Azul e Branco

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quarta-feira, 8 de janeiro de 2014

SL Benfica vs FC Porto e mais um bitaite

Caminhamos a passos largos para o clássico dos clássicos do futebol português dos últimos anos. Domingo está ao virar da esquina, embora lendo a imprensa desportiva destes dias possamos ficar com a ideia que ele ainda vem longe. 

A preparação do grande jogo tem passado quase despercebida e os níveis de tensão e nervosismo parecem anormalmente baixos para estas ocasiões. Claro que a morte de Eusébio ajudou a que assim seja, mas parece-me que não será só isso. Ou muito me engano ou os dirigentes, treinadores e jogadores do Benfica aprenderam a lição nos últimos anos... Nos clássicos mais recentes, declarações como "a vitória está no papo", "menos que 3 é derrota" e "os andrades não jogam nada" eram o pão nosso de cada dia. Para este clássico a abordagem tem sido diferente, o que me preocupa um pouco. 
O Benfica tem optado por uma estratégia mais "low-profile", tentando não espicaçar o FC Porto. O que é pena, porque o FC Porto gosta é disso, que o espicacem, que o insultem, que tentem minimizar as suas qualidades. É nessas circunstâncias que vem ao de cima o melhor FC Porto e que os jogadores se transcendem e mostram todo o seu valor. Espero, no entanto, estar enganado e que Jorge Jesus nos brinde com uma conferência de imprensa ao seu nível, cheia de bazófia, minimizando o Porto e, se possível, pressionando os árbitros para que os nossos jogadores fiquem "no ponto" para domingo...



O Porto terá o seu plantel praticamente na máxima força. Alex Sandro vai recuperar a tempo e Ghilas prevê-se que também esteja disponível. Ausentes estão Fucile (de malas feitas, quem sabe até para um dos rivais da segunda circular) e Izmailov, mas também já ninguém contará verdadeiramente com ele. Não sei bem o que esperar do jogo. É um daqueles jogos que me tolda o raciocínio e não me permite analisar a sua envolvente com a racionalidade e clarividência desejada. No entanto, de uma coisa não tenho dúvidas. Espero que em campo esteja o FC Porto e não a equipa que vimos em Alvalade. Não exijo vitórias, nem mesmo empates em jogos de tripla como estes. 


Exijo, isso sim, que se jogue à Porto. Que se entre em campo para vencer, que tudo seja feito nesse sentido. Que os jogadores não se deixem intimidar pelo adversário nem pelo ambiente e que façam aquilo que melhor sabem. Exijo garra, atitude, espírito de sacrifício. Ao treinador exijo o mesmo. Não tenha medo de jogar para ganhar. Seja corajoso, ambicioso e transmita confiança aos jogadores. Se jogarmos à Porto, até podemos perder, que não serei capaz de criticar. Prefiro perder jogando à Porto do que empatar como equipa pequenina que joga para o pontinho. Jogando à Porto podemos não ganhar domingo, mas estaremos mais perto de o fazer regularmente no futuro.

Quanto à equipa inicial, gostava que Paulo Fonseca fizesse alinhar o seguinte onze: 
Helton, Danilo, Mangala, Otamendi, Alex Sandro, Fernando, Lucho, CE20, Varela, Kelvin/Quaresma e Jackson Martinez.

Os intervenientes podem até nem ser estes, mas espero sinceramente que o esquema se mantenha e não se caia na tentação de alterar o 4-3-3 com dois extremos "verdadeiros". Não quero ver Josué encostado à ala, até porque a probabilidade de ser expulso é demasiado elevada.
Admito, porém, que vá jogar Maicon no lugar de Otamendi e Licá no lugar de Kelvin/Quaresma.

Eusébio:
Nada disse até hoje, porque preferi deixar assentar um bocado a poeira e não falar quando os ânimos estavam ainda muito exaltados. Morreu o melhor (pelo menos por enquanto, porque não me restam dúvidas que no fim da carreira de CR7 este estatuto mudará de dono) jogadores português de sempre. Símbolo do Benfica e baluarte da selecção nacional da década de 60, Eusébio foi um jogador fabuloso, reconhecido mundialmente pelos golos que apontava com o seu pontapé canhão. Fico triste como amante do futebol, ficarei sempre que morrerem as grandes lendas.

O espectáculo mediático em que se transformou este acontecimento deixa-me um bocado confuso. Sempre preferi respeitar aqueles que nos deixam de uma forma diferente porque acho que é um momento privado de família e amigos. Compreendo a necessidade de partilhar a informação, mas o destaque dado em toda a imprensa à morte de personalidades famosas torna-se um pouco mórbido e exagerado. Por alguma razão utilizamos o descanse em paz (vulgo RIP - rest in peace) nestas ocasiões, o que no caso de personalidades famosas está, definitivamente, longe de poder ser aplicado. Prefiro não me alongar sobre o aproveitamento de toda esta triste situação feito pelo presidente do Benfica, que certamente irá conhecer novos capítulos nas próximas semanas, mas que hoje se traduziu na capa do jornal "ABola" de hoje...

Como que por ironia do destino, o primeiro jogo na Luz será com o FC Porto e muito se tem especulado sobre qual vai ser o comportamento dos adeptos azuis e brancos durante o minuto de silêncio. 
Se eu fosse à Luz no Domingo, respeitava o minuto de silêncio. Não batia palmas, não cantava, ficava calado. É para isso que serve o minuto de silêncio, se bem que a liga de clubes parece ter uma ideia diferente.

Gostava que os adeptos do FC Porto ficassem em silêncio. Mas tenho dúvidas que isso aconteça. Não concordarei se tal se verificar e darei nota disso. No entanto, caso tal aconteça, espero que os adeptos do Porto não sejam alvo da normal discriminação da muito imparcial e selectiva imprensa e dos meios de comunicação social. 
Tal atitude não será nem mais nem menos reprovável do que muitas atitudes perpetradas por grupos de adeptos de outros clubes e que normalmente se safam com uma pequena nota de rodapé em oposição às primeiras páginas com que os Super Dragões são regularmente brindados. Neste sentido, basta relembrar as capas dos desportivos no que aos apedrejamentos dos autocarros de Benfica e Porto diz respeito, como comprovam as imagens.








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