Azul e Branco

Azul e Branco

quinta-feira, 22 de janeiro de 2015

Sp. Braga 1 - 1 FC Porto: Que bom é quando o crime não compensa

A crónica de hoje começa pelo fim, pelo apito final da partida, porque o empate no término do jogo foi o justo prémio para os bravos heróis que hoje vestiram a camisola dos dragões e para o corajoso e sem papas na língua Lopetegui. Mas desenganem-se aqueles que pensam que esta crónica seria diferente caso alguma das oportunidades de golo do Braga ao cair do pano tivessem tido um fim diferente. A crónica, mesmo em caso de derrota, seria exactamente igual. Porque aquilo que se viu hoje é tudo aquilo que os adeptos do FC Porto pedem/exigem a todos os jogadores que têm a sorte de representar o nosso grande clube: mesmo no meio das maiores adversidades, mesmo contra tudo e contra todos, mesmo quando os adversários acham que a vitória está garantida, nunca, mas nunca, podem baixar os braços. Jamais, em situação alguma, podem deixar de acreditar que é possível. É preciso suar, mostrar garra, força, atitude. Mostrar, no fundo, que SER PORTO não é só dizê-lo da boca para a fora, é praticá-lo. E porque os jogadores, sem excepção, nos orgulharam hoje, a crónica de hoje seria sempre uma crónica de elogios e uma prova de confiança, de fé. Agora, é reforçar esta receita para a segunda volta da Liga e para a UCL.

Lopetegui apostou num onze inicial muito próximo daquele que tinha sido anunciado pela gerênca deste estaminé. Helton ocupou (e em boa hora o fez) o presumível lugar de Andres Fernandez na baliza e Ricardo Pereira posicionou-se no lado direito da defesa, abrindo vaga na frente de ataque para a estreia da jovem esperança azul e branca, Gonçalo Paciência. Do lado do Braga, algumas poupanças, mas, ainda assim, Sérgio Conceição lançou vários habituais titulares no 11 inicial, aos quais juntou na segunda parte Éder e o endiabrado Rafa.

O jogo começou melhor para os bracarenses. Mais rotinados e sabendo que só a vitória lhes interessava, os comandados do ingrato Sérgio Conceição entraram em campo a pressionar o FC Porto na primeira fase de construção e conseguiram criar as primeiras oportunidades de golo. Porém, e contra a corrente do jogo, Gonçalo Paciência sofre falta dentro da área quando tentava cabecear um centro da direita do ataque e o árbitro apontou para a marca da grande penalidade (a arbitragem será abordada isoladamente no final). Evandro, verdadeiro especialista na arte de colocar a redondinha nas redes à distância de 11 metros, não tremeu e inaugurou o marcador.

O Braga reagiu e esperava-se um jogo vivo, animado e de parada e resposta, mas o árbitro decidiu estragar o jogo à passagem da meia hora e desvirtuou por completo o que se viria a passar até final. Reyes viu dois amarelos num curto espaço de tempo e foi tomar banho mais cedo, expulsão que obrigou Lopetegui a trocar Quintero por Indi. Evandro pouco depois juntava-se ao mexicano no duche (salvo seja) e o FC Porto ficava reduzido a 9 jogadores com cerca de 50 minutos para jogar.

"Está feito!", pensaram os adeptos bracarenses. "Estamos feitos!", lamentarem os portistas. Até ao intervalo, os azuis e brancos conseguiram aguentar a sua baliza inviolada e deram oportunidade a Lopetegui para fazer os acertos tácticos possíveis ao intervalo. Seriam, certamente, 45m de grande sofrimento e só com uma grande capacidade de entreajuda o FC Porto conseguiria sair da Pedreira com um resultado positivo.

Infelizmente para os dragões, a segunda parte começou com o árbitro a assinalar uma grande penalidade a favor do Braga e Alan atirou a contar. Um golo separava o Braga dos seus objectivos e ao FC Porto competia-lhe defender com unhas e dentes e apostar na velocidade de Tello (que entrou a substituir o lesionado Adrian Lopez ainda na primeira parte) sozinho no ataque e na capacidade de queimar linhas de Hector Herrera (que rendeu Gonçalo Paciência à passagem da hora de jogo) para tentar causar transtornos à defensiva bracarense.

O jogo não fugiu ao que se esperava, com o Braga a pôr a carne toda no assador à procura do golo e a criar várias oportunidades para tal, negadas, na sua grande maioria, por Helton. Que exibição Captain!! Quanto ao FC Porto, destaque para duas claras oportunidades de golo no quarto de hora final. Primeiro Tello surgiu solto dentro da área após um passe perfeito de Herrera, mas o guardião adversário mostrou grande elasticidade e negou o golo ao extremo espanhol. Depois, Campaña, sozinho ao segundo poste, não conseguiu finalizar com qualidade um grande trabalho de Jose Angel na esquerda do ataque. O resultado não sofreu alterações até final e foram os dragões a sorrir esta noite em Braga.

