Azul e Branco

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terça-feira, 24 de fevereiro de 2015

Crónica Boavista - FC Porto - Na raça a manter as distâncias

Com uma vitória por 2:0 no Bessa o FC Porto mantém a distância para o primeiro classificado do campeonato do colinho. Mais um jogo em que a arbitragem não fica bem, mais uma vez contra os mesmos (ou a favor de outros, como preferirem).



Para além das 4 alterações forçadas que Lopetegui teve que efetuar, fazendo entrar como era previsto José Angel para o lugar do Alex Sandro, Ruben Neves em vez de Casemiro, Ricardo por Danilo e Quintero pelo lesionado Oliver, o treinador ainda deu (algo surpreendentemente) a titularidade a Hernâni por detrimento de Tello. Este último não acusou a pressão e esteve muito bem, tal como Ricardo e Ruben Neves. Já Quintero e José Angel estiveram uns furos abaixo do esperado. 

Num relvado péssimo, com muita lama num campo sintético (a tromba de água que caiu antes do jogo não ajudou, mas fiquei intrigado como apareceu lama no campo...), o jogo começou algo "encravado", com os "novos" jogadores a procurarem entrosamento entre eles e, como seria de esperar, com o Boavista a baixar muito as suas linhas, ocupando muito espaço no seu meio-campo, limitando-se a destruir o jogo portista. Aos 12 minutos surge a primeira jogada com pés e cabeça, mas uma má decisão de Quaresma, já dentro da área, não permitiu tirar frutos desta jogada. 

Dois minutos depois surge o primeiro grande caso do jogo. Após canto do lado esquerdo do ataque, marcado curto, sai um passe rasteiro para o primeiro poste, onde surge Marcano com um toque subtil de calcanhar para a zona da marca de penalty e aí aparece Hernani, que é derrubado pelo João Dias. O árbitro está a 10m do lance, sem que nenhum jogador lhe tapasse a visão e nada marca. Se realmente acha que não é penalty, porque não dá amarelo por pretensa simulação? Nem no erro esteve bem...

Até perto do intervalo o Porto não conseguiu criar nenhuma grande oportunidade de golo, apenas um remate frouxo de Jackson aos 19min e um pontapé de bicicleta do mesmo que em nada deu. Quintero não conseguia aparecer no miolo e assumir o jogo como Oliver o tem feito tão bem nos últimos jogos e as alas pouco funcionaram, muito por culpa do rigor defensivo do Boavista, que as taparam muito bem. Na minha opinião ainda ficou um vermelho por mostrar por uma entrada muito dura ao Hernâni aos 37min. Creio que nem falta, nem amarelo deu. No final da primeira parte temos a maior oportunidade do encontro, com o Jackson a falhar o que não pode (nem deve) falhar, após belíssimo passe de Quintero (a única vez que conseguiu mostrar um pouco da sua classe, aparecendo muito bem no centro do terreno e fazendo um passe magistral para JM9). As estatísticas demonstravam um domínio do FC Porto, mas não conseguia concretizar em oportunidades de golo. O Boavista só apareceu para fazer uns ataques às canelas e pouco mais.



No início da segunda parte, mais do mesmo: linhas muito baixas do Boavista, futebol durinho e impossibilidade do Porto encontrar espaços na muralha montada. Pelo meio ainda houve tempo para uma ou duas investidas do Boavista no meio-campo do Porto, para mostrar que Fabiano estava em campo e sabe defender. Uma entrada dura de JM9 podia ter corrido mal para o ponta-de-lança, mas o árbitro manteve o critério de não dar cartões, tendo ficado um amarelo por mostrar. 



Lopetegui começou a mexer na equipa, entrando Tello para a ala e Brahimi para o meio e o Porto continuava nas suas investidas no ataque até que, finalmente, aparece o golo do suspeito do costume, a passe rasteiro de Tello. A partir daqui o FC Porto tranquilizou, foi gerindo o esforço, tentando evitar umas entradas mais duras e perto do final, Brahimi "mata" o jogo com um remate na zona central muito bem colocado. Nota aqui para os festejos de Lopetegui, que a cada jogo que passa, demonstra mais o quanto vive o clube!

O Porto conseguiu uma vitória muito importante num campo tradicionalmente difícil, tendo ganho mais pela raça que demonstrou que pelo futebol de qualidade. Num jogo destes, é o que se pede: comer a relva!

Insólito: Já todos sabemos que o mundial de 2022 no Qatar está envolvido em polémica até dizer chega. Nestes dias, está uma Task Force da FIF(i)A a analisar a possibilidade de fazer o mundial em Novembro e Dezembro. Por um lado, faz todo o sentido, visto que no verão lá o calor é insuportável. Mas já estou a imaginar a final do mundial na noite de consoada. Qual bacalhau, vamos mas é todos ver a bola!

E estou mesmo a ver uma Premier League a aceitar ficar sem um "boxing day". Mas este problema já se sabia que ia acontecer no momento que fez a atribuição do campeonato do mundo.

segunda-feira, 23 de fevereiro de 2015

Antevisão Boavista - FC Porto: Valerá a pena continuar a acreditar nesta Liga Wrestling?

O FC Porto defronta esta noite às 20h00 o Boavista no Estádio do Bessa, em jogo que fecha a 22ª jornada da fraude que se tornou o campeonato deste ano. Aos azuis e brancos apenas a vitória interessa, depois do árbitro do Moreirense - Benfica ter dado de mão beijada mais três pontos aos encarnados. O mesmo árbitro que expulsou Maicon por uma falta a meio campo no FC Porto - Boavista da primeira volta (continua a ser o único jogador expulso com vermelho directo por uma falta a meio campo depois de decorridas 22 jornadas e quase 200 jogos) decidiu enviar para o banho mais cedo um adversário do Benfica alegadamente por este lhe ter dirigido algumas palavras menos simpáticas quando o resultado no marcador era de 1-1. 
Estamos a falar do mesmo árbitro que validou um golo a Luisão em Coimbra quando esteve estava mais de um metro fora de jogo (ver imagem) ou do mesmo árbitro que invalidou um golo ao Belenenses frente ao Benfica o ano passado (ver imagem) e que nesse mesmo jogo expulsou mais um adversário do Benfica por palavras. Com Jorge Ferreira, o Benfica ganhou SEMPRE, o que é demonstrativo do bom trabalho que vem sendo realizado por Vítor Pereira nesta Liga Wresting. Parabéns a ele e também a Marafona, pelo belo peru que serviu no sábado à noite. "Certamente" que é apenas mais uma coincidência e que as notícias postas a circular a semana passada nada têm que ver com o presente oferecido.

