC Porto. Penso que nestes casos se perde o distanciamento necessário entre entrevistado e entrevistador e que não se vislumbra a independência desejável na abordagem aos diversos temas. Mas, infelizmente, é o que temos, e se o Benfica o faz e se o Sporting usa o seu jornal da forma mais populista e parcial possível, não me parecem sobrar grandes alternativas aos dragões.

No que à entrevista diz respeito, não irei sequer abordar as questões relativas ao Museu, à renovação de Fernando, às desavenças com Fernando Gomes, Mário Figueiredo ou António Oliveira nem ao despropositado comentário sobre a venda de Matic, apesar de ter sido notoriamente vendido à pressa por um preço inferior àquele que ele vale, provavelmente para fazer face a necessidades prementes de tesouraria, uma vez que as cláusulas de rescisão pouco me dizem e o normal é os jogadores serem transferidos por montantes muito inferiores às mesmas.

Ouvi com muita atenção e comentarei, isso sim, as questões que mais me preocupam e essas são, obviamente, as que dizem respeito ao futebol jogado. Era, para mim, evidente que a entrevista concedida pelo NGP iria ter como principal objectivo a defesa do treinador e dos jogadores do FC Porto. Pinto da Costa iria reiterar, como reiterou, total confiança em Paulo Fonseca e deixar claro que os jogadores têm sido inexcedíveis nos treinos e nos jogos. Foi passada a ideia que apenas não nos apurámos na Champions porque tivemos um azar incomensurável e que apenas não estamos na liderança do campeonato porque os árbitros não o permitiram.

Como é óbvio, nem eu, nem Pinto da Costa, nem os adeptos que percebam um mínimo de futebol, acreditam que isto é verdade (a referência aos pontos perdidos com o Estoril passado todo este tempo não faz qualquer sentido. Não foi aí que começámos a perder a vantagem de cinco pontos que tínhamos e depois disso perdemos justamente em Coimbra e empatámos sem espinhas no Restelo e com o Nacional). No entanto, penso que o foco do discurso se centrou num factor externo ao grupo de trabalho por forma a afastar as atenções da equipa de futebol, para que esta se una e dê a volta por cima. Ninguém estaria à espera que Pinto da Costa despedisse o treinador em directo (isso deixamos para Jorge Jesus e para o único guarda redes que o ajudou a ser campeão) nem que tecesse duras críticas ao plantel, mas honestamente também não estava à espera que se passasse uma esponja sobre os 6 meses da época que já decorerram . 

Penso que teria sido possível unir a equipa, mas aumentando um pouco o grau de exigência e dando sinais de esperança e confiança para o futuro. Ter-me-ia feito muito mais sentido se tivesse ouvido algo como: "temos sido claramente prejudicados pelas arbitragens, mas a verdade é que temos a obrigação de saber que no FC Porto estamos habituados a enfrentar estas contrariedades e a ter qualidade suficiente para as ultrapassar. Estamos atentos fora do campo e não nos deixaremos calcar. A equipa tem dado sinais que está a evoluir e estamos preparados para os difíceis desafios que se avizinham". Quero acreditar, porém, e como li algures na internet, que "para Pinto da Costa ter vindo acalmar as hostes para a televisão é porque já virou o balneário ao contrário". Esperemos que o NGP tenha deixado claro a treinador e jogadores que é preciso jogar muito mais, é preciso falar muito menos e é preciso SER muito mais PORTO do que até aqui.

Em resumo, fiquei, também, contente por perceber que o NGP aparenta estar bem de saúde, mas penso que fomos habituados a performances mais incisivas e motivadoras por parte de Pinto da Costa. Não digo que tenha estado mal, apenas esperava mais dele. Fiquei com a certeza que Pinto da Costa não deixará cair Paulo Fonseca nos próximos tempos, até porque nos próximos 30 dias jogaremos cartadas decisivas em todas as competições em que estamos envolvidos. O próximo desafio é já este domingo com o Setúbal no Dragão e seguem-se os jogos com o Marítimo (Casa - Taça da Liga), Marítimo (Fora - Campeonato), Estoril (Casa - Taça de Portugal), Paços de Ferreira (Casa - Campeonato), Gil Vicente (Fora - Campeonato) e Frankfurt (Casa - Liga Europa). A gerência e os eventuais convidados irão fazer um esforço nos próximos trinta dias para estar do lado do treinador e irão tentar ao máximo não "cascar" em Paulo Fonseca. É um contributo mínimo na tentativa de serenar a equipa, mas se todos o fizermos pode ser que as coisas comecem a correr melhor e que em Maio festejemos o tetra campeonato para fazer face ao tri campeonato de inverno do SLB e ao campeonato de natal do SCP.

P.S.: Disse que irei tentar ao máximo não cascar em Paulo Fonseca, não prometo que o conseguirei fazer, porque se as performances da equipa e o seu discurso se mantiverem como até aqui, o mais provável é que seja mais forte que eu. No entanto, para os próximos dois jogos da Liga Zon Sagres, um a zero chega, por mim até pode ser no único remate ou na única vez que chegamos à área contrária. Quero chegar ao derby lisboeta com hipótese de encostar no primeiro classificado.


1 comentário:

  1. Depois de ler uma lista infindável de blogues, a partir dos links do Porta 19, este ( in loco) é aquele que aborda a questão de uma forma equilibrada na qual concordo a 200% (influencias do marketing made in USA). Houve quem assobiasse para o lado e nem sequer uma linha sobre o assunto, porque o jogo é de campeonato "chuta bola" para o mato (Porta 19), outros que quando são os outros (Galinhas e Lagartos) a carpir disparates do gênero, chovem canivetes em cima, quando somos nós é estilo purple rain (Dragon até a morte), só para falar daqueles que mais admiro. No reflexão Portista, como está habituado a levar bordoada da velha quando se põe a meter a mão na consciência (quem lhes manda terem reflexões), aborda o tema de fininho, bem ao jeito de humor com humor se paga.
    Quanto a mim que não tenho jeito para análises cuidadas como o Caro Ricardo. Considero que foi um toque a reunir, mais ou menos esperado e com um pouco estardalhaço a mais. Podia e devia defender o treinador ( nem que tivesse já contratado o Grego Fernando Santos (pós mundiali) e no ínterim ter despromovido PF para adjunto ( se passamos um a principal, o invés também pode fazer sentido) se essa alma caridosa quiser aprender alguma coisa. Quanto ao ataque aos comentadores, a menos que previamente informados, parece tiros nos pés ( foi o pé que tinha mais a mão) , o que foi um acidente infeliz. Porque desde que começou a época não faltaram alvos para ter já atirado, e não o quis fazer por uma qualquer estratégia de recato.

    Cumprimentos,

    R.A

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