Porto Bayern

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quinta-feira, 29 de janeiro de 2015

FC Porto 4 - 1 Académica: Regresso ao passado no carimbar do apuramento

Ao contrário do esperado e, também, ao contrário daquilo que a Taça da Liga normalmente reserva àqueles que se atrevem a prestar-lhe muita atenção, o jogo da noite de hoje esteve muito longe de ser o habitual aglomerado de bocejos sonolentos em busca do apito final. Lopetegui deu o mote e passou a mensagem aos seus jogadores de que era preciso fazer mais e melhor quando lançou na equipa inicial Jackson Martinez e Danilo, os quais, até à data, não tinham qualquer minuto na taça da liga. 
Sabendo que a vitória carimbava o apuramento para as meias finais, os azuis e brancos entraram a todo o gás e aos 6 minutos já Jackson Martinez inaugurava o marcador. Ricardo Pereira pressionou o defesa central dos estudantes à saída da área, o qual tentou sair a jogar. Jackson Martinez ajudou na pressão, recuperou a bola, tirou o adversário do caminho e de pé esquerdo fuzilou o desamparado guarda redes Cristiano Pereira. 

Os dragões não diminuíram o ritmo de jogo e embalados por um meio campo competente e eficaz, com destaque para a simplicidade de processos e verticalidade de Rúben Neves e Campaña (sempre muito activo na abertura de linhas de passe para o portador da bola), continuaram a ameaçar as redes contrárias. Tello e Jackson falharam dois golos na cara do guarda redes e, assim, o resultado não se alterou até ao intervalo. Na altura, o resultado pecava por escasso, até porque a Académica só por uma vez passou o meio campo com a bola controlada e, ainda, porque o árbitro decidiu transformar um penalti evidente sobre o capitão do FC Porto num cartão amarelo por alegada simulação. Já perdi a conta a situações como esta na presente época, tanto no campeonato, como nesta taça da liga.

A segunda parte iniciou-se da mesma forma que a primeira. O FC Porto tentou rapidamente ampliar a vantagem e colocar um ponto final na partida. Tello teve o golo nos pés por duas vezes, mas não conseguir enviar a bola para o fundo das redes. O espanhol não marcou, mas pouco depois apontou o pontapé de canto que Jackson Martinez finalizou de calcanhar. Que golo de Cha Cha Cha, o novo melhor marcador de sempre do Estádio do Dragão, ultrapassando Hulk!
Com dois zero no marcador, Lopetegui fez entrar Gonçalo Paciência para o lugar do matador colombiano, sendo que pouco antes já Quintero entrara para ocupar a vaga de Campaña. E em boa hora o fez, já que os dois jovens jogadores entraram com vontade de jogar e animar as bancadas. No entanto, e quando o show particular da dupla Quintero/Paciência ainda estava nos seus primeiros capítulos, a Académica chegou ao golo na sua única oportunidade de que dispôs e na única vez que conseguiu efectuar um remate enquadrado com a baliza. Jose Angel, que até estava a ser dos jogadores mais em foco nos dragões, ficou mal na fotografia, abrindo uma auto estrada na direita do ataque dos homens da Briosa.

A sensação de que os estudantes podiam reagir e entrar na disputa do jogo durou apenas um par de minutos, já que pouco depois Quintero assistiu o número 39 dos dragões dentro da área e a jovem esperança portuguesa fez uma maldade ao defesa contrário antes de rematar seco e colocado de pé esquerdo ao primeiro poste. Foi um grande golo na estreia a marcar pela equipa A do FC Porto. O festejo foi um regresso ao passado e fez lembrar (ainda mais) o seu pai, deixando água na boca aos adeptos portistas, desejosos de o ver repetir o gesto no futuro. Já diz o ditado popular: Quem sai aos seus...

Até ao final, realce para mais uma assistência deliciosa de Quintero para Gonçalo Paciência que, na cara do guarda redes, foi travado por trás em falta. Penalti evidente e oportunidade para Evandro elevar a contagem. O brasileiro demonstrou novamente enorme frieza na marca dos 11 metros e concretizou com classe, fixando o resultado final em 4 -1.
Em termos individuais, penso que todos os jogadores se apresentaram a bom nível. Gostei particularmente da exibição de Jackson e da sua atitude (não regateou esforços mesmo tratando-se de um jogo para a taça da liga). Nota muito positiva para Rúben Neves (que diferença para Casemiro), rápido a pensar e a executar com qualidade. Boas exibições de Campaña e Marcano e excelentes apontamentos dos suplentes Quintero e Gonçalo Paciência.

Pela negativa, a meia hora final mais desastrada de Jose Angel, com uma falha no golo dos estudantes e uma perda de bola na defesa que Helton resolveu com frieza.

Fase de grupos concluída, objectivo alcançado. Primeiro lugar no grupo isolado, minutos e ritmo de jogo para os menos utilizados e estreias para os jovens da formação Ivo Rodrigues e Gonçalo Paciência. A taça da liga também traz coisas boas! Agora é preciso aproveitar o andamento e capitalizar a vitória de hoje e a derrota do Benfica em Paços de Ferreira para arrancar rumo ao título.

PS: Camarões eliminados, Aboubakar já está a caminho da Invicta. Argélia de Brahimi joga dia 1 com a poderosa Costa do Marfim nos quartos de final da CAN.








terça-feira, 27 de janeiro de 2015

Antevisão FC Porto Académica e Vídeo da Semana

O FC Porto recebe amanhã às 20h45 a equipa da Académica de Coimbra para a quarta jornada do seu grupo da Taça da Liga. Na ressaca de uma derrota comprometedora na Madeira, os azuis e brancos querem carimbar a passagem às meias finais da competição para assim voltarem a defrontar os insulares no seu terreno. Os Dragões ocupam o primeiro lugar do grupo e sabem que o empate os coloca com pé e meio na fase seguinte da prova, mas tentarão, certamente, voltar às boas exibições e começar a esquecer o descalabro do fim de semana que passou. A Académica sabe que apenas a vitória permite sonhar com o primeiro lugar, o que, à partida, abre boas perspectivas para assistirmos a um jogo animado.
Lopetegui ensaiou nova revolução na convocatória e deixou de fora do encontro de amanhã quatro jogadores que entraram de início frente ao Marítimo: Fabiano, Alex Sandro, Casemiro e Maicon. Para os seus lugares, destaque para os regressos de Evandro e Reyes e para a convocatória do guarda redes Ricardo Nunes. Honestamente, fiquei um pouco desiludido com a convocatória escolhida. As ausências dos referidos jogadores indicia que no fim de semana estarão de volta à equipa titular e penso que nesta altura tal não se justifica.