Neste momento, estou como o Miguel Guedes, do Trio de Ataque da RTP. Penso que será mais fácil e provável o FC Porto vencer a Champions League do que a Liga Wrestling deste ano. No entanto, o FC Porto tem de entrar em campo sempre para ganhar e eu continuarei a ser um daqueles tolinhos que sabe que está tudo combinado no que ao vencedor diz respeito, mas que continuará a vibrar com os jogos aos fins de semana.


Dito isto, vamos ao jogo de hoje. Depois de três amarelos cirúrgicos na jornada passada, o FC Porto não poderá contar com Danilo, Alex Sandro e Casemiro castigados para o derbi da cidade Invicta. Oliver e Adrian Lopez estão lesionados e também não poderão dar o seu contributo à equipa. Lopetegui foi, assim, obrigado a efectuar várias alterações na lista de convocados. O Boavista está longe de ser uma equipa de qualidade, mas um derbi é sempre um derbi e não se esperam facilidades para os azuis e brancos. Petit tentará incutir nos seus jogadores a característica que melhor o definia enquanto jogador: ou passa a bola ou passa o homem. Nunca os dois. Se a isto juntarmos um relvado sintético impróprio para um futebol de qualidade, temos a receita perfeita para um jogo complicado. Veremos, ainda, como se comporta o árbitro hoje. Só espero um critério semelhante ao FC Porto - Boavista da primeira volta ou então o mesmo critério de todos os jogos do nosso maior rival. Será sinal que o Boavista não acaba nem com 10 e que o FC Porto vencerá o jogo com maior ou menor dificuldade.

Equipa provável: Fabiano, Ricardo, Maicon, Martins Indi, Jose Angel, Ruben Neves, Herrera, Quintero, Quaresma, Jackson Martinez e Brahimi.












quinta-feira, 19 de fevereiro de 2015

Basileia 1 - 1 FC Porto: Só faltou a vitória em mais uma grande noite europeia

Voltaram as noites europeias da Liga dos Campeões e com elas regressou o melhor dragão da temporada. O resultado alcançado ontem em Basileia não traduz fielmente aquilo que se passou no terreno de jogo, uma vez que os azuis e brancos mereciam regressar à Cidade Invicta com a eliminatória praticamente resolvida, tal foi a sua superioridade em todos os aspectos do jogo, excepção feita à eficácia na finalização, razão pela qual só posso discordar da capa escolhida pelo JOGO.

A performance dos portistas fez parecer que os suíços não passam de uma equipa ao nível das que encontramos no Campeonato Nacional de Seniores cá do burgo, o que está longe de corresponder à verdade. Se por um lado não podemos esconder que a equipa comandada por Paulo Sousa é uma das menos fortes em prova nesta altura, por outro lado só quem não percebe de futebol de alta competição pode achar que os oitavos de final da melhor competição de clubes do mundo estão ao alcance de equipas vulgares. A verdade é que o Basileia que hoje foi dominado completamente no seu reduto é o mesmo que nos últimos anos venceu o Manchester United, o Chelsea, o Liverpool (estes na fase de grupos) e até o Bayern de Munique (o último em jogo a contar para a primeira mão dos oitavos de final de 2012). Dúvidas não restam, portanto, que na Champions League não existem almoços de borla e que, mesmo que os houvesse, o Basileia não seria o adversário generoso para os oferercer.

Lopetegui lançou de início um 11 em que a única surpresa foi a inclusão do espanhol Tello no lugar de Ricardo Quaresma, deixando Martins Indi no banco e optando por uma dupla de centrais que se tem apresentado a bom nível. O FC Porto entrou bem no jogo e conseguiu roubar a bola aos suíços, situação que se verificou durante grande parte dos 90 minutos. Apesar da primeira dezena de minutos não ter trazido quaisquer oportunidades de golo para os dragões, é justo dizer que o golo do Basileia surgiu, de alguma forma, contra a corrente do jogo. Na primeira vez que o meio campo adversário conseguiu trocar a bola à entrada do meio campo portista com alguma tranquilidade, os jogadores portistas erraram e sofreram um golo muito consentido. Herrera (que não pressionou o portador da bola), Alex Sandro, Marcano e Fabiano repartiram as culpas no golo madrugador do ex-benfiquista Derlis Gonzalez. Incrível o índice de eficácia que os adversários do FC Porto têm demonstrado esta época. O Basileia fez golo na única vez que entrou com a bola na área do FC Porto e o mesmo já havia acontecido nos jogos contra o Benfica e contra o Marítimo!
Os dragões não acusaram o golo sofrido e mantiveram uma postura séria e aguerrida em busca do golo do empate. Casemiro (2x), Brahimi e Danilo (2x)  tentaram a sorte, mas não foram felizes. Quem também não foi feliz e deu início a uma arbitragem desastrada foi o árbitro do encontro, deixando passar em claro uma grande penalidade evidente sobre Jackson Martinez e mostrando um cartão amarelo a Oliver Torres num preciosismo ridículo (especialmente quando comparado com o que sucedeu na 2ª parte no lance do penalti).

O intervalo chegou com 1 a 0 no marcador e o sentimento de injustiça já imperava. Lopetegui optou por não fazer alterações e a segunda parte iniciou-se com a tónica de sentido único dos primeiros 45 minutos a manter-se e com os suíços a abusarem das entradas violentas. A pressão alta e o ritmo forte parecia ter trazido os seus frutos, já que Casemiro empurrou a bola para o fundo das redes na sequência de um canto e o empate parecia ter sido alcançado. No entanto, o árbitro, numa decisão insólita, acabaria por anular a jogada e deu o dito por não dito, assinalando um fora de jogo ao ataque portista depois de ter deixado os jogadores azuis e brancos festejar o golo durante mais de um minuto. Não está aqui em causa a bondade da decisão (o fora de jogo existe), mas sim o porquê da decisão inicial ter sido alterada. Quem avisou o árbitro? Terá o árbitro recebido um telefonema directamente da sede da UEFA (que por acaso fica na Suíça)? Terá o sexto(?) árbitro visto o lance na TV e dado a indicação de que o golo deveria ser invalidado? Porque não fizeram o mesmo no penalti sobre Jackson na primeira parte?Não dá para compreender o que se passou!

Os dragões não se deixaram abater e continuaram em busca do empate. Tello e Jackson Martinez falharam boas oportunidades de facturar ambos depois de passes magistrais de Oliver Torres. Lopetegui lançava então Quaresma para o lugar de Brahimi e pouco depois Rúben Neves para o lugar do lesionado Oliver de Torres (tudo a rezar para que a lesão do nosso maestro não seja grave!).
E como quem (tant!) procura sempre alcança, o FC Porto chegaria ao empate à passagem do minuto 79. Walter Samuel corta um cruzamento com o braço dentro da área (surreal a forma como o árbitro decide não mostrar cartão amarelo neste lance! Seria o segundo, consequente expulsão e ausência na segunda mão da eliminatória) e Danilo não perdoa da marca dos 11 metros. Empate no marcador e do mal, o menos. O resultado continuava a não traduzir o que se passava no relvado mas permitia aos dragões passarem para a frente da eliminatória.

