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segunda-feira, 10 de fevereiro de 2014

FC Porto 3-0 Paços de Ferreira: Vitória justa, resultado enganador

O FC Porto recebeu e venceu ontem à noite o Paços de Ferreira por três bolas a zero. A vitória do FC Porto não merece qualquer contestação, mas o resultado alcançado não traduz o que se passou dentro das quatro linhas. Se o resultado ao intervalo era tremendamente injusto para os homens da capital do móvel, uma vez que as duas melhores oportunidades de golo até pertenceram aos pacenses, já no final dos 90 minutos o resultado mais condizente com aquilo que se passou em campo seria a vitória dos azuis e brancos pela margem mínima.

O Dragão teve uma das mais fracas assistências de sempre em jogos do campeonato, facto a que não será alheia a qualidade de jogo apresentada pelos portistas e o temporal que se fez sentir na Invicta à hora de jogo. Os adeptos estão notoriamente desiludidos com as performances da equipa e assobiaram a equipa durante largos períodos de tempo. Pior do que perder ou jogar mal, é o facto de entrarmos em campo sem confiança e sem atitude. Apesar de não ser apologista da terapia do assobio, considero que os mesmos hoje foram mais do que merecidos, porque mais uma vez a equipa ficou muito aquém dos mínimos exigidos em larguíssimos períodos do jogo. Os valentes e fiéis adeptos que se deslocaram ao Dragão com tamanha intempérie não mereciam ter assistido a tão fraco desempenho (não nos podemos esquecer que defrontámos o penúltimo classificado e que o Paços de Ferreira trazia como cartão de visita a defesa mais batida do campeonato). Em jeito de comparação, enquanto que em Lisboa o derby não se realizou porque o forte vento danificava a fraca estrutura do nosso salão de festas, já no Porto, o fraco Paulo Fonseca prossegue impunemente com a destruição da forte equipa que herdou de Vítor Pereira e André Villas Boas.


Continuo sem conseguir encontrar explicações para a total ausência de organização da equipa em campo, para a constante falta de movimentação sem bola, para a manifesta falta de atitude da equipa nas primeiras partes, para a evidente incongruência táctica que é o duplo pivot defensivo, para a completa inexistência de uma voz de comando vinda do banco e para a anarquia em que se transformou a elaboração de uma lista de convocados e de um onze inicial.

Somos constantemente brindados com situações como as de hoje, nomeadamente: 

- Reyes passa de titular a não convocado;
- Maicon passa de titular a suplente de Reyes e depois a suplente de Abdoulaye;
- Abdoulaye, acabado de chegar de Guimarães (foi enviado para lá porque era o 5º central do plantel), é titular e passa à frente dos outros centrais;
- Defour tanto é titular como não calça ou nem é convocado;
- Ghilas vinha ganhando importância na equipa, passa de titular a suplente - acaba por entrar, resolver os quartos de final da taça, estreia-se a marcar e no jogo a 
seguir nem do banco sai;
- Josué tanto joga a 8 como a 10 como fica ao banco;
- Quaresma assume a marcação de todas as bolas paradas, mesmo quando Josué está em campo e tinha marcado um penalti decisivo contra o Marítimo (Quaresma assume os livres mesmo quando temos um fantástico especialista como Quintero em campo);
- Herrera salta entre o banco da equipa A, o banco da equipa B e a titularidade como se nada fosse.

Se a isto juntarmos ainda a titularidade de Otamendi na Luz depois de vários jogos no banco e a ausência do agora titular indiscutível Carlos Eduardo da convocatória e da equipa A durante meses, a única conclusão que posso tirar é que Paulo Fonseca dificilmente poderia estar mais perdido. Como se isto não fosse suficiente, Paulo Fonseca resolveu agora mandar recados para os adeptos, avisando-os que "não precisa de tarjas para saber o que é jogar à Porto". Como quase todas as semanas somos brindados com conferências de imprensa em que nos quer fazer acreditar que o Porto jogou muito bem e que foi "Porto" os 90 minutos, peço encarecidamente que no próximo jogo em vez de exibirem tarjas com mensagens, optem antes por oferecer a Paulo Fonseca um par de óculos e uns vídeos com jogos do FC Porto de antes da sua chegada (não precisamos de recuar a um passado muito distante), para que este finalmente possa ver o mesmo filme que os adeptos têm visto desde Setembro...

Quanto ao jogo de ontem, o FC Porto inaugurou o marcador por Quaresma à passagem dos 42m, na marcação de um penalti tão desnecessário como claro. Aliás, já outro tinha ficado por assinalar no início do jogo na sequência de uma bola parada cobrada por Quaresma. Quando se esperava que a segunda parte fosse diferente para melhor, quer porque para pior era difícil, quer porque o mais difícil estava feito, qual não é o meu espanto (nem sei porque é que ainda fico espantado...) quando percebi que me preparava para assistir a uma réplica dos primeiros 45m. O Dragão desesperava (não foi por acaso que previ um Paços de Ferreira A vs Paços de Ferreira B para este jogo) e brindava a equipa e o treinador com fortes coros de assobios. O jogo estava longe de estar ganho e o Paços de Ferreira espreitava o empate. Contudo, a 3m dos 90 surge o golo da tranquilidade, numa boa iniciativa de Licá pela esquerda, que com um cruzamente rasteiro e preciso encontrou Jackson Martinez ao segundo poste, tendo o colombiano se limitado a desviar a bola à saída do guarda redes contrário. A vitória já não fugiria aos azuis e branco, mas ainda houve tempo para o recém entrado Ricardo se estrear a marcar no campeonato na recarga a um remate puxado de Licá que o guarda redes defendeu para a frente.

Individualmente, gostei de Helton (muito seguro na baliza, evitou o golo pacense 2 vezes na primeira parte), gostei muito de Herrera (tem um futebol vertical e de progressão com a bola no pé que o distingue dos outros médios do plantel), Licá entrou bem e foi decisivo na parte final da partida. Abdoulaye fez um jogo interessante, com uma ou outra falha de pequena importância, mas não acusou a estreia como titular esta época e gostava de o ver a titular em Barcelos, mas com Paulo Fonseca nunca se sabe. Quem me garante que não ficará de fora dos 18 convocados?

Pela negativa poderia referir vários jogadores, mas destaco Alex Sandro, Danilo, Varela e Jackson Martinez, demasiado ausentes do jogo colectivo da equipa e com várias desatenções infantis, apesar de perceber que é difícil render o que se pode e sabe no meio da manta de retalhos que é a organização táctica da equipa.

Em conclusão, mais um jogo abaixo do mínimo exigível. Como salientei após o jogo do Estoril, a boa notícia foi termos ganho. A má notícia é que Paulo Fonseca continuará como treinador do FC Porto. O mais importante foi alcançado, já que era fulcral conquistar os três pontos em jornada de derby da segunda circular. Infelizmente continuo a achar que o desastre está ao virar da esquina, porque estas exibições não transmitem confiança para o futuro e fazem-nos pensar que qualquer Paços de Ferreira ou Gil Vicente desta vida pode bater o pé ao Dragão.  Espero estar enganado, mas não acredito...


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