À semelhança do que tem acontecido nos jogos desta competição, perspectivar um onze inicial é uma tarefa hercúlea, mas aqui fica o palpite da gerência do estaminé: Helton, Ricardo Pereira, Reyes, Marcano, Jose Angel, Campaña, Evandro, Rúben Neves, Quintero, Tello e Gonçalo Paciência.






Relativamente ao vídeo da semana, e precisamente porque o FC Porto recebe amanhã a Académica, a escolha recaiu sobre um jogo entre dragões e estudantes relativo à época 98/99, o ano do penta. Uma vez que não é o primeiro vídeo publicado relativo a esta época, não me irei alongar nos comentários ao plantel de luxo que o FC Porto tinha nessa altura, nem tão pouco irei contextualizar em excesso a escolha.
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Apenas direi que o encontro era relativo à 32ª jornada do campeonato e que uma vitória dos azuis e brancos selava quase em definitivo a conquista do inesquecível e inigualável penta campeonato. No entanto, caso os despromovidos estudantes conseguissem causar uma surpresa daquelas em que o futebol é pródigo, o Boavista poderia encurtar distâncias e colocar-se a 2 ou 3 pontos do FC Porto (partia para essa jornada com uma desvantagem de 5 pontos para os dragões mas em caso de empate no final do campeonato seriam os axadrezados os campeões fruto da vitória no Estádio das Antas), sendo que a 33ª jornada tinha como cabeça de cartaz o clássico Sporting - FC Porto.

Não havia, assim, qualquer margem de erro e a vitória era o único resultado aceitável. Contudo, cedo o FC Porto mostrou ao que vinha e rapidamente demonstrou toda a sua força e qualidade, brindando os adeptos presentes no mítico Estádio das Antas com uma goleada das antigas e com uma exibição de gala. O resultado ao intervalo (2 - 0) pecava claramente por escasso. Os golos, esses estavam maioritariamente guardados para a etapa complementar. Aos dois golos de Mário Jardel na primeira parte, juntaram-se mais cinco golos dos azuis e brancos (Esquerdinha, Zahovic, Jorge Costa, Chainho e novamente Jardel) e, também, o golo de honra dos estudantes, uma bomba ao ângulo da baliza de Vítor Baía.
O resultado final de 7-1 espelhou perfeitamente o que se passou no relvado e é elucidativo daquilo que o FC Porto conseguia fazer nessa época. O título estava agora a um triunfo de distância e Alvalade emergia como o provável salão de festas dos adeptos portistas, o que se viria a confirmar, já que tanto o Boavista como o FC Porto não foram além de um empate na 33ª jornada.


PS: Paulo Fonseca e o seu Paços de Ferreira alcançaram ontem uma importantíssima vitória frente ao Benfica. Depois de todo o mal que fez ao FC Porto na época passada, o treinador dos pacenses resolveu dar uma grande mãozinha aos Dragões, ajudando a manter vivo o sonho do título. Esperemos que não estrague tudo para a semana. Por falar nisso, tudo a torcer pelo Senegal hoje...




PS 2: Bruno Calabote Paixão bem tentou, mas não conseguiu carregar o Benfica ao colo. Assinalou um penalti forçadíssimo a favor dos encarnados, fingiu que não viu uma carga de Luisão sobre Cícero na área do Benfica e deu quase 8 minutos de tempo de compensação. Só não conseguiu ignorar as indicações do árbitro auxiliar e lá foi obrigado a assinalar o penalti evidente de Eliseu perto do minuto 90...


segunda-feira, 26 de janeiro de 2015

Marítimo 1 -0 FC Porto: Naufrágio colectivo na ilha

A crónica sobre o jogo de ontem será bem mais curta que as habituais. E sê-lo-á por duas razões: se por um lado é muito mais difícil arranjar motivação e inspiração para escrever quando o FC Porto perde por sua única e exclusiva responsabilidade, por outro lado apenas vi o jogo a partir dos 60m e nessa altura já o resultado final estava feito. A verdade, e a bluegosfera é unânime nesse sentido, é que o FC Porto só se pode queixar de si próprio neste regresso à Cidade Invicta. Não há Capela que nos valha, não há batatais ou lamaçais que sirvam de atenuante, não há que ficar a chorar a nossa sorte ou azar.

Lopetegui optou por lançar Quintero no 11 inicial e fê-lo descair sobre uma ala, ocupando o lugar habitualmente de Tello. Quando soube desta alteração, fiquei logo com a pulga atrás da orelha, já que grande parte dos nossos empates e derrotas esta época estão intimamente ligados a alterações tácticas (utilização de Adrian Lopez na deslocação à Amoreira e na recepção ao Sporting) e a utilizações de jogadores fora das suas posições (opção por Quintero numa ala na deslocação a Guimarães). Sem surpresas, a nuance táctica não surtiu os efeitos pretendidos e com o resultado em 1-0 para os visitados ao intervalo, o treinador espanhol voltou à fórmula habitual, lançando Tello para o lugar do colombiano. Continuo a achar que Quintero apenas deve jogar de início nos jogos fora contra equipas que lutem para não descer e que não tenham qualidade para trocar a bola no meio campo e no ataque, uma vez que a sua qualidade de jogo sem bola é muito limitada.

Até aos 60m, e atendendo apenas aos relatos que me chegaram, o FC Porto fez uma exibição bastante insatisfatória e não merecia estar na frente do marcador. No entanto, o Marítimo também pouco ou nada fizera (e também não fez durante os 90m) para justificar a sua vantagem, até porque inaugurou o marcador no único remate que efectuou.

Foi nessa altura que Lopetegui arricou e fez entrar Gonçalo Paciência para o lugar de um desinspiradíssimo Herrera e chamou Rúben Neves para o lugar de Martins Indi. O FC Porto carregou, dispôs de várias ocasiões para igualar o marcador e beneficiou, ainda, da expulsão de um central madeirense. Porém, o resultado não se alterou até ao final, quer porque Salin fez defesas de grande dificuldade, quer porque os jogadores do FC Porto não foram competentes e eficazes na altura de finalizar.

Em termos individuais, é difícil fazer uma avaliação global das exibições dos jogadores do FC Porto porque só assisti aos 30m finais. No entanto, a má forma de Casemiro (para o jornal O Jogo brindar o brasileiro com nota 3, a sua exibição tem de ter sido inacreditável), Maicon e Alex Sandro é evidente. Já o digo aqui há muito tempo. Neste momento, não há nada que justifique a sua titularidade e Lopetegui não os pode manter no 11 apenas pelo seu nome ou por decreto. Rúben Neves, Marcano e Jose Angel há muito que merecem ocupar os seus lugares e espero que isso aconteça já na recepção ao Paços de Ferreira no próximo fim de semana. Quanto a Tello (o rendimento dos patinhos feios Varela e Ghilas o ano passado foi muito superior ao mostrado até agora pelo espanhol) e a Quintero, e enquanto não chega Brahimi, Mister, não se esqueça que tem um grande profissional no plantel cuja posição de origem é a de extremo e que ainda não mereceu qualquer oportunidade para demonstrar o que pode e sabe fazer no ataque.