Até ao final, o FC Porto baixou um pouco o ritmo de jogo e optou por manter a posse de bola durante largos minutos. Já o Basileia, mesmo em desvantagem no marcador, em nada alterou a sua estratégia e nem um remate efectuou desde o golo de Derlis Gonzalez.

Em termos individuais, nota muito positiva para Herrera. Esteve em todo o lado, sendo um dos primeiros a defender e estando sempre disponível para atacar. Já se sabe que não é um primor de técnica ou um grande desequilibrador, mas foi importantíssimo no meio campo azul e branco. A defesa esteve globalmente bem e penso que o golo sofrido foi muito ingrato, já que parece-me ter surgido na sequência do único erro evidente cometido. Nota positiva para a boa entrada de Quaresma e para a classe demonstrada por Jackson e Oliver. Pela negativa, a primeira parte de Casemiro, a contrastar com as mais recentes exibições.

Finalmente, o treinador. Muito do mérito da campanha europeia é dele. Por muito que lhe queiram bater, por muito que nos queiram fazer acreditar que não faz mais que a obrigação (sim, porque o Leverkusen e o Monaco é que são bons), a verdade é que o FC Porto tem o melhor futebol do país e as portas dos quartos de final abertas. Bem bom, não? Se a isto juntarmos um discurso cada vez mais acutilante, assertivo e motivador, temos treinador!


PS: E vão três derrotas na Champions League este ano! Este wishful thinking tem tanto que se lhe diga.




segunda-feira, 16 de fevereiro de 2015

Antevisão Basileia - FC Porto: O regresso da Liga dos Grandes

Dois meses e pouco depois, a principal competição europeia está de volta, tendo como único representante português o FC Porto. Nesta minha primeira intervenção neste blog (o texto de hoje é escrito por mais um grande portista, Andreas Seufert, outra grande contratação deste estaminé) vou tentar fazer uma pequena análise ao Basileia, adversário do Porto dos oitavos da champions.

Comecemos com o óbvio: em termos de nomes das equipas adversárias que nos poderiam ter saído, esta era a menos sonante que nos poderia ter saído. Isto não quer dizer que é a mais fácil. Pessoalmente, preferia um Schalke ou um Leverkusen. Tem sido recorrente época após época que esta altura é a altura mais fraca do Leverkusen. E o Schalke? Primeiro, há aquele sentimento de vingança ainda da eliminatória contra o Super-Neuer. Segundo, pelo fraco futebol apresentado esta época. Mas não é deles que vamos falar aqui, é do Basileia.

Não há grande volta a dar, nós somos favoritos: ganhamos o grupo sem derrotas, temos um plantel mais forte e nem se comparam o currículo e a experiência europeia. Mesmo assim, e tenho esta opinião quer enfrentemos o Bayern, quer o Tirsense, temos que respeitar o adversário, não menosprezá-lo, mas sempre tentando impor o nosso futebol.
Comecemos pelos números:
Ficaram em segundo num grupo com Real e Liverpool. Em casa fizeram 3 jogos muito fortes: ganharam ao Liverpool por 1:0, deram 4 ao Ludogorets e perderam por 1:0 contra o Real. Já fora, foi bem pior, perderam(!) com o Ludogorets, levaram uma goleada do Real, mas, no momento da verdade, num jogo que não poderiam perder, foram empatar a Anfield.
No campeonato estão em primeiro com 8 pontos de avanço sobre o 2º, tendo este fim-de-semana empatado depois de 6 vitórias consecutivas. Tiveram há pouco o intervalo de Inverno, que deu tempo para recuperar forças e testar mais opções. Voltaram com uma vitória imponente em casa do Grasshoppers por 4:2, mas este fim-de-semana empataram a 1 em casa com o Sion.
Vou tentar tirar umas conclusões daqui: em primeiro lugar, é preciso ter cuidado com eles a jogar em casa (apesar deste último empate). Pelos resumos que vi (vamos ser francos, poucos devem ter sido que viram jogos inteiros deles, eu não vi nenhum, por isso esta análise vale o que vale), eles apresentam-se sempre muito disciplinados em casa, gostam de ter a bola e rodá-la no meio-campo a ver se encontram um espaço que se abra.
Vamos ao plantel. Não têm grandes nomes. Têm um Walter Samuel (lembram-se?), que não é usado regularmente (infelizmente, sempre o achei bom a enterrar J ). Têm um Marco Streller, avançado experiente de 33 anos, bastante alto (1,95m), sendo que esta última característica é a única que nos pode causar problemas. No meio campo têm o Fabian Frei, que assume o comando e tem uma visão de jogo muito boa, é preciso não dar-lhe tempo para pensar. São os nomes que melhor conheço, não me alongar nos outros. Mas em termos de equipa, são fortes e coesos. “Comem relva” e dobram-se muito bem. Nota ainda para o treinador português deles, o Paulo Sousa, que sabe muito bem o que é estar na champions. Começou por treinar as camadas jovens da seleção portuguesa, passando de seguida por Inglaterra, e, depois de passar por equipas bem mais modestas (Videoton e Maccabi Tel Aviv), foi parar ao Basileia. Em termos curriculares não tem muito para mostrar (apenas um campeonato israelita), uma taça húngara e a respetiva supertaça. Mas é muito acarinhado em Basileia, principalmente por causa dos bons resultados que tem tido nesta época.
Em jeito de conclusão: somos favoritos e temos tudo para passar. Mas os oitavos da champions são sempre os oitavos da champions. Eles não estão lá por acaso e, infelizmente, não seria a primeira vez que seríamos eliminados por uma equipa mais fraca no papel. 

Ver aqui os convocados para o jogo.


Insólito: Vou tentar deixar sempre deixar um toque do insólito do futebol no fim dos textos. Há duas semanas o Bayern empatou com o Schalke a uma bola. No início do jogo, Boateng foi expulso com vermelho directo, a federação alemã aplicou-lhe inicialmente 3 jogos de suspensão, mas depois baixou para 2. A justificação para não ter baixado para 1 jogo? O Neuer defendeu o penalty, por isso a penalização para o Bayern no jogo foi menor. (nota: na Alemanha costumam dar um jogo apenas por uma falta como último defesa a um avançado que se vai isolar, como neste caso, 2 ou mais para faltas violentas). O que penso é: se uma equipa já estiver a ganhar ou a perder por muitos, mais vale deixar entrar a bola então…

sábado, 14 de fevereiro de 2015

FC Porto não descola e coloca pressão no 1º Classificado

O Porto recebeu e venceu o Vitória SC no jogo a contar para a 21ª jornada da Primeira Liga, jogo esse que ficou marcado pela inclusão no 11 inicial de um dos protagonistas da presente temporada, Brahimi. 
O início do jogo mostrou um FC Porto pressionante e a circular a bola com rapidez, conseguindo chegar várias vezes ao último terço do terreno com perigo. Logo aos 10 minutos de jogo essa mesma pressão surtiu efeito e numa bola ganha à defessa do Vitória, Jackson remata por cima da baliza, mas os lances de ataque não ficaram por aqui.

