Azul e Branco

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segunda-feira, 10 de março de 2014

FC Porto 4 - 1 Arouca: Crónica de uma segunda-feira diferente

A semana começou hoje de uma forma muito diferente quando comparada com as segundas-feiras dos últimos 4 ou 5 meses. São Pedro trouxe-nos finalmente um sol primaveril e Luís Castro devolveu um sorriso tímido aos adeptos azuis e brancos. Se é verdade que a exibição não foi brilhante, mentiria se dissesse que não fiquei satisfeito com a exibição e com o resultado do jogo de ontem. A vitória por 4-1 frente ao Arouca foi justa e a exibição do FC Porto devolveu-nos um pouco de esperança para o que resta da época.

Se acho que ainda vamos a tempo de discutir o título? Não, não acho. 
Se acredito que passamos a ser favoritos à conquista da Liga Europa? Não, não acredito.
Se penso que os problemas todos em termos de organização táctica fazem já parte do passado? Não, não penso.
Se ignoro que no jogo de ontem se viu demasiada tremideira no início da segunda parte? Não, não ignoro.


É evidente que esta equipa ainda tem muito por onde melhorar e que seria impossível eliminar todos os erros cometidos pelo anterior treinador em meia dúzia de dias. Será até difícil eliminá-los nos próximos jogos e acredito que os três embates que se seguem são jogos de tripla. Mas as alterações introduzidas por Luís Castro fazem-me acreditar que estamos agora muito mais perto de disputar todos os jogos que se avizinham do primeiro ao último minuto e que em todos eles teremos uma importante palavra a dizer.


Luís Castro começou por desfazer a aberração táctica que é (era!?) o duplo pivot defensivo, optando por colocar Fernando sozinho à frente da defesa e recuperando a imagem de marca do FC Porto vencedor da última década em termos de meio campo. A juntar a este facto, recuperou o belga Defour (que jogo!) e colocou-o no papel anteriormente desempenhado por João Moutinho. À frente deste, posicionou-se o brasileiro Carlos Eduardo, que neste esquema é muito mais um médio do que um segundo avançado. O resultado desta alteração não foi brilhante (é necessário mais tempo e mais treino), mas os primeiros trinta minutos de jogo trouxeram-nos indícios muito positivos para o futuro: com este meio campo (1x2 em vez de 2x1), iremos chegar com mais gente à área (veja-se o exemplo do segundo golo) e a pressão será mais asfixiante e permitirá recuperar mais bolas no início da transição ofensiva dos adversários.

Luís Castro promoveu ainda uma série de pequenas alterações que me agradaram:
- uma postura muito mais enérgica e interventiva no banco, não se limitando a ficar em pé de braços cruzados ou a bater palmas aos disparates dos seus jogadores;
- Quaresma já não foi o marcador "oficial" dos livres à entrada da área;
- Quintero entrou cedo e jogou no lugar onde poderá render mais;
- Ghilas entrou para o lugar de Varela, demonstrando que pode jogar descaído numa ala ao velho estilo de Derlei ou Lisandro Lopez;
- um discurso mais agressivo no final do jogo e a blindagem do balneário relativamente ao exterior, que se traduziu em treinos à porta fechada e na ausência de conferência de imprensa pré-jogo.


Analisando agora as incidências do jogo jogado, vimos uma grande entrada do FC Porto em campo, com 30 minutos de bom futebol, atacando com critério e pressionando o adversário com inteligência, que se traduziram em dois golos (Quaresma de grande penalidade e Carlos Eduardo a concluir uma grande jogada de entendimento com Mangala e Defour) e em várias oportunidades desperdiçadas.

Aos 30m, o Arouca chegou ao empate sem nada ter feito para isso, aproveitando um ressalto de bola na área dos dragões. Os dragões voltaram à carga e pouco depois Quaresma desperdiçou um penalti que traria outra calma e confiança à equipa. Em resumo, as equipas foram para os balneários com um resultado que pecava nitidamente por escasso, já que o FC Porto podia, devia e merecia ter uma vantagem mais dilatada no marcador.

