Azul e Branco

Azul e Branco

segunda-feira, 9 de fevereiro de 2015

O derbi de Lisboa visto por dentro

Fui surpreendido no sábado pela minha namorada (leoa convicta, assim como quase toda a sua família) com um convite para ir assistir ao Sporting - Benfica do dia seguinte. "Há sacrifícios que todos temos de fazer a bem de uma relação saudável", pensei eu, aceitando assim o convite que me foi endereçado. E se havia jogo em que podia torcer pelo rival de Alvalade sem com isso sentir que estava a trair o meu FC Porto, o jogo de ontem era esse jogo, porque por muito que não goste do Sporting, a minha relação de animosidade com o Benfica é proporcionalmente inversa à minha paixão pelo azul e branco (não gosto nem um pouquinho do Benfica, nem tão pouco de tudo o que ser do Benfica representa. Desde o mau perder nas recorrentes derrotas até à bazófia desmedida nas pontuais conquistas). Para além disso, e não menos importante, uma vitória dos verdes e brancos deixaria o FC Porto a três pontos da liderança do campeonato, passando a depender apenas de si próprio para resgatar o título de campeões nacionais.

As previsões apontavam para casa cheia no Estádio José de Alvalade e para um jogo grande, recheado de momentos de espectáculo e animação. No entanto, tais previsões apenas se confirmaram em parte. Se por um lado é verdade que se bateram recordes de assistência na noite de ontem, por outro lado o jogo deixou muito a desejar em termos de qualidade e os momentos de animação só surgiram nos instantes finais. O Santa Clar...ups, o Benfica optou por dar todas as despesas do jogo ao Sporting, limitando-se a defender e a jogar directo na frente no desamparado Jonas. Jorge Jesus colocou um verdadeiro autocarro à frente da baliza de Artur, jogando da mesma maneira que o fizera no Dragão: como uma equipa pequena que se contenta com o pontinho e que nem contra ataques tenta esboçar. É incrível como é que uma equipa tão fraca como o SLB deste ano lidera o campeonato. Está a anos luz daquilo que produzia o ano passado e a qualidade individual dos seus jogadores faz-me remontar aos anos 90 e às equipas orientadas por Souness (e mesmo essas equipas tinham JVP, Poborsky ou Preud'homme...). Se o colinho da primeira volta não se repetir neste ultimo terço do campeonato (incrível como Maxi Pereira não foi expulso, mais uma vez), o Benfica só por milagre revalidará o título. Nem a organização colectiva que Jesus empresta à equipa lhes irá valer. Já o Sporting, mesmo tendo sido muito superior ao Benfica e mesmo tendo feito o suficiente para vencer o jogo, esteve longe de fazer uma exibição de grande classe. As ocasiões de golo contaram-se pelos dedos de uma mão e Artur acabou por não ser obrigado a grandes trabalhos, até porque Nani e Carrillo não estiveram particularmente inspirados, ao contrário de William Carvalho, que encheu o meio campo, e de Tobias Figueiredo, que esteve impecável na defesa.

Perto do final, e já depois de Artur ter simulado lesões repetidamente, Samaris corta a bola na direcção da sua baliza e João Mário aproveita o erro para surgir isolado na frente de Artur. O guarda redes brasileiro consegue defender a primeira investida do jogador do Sporting mas já não foi eficaz o suficiente para travar a recarga vitoriosa de Jefferson. O Sporting inaugurava o marcador aos 87 minutos e o estádio explodiu de alegria, festejando antecipadamente um triunfo que dificilmente fugiria. Ouviam-se Olés nas bancadas e também os tradicionais cânticos a picar os adeptos adversários. O pior viria logo depois, já que nem Marco Silva (que substituições são aquelas depois do Sporting se ter adiantado no marcador? erro de principiante), nem os jogadores sportinguistas tiveram a experiência e matreirice suficientes para meter o jogo no congelador nos 5 minutos que sobravam. O Benfica acabou por empatar quando o cronómetro marcava 93m30´. Jardel empurrou a bola para o fundo das redes de Rui Patrício (acabou por sofrer um golo no único remate enquadrado com a baliza), aproveitando bem uma série de ressaltos na área leonina na sequência de um balão de Pizzi. Tremendo balde de água fria em Alvalade, até porque o Benfica nada fizera para justificar a obtenção de um golo. 

No final do jogo estava triste pela minha namorada e pelo facto de ainda não ser desta que o FC Porto volta a depender apenas de si para ser campeão. No entanto, e mais friamente, penso que foi o melhor resultado possível para os azuis e brancos. Por um lado o Sporting ficou definitivamente afastado da luta pelo título e o ímpeto que vinham conquistando no último mês e meio sofreu um forte revés (até porque dentro de pouco tempo temos um FC Porto - Sporting). Por outro lado, o Benfica está agora a 4 pontos de distância, quando há duas semanas atrás se preparavam para jogar em Paços de Ferreira e todos davam como certo o aumento da distância para 9 pontos.
Ainda falta muito campeonato e depois do que vi ontem, acredito fortemente que somos os mais fortes candidatos ao título. Quem os viu na Madeira a festejar há dois anos, não pode ter deixado de esboçar um sorriso ao ver os festejos do Benfica pelo empate de ontem em Alvalade... Vamos Porto!

PS: A organização do jogo por parte do Sporting e/ou da PSP foi do mais amador que pode existir. Fazer entrar a claque do Benfica pela mesma porta dos adeptos do Sporting só podia dar mau resultado. Cheguei ao estádio às 19h20 e tive de esperar até às 20h20 pela entrada da claque do Benfica no recinto para finalmente ser autorizado a entrar também. Eram 20h28 quando me sentei no meu lugar, sendo que o jogo começou às 20h00. E não estamos a falar de bilhetes ao preço da chuva...O meu bilhete custou mais de 40 euros. É assim que pretendem levar gente aos estádios? É assim que se pretende promover este negócio? Que incompetência.

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