Se na manobra ofensiva Jackson é o suspeito do costume, a 1ª parte mostrou que os laterais do FC Porto não quiseram ficar atrás, subidos no terreno e muito activos no ultimo terço, conseguiram momentos de desequilíbrio como por exemplo a excelente jogada pela esquerda protagonizada por Alex Sandro que, com um túnel sobre o defesa do Vitória, conseguiu ganhar espaço para o cruzamento perigoso.

O Vitória SC não conseguia ligar as jogadas muito por culpa do meio campo musculado do FC Porto, com Casemiro em bom plano, que conseguiu colocar sempre por terra as poucas investidas que o Vitória dispôs em terrenos mais avançados. Se Casemiro esteve bem a destruir, Oliver foi sempre o mais clarividente dos 3 homens do meio campo Portista com a bola nos pés, sempre de cabeça levantada à procura do colega em melhor posição para receber a bola, foi um elemento chave na ligação defesa ataque, alias tem sido jogo após jogo um jogador preponderante na equipa dos Dragões.

Não é por acaso que esta crónica ao jogo começa com a referência a Brahimi, depois da participação na CAN, o Argelino havia regressado a semana passada e talvez por respeito aos que o substituíram no período em que esteve ausente e também eventualmente por causa do cansaço acumulado que uma competição, curta mas intensa como a CAN provoca, havia começado o jogo no banco frente ao Moreirense. Desta vez começou de inicio e num jogo em que o FC Porto ganha por 1-0 é impossível não destacar o jogador que fez o único golo da partida e que consequentemente deu os 3 pontos aos azuis e brancos. Com alguns bons pormenores na primeira parte foi-se esvaziando com o desenrolar do jogo, muito por culpa do cansaço físico, mas já havia deixado a sua marca no jogo.

O golo não mudou o rumo da partida e esta foi para intervalo tal e qual como começou, com o FC Porto com mais posse, mais velocidade e mais clarividência no ataque controlando todas as operações desde a defesa ao ataque.
A história da segunda parte não poderia começar de maneira mais diferente, o intervalo não foi bom conselheiro para os Dragões (principalmente os primeiros 15 minutos) e demonstrou um Porto que foi uma sombra do mesmo que havia controlado e gerido a seu bem querer o jogo nos primeiros 45 minutos. Sinal disso foram os dois pontapés de canto que o Vitória SC ganhou de rajada logo a abrir o segundo tempo. O FC Porto parecia ter deixado o pulmão no balneário, Herrera que, sem ser exuberante havia sido peça importante na 1ª parte, voltou do balneário sem a intensidade dos primeiros 45 minutos, Brahimi acusou o cansaço acumulado, com o baixar de intensidade do FC Porto, o Vitória SC galvanizou-se e começou a ter mais bola nos pés, embora nunca tenha conseguido criar verdadeiras situações de perigo junto da baliza portista, gerou um desconforto nos azuis e brancos que venciam apenas pela margem mínima e passavam a ter menos posse e a ver os Vimaranenses mais adiantados no terreno.
O antídoto não demorou, Lopetegui leu bem o momento do jogo e lançou Ruben Neves para o lugar de Herrera, assim como Tello para o lugar de Brahimi. O meio campo voltou a funcionar e Ruben Neves voltou a fechar a porta que Herrera havia deixado escancarada, assim como ofereceu mais profundidade ao jogo dos azuis e brancos. Tello trouxe a velocidade e intensidade que já faltavam a Brahimi, mexendo um pouco mais as manobras do ultimo terço do terreno. O antídoto teve efeito imediato e as rédeas do jogo voltaram para onde estavam inicialmente, o Porto voltava a controlar.

A segunda parte fica marcada também pelas muitas faltas (algumas delas de cortar a respiração) por parte do Vitória SC, Cafu conseguiu a proeza de se manter em campo após uma entrada assassina de sola a Casemiro que valia certamente a exclusão da partida. 

Aliás, disciplinarmente, o árbitro demonstrou dualidade de critérios, prejudicando a equipa Portista com amarelos cirúrgicos que colocam de fora da partida do Bessa três titulares indiscutíveis Danilo, Alex Sandro e Casemiro.
Os Dragões terminam o jogo como começaram, por cima, embora sem a exuberância da primeira parte. O resultado peca por escasso num jogo que só poderia ter um vencedor, pois, na realidade, o FC Porto foi a única equipa capaz de criar lances de perigo junto a baliza do Vitória SC.

Lopetegui ciente da importância do jogo e, também, aliviado pelo apito final, pois vencia pela margem mínima, festejou de punhos cerrados a vitória que coloca os azuis e brancos provisoriamente a morder os calcanhares do 1º classificado a 1 ponto da liderança da Liga.

(Crónica escrita pelo Miguel Guimarães, novo colaborador do blog, a quem desde já muito agradeço, saudando esta grande contratação).

sexta-feira, 13 de fevereiro de 2015

Antevisão FC Porto - Vitória Sport Clube: Não pôr a carroça à frente dos bois

O FC Porto recebe hoje às 20h30 o Vitória de Guimarães em jogo que abre a 21ª jornada do campeonato e o qual se prevê de dificuldade bastante elevada. Os comandados de Rui Vitória formam uma equipa bastante compacta, competente e dura a defender e perigosa no contra ataque. Apesar de não poderem contar com o castigado André André e de terem vendido Hernâni no mercado de Inverno, os vimaranenses têm várias individualidades (incluindo Octávio, Ivo Rodrigues e Sami que, ao que tudo indica, e ao contrário de outros, não estarão condicionados) capazes de pôr em sentido os azuis e brancos. 
Pese embora a valia do adversário, ao FC Porto é exigida uma exibição séria e concentrada. Os jogadores portistas sabem que apenas a vitória interessa nesta luta pelo primeiro lugar e que para poderem alcançar o triunfo esta noite o desafio de Basileia não pode ser uma preocupação. Não é sequer imaginável qualquer poupança de esforços hoje à noite, porque a perda de pontos pode pôr em causa definitivamente o sonho de reconquistar o título em Maio.

Lopetegui repetiu os convocados escolhidos para o jogo de Moreira de Cónegos e é expectável que repita também o 11 inicial apresentado no fim de semana passado. Dúvidas apenas quanto à dupla de centrais, já que Martins Indi precisa de jogar depois de ter ficado duas semanas de fora e quanto à hipótese de Brahimi tirar o lugar a um dos extremos. Relativamente à convocatória de Hernâni, acredito que desta vez não será ele a ir para a bancada e que estará no banco de suplentes pela primeira vez. Será curioso ver se a subida de forma de Casemiro, Alex Sandro e Tello veio para ficar.

