Azul e Branco

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quinta-feira, 19 de fevereiro de 2015

Basileia 1 - 1 FC Porto: Só faltou a vitória em mais uma grande noite europeia

Voltaram as noites europeias da Liga dos Campeões e com elas regressou o melhor dragão da temporada. O resultado alcançado ontem em Basileia não traduz fielmente aquilo que se passou no terreno de jogo, uma vez que os azuis e brancos mereciam regressar à Cidade Invicta com a eliminatória praticamente resolvida, tal foi a sua superioridade em todos os aspectos do jogo, excepção feita à eficácia na finalização, razão pela qual só posso discordar da capa escolhida pelo JOGO.

A performance dos portistas fez parecer que os suíços não passam de uma equipa ao nível das que encontramos no Campeonato Nacional de Seniores cá do burgo, o que está longe de corresponder à verdade. Se por um lado não podemos esconder que a equipa comandada por Paulo Sousa é uma das menos fortes em prova nesta altura, por outro lado só quem não percebe de futebol de alta competição pode achar que os oitavos de final da melhor competição de clubes do mundo estão ao alcance de equipas vulgares. A verdade é que o Basileia que hoje foi dominado completamente no seu reduto é o mesmo que nos últimos anos venceu o Manchester United, o Chelsea, o Liverpool (estes na fase de grupos) e até o Bayern de Munique (o último em jogo a contar para a primeira mão dos oitavos de final de 2012). Dúvidas não restam, portanto, que na Champions League não existem almoços de borla e que, mesmo que os houvesse, o Basileia não seria o adversário generoso para os oferercer.

Lopetegui lançou de início um 11 em que a única surpresa foi a inclusão do espanhol Tello no lugar de Ricardo Quaresma, deixando Martins Indi no banco e optando por uma dupla de centrais que se tem apresentado a bom nível. O FC Porto entrou bem no jogo e conseguiu roubar a bola aos suíços, situação que se verificou durante grande parte dos 90 minutos. Apesar da primeira dezena de minutos não ter trazido quaisquer oportunidades de golo para os dragões, é justo dizer que o golo do Basileia surgiu, de alguma forma, contra a corrente do jogo. Na primeira vez que o meio campo adversário conseguiu trocar a bola à entrada do meio campo portista com alguma tranquilidade, os jogadores portistas erraram e sofreram um golo muito consentido. Herrera (que não pressionou o portador da bola), Alex Sandro, Marcano e Fabiano repartiram as culpas no golo madrugador do ex-benfiquista Derlis Gonzalez. Incrível o índice de eficácia que os adversários do FC Porto têm demonstrado esta época. O Basileia fez golo na única vez que entrou com a bola na área do FC Porto e o mesmo já havia acontecido nos jogos contra o Benfica e contra o Marítimo!
Os dragões não acusaram o golo sofrido e mantiveram uma postura séria e aguerrida em busca do golo do empate. Casemiro (2x), Brahimi e Danilo (2x)  tentaram a sorte, mas não foram felizes. Quem também não foi feliz e deu início a uma arbitragem desastrada foi o árbitro do encontro, deixando passar em claro uma grande penalidade evidente sobre Jackson Martinez e mostrando um cartão amarelo a Oliver Torres num preciosismo ridículo (especialmente quando comparado com o que sucedeu na 2ª parte no lance do penalti).

O intervalo chegou com 1 a 0 no marcador e o sentimento de injustiça já imperava. Lopetegui optou por não fazer alterações e a segunda parte iniciou-se com a tónica de sentido único dos primeiros 45 minutos a manter-se e com os suíços a abusarem das entradas violentas. A pressão alta e o ritmo forte parecia ter trazido os seus frutos, já que Casemiro empurrou a bola para o fundo das redes na sequência de um canto e o empate parecia ter sido alcançado. No entanto, o árbitro, numa decisão insólita, acabaria por anular a jogada e deu o dito por não dito, assinalando um fora de jogo ao ataque portista depois de ter deixado os jogadores azuis e brancos festejar o golo durante mais de um minuto. Não está aqui em causa a bondade da decisão (o fora de jogo existe), mas sim o porquê da decisão inicial ter sido alterada. Quem avisou o árbitro? Terá o árbitro recebido um telefonema directamente da sede da UEFA (que por acaso fica na Suíça)? Terá o sexto(?) árbitro visto o lance na TV e dado a indicação de que o golo deveria ser invalidado? Porque não fizeram o mesmo no penalti sobre Jackson na primeira parte?Não dá para compreender o que se passou!

Os dragões não se deixaram abater e continuaram em busca do empate. Tello e Jackson Martinez falharam boas oportunidades de facturar ambos depois de passes magistrais de Oliver Torres. Lopetegui lançava então Quaresma para o lugar de Brahimi e pouco depois Rúben Neves para o lugar do lesionado Oliver de Torres (tudo a rezar para que a lesão do nosso maestro não seja grave!).
E como quem (tant!) procura sempre alcança, o FC Porto chegaria ao empate à passagem do minuto 79. Walter Samuel corta um cruzamento com o braço dentro da área (surreal a forma como o árbitro decide não mostrar cartão amarelo neste lance! Seria o segundo, consequente expulsão e ausência na segunda mão da eliminatória) e Danilo não perdoa da marca dos 11 metros. Empate no marcador e do mal, o menos. O resultado continuava a não traduzir o que se passava no relvado mas permitia aos dragões passarem para a frente da eliminatória.

Até ao final, o FC Porto baixou um pouco o ritmo de jogo e optou por manter a posse de bola durante largos minutos. Já o Basileia, mesmo em desvantagem no marcador, em nada alterou a sua estratégia e nem um remate efectuou desde o golo de Derlis Gonzalez.

Em termos individuais, nota muito positiva para Herrera. Esteve em todo o lado, sendo um dos primeiros a defender e estando sempre disponível para atacar. Já se sabe que não é um primor de técnica ou um grande desequilibrador, mas foi importantíssimo no meio campo azul e branco. A defesa esteve globalmente bem e penso que o golo sofrido foi muito ingrato, já que parece-me ter surgido na sequência do único erro evidente cometido. Nota positiva para a boa entrada de Quaresma e para a classe demonstrada por Jackson e Oliver. Pela negativa, a primeira parte de Casemiro, a contrastar com as mais recentes exibições.

Finalmente, o treinador. Muito do mérito da campanha europeia é dele. Por muito que lhe queiram bater, por muito que nos queiram fazer acreditar que não faz mais que a obrigação (sim, porque o Leverkusen e o Monaco é que são bons), a verdade é que o FC Porto tem o melhor futebol do país e as portas dos quartos de final abertas. Bem bom, não? Se a isto juntarmos um discurso cada vez mais acutilante, assertivo e motivador, temos treinador!


PS: E vão três derrotas na Champions League este ano! Este wishful thinking tem tanto que se lhe diga.




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