Porto Bayern

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segunda-feira, 17 de fevereiro de 2014

Pequenos sinais de retoma no batatal de Barcelos

Foi um FC Porto muito pressionado aquele que se deslocou ontem ao terreno do Gil Vicente e que sabia que não tinha alternativa que não fosse trazer os três pontos para a Invicta. SLB e SCP tinham ganho os seus jogos na véspera e acredito que uma escorregadela ontem teria sido o adeus definitivo ao título e também um boost de confiança significativo para os leões na disputa do 2º lugar. Com muitos portistas nas bancadas, com tréguas de S. Pedro nas horas que antecederam o encontro e com a repetição do 11 inicial que batera o Paços de Ferreira (apenas a 2ª vez que tal aconteceu esta época), estavam reunidas as condições mínimas para a obtenção de um bom resultado.


Ao contrário do que vem sendo habitual com Paulo Fonseca ao comando da equipa, os dragões entraram fortes no jogo e determinados em resolver o problema ainda nos primeiros 45m (até porque era expectável que o terreno de jogo fosse piorando ao longo dos 90m). A primeira parte foi claramente uma das melhores da época nos jogos realizados fora de portas e foi sem dúvida o espaço de tempo em que foram vistas mais jogadas de qualidade no ano civil de 2014 (o que, sejamos honestos, também não era particularmente difícil).

Com Herrera a assumir um papel preponderante na manobra ofensiva e com uma capacidade de comer metros com a bola controlada como poucas vezes se tinha visto esta temporada, foi o mexicano que levou a equipa para a frente e que deu o mote nos instantes iniciais. Fernando recuperava muitas bolas na intermediária e Josué tentava definir com qualidade (o que nem sempre conseguiu) no último terço do terreno. Na defesa, Abdoulaye mostrava-se seguro e Mangala, embora menos exuberante que o habitual, não permitia grandes veleidades aos avançados gilistas. Foi, assim, um Porto vocacionado para o ataque e com boas trocas de bola e envolvimentos colectivos aquele que manietou os gilistas na primeira parte e que ficou a dever a si mesmo uma vantagem mais dilatada quando as equipas recolheram aos balneários ao intervalo. O golo solitário foi apontado de cabeça por Varela, antecipando-se ao defesa contrário ao segundo poste depois de um espectacular cruzamento de Herrera na direita.

Na segunda parte, e com o terreno de jogo já bastante irregular e desgastado, o FC Porto não entrou tão bem e as trocas de bola já não surgiram com a mesma precisão e velocidade. Os dragões continuavam a controlar o jogo, mas este agora já não fluía tão naturalmente como na etapa inicial. Foi, no entanto, sem espanto que os azuis e brancos aumentaram a vantagem no marcador à passagem do minuto 53'. Abdoulaye efectua um desarme providencial já dentro da sua área no momento em que um gilista se preparava para atirar a contar, coloca a bola em Varela que tabela inteligentemente com Josué indo buscar o esférico um pouco mais à frente, parte embalado para a área contrária tirando os adversários do caminho e rematando cruzado de pé esquerdo à saída de Adriano. GOLAÇO do mal amado Drogba da Caparica

Infelizmente, e numa falha defensiva colectiva dos azuis e brancos (três para três na área fruto de uma lenta recuperação do duplto pivot Herrera e Fernando, sendo que nenhum dos dois ajudou a fechar a defesa e a garantir superioridade numérica na área), o Gil Vicente reduziu logo depois, não permitindo que os dragões capitalizassem emocionalmente a vantagem de dois golos. De qualquer forma, até ao final do jogo, o Gil Vicente não criou perigo para a baliza de Helton e não teve qualquer oportunidade para empatar a partida, sendo que os portistas continuaram a pecar na finalização e não concretizaram nenhuma das muitas oportunidades de golo criadas. Destaque, ainda, para pelo menos mais um penalti por marcar a favor do FC Porto por derrube do guarda redes Adriano a Varela, subsistindo ainda dúvidas num lance em que Gabriel parece agarrar o extremo numa altura em que este se preparava para cabecear para o golo.