Equipa provável: Fabiano, Danilo, Maicon, Marcano/Indi, Alex Sandro, Casemiro, Herrera, Oliver, Tello, Quaresma/Brahimi, Jackson Martinez.

Infelizmente não poderei ver o jogo desta noite em directo (mais uma vez a AFP marcou jogo do campeonato de futsal para a mesma hora de um jogo do FC Porto), mas aproveito para informar que o estaminé passará a partir de hoje a contar com a colaboração do grande portista Miguel Guimarães, o qual fará a crónica e comentários ao jogo.

PS: Tenho observado com grande curiosidade e interesse as notícias relativas ao Sporting e ao Benfca postas a circular esta semana. Numa só semana caíram de vez e com grande estrondo dois mitos com várias anos. 



Em primeiro lugar, caiu o mito muito divulgado segundo o qual os portistas e em particular os super dragões são uns grandes vândalos e arruaceiros, ao contrário das restantes claques e respectivos adeptos. Longe de mim defender quaisquer claques ou marginais da sociedade, mas parece-me que ficou claro que nem uns são os anjnhos que defendem ser, nem os outros são os únicos delinquentes em Portugal. Que fique claro: há pessoas boas e pessoas más, há delinquentes e pessoas espectaculares, há quem não valha nada e quem tudo mereça em todos os clubes. TODOS.


Em segundo lugar, caiu também o mito de que o FC Porto é o único beneficiado pelas Câmaras Municipais e pelo Estado. Mais uma vez, todos têm telhados de vidro, pelo que o melhor é ninguém andar a atirar pedras ao telhado do vizinho e, em vez disso, meterem a viola no saco. O Miguel Fernandes do Tribunal do Dragão explica muito bem a queda deste mito numa grande posta. Ver aqui.

segunda-feira, 9 de fevereiro de 2015

O derbi de Lisboa visto por dentro

Fui surpreendido no sábado pela minha namorada (leoa convicta, assim como quase toda a sua família) com um convite para ir assistir ao Sporting - Benfica do dia seguinte. "Há sacrifícios que todos temos de fazer a bem de uma relação saudável", pensei eu, aceitando assim o convite que me foi endereçado. E se havia jogo em que podia torcer pelo rival de Alvalade sem com isso sentir que estava a trair o meu FC Porto, o jogo de ontem era esse jogo, porque por muito que não goste do Sporting, a minha relação de animosidade com o Benfica é proporcionalmente inversa à minha paixão pelo azul e branco (não gosto nem um pouquinho do Benfica, nem tão pouco de tudo o que ser do Benfica representa. Desde o mau perder nas recorrentes derrotas até à bazófia desmedida nas pontuais conquistas). Para além disso, e não menos importante, uma vitória dos verdes e brancos deixaria o FC Porto a três pontos da liderança do campeonato, passando a depender apenas de si próprio para resgatar o título de campeões nacionais.

As previsões apontavam para casa cheia no Estádio José de Alvalade e para um jogo grande, recheado de momentos de espectáculo e animação. No entanto, tais previsões apenas se confirmaram em parte. Se por um lado é verdade que se bateram recordes de assistência na noite de ontem, por outro lado o jogo deixou muito a desejar em termos de qualidade e os momentos de animação só surgiram nos instantes finais. O Santa Clar...ups, o Benfica optou por dar todas as despesas do jogo ao Sporting, limitando-se a defender e a jogar directo na frente no desamparado Jonas. Jorge Jesus colocou um verdadeiro autocarro à frente da baliza de Artur, jogando da mesma maneira que o fizera no Dragão: como uma equipa pequena que se contenta com o pontinho e que nem contra ataques tenta esboçar. É incrível como é que uma equipa tão fraca como o SLB deste ano lidera o campeonato. Está a anos luz daquilo que produzia o ano passado e a qualidade individual dos seus jogadores faz-me remontar aos anos 90 e às equipas orientadas por Souness (e mesmo essas equipas tinham JVP, Poborsky ou Preud'homme...). Se o colinho da primeira volta não se repetir neste ultimo terço do campeonato (incrível como Maxi Pereira não foi expulso, mais uma vez), o Benfica só por milagre revalidará o título. Nem a organização colectiva que Jesus empresta à equipa lhes irá valer. Já o Sporting, mesmo tendo sido muito superior ao Benfica e mesmo tendo feito o suficiente para vencer o jogo, esteve longe de fazer uma exibição de grande classe. As ocasiões de golo contaram-se pelos dedos de uma mão e Artur acabou por não ser obrigado a grandes trabalhos, até porque Nani e Carrillo não estiveram particularmente inspirados, ao contrário de William Carvalho, que encheu o meio campo, e de Tobias Figueiredo, que esteve impecável na defesa.

Perto do final, e já depois de Artur ter simulado lesões repetidamente, Samaris corta a bola na direcção da sua baliza e João Mário aproveita o erro para surgir isolado na frente de Artur. O guarda redes brasileiro consegue defender a primeira investida do jogador do Sporting mas já não foi eficaz o suficiente para travar a recarga vitoriosa de Jefferson. O Sporting inaugurava o marcador aos 87 minutos e o estádio explodiu de alegria, festejando antecipadamente um triunfo que dificilmente fugiria. Ouviam-se Olés nas bancadas e também os tradicionais cânticos a picar os adeptos adversários. O pior viria logo depois, já que nem Marco Silva (que substituições são aquelas depois do Sporting se ter adiantado no marcador? erro de principiante), nem os jogadores sportinguistas tiveram a experiência e matreirice suficientes para meter o jogo no congelador nos 5 minutos que sobravam. O Benfica acabou por empatar quando o cronómetro marcava 93m30´. Jardel empurrou a bola para o fundo das redes de Rui Patrício (acabou por sofrer um golo no único remate enquadrado com a baliza), aproveitando bem uma série de ressaltos na área leonina na sequência de um balão de Pizzi. Tremendo balde de água fria em Alvalade, até porque o Benfica nada fizera para justificar a obtenção de um golo. 

No final do jogo estava triste pela minha namorada e pelo facto de ainda não ser desta que o FC Porto volta a depender apenas de si para ser campeão. No entanto, e mais friamente, penso que foi o melhor resultado possível para os azuis e brancos. Por um lado o Sporting ficou definitivamente afastado da luta pelo título e o ímpeto que vinham conquistando no último mês e meio sofreu um forte revés (até porque dentro de pouco tempo temos um FC Porto - Sporting). Por outro lado, o Benfica está agora a 4 pontos de distância, quando há duas semanas atrás se preparavam para jogar em Paços de Ferreira e todos davam como certo o aumento da distância para 9 pontos.
Ainda falta muito campeonato e depois do que vi ontem, acredito fortemente que somos os mais fortes candidatos ao título. Quem os viu na Madeira a festejar há dois anos, não pode ter deixado de esboçar um sorriso ao ver os festejos do Benfica pelo empate de ontem em Alvalade... Vamos Porto!