Relativamente aos destaques individuais, e mesmo não querendo ser injusto com os restantes jogadores, tenho de realçar a enorme exibição de Helton. Simplesmente intransponível (em bola corrida). A continuar assim, Lopetegui terá boas dores de cabeça quando tiver de escolher o titular para os jogos do campeonato. E por falar em boas dores de cabeça, será que Jose Angel não está, neste momento, em melhor forma que Alex Sandro? Se fosse eu a escolher, e como já tinha dito na antevisão ao jogo de Penafiel, seria o espanhol o escolhido para os próximos jogos. Nota muito alta também para a estreia de Gonçalo Paciência e Ruben Neves (que saudades já tinha de ver dois jogadores da formação a jogar de início!), que jogou longos minutos diminuído fisicamente e nunca virou a cara à luta, pondo em causa a sua integridade física.

Custa-me destacar alguém pela negativa, mas temo que Reyes tenho martelado o último prego do seu próprio caixão. À semelhança do jogo com o União da Madeira, foi possível ver que ainda está demasiado "verdinho" para estas andanças e acredito que um empréstimo a uma equipa que lhe permita muitos minutos de jogo será a melhor solução.
Nota muita positiva para a flash interview de Lopetegui. Pode não ser o melhor treinador do mundo, mas é nosso, encarnou bem aquilo que é ser treinador do FC Porto e sabe que aquilo a que assistimos hoje é o Porto.  E também...bem vindo de volta Sr. Jorge Nuno Pinto da Costa!! Aperta com eles!! E parabéns às claques e aos adeptos presentes na Pedreira. Foram dignos dos jogadores dentro de campo e isso por si só já é um grande elogio.

Para o final, e porque só agora me passou o nojo provocado por mais uma arbitragem vergonhosa, há que repetir: é tão bom quando o crime não compensa. Principalmente quando o ladrão não tem o mínimo de qualidade e é tão descarado naquilo que faz. O penalti a favor do FC Porto é difícil de analisar. Em jogo corrido, a ideia que fica é que Gonçalo Paciência foi agarrado quando se preparava para acorrer ao centro do seu colega. Na repetição, e porque as imagens não apanham os jogadores no momento do cruzamento, não se vislumbra qualquer falta. Cosme Machado apitou penalti, mas ter-se-á arrependido da sua decisão e passou os restantes 70m de jogo prejudicar o FC Porto.

O que se seguiu foi surreal e revoltante. Reyes é expulso por duas faltas praticamente seguidas. O árbitro foi rigoroso e não perdoou o mexicano. Até aqui, tudo bem. Pior foi o que se viu logo depois. Sasso faz uma falta exactamente igual ou mais dura à que valeu o segundo amarelo ao defesa central do FC Porto e quando todos estavam convencidos que o árbitro pertencente à AF Braga (boa escolha para um jogo entre o FC Porto e o...Braga) ia sacar do segundo amarelo e expulsar o jogador bracarense, eis que Cosme Machado decide ser benevolente e perdoar o infractor. 

Pouco depois, Evandro sofre falta dura no meio campo (foi pisado na mão por Pedro Santos) e o árbitro volta a poupar o amarelo médio bracarenses. No seguimento da jogada, Evandro faz falta sobre Pedro Santos, acabando por chutar a bola contra o adversário depois de ouvir o apito do árbitro. O que decide o condescendente árbitro? Vermelho directo, pois claro. Sem contemplações. 

Já na segunda parte, o defesa esquerdo Tiago Gomes tem uma entrada dura sobre Tello e Cosme Machado admoesta-o com amarelo. Decisão acertada. O problema é que, logo depois, o mesmo Tiago Gomes tem uma entrada dura por trás (exactamente igual à que valeu o primeiro amarelo a Reyes) sobre Gonçalo Paciência e o segundo amarelo voltou a ficar no bolso, para estupefacção de todos os jogadores e adeptos azuis e brancos. Dois pesos, duas medidas... Incrível! Não me vou alongar no penalti assinalado a favor do Braga, já que foi muito parecido ao marcado a favor do FC Porto. Só que, infelizmente, e ao contrário do que sucedeu após a marcação do primeiro, o árbitro não ficou condicionado depois de o assinalar...

Resumindo, e como disse ontem um grande amigo meu, um mau árbitro é aquele que não sabe distinguir uma falta de uma simulação, é aquele que não sabe aplicar a lei da vantagem, é aquele que precisa de recorrer à excessiva amostragem de cartões amarelos para conseguir controlar o jogo. 

E um árbitro que erra premeditadamente, um ladrão, é aquele que perante situações exactamente iguais toma decisões totalmente opostas. Não é uma questão de qualidade técnica, é falta de sentido de justiça, proporcionalidade e princípios.

Cosme Machado faz parte do segundo grupo de certeza absoluta e desconfio muito que também faça parte do primeiro.
PS: frase lida no facebook - "os roubos até já chegaram à Taça da Liga". Falso. Os roubos não chegaram à Taça da Liga. A Taça Senhor Lucílio Baptista sempre foi o habitat natural dos roubos. Mas depois do que já vi este ano, não ficaria surpreendido se amanhã lesse nos pasquins que o FC Porto foi beneficiado em Braga!

1 comentário:

  1. O que salvou a noite foi o profissionalismo e seriedade dos jogadores que não transformaram o jogo numa "Guerra" se calhar desejo sincero de outros clubes) e por serem Braga e Porto, clubes com uma relação normal e decente.

    ResponderEliminar