Apreciação individual dos jogadores:

Helton: Sem culpas no golo sofrido, foi um espectador durante grande parte dos 90'.
Danilo: Exibição tranquila a defender e com alguns bons apontamentos no ataque. Destaque para o remate ao poste na primeira parte e para uma arrancada fulgurante já perto do apito final.
Mangala: Foi um dos jogadores que falhou no golo do Gil dando muito espaço aos avançados adversários dentro da área. De resto, exibição qb, mas longe da exuberância de alguns jogos não muitos distantes.
Abdoulaye: Foi outro dos jogadores que não esteve bem no golo adversário. Globalmente gostei muito da sua exibição, embora tenha exibido algum excesso de confiança num lance com Hugo Vieira na pequena área.
Alex Sandro: Jogo para esquecer do brasileiro. Muito mal a defender, pouco concentrado e sem conseguir desiquilibrar no ataque. Será o excesso de jogos a fazer-se sentir? Talvez esteja na altura de dar uns minutos a Quiñones...
Fernando: Bom jogo do luso brasileiro. Parece que aos poucos se vai habituando a ter algum a seu lado. Muito forte nas recuperações a meio campo e sempre com enorme disponibilidade física.
Herrera: Para mim, o melhor em campo. Se conseguir definir as jogadas da mesma forma que as cria, teremos um caso sério no nosso meio campo. Enorme a comer metros com a bola controlada de trás para a frente.
Josué: Não será um 10 puro, mas tem alguns bons pormenores. Falta-lhe marcar sem ser de penalti para termos talvez o nosso melhor jogador na meia distância mais inspirado. Desastrado a marcar os pontapés de canto.
Varela: MVP a par de Herrera, marcou dois golos importantes e nunca virou a cara à luta. Aparece sempre nos momentos importantes. Pode não ter a técnica dos mais virtuosos, mas continua a ser extremamente útil e os seus números não deixam dúvidas: titular de caras.
Quaresma: Muita vontade, muito querer, demasiado coração, pouca cabeça. Vê-se que quer ajudar a resolver e quer ser importante, mas ontem exagerou na maior parte das vezes e nada lhe saiu bem. Novamente amuado depois de sair de campo.
Jackson: Trabalhou muito e deu que fazer aos centrais adversários, mas não era dia para o colombiano facturar. Falhou duas boas oportunidades e devia ter saído mais cedo para dar lugar a Ghilas.
Licá: Ao contrário do jogo com o Paços de Ferreira, não entrou muito bem no jogo. Algo trapalhão no ataque, tentou compensar no apoio à defesa.
Ghilas: Mais uma vez apenas entrou aos 87m'. Não teve tempo para quase nada.
Mikel: Entrou aos 93' para queimar tempo.




Em resumo, foi um jogo agradável e que podia e devia ter terminado com uma vantagem mais dilatada. Alguns bons indícios para o futuro no meio de algumas decisões incompreensíveis de Paulo Fonseca. Destaco a substituição aos 93' e a entrada de Ghilas novamente perto do final: se o objectivo é assassinar psicologicamente o argelino, estamos no bom caminho. Depois de ter resolvido a eliminatória da taça com o Estoril, Ghilas foi brindado com o banco de suplentes com o Paços de Ferreira e com 3' contra o Gil Vicente (entrado depois de Licá), mesmo que Jackson tenha estado desastrado ontem. Honestamente, não entendo.

P.S. : Amanhã teremos a decisão do ridículo caso da Taça da Liga. RTP e SIC avançaram que os Dragões seguem em prova, Correio da manhã noticiou que Antero Henriques deitou a estratégia dos dragões por terra com as suas declarações. Não tenho dúvidas que a decisão de amanhã será no sentido da continuidade dos dragões na prova, mas quem pensa que o órgão presidido por este incompetente não vai recorrer da decisão, está muito enganado.







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