PS: A organização do jogo por parte do Sporting e/ou da PSP foi do mais amador que pode existir. Fazer entrar a claque do Benfica pela mesma porta dos adeptos do Sporting só podia dar mau resultado. Cheguei ao estádio às 19h20 e tive de esperar até às 20h20 pela entrada da claque do Benfica no recinto para finalmente ser autorizado a entrar também. Eram 20h28 quando me sentei no meu lugar, sendo que o jogo começou às 20h00. E não estamos a falar de bilhetes ao preço da chuva...O meu bilhete custou mais de 40 euros. É assim que pretendem levar gente aos estádios? É assim que se pretende promover este negócio? Que incompetência.

domingo, 8 de fevereiro de 2015

Moreirense 0 - 2 FC Porto: Vitória fundamental em jornada de grandes decisões


O FC Porto deslocou-se esta noite a Moreira de Cónegos para defrontar o Moreirense em jogo a contar para a 20ª jornada da Primeira Liga e trouxe para a Cidade Invicta um justo e merecido triunfo por duas bolas a zero. Numa jornada em que apenas um resultado interessava aos azuis e brancos (como quase sempre, refira-se), os comandados de Lopetegui foram competentes e aplicaram-se a fundo para não dar quaisquer hipóteses à bem organizada e complicada equipa verde e branca. Se por um lado é verdade que a equipa orientada por Miguel Leal é, em termos de qualidade individual dos seus jogadores, bastante inferior àquela que iniciou o campeonato e infinitamente mais fraca que a equipa portista, por outro lado é, também, verdade que as surpresas acontecem frequentemente no futebol e que nada é garantido (veja-se o exemplo do derbi de Madrid!). Com o triunfo alcançado, o FC Porto pressiona os rivais lisboetas em fim de semana de embate entre Sporting e Benfica. Irá o Benfica aguentar a pressão? Será necessário mais um pouco de colinho para impedir a aproximação de FC Porto e Sporting? Ou irão as águias subjugar os leões, afastando-os definitivamente da luta pelo título e mantendo uma distância confortável para os dragões? Resposta a estas perguntas amanhã à noite, sendo certo que o FC Porto ganhará pontos a pelo menos um dos adversários, podendo até ganhar pontos a ambos.

Relativamente ao jogo jogado, Lopetegui fez entrar a equipa que tão boa conta do recado tinha dado no fim de semana passado frente ao Paços de Ferreira. Martins Indi e Brahimi iniciaram, assim, o jogo no banco, onde tiveram a companhia de Quintero, Helton, Evandro, Aboubakar e Rúben Neves. Um banco de luxo, repleto de jogadores que vão ser, certamente, postos à prova nos próximos 30 dias (Guimarães, Basileia, Boavista, Sporting, Braga, Basileia). Os dragões entraram fortes e mostraram que queriam inaugurar o marcador com rapidez. Quaresma, Tello e Maicon (muitas dúvidas no lance em que o brasileiro surge cara a cara com o guarda redes Marafona) podiam ter aberto a contagem, mas o golo 5000 do FC Porto em jogos do campeonato estava reservado para o suspeito do costume. À passagem do minuto 29, Herrera descobre Jackson Martinez com um passe espectacular por cima da defesa contrária e o colombiano não perdoou, rematando de pé esquerdo para fora do alcance do guarda redes e defesas adversários.

Até ao intervalo os dragões baixaram muito o ritmo de jogo e o Moreirense aproveitou para tentar chegar perto da baliza de Fabiano, mas sem criar nenhuma verdadeira situação de golo iminente. Na segunda parte, o FC Porto voltou a entrar forte na tentativa de resolver o jogo assim que possível. Tello teve o golo nos pés, mas o seu remate passou rente ao poste. Os azuis e brancos carregavam e sentia-se que o segundo golo era uma questão de tempo. E assim foi. Herrera com mais uma fantástica assistência descobriu Casemiro solto ao segundo poste e o brasileiro não se fez rogado e empurrou com classe para o fundo das redes. Golo merecido do trinco do FC Porto, naquela que foi uma das suas melhores exibições de dragão ao peito.

A vitória já dificilmente fugiria e os jogadores portistas optaram por controlar o jogo até final. No entanto, houve ainda tempo e hipótese para aumentar a diferença no marcador, mas Tello assim não o quis. Nota negativa para o extremo que foi muito egoísta num lance de contra ataque, preferindo tentar fazer tudo sozinho quando tinha companheiros em óptima posição para finalizar facilmente. Um lance tirado a papel químico do lance no final do jogo em Alvalade...

Em termos individuais, nota bastante positiva para a dupla de centrais. Marcano no seu registo duro e simples e Maicon a fazer (finalmente) uma exibição sólida e sem provocar calafrios aos adeptos. Jackson e Oliver já se percebeu que não sabem jogar mal e a sua bitola é sempre alta. A principal surpresa para mim foi a performance de Casemiro. Já se tinham notado melhorias contra o Paços de Ferreira e ontem o brasileiro confirmou que está em muito melhor forma do que a apresentada no mês de Janeiro. Menos faltoso, mais solto e com muito melhor qualidade de passe (mais vertical e com muito menos tentativas de virar o jogo por alto). MVP!

Pela negativa, realce apenas para o individualismo de Tello e para algum desacerto de Quaresma na hora de centrar ou rematar à baliza. Nada de preocupante no caso de Quaresma, ao contrário do que sucede com o espanhol. Esperemos que Lopetegui tenha puxado umas orelhas no final do jogo.
Agora é hora de descansar (sexta feira há mais) e relaxar no sofá (no sofá não, que amanhã vou a Alvalade observar os nossos rivais) a ver o derbi. Podia ser como Lopetegui queria, mas não é possível. Que perca o Benfica, então!



quinta-feira, 5 de fevereiro de 2015

Vídeo da Semana: FC Porto 0 - 1 Manchester United (2ª mão quartos de final UCL - 2008-2009)

No dia em que Cristiano Ronaldo comemora o seu 30º aniversário, e porque nem só de vitórias se escreve a história do FC Porto (embora muitas vezes possa parecer que sim), a gerência do estaminé escolheu para vídeo da semana o jogo da segunda mão dos quartos de final da Liga dos Campeões da época 2008-2009 que colocou frente a frente os azuis e brancos e o clube do agora melhor jogador do mundo.