O Benfica joga hoje na Madeira e pode aumentar a vantagem no topo do campeonato para 9 pontos. Ou Paulo Fonseca alcança pela primeira vez um grande resultado para si e para o FC Porto, ou o campeonato passa a ser uma miragem. E nesta altura já não adianta denunciar as arbitragens da primeira volta porque o tempo para isso já lá vai. 




sexta-feira, 23 de janeiro de 2015

Curtas do dia

1.º O jornal "O Jogo" destaca hoje na sua capa que Lopetegui pediu à SAD mais um avançado neste mercado de inverno. Com Adrian provavelmente de fora até Março e com Aboubakar ainda na CAN, faz algum sentido a alegada pretensão do treinador. Para reforçar esta ideia, o jornal salienta que o ataque está reduzido, neste momento, a Jackson, Tello, Quaresma e Quintero, o que ajudaria a justificar a ida ao mercadso. No entanto, penso que não faz sentido procurar reforços para o ataque nesta altura e passo a explicar porquê:

- O estado das finanças do nosso clube está longe de se poder considerar como um exemplo, pelo que convém não gastar quaisquer quantias a menos que seja absolutamente indispensável;

- Para além dos referidos Jackson, Quaresma, Tello, e Quintero, Lopetegui tem ainda à disposição Ricardo Pereira para o lado direito do ataque (aposte no miúdo Mister, vai ver que não se arrepende) e Gonçalo Paciência e André Silva para o ataque (duas enormes esperanças da nossa formação). Não esvaziemos de sentido a equipa B;

- A Argélia perdeu hoje com o Gana e vai ter tarefa difícil para se apurar no seu grupo da CAN. Se na terça feira não ganhar ao Senegal, já teremos Brahimi disponível para a recepção ao Paços de Ferreira no próximo fim de semana. O mesmo se passa com Aboubakar. Os Camarões empataram o primeiro jogo do seu grupo e o apuramento para os quartos de final está longe de ser um dado confirmado. Caso ambas as selecções se apurem para os quartos de final, o mais provável é assistirmos a um embate entre as selecções dos jogadores portistas nos quartos, o que significa que um deles estará de regresso ao Porto no dia 2 de Fevereiro, a tempo de ajudar a equipa na deslocação a Moreira de Cónegos. 

- Temos um excelente avançado (sim, nosso) emprestado em Espanha. Ghilas aparenta estar em grande e é notícia hoje na imprensa desportiva que o argelino já perdeu 6 quilos desde que deixou a Invicta. A ir buscar alguém, que tal tentar o seu regresso?

- No caso de contratarmos alguém de fora, e atendendo a que até ao momento nenhum nome foi avançado na comunicação social, quanto tempo demorará esse alguém a chegar? E depois de chegar, não precisará de umas semanas para se adaptar? Nessa altura já Brahimi e Aboubakar estão às ordens de Lopetegui. Contratar um jogador por ou para 15 dias não é uma boa decisão, a não ser que estejamos a falar de um craque barato e pronto a jogar. E esses negócios da China são raríssimos...

2.º Opare quer ser o melhor do Mundo. Bem, lê-se cada coisa nos jornais... Chegou ao Porto no Verão e já foi recambiado para a Turquia, sem sequer ter sido utilizado por Lopetegui. Está a anos luz de Danilo e foi rapidamente ultrapassado por um jogador adaptado a lateral direito. Estes jogadores sem cabeça tiram-me do sério. Sugiro que se preocupe em ser o melhor lateral direito do Besiktas, o que já não será fácil...

3.º Vítor Pereira começou a treinar recentemente o Olympiakos, tradicional campeão grego. A sua primeira investida no mercado foi contratar Franco Jara ao Benfica. Há negócios realmente muitos estranhos...fala-se em surdina que ainda está relacionado com a transferência fantasma de Roberto... será?




4.º O Sporting apresentou hoje Ewerton. Parece que vem substituir Maurício e aprender com Sarr. Pelo que se vê neste vídeo, parece perfeito para a tarefa.




quinta-feira, 22 de janeiro de 2015

Sp. Braga 1 - 1 FC Porto: Que bom é quando o crime não compensa

A crónica de hoje começa pelo fim, pelo apito final da partida, porque o empate no término do jogo foi o justo prémio para os bravos heróis que hoje vestiram a camisola dos dragões e para o corajoso e sem papas na língua Lopetegui. Mas desenganem-se aqueles que pensam que esta crónica seria diferente caso alguma das oportunidades de golo do Braga ao cair do pano tivessem tido um fim diferente. A crónica, mesmo em caso de derrota, seria exactamente igual. Porque aquilo que se viu hoje é tudo aquilo que os adeptos do FC Porto pedem/exigem a todos os jogadores que têm a sorte de representar o nosso grande clube: mesmo no meio das maiores adversidades, mesmo contra tudo e contra todos, mesmo quando os adversários acham que a vitória está garantida, nunca, mas nunca, podem baixar os braços. Jamais, em situação alguma, podem deixar de acreditar que é possível. É preciso suar, mostrar garra, força, atitude. Mostrar, no fundo, que SER PORTO não é só dizê-lo da boca para a fora, é praticá-lo. E porque os jogadores, sem excepção, nos orgulharam hoje, a crónica de hoje seria sempre uma crónica de elogios e uma prova de confiança, de fé. Agora, é reforçar esta receita para a segunda volta da Liga e para a UCL.

Lopetegui apostou num onze inicial muito próximo daquele que tinha sido anunciado pela gerênca deste estaminé. Helton ocupou (e em boa hora o fez) o presumível lugar de Andres Fernandez na baliza e Ricardo Pereira posicionou-se no lado direito da defesa, abrindo vaga na frente de ataque para a estreia da jovem esperança azul e branca, Gonçalo Paciência. Do lado do Braga, algumas poupanças, mas, ainda assim, Sérgio Conceição lançou vários habituais titulares no 11 inicial, aos quais juntou na segunda parte Éder e o endiabrado Rafa.

