Porto Bayern

Porto Bayern

domingo, 18 de janeiro de 2015

Penafiel 1 - 3 FC Porto: 3 pontos no bolso no batatal de Penafiel

Quando no post de antevisão ao jogo disse que "o tempo que se fará sentir à hora do jogo e o mais que provável mau estado do terreno de jogo serão adversários complicados às pretensões dos dragões" estava longe de adivinhar que o FC Porto iria encontrar as condições que se verificaram ontem no Estádio 25 de Abril. Neste sentido, não podia estar mais de acordo com o José Correia, do Reflexão Portista, quando este pergunta como é que é possível, em 2015, disputarem-se jogos do campeonato português em relvados como o do Estádio do Penafiel. Existem muitos, imensos, estádios com relvados bem melhores que o de ontem nas divisões inferiores dos Campeonatos Nacionais, inclusivamente nos Distritais. Felizmente, ninguém se magoou com gravidade e felizmente, também, os azuis e brancos foram capazes de conquistar os três pontos num jogo que, principalmente na segunda parte, nada teve que ver com uma partida de futebol...




Mas vamos ao jogo. Lopetegui fez alinhar de início o 11 que se previa, repetindo as escolhas da recepção ao Belenenses. O FC Porto não entrou bem no encontro e demorou cerca de 15m a perceber que não poderia utilizar a estratégia de jogo habitual de passe curto, jogo apoiado e de sair a jogar pela defesa. Passado este quarto de hora de adaptação às condições do campo, e percebendo a melhor forma de abordar a partida, os dragões tomaram conta do jogo e inauguraram o marcador na primeira situação clara de golo. Jackson Martinez isolou Casemiro com um passe delicioso e o brasileiro picou a bola sobre o guarda redes adversário quando este saiu aos seus pés para fazer a mancha. Contudo, e à imagem do que aconteceu com Cristian Tello na recepção ao Boavista, a bola rematada pelo trinco do FC Porto não levava força suficiente para ultrapassar a linha de golo e preparava-se para ficar parada a um palmo do destino pretendido. Porém, desta vez surgiu o oportuno e rápido Herrera a empurrar para o fundo das redes e a fazer o primeiro golo do encontro.

Poucos minutos depois, surgiu o segundo golo dos azuis e brancos. Canto desperdiçado no lado direito do ataque (tantos foram os cantos mal executados ontem...) com a bola a sobrar para Tello à entrada da área. O ex-Barcelona colocou bem em Oliver dentro da área e o pequeno prodígio espanhol cruzou com conta, peso e medida para Jackson Martinez encostar para o segundo.



Estaria feito o mais difícil, até porque com o passar dos minutos o terreno de jogo se tornava cada vez menos propício à prática do desporto e se assemelhava cada vez mais a um daqueles recintos de lutas na lama. Ainda antes do intervalo Quaresma desperdiçou uma boa oportunidade de fazer o terceiro golo num remate que saiu às malhas laterais. Resultado justo ao intervalo, premiando a eficácia dos dragões em 45m que não permitiram veleidades aos durienses.

A segunda parte iniciou-se da mesma forma que a primeira. O FC Porto demorou alguns minutos a entrar realmente em jogo e quando deu por isso já o Penafiel tinha reduzido a desvantagem. Rabiola aproveitou bem uma descoordenação de Maicon e Casemiro dentro da área do FC Porto e empurrou para a baliza um ressalto na sequência de um canto. Os azuis e brancos sentiram o toque e os penafidelenses tentaram aproveitar o momentum. Contudo, Lopetegui reagiu bem, percebendo que não era possível jogar futebol na noite de ontem e substituiu Quaresma por Marcano. Os jogadores entenderam a mensagem que o treinador passou para o relvado e começaram a simplificar ao máximo na defesa e no meio campo, isto é, passaram a adoptar o velho estilo do Ramaldense, "bola vem, bola vai". O jogo transformou-se numa autêntica batalha campal na qual seria praticamente impensável surgirem jogadas de qualidade. 

No entanto, da equipa do FC Porto fazem parte dois craques de nível mundial, dois jogadores de classe pura, os quais mesmo num batatal são capazes de demonstrar por que razão ainda vale a pena pagar o bilhete em noites de temporal como a de ontem, sendo exemplo claro desta afirmação o terceiro golo do FC Porto, apontado por Oliver Torres, após trabalho brilhante de Jackson Martinez.


O Penafiel perdeu toda a moral que conquistara com o golo de Rabiola e não mais incomodou a baliza de Fabiano. Até ao final, destaque apenas para o único momento de inspiração no jogo de Tello, que quase fazia o quarto golo para os azuis e brancos.


Em termos individuais, destaque muito positivo para Jackson Martinez, que esteve nos três golos e foi um mouro de trabalho durante o tempo que esteve em campo. Nota muita alta também para Oliver Torres, com um golo, uma assistência, muita entrega e clarividência. Tenho dificuldades em escolher qual dos dois foi o MVP do jogo de ontem, mas talvez me incline mais para o Colombiano.

Pela positiva, destaco ainda o jogo sem falhas de Martins Indi e para a boa entrada de Marcano na segunda parte. Casemiro teve duas boas assistências mas voltou a falhar alguns passes fáceis e a chegar tarde nas divididas em vários lances. Nota menos, ou melhor, nota +/- para os desinspirados Tello e Quaresma e para a habitual fífia de Maicon.


Para o final, deixo a arbitragem. Artur Soares Dias fez uma boa arbitragem a nível técnico, mas ficam muitas dúvidas sobre a legalidade dos golos dos azuis e brancos. No primeiro golo, ao contrário do afirmado insistentemente pelo comentador Sporttv Rui Pedro Rocha - talvez desesperado por até à 17ª jornada ainda não ter encontrado nenhum jogo em que o árbitro teve influência directa no resultado a favor do FC Porto -, não é líquido que Casemiro estivesse fora de jogo. Conforme se poder ver pela imagem do post, é, no mínimo, duvidoso que o brasileiro parta em posição irregular. Já no segundo golo de Jackson, a situação é a mesma. Parece-me que o colombiano está em linha com a bola no momento do passe de Oliver, mas seria sempre uma decisão difícil para o árbitro. Por fim, no terceiro golo, e na sequência da carambola entre Herrera e Casemiro, o brasileiro acaba por parecer beneficiar de posição irregular para aproveitar o ressalto na pequena área e colocar a bola em Oliver. Mas, e mais uma vez, é difícil perceber se no momento do cabeceamento e da carambola entre os dois, se estão em linha ou se o brasileiro está adiantado em relação ao mexicano.

A verdade é que em três lances difíceis, e não me custa reconhecer, os fiscais de linha optaram por beneficiar a equipa que ataca, isto é, o FC Porto. Não sabemos se o FC Porto venceria o jogo na mesma caso as decisões fossem no sentido inverso, apesar do Penafiel nada ter feito durante 90 minutos. De qualquer das formas, é bom saber que nesta liga também se pode decidir a favor do Porto em caso de dúvida e que não são só os adversários a beneficiar de erros de arbitragem. Para equilibrar a balança com o SLB já só faltam mais 6 ou 7 jogos assim...

Agora é esperar que Marítimo nos dê uma ajudinha hoje à tarde e preparar bem a deslocação aos Barreiros, descansando em Braga na quarta feira TODOS os jogadores que jogaram no lamaçal de Penafiel.


Sem comentários:

Enviar um comentário