Comandados por Jesualdo Ferreira, os azuis e brancos chegavam aos quartos de final da melhor competição de clubes do mundo depois de realizarem uma fase de grupos bastante positiva (primeiro lugar à frente de Arsenal, Fenerbahce e Dínamo de Kiev) e após terem ultrapassado os espanhóis do Atlético de Madrid nos oitavos de final. A primeira mão do embate entre portugueses e ingleses teve lugar em Old Trafford, o mítico Teatro dos Sonhos, e os azuis e brancos realizaram uma exibição de gala, ficando a dever a si próprios uma vitória histórica (nunca o FC Porto havia ganho um jogo em terras de Sua Majestade) num dos terrenos mais hostis do mundo do futebol. Como podem ver neste resumo do site zerozero, o FC Porto entrou em campo na disposição de trazer a vitória e só por manifesto azar e alguns erros individuais inacreditáveis não o conseguiu fazer. De qualquer das formas, o empate a duas bolas com golos de Cristian Rodriguez e Mariano Gonzalez abria boas perspectivas para a segunda mão e a passagem às meias finais era muito mais do que apenas uma ilusão.
O mal amado Jesualdo Ferreira fez alinhar na decisiva partida o seguinte 11 inicial: Helton, Sapunaru, Bruno Alves, Rolando, Cissoko, Fernanrdo, Raúl Meireles, Lucho Gonzalez, Cristian Rodriguez, Hulk e Lisandro Lopez. Os adeptos portistas acreditavam que era possível eliminar o gigante inglês e encheram o Estádio do Dragão para aquilo que se esperava uma grande festa e um grande jogo de futebol.

No entanto, e infelizmente, Cristiano Ronaldo estava decidido a não deixar tal acontecer e logo aos 6 minutos de jogo marcou aquele que por muitos é considerado o melhor golo da sua carreira, adiantando o Manchester United no jogo e na eliminatória. Os azuis e brancos não baixaram os braços e tentaram sempre alterar o rumo dos acontecimentos, embora não realizando uma exibição tão positiva como a da primeira mão. Bruno Alves e Ernesto Farias tiveram nas suas cabeças a hipótese de empatar o jogo e passar o FC Porto para a frente da eliminatória, mas a mira não estava devidamente afinada. Lisandro Lopez, já perto do final do jogo, teve uma flagrante hipótese para facturar, mas o seu remate saiu à figura do gigante guarda redes holandês Van der Saar.

Em suma, foi uma eliminatória muito disputada na qual os Dragões ficaram com um ligeiro sabor a injustiça nas suas bocas, uma vez que em nada foram inferiores aos ingleses (que viriam a ser derrotados pelo Barcelona na final da competição). O FC Porto acabaria por festejar o seu segundo tetra da história, superiorizando-se ao Sporting numa interessante recta final de campeonato.

Destaque, ainda, para o banco de suplentes que o FC Porto apresentou nesta segunda mão dos quartos de final da UCL. Em contraponto com um 11 inicial muito forte e cheio de qualidade, os homens que Jesualdo Ferreira tinha para lançar em jogo em caso de necessidade eram nem mais nem menos que os seguintes: Nuno Espírito Santo, Stepanov, Tomas Costa, Andres Madrid, Mariano Gonzalez, Farias e Freddy Guarin (na altura, ainda, considerado o patinho feio da equipa). Convenhamos que um banco destes nuns quartos de final da Liga dos Campeões é qualquer coisa de dramático. 

Ausentes da partida ficaram Jorge Fucile ou Tarik Sektioui e dois dos maiores cromos que já vestiram de azul e branco, Nelson Benitez e Mario Bolatti.
Que daqui a menos de 15 dias em Basileia se dê início a novo apuramento para os quartos de final da UCL (seis anos depois), para termos a oportunidade de vingar este inglório jogo de Abril de 2009 (necessariamente contra um clube diferente, já que o Manchester United não se apurou para as competições europeias desta época).

terça-feira, 3 de fevereiro de 2015

Balanço do mercado de transferências

Fechado o mercado de transferências (pelo menos no que diz respeito a entradas, uma vez que quanto às saídas ainda existem alguns mercados periféricos abertos), é altura de fazer um pequeno balanço às movimentações no plantel azul e branco.

Relativamente às entradas, o grande e único destaque vai para a transferência anunciada ao final da tarde de ontem: Hernâni, extremo ex Vitória de Guimarães. Trata-se de um jovem português com grande margem de progressão e que vem colmatar a vaga de Ricardo Pereira na frente de ataque dos azuis e brancos (o qual passará a entrar nas contas de Lopetegui unicamente como lateral). Sabendo que a táctica usada predominantemente pelo técnico espanhol é o 4x3x3, é importante ter no plantel 4 extremos, o que se verifica desde ontem (Quaresma, Brahimi, Tello e, agora, Hernani).

Confesso que, ao contrário da maioria da imprensa desportiva, não considero Hernâni, ainda, um grande jogador. Penso que tem características muito interessantes para um extremo (drible, velocidade, remate forte) mas, neste momento, ainda tem muito que evoluir, principalmente no que diz respeito ao jogo colectivo, à tomada de decisões acertadas e à capacidade de enfrentar defesas fechadas e muito povoadas (o que não acontecia por norma na sua ex equipa). Acredito que a sua contratação tem como objectivo moldá-lo para a próxima época, já que a permanência no plantel dos restantes três extremos está longe de estar garantida. 

Por norma, gosto destas incursões no mercado português. Resta agora saber se acertámos em cheio e estamos perante um Capucho, Drulovic ou até um Derlei ou se enfiámos um barrete ao estilo de Djalma, Licá ou Alan. Sobre o custo da contratação de Hernâni não vou fazer quaisquer comentários, já que ainda não são conhecidos os valores oficiais da transferência. De qualquer forma, se o jogador render, daqui a 6 meses já ninguém se preocupa com o seu preço.

Em sentido contrário, a chegada de Hernâni significou as saídas por empréstimo para os Vimaranenses de Otávio, Ivo Rodrigues e Sami. Se relativamente ao terceiro já todos percebemos que dificilmente algum dia fará parte de um plantel do FC Porto e, por isso, andará de empréstimo em empréstimo até terminar o seu contrato, já quanto aos dois primeiros o caso muda de figura.

Ivo Rodrigues é um jovem com muito valor e no qual os portistas depositam muitas esperanças. Terá nestes 6 meses em Guimarães a hipótese de somar minutos na primeira liga e evoluir em patamares mais elevados. O caso mais estranho é o de Otávio. O brasileiro foi contratado no início da época por valores bastante consideráveis e era expectável que pudesse fazer agora o que será feito por Hernâni. Quem acompanha regularmente os jogos da equipa B diz-me que o brasileiro é realmente bom, mas este empréstimo deixa-me na dúvida se Lopetegui também pensa da mesma forma. A rever no final da época.