O jogo começou melhor para os bracarenses. Mais rotinados e sabendo que só a vitória lhes interessava, os comandados do ingrato Sérgio Conceição entraram em campo a pressionar o FC Porto na primeira fase de construção e conseguiram criar as primeiras oportunidades de golo. Porém, e contra a corrente do jogo, Gonçalo Paciência sofre falta dentro da área quando tentava cabecear um centro da direita do ataque e o árbitro apontou para a marca da grande penalidade (a arbitragem será abordada isoladamente no final). Evandro, verdadeiro especialista na arte de colocar a redondinha nas redes à distância de 11 metros, não tremeu e inaugurou o marcador.

O Braga reagiu e esperava-se um jogo vivo, animado e de parada e resposta, mas o árbitro decidiu estragar o jogo à passagem da meia hora e desvirtuou por completo o que se viria a passar até final. Reyes viu dois amarelos num curto espaço de tempo e foi tomar banho mais cedo, expulsão que obrigou Lopetegui a trocar Quintero por Indi. Evandro pouco depois juntava-se ao mexicano no duche (salvo seja) e o FC Porto ficava reduzido a 9 jogadores com cerca de 50 minutos para jogar.

"Está feito!", pensaram os adeptos bracarenses. "Estamos feitos!", lamentarem os portistas. Até ao intervalo, os azuis e brancos conseguiram aguentar a sua baliza inviolada e deram oportunidade a Lopetegui para fazer os acertos tácticos possíveis ao intervalo. Seriam, certamente, 45m de grande sofrimento e só com uma grande capacidade de entreajuda o FC Porto conseguiria sair da Pedreira com um resultado positivo.

Infelizmente para os dragões, a segunda parte começou com o árbitro a assinalar uma grande penalidade a favor do Braga e Alan atirou a contar. Um golo separava o Braga dos seus objectivos e ao FC Porto competia-lhe defender com unhas e dentes e apostar na velocidade de Tello (que entrou a substituir o lesionado Adrian Lopez ainda na primeira parte) sozinho no ataque e na capacidade de queimar linhas de Hector Herrera (que rendeu Gonçalo Paciência à passagem da hora de jogo) para tentar causar transtornos à defensiva bracarense.

O jogo não fugiu ao que se esperava, com o Braga a pôr a carne toda no assador à procura do golo e a criar várias oportunidades para tal, negadas, na sua grande maioria, por Helton. Que exibição Captain!! Quanto ao FC Porto, destaque para duas claras oportunidades de golo no quarto de hora final. Primeiro Tello surgiu solto dentro da área após um passe perfeito de Herrera, mas o guardião adversário mostrou grande elasticidade e negou o golo ao extremo espanhol. Depois, Campaña, sozinho ao segundo poste, não conseguiu finalizar com qualidade um grande trabalho de Jose Angel na esquerda do ataque. O resultado não sofreu alterações até final e foram os dragões a sorrir esta noite em Braga.

Relativamente aos destaques individuais, e mesmo não querendo ser injusto com os restantes jogadores, tenho de realçar a enorme exibição de Helton. Simplesmente intransponível (em bola corrida). A continuar assim, Lopetegui terá boas dores de cabeça quando tiver de escolher o titular para os jogos do campeonato. E por falar em boas dores de cabeça, será que Jose Angel não está, neste momento, em melhor forma que Alex Sandro? Se fosse eu a escolher, e como já tinha dito na antevisão ao jogo de Penafiel, seria o espanhol o escolhido para os próximos jogos. Nota muito alta também para a estreia de Gonçalo Paciência e Ruben Neves (que saudades já tinha de ver dois jogadores da formação a jogar de início!), que jogou longos minutos diminuído fisicamente e nunca virou a cara à luta, pondo em causa a sua integridade física.

Custa-me destacar alguém pela negativa, mas temo que Reyes tenho martelado o último prego do seu próprio caixão. À semelhança do jogo com o União da Madeira, foi possível ver que ainda está demasiado "verdinho" para estas andanças e acredito que um empréstimo a uma equipa que lhe permita muitos minutos de jogo será a melhor solução.
Nota muita positiva para a flash interview de Lopetegui. Pode não ser o melhor treinador do mundo, mas é nosso, encarnou bem aquilo que é ser treinador do FC Porto e sabe que aquilo a que assistimos hoje é o Porto.  E também...bem vindo de volta Sr. Jorge Nuno Pinto da Costa!! Aperta com eles!! E parabéns às claques e aos adeptos presentes na Pedreira. Foram dignos dos jogadores dentro de campo e isso por si só já é um grande elogio.

Para o final, e porque só agora me passou o nojo provocado por mais uma arbitragem vergonhosa, há que repetir: é tão bom quando o crime não compensa. Principalmente quando o ladrão não tem o mínimo de qualidade e é tão descarado naquilo que faz. O penalti a favor do FC Porto é difícil de analisar. Em jogo corrido, a ideia que fica é que Gonçalo Paciência foi agarrado quando se preparava para acorrer ao centro do seu colega. Na repetição, e porque as imagens não apanham os jogadores no momento do cruzamento, não se vislumbra qualquer falta. Cosme Machado apitou penalti, mas ter-se-á arrependido da sua decisão e passou os restantes 70m de jogo prejudicar o FC Porto.

O que se seguiu foi surreal e revoltante. Reyes é expulso por duas faltas praticamente seguidas. O árbitro foi rigoroso e não perdoou o mexicano. Até aqui, tudo bem. Pior foi o que se viu logo depois. Sasso faz uma falta exactamente igual ou mais dura à que valeu o segundo amarelo ao defesa central do FC Porto e quando todos estavam convencidos que o árbitro pertencente à AF Braga (boa escolha para um jogo entre o FC Porto e o...Braga) ia sacar do segundo amarelo e expulsar o jogador bracarense, eis que Cosme Machado decide ser benevolente e perdoar o infractor. 

Pouco depois, Evandro sofre falta dura no meio campo (foi pisado na mão por Pedro Santos) e o árbitro volta a poupar o amarelo médio bracarenses. No seguimento da jogada, Evandro faz falta sobre Pedro Santos, acabando por chutar a bola contra o adversário depois de ouvir o apito do árbitro. O que decide o condescendente árbitro? Vermelho directo, pois claro. Sem contemplações. 

Já na segunda parte, o defesa esquerdo Tiago Gomes tem uma entrada dura sobre Tello e Cosme Machado admoesta-o com amarelo. Decisão acertada. O problema é que, logo depois, o mesmo Tiago Gomes tem uma entrada dura por trás (exactamente igual à que valeu o primeiro amarelo a Reyes) sobre Gonçalo Paciência e o segundo amarelo voltou a ficar no bolso, para estupefacção de todos os jogadores e adeptos azuis e brancos. Dois pesos, duas medidas... Incrível! Não me vou alongar no penalti assinalado a favor do Braga, já que foi muito parecido ao marcado a favor do FC Porto. Só que, infelizmente, e ao contrário do que sucedeu após a marcação do primeiro, o árbitro não ficou condicionado depois de o assinalar...