A segunda parte trouxe um FC Porto menos forte do que seria de esperar e o jogo foi aborrecido até aos 70m, altura em que o Arouca podia ter empatado o jogo por duas vezes no mesmo minuto, quase aproveitando falhas imperdoáveis de Helton, primeiro, e de Abdoulaye, depois. Os azuis e brancos reagiram e voltaram a tomar conta do jogo, agora sob a batuta de um inspirado Quintero. O 3-1 parecia iminente e acabava por chegar aos 82m, com Quaresma a fuzilar as redes adversárias na sequência de um bom cruzamento de pé esquerdo do recém-entrado Ghilas, aproveitando um contra ataque iniciado por Jackson Martinez. Estavam, assim, finalmente afastados os fantasmas dos dois últimos jogos em que o FC Porto se deixou empatar depois de estar a ganhar por 2-0.

Até ao final, registo para o 4.º golo dos dragões, autoria de Jackson Martinez, que aproveitou bem uma grande jogada de entendimento entre Defour e Ghilas na esquerda do ataque. Uma vitória por 4-1 sobre um frágil mas aguerrido Arouca não é (nem nunca será) motivo para nos encher de orgulho nem muito menos para embandeirar em arco, mas penso que os três pontos são inteiramente justos e que o resultado espelha o que se passou no terreno de jogo, trazendo-nos alguma ilusão para o que aí vem.


Em termos individuais, gostei de Danilo (certinho a defender e a apoiar o ataque com critério), de Fernando (rendo muito mais quando joga sozinho à frente da defesa), de Defour (para mim o melhor em campo e tenho esperança que seja o principal reforço para a ponta final desta época) e das entradas de Ghilas (tem de ser titular neste momento, seja no lugar de Jackson, seja numa das alas) e de Quintero (tem de continuar a acumular minutos de jogo).

Pela negativa, realço a dupla de centrais. Neste momento, parece-me o elo mais fraco da equipa. Luís Castro já me fez a vontade dando minutos a Defour e Quintero, ficando eu agora à espera que traga também Reyes para a equipa.

Relativamente a Quaresma, tenho alguma dificuldade em avaliar a sua performance. Se por um lado é capaz de momentos extraordinários e de tirar coelhos da cartola quando ninguém está à espera, por outro estraga muitas jogadas de ataque com mariquices completamente desnecessárias. Ontem esteve no melhor (um grande golo e uma ou outra jogada de génio sobre a direito) e no pior (um penalti falhado, várias perdas de bola infantis e um amarelo desnecessário). No fundo, no fundo, está quase igual ao Quaresma que partiu para Milão há uns anos. Não é decididamente o tipo de jogador que mais aprecio, mas aceito que as equipas também precisem deste tipo de jogadores...

P.S.: Ontem cometi o erro de ver um pouco do trio de ataque. Fiquei comovido com a forma como os "representantes" do SCP e SLB estão unidos contra o FCP. Tal e qual os seus presidentes. Foi também engraçado verificar a forma como ambos defendiam Paulo Fonseca e diziam que a culpa era da qualidade dos jogadores do FCP. Queres ver que não acharam piada ao facto do FC Porto se ter livrado do principal responsável pela época desastrosa dos dragões até ao momento? Cá estarei para o ano para ver se ainda acham estes jogadores tão fraquinhos...

















2 comentários:

  1. "Cá estarei para o ano para ver se ainda acham estes jogadores tão fraquinhos..."
    Pois, mas será que os jogadores também estarão?...

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  2. Reyes, Herrera, Quintero, Josué, Carlos Eduardo, Ghilas não tenho grandes dúvidas que vão estar cá e que vão mostrar o que valem (quem sabe ainda este ano mostrem MAIS qualquer coisinha). Se não ficarem por cá, acredito que vão ter sucesso no novo clube.
    Licá , tenho dúvidas que se mantenha por cá, mas também não o incluo no lote de boas contratações/jogadores.
    Ricardo, é jovem, vamos ver no que dá.

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