Ainda no que diz respeito a saídas, nota para os empréstimos de Opare ao Besiktas, de Tiago Rodrigues ao Nacional, de Kayembe ao Arouca (bom jogo frente ao Sporting), de Kelvin ao Palmeiras, Tenho dúvidas que qualquer um destes volte um dia ao FC Porto, mas era importante que somassem minutos e não ficassem mais sem meses sem competir (equipa B à parte).

O fecho do mercado trouxe ainda mais algumas novidades. O mexicano Diego Reyes e o espanhol Andrés Fernandez vão, ao que tudo indica, permanecer no plantel, apesar de muito se ter falado nos seus empréstimos. O mesmo se passa com Gonçalo Paciência, o qual espero que treine sempre que possível com a equipa A, mesmo que continue a jogar maioritariamente pela equipa B. 

Em resumo, penso que o FC Porto fez o que lhe competia nesta reabertura do mercado. Em primeiro lugar porque não saiu nenhum jogador do lote dos mais importantes. Em segundo lugar porque deu mais uma opção de ataque a Lopetegui. E em terceiro lugar porque colocou grande parte dos excedentários em clubes que lhes vão dar hipóteses de somar minutos.

Notas soltas:



O FC Porto actualizou a sua lista de jogadores inscritos na Uefa Champions League. Grande destaque para as trocas de Andrés Fernandez por Helton e Adrian Lopez por Reyes. Hernâni também foi inscrito, mas sem que isso tenha obrigado a qualquer saída da lista.



 - O Benf...O Belenenses vendeu o "condicionado" Deyverson ao Colónia e assegurou o empréstimo de Rui Fonte junto dos encarnados. A vantagem desta troca é que na segunda volta o Benfica vai poder impedir a utilização de um jogador que efectivamente lhe pertence, ao contrário do que sucedeu no jogo da Luz.


domingo, 1 de fevereiro de 2015

FC Porto 5 - 0 Paços de Ferreira: Mão cheia de golos em exibição de encher o olho

O FC Porto recebeu e venceu na noite de hoje a equipa do Paços de Ferreira num jogo que deixou os adeptos dos azuis e brancos extremamente satisfeitos. Na ressaca da boa vitória sobre a Académica a meio da semana e uma semana depois da derrota nos Barreiros, os Dragões sabiam que só um resultado interessava (ainda para mais porque o Benfica havia somado os três pontos na recepção ao Boavista) e entraram a todo o gás em busca de um golo madrugador. Jackson Martinez e Maicon tiveram nos pés a oportunidade de inaugurar o marcador no primeiro quarto de hora mas não demonstraram a eficácia necessária.

O FC Porto carregava sobre a defensiva pacense e não consentia quaisquer veleidades aos comandados de Paulo Fonseca (o Paços de Ferreira não efectuou qualquer remate na primeira parte, nem tão pouco beneficiou de qualquer livre nas imediações da área portista. Nem sequer um canto, que me lembre!). A pressão forte à saída da área de Defendi, aliada à tentativa de sair a jogar dos visitantes, traduziu-se em várias recuperações de bola em zonas adiantadas do terreno e em momentos de frisson junto à baliza adversária.

Pressentia-se que o golo vinha a caminho e Alex Sandro e Jackson Martinez  (com uma ajudinha do guarda redes adversário) encarregaram-se de confirmar tal suspeita à passagem da meia hora. O brasileiro cruzou com precisão para o centro da área, Defendi mediu mal a saída e o colombiano encostou facilmente para o primeiro golo. Destaque para o facto dos azuis e brancos terem quatro jogadores posicionados dentro da área para tentar a finalização, situação não muito habitual e que se devia repetir mais vezes.


O Paços de Ferreira acusou o golo e as brechas na sua defensiva surgiram a uma velocidade galopante. O segundo golo chegou pouco depois, com Ricardo Quaresma a converter superiormente uma grande penalidade evidente cometida sobre Jackson Martinez. O árbitro decidiu bem no capítulo técnico mas penso que pecou no capítulo disciplinar, já que apenas mostrou cartão amarelo ao infractor pacense.

Ainda antes do intervalo, o mesmo Quaresma foi o actor principal no momento do jogo. Passe longo da esquerda para a direita do ataque portista com Quaresma a dominar a bola de peito e colá-la ao seu pé direito. Finta de corpo para o centro do terreno tirando o adversário directo da sua frente... e o resto do filme já todos conhecem. Trivela forte e colocada ao ângulo mais distante e um golo de levantar o estádio. Magia do cigano!
O resultado ao intervalo ajustava-se ao que se passou no relvado e toda a gente sabia que os três pontos já não escapavam. Esta certeza ficou ainda mais reforçada com o quarto golo apontado por Herrera no primeiro minuto da segunda parte. O mexicano correspondeu bem a um centro da esquerda de Jackson Martinez e encostou para a baliza.

Os azuis e brancos tiraram, então, o pé do acelerador e o Paços de Ferreira deu, finalmente, um ar da sua graça. No entanto, a barra e Fabiano não permitiram o tento de honra dos pacenses, o qual talvez se aceitasse. Os portistas "voltaram" ao jogo no último quarto de hora (boa entrada de Quintero, ideal num jogo que se transformara numa peladinha) e ainda pudemos assistir a mais um grande momento de inspiração e magia. Jackson Martinez ganhou um livre frontal à entrada da área e Tello assumiu a sua marcação, rematando com mestria para o ângulo da baliza de Defendi.

Individualmente, destaque positivo para Jackson Martinez (mais um golo, um penalti conquistado, uma assistência e uma expulsão tirada), Ricardo Quaresma (dois golos, um deles de levantar o estádio) e Danilo (voltou a fazer o corredor todo como em Novembro e inícios de Dezembro). Nota mais ainda para as subidas de forma de Tello (espero que o golo lhe traga a confiança que parecia estar a precisar), Alex Sandro e, principalmente, Casemiro.

Pela negativa, não me parece justo destacar nenhum jogador em particular, se bem que Herrera tenha estado menos bem do que os restantes colegas de equipa.
Em relação ao treinador, muito bem Lopetegui na conferência de imprensa. É bom ver que no FC Porto ainda há quem se sente e quem não tem medo de dizer as verdades.

Em resumo, assistimos hoje a uma grande exibição do FC Porto, principalmente nos primeiros 60 minutos de jogo. Vimos grandes exibições individuais e golos de analogia. Despachamos o Paços de Ferreira com uma manita, uma semana depois dos pacenses terem vencido o Benfica. Espero que no próximo sábado se repita a exibição e que sejamos capazes de aproveitar o derby da segunda circular.

PS: Como já conheço muito bem a lenga lenga dos do costume, só vos lembro os últimos dois jogos do Marítimo como visitado.

PS 2: Argélia eliminada da CAN, Brahimi de volta esta semana. Estamos na máxima força para o difícil mês que aí vem.