Resumindo, e como disse ontem um grande amigo meu, um mau árbitro é aquele que não sabe distinguir uma falta de uma simulação, é aquele que não sabe aplicar a lei da vantagem, é aquele que precisa de recorrer à excessiva amostragem de cartões amarelos para conseguir controlar o jogo. 

E um árbitro que erra premeditadamente, um ladrão, é aquele que perante situações exactamente iguais toma decisões totalmente opostas. Não é uma questão de qualidade técnica, é falta de sentido de justiça, proporcionalidade e princípios.

Cosme Machado faz parte do segundo grupo de certeza absoluta e desconfio muito que também faça parte do primeiro.
PS: frase lida no facebook - "os roubos até já chegaram à Taça da Liga". Falso. Os roubos não chegaram à Taça da Liga. A Taça Senhor Lucílio Baptista sempre foi o habitat natural dos roubos. Mas depois do que já vi este ano, não ficaria surpreendido se amanhã lesse nos pasquins que o FC Porto foi beneficiado em Braga!

quarta-feira, 21 de janeiro de 2015

Antevisão Braga - FC Porto: vencer e "carimbar" o primeiro lugar

O FC Porto joga hoje às 20h45 em Braga uma importante cartada na decisão do primeiro lugar do seu grupo da Taça da Liga. Se por um lado já todos percebemos que a Taça da Liga ocupa o último lugar na tabela de prioridades desta época (e não é de hoje, apesar de no ano passado termos dado uma ideia diferente...e errada), por outro lado é sempre melhor ganhar do que perder, é sempre melhor discutir a conquista de mais um troféu do que ficar a ver os outros na TV. Lopetegui afirmou na conferência de imprensa que antecedeu o embate desta noite que "esta é uma competição em que queremos ser protagonistas e, por isso, não olhamos para mais nada". E faz todo o sentido que o tenha feito. É esta a mensagem que um treinador de um clube como o FC Porto tem de passar para fora, mesmo quando internamente a convicção seja outra. Todos os jogos são para vencer. O que não é compreensível é fazer o que o Sporting tem feito. 

O presidente leonino berrou aos sete ventos que os verdes e brancos só participariam na Taça da Liga (ainda o ridículo caso do atraso na edição anterior) se a isso fossem obrigados. E sendo obrigados, jogariam com um misto da equipa B e da equipa de juniores e juvenis. Tretas. O Sporting faz aquilo que o FC Porto sempre fez na Taça da Liga. A opção passa por dar tempo de jogo aos jogadores menos utilizados da equipa A. E quem os vê a festejar penaltis do novo Tsubasa contra o Boavista só pode ficar confuso quanto à real importância dada à competição. 

Já o Benfica, através do seu treinador, optou por mandar bicadas ao rival da segunda circular. Afirma Jorge Jesus que o "Sporting não encara a Taça da Liga como prioridade". É evidente, meu caro. Só o Benfica é que o pode fazer, até porque, de resto, só sobra o campeonato. E só Benfica é que esteve três anos agarrado a uma taça da liga como salvação de uma época desportiva. Destaque para a pronta resposta do Sporting no seu twitter, excepcionalmente na mouche. 


Voltando ao jogo de hoje na Pedreira, espero um jogo aberto da parte do Braga, uma vez que só a vitória interessa aos comandados de Sérgio Conceição. Já o FC Porto pode, teoricamente, ficar satisfeito com dois resultados, porque se for para o quarto e decisivo jogo no Dragão com 7 pontos amealhados, as perspectivas de apuramento são grandes.

Lopetegui promoveu mais uma esperada revolução nos convocados (o meu aplauso por mais uma vez optar por descansar os habituais titulares e, assim, dar minutos a quem realmente deles necessita). Destaque para as chamadas dos "B" Victor Garcia, Kayembe e Gonçalo Paciência.

Não é, de todo, fácil prever o 11 inicial dos dragões, mas acredito que poderá ser qualquer coisa como: Andrés Fernandez, Victor Garcia, Reyes, Marcano, Jose Angel, Campaña, Rúben Neves, Evandro, Quintero, Adrian Lopez e Ricardo Pereira. 

A minha grande dúvida prende-se com a posição que Ricardo Pereira irá ocupar em campo. Se jogar como extremo direito, Victor Garcia ocupará o lado direito da defesa. Se jogar como defesa direito, Adrian Lopez descairá numa ala e Gonçalo Paciência estrear-se-á como titular a ponta de lança.
Será desta que Adrian Lopez começa a mostrar serviço e que Gonçalo Paciência começa a dar a razão àqueles que acreditam que temos muitos e bons valores na equipa B e nos juniores?


Video da Semana: Bobby Robson pôs os Dragões a espalhar classe em Braga

Aproveitando a deslocação do FC Porto à Pedreira esta quarta-feira para defrontar o Sporting de Braga na terceira jornada da Taça da Liga, a gerência do estaminé escolheu para esta semana um vídeo relativo à época de 1994-1995, no qual podemos ver os comandados de Bobby Robson a esmagar os bracarenses no velhinho Estádio 1º de Maio. Faz hoje 20 anos que os azuis e brancos davam uma demonstração de força na caminhada para a conquista do título nacional, que escapara na época anterior para o Benfica. Seria o primeiro de cinco títulos seguidos, um penta único e inigualável no futebol português, conseguido nesse ano contra um Benfica kamikaze de Artur Jorge e contra um Sporting que contava nas suas fileiras com jogadores do calibre de Figo, Juskowiak, Iordanov ou Balakov.


No entanto, o título do FC Porto nesse ano não merece discussão, tal foi a superioridade demonstrada dentro das quatro linhas, sendo que a consagração e festa surgiram precisamente no recinto do grande rival dessa época a poucas jornadas do fim. Bobby Robson conquistava o título em Alvalade e fazia a festa perante os adeptos sportinguistas e perante Sousa Cintra, presidente que o despedira no ano anterior. A vingança serve-se fria! 


Quanto ao jogo em si, destaque para os dois golos do franzino goleador Domingos Paciência, para a força do brasileiro Emerson (que infelizmente se transferiu no final da época para os ingleses do Middlesbrough), para a dupla russa composta por Kulkov e Yuran resgatada ao Benfica no início do campeonato e para a classe de Rui Barros. Do lado do Braga, menção honrosa para o grande golo de Barroso (que mais tarde jogaria de azul e branco) e para o mítico Karoglan.

