Azul e Branco

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sexta-feira, 28 de fevereiro de 2014

FC Porto 3 - 3 Eintracht Frankfurt: tem mesmo de ser na raça

O FC Porto alcançou ontem o apuramento para os 16avos de final da Liga Europa (onde defrontará os italianos do Napoli) depois de ter empatado a 3 bolas em casa do Eintracht de Frankfurt. O objectivo mínimo foi alcançado e os Dragões não passaram a vergonha de serem eliminados por uma equipa que não aspira a muito mais do que a manutenção na sua liga doméstica. Infelizmente, por motivos profissionais, não tive oportunidade de assistir aos primeiros 45m, sendo que, quando finalmente encontrei um stream com uma qualidade não mais do que duvidosa, já a equipa perdia por 1-0 (a imagem do Maicon em cima da linha e de vários jogadores alemães soltos na área é sintomática e demonstrativa da desorganização defensiva reinante nesta equipa, algo que se repetiria no 3.º golo). 

Pelo que li na "bluegosfera" e pelo que observei nos resumos, o resultado era injusto, já que nem os alemães nem os portistas fizeram o suficiente para ir para os balneários em vantagem. De qualquer forma, os primeiros 45m mostraram-nos um FC Porto bastante aquém daquilo que teria de fazer para obter o apuramento.

No início da segunda parte, as coisas ficaram ainda piores. Os jogadores do FC Porto entraram em campo um poucos apáticos e aos 52m os Dragões sofreram o segundo golo na sequência de um canto. A forma como a equipa continua a defender os cantos deixa-me absolutamente perplexo. Não só se opta por juntar os 10 jogadores de campo dentro da área, o que não permite que se dispute a bola sempre que ela é cortada para fora da área e permite que os adversários a recebam sozinhos de frente para a baliza, como também se opta (tal e qual uma equipa de infantis) por tentar subir esses 10 jogadores ao mesmo tempo nessas situações, tentando colocar os adversários em fora de jogo. Se coordenar uma defesa em linha com quatro jogadores já não é fácil, fazê-lo com 10 jogadores é simplesmente patético. O resultado está à vista: Maicon ficou 2 ou 3 metros desfasado da linha que se tentou criar e os alemães colocaram as bolas nas costas da defesa, aparecendo 3 homens na cara de Helton.

Com o 2-0 no marcador, pensei que já nada poderíamos fazer. Estávamos prestes a ser eliminados pelo "poderoso" Eintracht de Frankfurt. Paulo Fonseca colocou, então, Ghilas em campo em vez de Herrera e deu o mote para dentro das quatro linhas: era o tudo ou nada. Pouco depois surgiu o momento do jogo, o momento que alterou a eliminatória e que transfigurou a exibição e a atitude da equipa. Quaresma recebeu a bola solto no flanco direito, simulou o cruzamento com o pé direito, tirando um adversário do caminho, para depois cruzar com conta, peso e medida para a entrada fulgurante de Mangala ao primeiro poste.

A partir deste momento, vimos um FC Porto completamente transfigurado para melhor. Se em termos tácticos a desorganização se manteve até final (evidente num lance em que os alemães só não fizeram o 3-1 porque o adversário optou por finalizar uma jogada de 3 para 1 com um disparatado remate de calcanhar), em termos de entrega, raça, vontade e querer vimos uma equipa como poucas vezes tínhamos visto esta época (será que o apoio no aeroporto teve alguma coisa que ver com isto?). Os azuis e brancos começaram a ganhar todas as bolas divididas, a saltar mais alto, a correr mais, a meter o pé sem medo e a dar sinais que podiam trazer o apuramento para Portugal. 


Aos 72m, os Dragões conquistaram um livre frontal à entrada da área. Quaresma pegou na bola e tudo indicava que iria rematar à baliza. O "Cigano" optou, no entanto, por colocar a bola em Fernando no lado direito do ataque e este centrou para mais um grande golo de Mangala. Era o empate no jogo e na eliminatória, importava agora marcar mais um golo e garantir o apuramento. Acontece que esta equipa não sabe o que faz em campo e em mais uma desatenção colectiva, os alemães acabaram por se adiantar novamente no marcador. Balde de água fria apenas 3m depois de alcançado o empate!

Paulo Fonseca lançou então Licá no jogo para o lugar de Varela e a equipa partiu em busca de novo empate no jogo. Um golo chegava para eliminar os alemães e a equipa devia isso aos seus adeptos e a si mesma. E esse golo chegou pouco depois! Numa bola bombeada para o ataque, Jackson disputou-a no ar com um central adversário e a mesma sobrou para Licá que tabelou eficazmente com Ghilas para aparecer na cara do guarda redes. O recém entrado rematou forte de pé esquerdo e na recarga à defesa incompleta do guardião alemão, Ghilas fez o terceiro golo dos dragões. Era a loucura no Kommerzbank Arena!


Fiquei muito contente com o apuramento, mas não posso esquecer que não ganhámos nenhum dos jogos contra uma equipa sem qualquer expressão na Europa e que está mal classificada na Bundesliga. Acabámos por sofrer 4 ou 5 golos derivados de falhas individuais e colectivas graves e a equipa não mostrou evolução tacticamente. Continuo a achar que com outro treinador e com estes mesmos jogadores a equipa renderia muito mais. Inacreditável também o facto de Paulo Fonseca ter referido que o jogo em Frankfurt era para a Liga dos Campeões. A confusão que vai naquela cabeça é incomensurável. Mas parece que é este treinador que vamos continuar a ter, por isso é importante manter a atitude da 2ª parte de ontem, já que se não vamos ganhar na organização e com cabeça, que ganhemos na raça e no coração.


P.S.: Ghilas salvou o treinador na Taça de Portugal marcando o golo da vitória perto do final e como prémio teve 90m no banco no jogo seguinte com o Paços de Ferreira. O que será que lhe vai acontecer domingo em Guimarães depois de ter entrado, marcado o golo do apuramento e de ter rendido o dobro do desinspiradíssimo Jackson no jogo de ontem?

P.S. 2: Fiquei um bocado preocupado quando vi esta notícia...









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