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Porém, ao contrário daquilo que sucedeu nos vídeos das anteriores semanas, esta equipa tinha praticamente só craques. Um onze composto por Baía, Secretário (antes da transferência para Madrid que o transformou para muito pior), Aloísio, Zé Carlos, João Pinto, Paulinho Santos, Emerson, Kulkov, Rui Barros, Yuran, Domingos é, certamente, um dos onzes mais fortes do FC Porto dos últimos 30 anos. Se a estes 11 juntarmos, ainda, Drulovic (contratado ao Gil Vicente), Latapy, Jorge Costa, Jorge Couto, Folha, entre outros, podemos perceber por que razão o FC Porto levou a melhor em relação ao Sporting desse ano.
Obviamente que neste plantel também existiam cromos de renome e aqui ficam alguns exemplos (embora a pouco ou nenhum tempo de jogo tenham tido direito): Walter Paz, Ntsunda, Baroni ou Vítor Nóvoa.


Notas soltas: ao contrário do que tentei adivinhar a semana passada, Bruno Paixão não estava guardado para a viagem do FC Porto aos Barreiros. O Calabote dos tempos modernos terá uma deslocação mais curta e ajudará, perdão, apitará o Benfica na Capital do Móvel. Já os Dragões serão roubados, perdão, arbitrados pelo João "Limpinho Limpinho" Capela (o tal que não permitiu que o Benfica sofresse qualquer golo em mais de 10 jogos por ele apitados) na sua deslocação à Madeira. Tudo dentro da normalidade desta época, portanto. E enquanto isso, a direcção do FC Porto continua a assobiar para o lado, conforme relata o Miguel Fernandes num grande post no seu Tribunal do Dragão.

domingo, 18 de janeiro de 2015

Penafiel 1 - 3 FC Porto: 3 pontos no bolso no batatal de Penafiel

Quando no post de antevisão ao jogo disse que "o tempo que se fará sentir à hora do jogo e o mais que provável mau estado do terreno de jogo serão adversários complicados às pretensões dos dragões" estava longe de adivinhar que o FC Porto iria encontrar as condições que se verificaram ontem no Estádio 25 de Abril. Neste sentido, não podia estar mais de acordo com o José Correia, do Reflexão Portista, quando este pergunta como é que é possível, em 2015, disputarem-se jogos do campeonato português em relvados como o do Estádio do Penafiel. Existem muitos, imensos, estádios com relvados bem melhores que o de ontem nas divisões inferiores dos Campeonatos Nacionais, inclusivamente nos Distritais. Felizmente, ninguém se magoou com gravidade e felizmente, também, os azuis e brancos foram capazes de conquistar os três pontos num jogo que, principalmente na segunda parte, nada teve que ver com uma partida de futebol...




Mas vamos ao jogo. Lopetegui fez alinhar de início o 11 que se previa, repetindo as escolhas da recepção ao Belenenses. O FC Porto não entrou bem no encontro e demorou cerca de 15m a perceber que não poderia utilizar a estratégia de jogo habitual de passe curto, jogo apoiado e de sair a jogar pela defesa. Passado este quarto de hora de adaptação às condições do campo, e percebendo a melhor forma de abordar a partida, os dragões tomaram conta do jogo e inauguraram o marcador na primeira situação clara de golo. Jackson Martinez isolou Casemiro com um passe delicioso e o brasileiro picou a bola sobre o guarda redes adversário quando este saiu aos seus pés para fazer a mancha. Contudo, e à imagem do que aconteceu com Cristian Tello na recepção ao Boavista, a bola rematada pelo trinco do FC Porto não levava força suficiente para ultrapassar a linha de golo e preparava-se para ficar parada a um palmo do destino pretendido. Porém, desta vez surgiu o oportuno e rápido Herrera a empurrar para o fundo das redes e a fazer o primeiro golo do encontro.

Poucos minutos depois, surgiu o segundo golo dos azuis e brancos. Canto desperdiçado no lado direito do ataque (tantos foram os cantos mal executados ontem...) com a bola a sobrar para Tello à entrada da área. O ex-Barcelona colocou bem em Oliver dentro da área e o pequeno prodígio espanhol cruzou com conta, peso e medida para Jackson Martinez encostar para o segundo.



Estaria feito o mais difícil, até porque com o passar dos minutos o terreno de jogo se tornava cada vez menos propício à prática do desporto e se assemelhava cada vez mais a um daqueles recintos de lutas na lama. Ainda antes do intervalo Quaresma desperdiçou uma boa oportunidade de fazer o terceiro golo num remate que saiu às malhas laterais. Resultado justo ao intervalo, premiando a eficácia dos dragões em 45m que não permitiram veleidades aos durienses.

A segunda parte iniciou-se da mesma forma que a primeira. O FC Porto demorou alguns minutos a entrar realmente em jogo e quando deu por isso já o Penafiel tinha reduzido a desvantagem. Rabiola aproveitou bem uma descoordenação de Maicon e Casemiro dentro da área do FC Porto e empurrou para a baliza um ressalto na sequência de um canto. Os azuis e brancos sentiram o toque e os penafidelenses tentaram aproveitar o momentum. Contudo, Lopetegui reagiu bem, percebendo que não era possível jogar futebol na noite de ontem e substituiu Quaresma por Marcano. Os jogadores entenderam a mensagem que o treinador passou para o relvado e começaram a simplificar ao máximo na defesa e no meio campo, isto é, passaram a adoptar o velho estilo do Ramaldense, "bola vem, bola vai". O jogo transformou-se numa autêntica batalha campal na qual seria praticamente impensável surgirem jogadas de qualidade. 

No entanto, da equipa do FC Porto fazem parte dois craques de nível mundial, dois jogadores de classe pura, os quais mesmo num batatal são capazes de demonstrar por que razão ainda vale a pena pagar o bilhete em noites de temporal como a de ontem, sendo exemplo claro desta afirmação o terceiro golo do FC Porto, apontado por Oliver Torres, após trabalho brilhante de Jackson Martinez.


O Penafiel perdeu toda a moral que conquistara com o golo de Rabiola e não mais incomodou a baliza de Fabiano. Até ao final, destaque apenas para o único momento de inspiração no jogo de Tello, que quase fazia o quarto golo para os azuis e brancos.


Em termos individuais, destaque muito positivo para Jackson Martinez, que esteve nos três golos e foi um mouro de trabalho durante o tempo que esteve em campo. Nota muita alta também para Oliver Torres, com um golo, uma assistência, muita entrega e clarividência. Tenho dificuldades em escolher qual dos dois foi o MVP do jogo de ontem, mas talvez me incline mais para o Colombiano.

Pela positiva, destaco ainda o jogo sem falhas de Martins Indi e para a boa entrada de Marcano na segunda parte. Casemiro teve duas boas assistências mas voltou a falhar alguns passes fáceis e a chegar tarde nas divididas em vários lances. Nota menos, ou melhor, nota +/- para os desinspirados Tello e Quaresma e para a habitual fífia de Maicon.


Para o final, deixo a arbitragem. Artur Soares Dias fez uma boa arbitragem a nível técnico, mas ficam muitas dúvidas sobre a legalidade dos golos dos azuis e brancos. No primeiro golo, ao contrário do afirmado insistentemente pelo comentador Sporttv Rui Pedro Rocha - talvez desesperado por até à 17ª jornada ainda não ter encontrado nenhum jogo em que o árbitro teve influência directa no resultado a favor do FC Porto -, não é líquido que Casemiro estivesse fora de jogo. Conforme se poder ver pela imagem do post, é, no mínimo, duvidoso que o brasileiro parta em posição irregular. Já no segundo golo de Jackson, a situação é a mesma. Parece-me que o colombiano está em linha com a bola no momento do passe de Oliver, mas seria sempre uma decisão difícil para o árbitro. Por fim, no terceiro golo, e na sequência da carambola entre Herrera e Casemiro, o brasileiro acaba por parecer beneficiar de posição irregular para aproveitar o ressalto na pequena área e colocar a bola em Oliver. Mas, e mais uma vez, é difícil perceber se no momento do cabeceamento e da carambola entre os dois, se estão em linha ou se o brasileiro está adiantado em relação ao mexicano.

A verdade é que em três lances difíceis, e não me custa reconhecer, os fiscais de linha optaram por beneficiar a equipa que ataca, isto é, o FC Porto. Não sabemos se o FC Porto venceria o jogo na mesma caso as decisões fossem no sentido inverso, apesar do Penafiel nada ter feito durante 90 minutos. De qualquer das formas, é bom saber que nesta liga também se pode decidir a favor do Porto em caso de dúvida e que não são só os adversários a beneficiar de erros de arbitragem. Para equilibrar a balança com o SLB já só faltam mais 6 ou 7 jogos assim...

Agora é esperar que Marítimo nos dê uma ajudinha hoje à tarde e preparar bem a deslocação aos Barreiros, descansando em Braga na quarta feira TODOS os jogadores que jogaram no lamaçal de Penafiel.


sexta-feira, 16 de janeiro de 2015

Antevisão Penafiel - FC Porto: Só a vitória interessa

O FC Porto defronta o Penafiel amanhã às 20h15 no Estádio Municipal 25 de Abril em jogo a contar para a 17ª e última jornada da primeira volta do campeonato. Os azuis e brancos seguem na perseguição ao líder Benfica, que tem uma difícil deslocação aos Barreiros no Domingo, e sabem que não podem regressar de Penafiel sem os 3 pontos, sob pena de hipotecarem definitivamente as legítimas esperanças de resgatar o título de campeões nacionais. Infelizmente, e ao contrário daquilo que sucedeu há quinzes dias quando os nossos grandes rivais jogaram em Penafiel, o tempo que se fará sentir à hora do jogo e o mais que provável mau estado do terreno de jogo serão adversários complicados às pretensões dos dragões. 


No entanto, o FC Porto tem a obrigação de vencer o jogo e acredito que tal irá acontecer, se todos encararem o jogo com a atitude correcta. Do lado adversário, e depois da dura derrota em Barcelos que permitiu a aproximação dos gilistas na tabela classificativa e que afundou os penafidelenses para o penúltimo lugar do campeonato, a receita será a utilizada habitualmente por todas as equipas da segunda metade da tabela quando defrontam o FC Porto. Todos os jogadores atrás da linha da bola, tentando adiar o mais possível o golo inaugural dos dragões e apostando todas as fichas num contra ataque ou num lance de bola parada. Historicamente, e conforme documentado no vídeo da semana publicado na quarta feira, a deslocação a Penafiel apresenta-se como uma viagem tranquila e de nível de dificuldade reduzido (12 jogos, 8 vitórias, 4 empates, 12 golos marcados e 1 sofrido).

Lopetegui operou a esperada revolução nos convocados relativamente ao jogo com o União da Madeira e salta à vista o regresso aos eleitos de Fabiano, Danilo, Martins Indi, Casemiro, Herrera e Tello. Em sentido contrário, destaque para as ausências do espanhol Jose Angel e de Ruben Neves, os quais, na minha opinião, não mereciam sair do lote dos eleitos.

O treinador espanhol deverá, assim, repetir o 11 inicial escolhido na recepção ao Belenenses:
Fabiano, Danilo, Maicon, Indi, Alex Sandro, Casemiro, Herrera, Oliver, Quaresma, Tello, Jackson. E está na hora de Quaresma abrir o livro e de Tello se chegar à frente!



Notas soltas: A FPF celebrou o primeiro centenário com uma gala em que premiou os que, em seu entender, mais se distinguiram nesse período, e na qual se "esqueceu" de distinguir e/ou premiar duas das mais importantes figuras do futebol nacional: Jorge Nuno Pinto da Costa e José Maria Pedroto.
Trata-se de uma omissão lamentável e que demonstra bem os interesses da actual FPF e do seu presidente Fernando Gomes. O FC Porto, e bem, foi rápido a reagir e emitiu um comunicado no seu site, no qual demonstra toda a sua indignação.

Se por um lado, aplaudo a emissão do comunicado e a defesa intransigente dos interesses do FCP, por outro lado não posso deixar de manifestar o meu espanto pelo facto de situações bem mais lesivas dos interesses dos azuis e brancos não merecerem o mesmo tratamento. Aquilo que agora a direcção da FC Porto SAD fez, e muito bem, já deveria ter sido feito relativamente às arbitragens dos jogoa SLB durante a presente época ou depois da vergonhoso arbitragem de Paulo Batista em Guimarães. Ainda para mais porque as votações e os prémios da FPF não valem títulos nem campeonatos, ao contrário do que sucede com as arbitragens cirúrgicas que temos visto esta época...

quarta-feira, 14 de janeiro de 2015

Vídeo da Semana: Recordar a última deslocação a Penafiel

E porque no sábado o FC Porto joga em Penafiel mais uma importante batalha nesta difícil perseguição ao líder Benfica, a escolha desta semana recaiu num vídeo que só pode trazer boas recordações aos adeptos azuis e brancos. Na época de 2005 - 2006, os azuis e brancos deslocaram-se a Penafiel na 32ª jornada sabendo que se alcançassem a vitória na curta viagem às margens do Tâmego e do Sousa selariam a conquista do campeonato. Com sete pontos de vantagem sobre o Sporting, distância cimentada quinze dias antes numa vitória épica em Alvalade com um golo do mal amado Jorginho ao cair do pano, os azuis e brancos estavam convencidos que mais cedo ou mais tarde festejariam o título, mas poucos teriam dúvidas que tal não acontecesse frente ao Penafiel, lanterna vermelho do campeonato e despromovido prematuramente no campeonato.

video


O jogo foi mais difícil do que seria de prever, muito por culpa da desinspiração dos azuis e brancos, com Benni McCarthy e Adriano à cabeça, e também devido à excelente exibição do guarda redes dos penafidelenses. Ao intervalo o nulo no marcador persistia e os nervos dos milhares de adeptos do FC Porto nas bancadas cresciam. No início da segunda parte, Ibson é carregado por trás dentro da área quando se preparava para rematar à baliza e o árbitro assinalou o correspondente castigo máximo. Ao contrário daquilo que acontece no FC Porto esta época (e também nas anteriores), na altura, o índice de eficácia nas grandes penalidades era bem superior. Adriano concretizou com competência o castigo máximo e descansou todos os dragões presentes no estádio.

Até ao final do jogo, o desacerto e desperdício dos azuis e brancos mantiveram-se, o que não permitiu o avolumar do resultado. Soprado o apito final, Co Adriaanse e os seus pupilos festejaram o merecido título nos balneários, uma vez que mal terminou o encontro uma multidão imensa protagonizou uma invasão de campo pacífica.


Em jeito de curiosidade, aqui ficam os 18 convocados para este encontro:
11 titular: Helton, Bosingwa, Pedro Emanuel, Pepe, Raul Meireles, Ibson, Paulo Assunção, Jorginho, Alan, Benni McCarthy, Adriano
Suplentes: Vítor Baía, Ricardo Costa, Bruno Alves, Anderson, Lisandro Lopez, Ivanildo, Hugo Almeida.

Alguns craques ausentes desta partida: Quaresma, Lucho Gonzalez, Diego
Alguns cromos que faziam parte do plantel: Marek Cech, Sokota, Sonkaya, Areias







FC Porto 3 - 1 União da Madeira: Vitória tranquila em partida jogada a ritmo de peladinha

O FC Porto venceu esta noite o União da Madeira por 3 - 1 e soma agora 6 pontos no grupo D da Taça da Liga, ocupando isoladamente o primeiro lugar da tabela. Foi uma vitória justa e um resultado que reflecte aquilo que se passou dentro das quatro linhas, numa primeira parte muito parecida com a segunda. Um jogo de sentido quase único, exceptuando duas oportunidades claras da equipa adversária, uma em cada 45 minutos. Talvez os azuis e brancos merecessem ter marcado mais um ou dois golos, mas tal seria injusto para a boa postura dos insulares, principalmente se tivermos em conta o que Boavista, Belenenses e Vitória de Setúbal fizeram no Estádio do Dragão esta época.


Como seria de esperar, Lopetegui efectuou várias alterações no 11 inicial. Helton regressou finalmente aos relvados e foi muito saudado pelos poucos adeptos que se deslocaram ao Dragão na fria noite de terça feira. Contudo, não efectuou qualquer defesa, viu uma bola embater com estrondo no poste direito da sua baliza e nada podia fazer no golo do União da Madeira. Ricardo ocupou a lateral direita da defesa e esteve mais discreto do que nas suas mais recentes aparições. Na esquerda, um prático e eficiente Jose Angel, seguro a defender e competente a atacar pelo seu flanco. Os centrais foram Reyes, que se destacou mais no ataque do que na defesa (muito lento a dobrar Ricardo no golo sofrido), e Marcano, que esteve bastante discreto.

No meio campo, saúda-se o regresso de Rúben Neves, que acusou a natural falta de ritmo competitivo após a paragem a que foi obrigado. No entanto, a sua forma de jogar de cabeça levantada não engana e acredito que será bastante útil até final da época. Campaña e Evandro completaram o trio do meio campo, sendo que o primeiro tentou jogar sempre o mais simples possível e não se aventurou muito no ataque, e o segundo esteve mais interventivo e causou alguns desiquilíbrios pelo centro do terreno, decidindo maioritariamente bem, o que se comprova com as duas assistências para golo. O golo que fechou a contagem foi dele, mostrando a Jackson Martinez como se marca uma grande penalidade. 

Já no ataque, destaque para a estreia a titular de Ivo Rodrigues, jovem jogador formado no FC Porto. O extremo acusou um pouco a pressão e acabou por falhar um golo fácil. De qualquer forma, mostrou boa técnica e alguns pormenores interessantes. Espero que volte a ter oportunidades nesta Taça da Liga. No centro do ataque, Adrian Lopez. Ao contrário das boas indicações deixadas nos jogos anteriores, o ex Atlético de Madrid voltou a estar desinspirado e falhou algumas boas situações de finalização.


Por fim, Quintero. Jogando descaído no flanco direito do ataque, esteve em quase todas as jogadas de destaque do FC Porto na primeira parte, acabando por ser ele abrir o activo. Na segunda parte, optou por um futebol menos vistoso, o que por um lado o impediu de se destacar dos restantes companheiros como acontecera na primeira parte e por outro lado permitiu-lhe perder menos bolas do que até então. Para a gerência do estaminé, foi o MVP do lado do FC Porto.


Na segunda parte entraram ainda Quaresma para o lugar de Ivo Rodrigues, que terá saído ao intervalo devido a queixas físicas. O "Cigano" fez uma exibição discreta, mas com a atitude certa, que foi premiada com a obtenção do segundo golo. Oliver substituiu Campaña logo após o golo dos madeirenses e teve o impacto habitual no jogo, ajudando a serenar e organizar uma equipa um pouco abalada com o golo sofrido. A terceira substituição é-me difícil de perceber e comentar. Como sabem, gosto bastante do trabalho e do discurso do nosso treinador, mas o que ele fez ontem ao jovem Gonçalo Paciência sinceramente não se faz. Um jovem jogador da casa, mortinho por jogar uns minutos no Estádio do Dragão pela equipa A é deixado no banco para no seu lugar entrar Alex Sandro para uma posição que não é a sua. Depois de ter apostado, e bem, em Ivo Rodrigues (e ter trazido Ruben Neves para o plantel no início da época), Lopetegui podia e devia ter dado mais um sinal de confiança aos jovens da nossa equipa B. Honestamente, não havia necessidade. 



A meio da próxima semana, difícil deslocação a Braga em novo encontro para a Taça da Liga. Será interessante ver o que os bracarenses farão no seu jogo com a Académica, porque pode até suceder que aquando do encontro da terceira jornada os comandados de Sérgio Conceição já tenham hipotecado as suas hipóteses de apuramento.