Azul e Branco

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segunda-feira, 23 de março de 2015

Curtas do dia sobre a desilusão que invadiu a "Bluegosfera"

Infelizmente, não pude ver os jogos do fim de semana porque estive ausente do país, pelo que só agora comento aqui as suas incidências. Ao final da tarde de sábado, recebi a notícia que o Benfica perdera em Vila do Conde, com um golo sofrido aos 94 minutos. Apesar dos adeptos benfiquistas, mais uma vez, se terem apressado a reservar, muito antes do tempo, tudo o que é rotunda por esse país fora, a verdade é que tais actos mais não são do que uma tentativa frustrada de disfarçar o medo que sentem pelo facto do FC Porto lhes estar a morder os calcanhares há meses (como facilmente pudemos constatar no final do jogo com o Rio Ave em que os adeptos afrontaram jogadores e treinador encarnados). Os adeptos benfiquistas sabem tão bem como os adeptos portistas que o FC Porto é mais forte que o Benfica e que quando não aparecem ajudas "divinas", a equipa comandada por Jorge Jesus treme a bom tremer e muitas vezes acaba por cair. Foi o que aconteceu no sábado, num jogo em que bastou o árbitro não ter medo de assinalar o que tinha de ser assinalado para o Benfica se estatelar ao comprido. E se "deixarem", o Benfica vai cair mais vezes!

Fiquei, obviamente, muito satisfeito com a escorregadela do Benfica porque, a partir daquele momento, o FC Porto passava a depender apenas de si próprio para ser campeão. Era a oportunidade que esperávamos há meses, uma oportunidade de ouro, como muito bem definiu o Miguel Guimarães na sua última crónica. Contudo, os azuis e brancos não conseguiram capitalizar plenamente o falhanço do Benfica e não foram além de um (justo) empate na Choupana, apesar da vantagem no marcador ao intervalo. Foi um tremendo balde de água fria e todos os posts nas redes sociais a gozar com a derrota dos encarnados pareceu deixar de fazer sentido. Em sensivelmente duas horas, o adepto azul e branco e a "bluegosfera" passaram de um estado de euforia desmedida para um sentimento de desilusão e de descrença injustificados.

E é exactamente sobre este estado de desilusão e descrença que vos escrevo hoje. Obviamente que já sei que não jogámos absolutamente nada. É evidente que desperdiçámos o momentum e que não colocámos o Benfica numa posição tão difícil quanto a que podíamos ter colocado. É claro que existem mil erros a apontar aos jogadores e ao treinador depois da performance de sábado. Mas, meus amigos, não entremos em dramatismos desmesurados, não coloquemos em causa o profissionalismo demonstrado por todos até hoje, mesmo em momentos de enorme pressão e perante gigantes adversidades, e, por amor de Deus, não atiremos a toalha ao chão! Todos temos direito a um dia mau ou menos bom, no qual tudo sai ao contrário daquilo que pretendemos. A nós adeptos compete-nos apoiar quem tudo tem feito para vencer (relembro que contávamos com uma série 10 jogos a jogar bem, a qual incluía sete vitórias consecutivas no campeonato). Não vale a pena dizer que somos os maiores porque limpámos o Basileia de uma forma exemplar, que somos fantásticos quando goleámos o Sporting ou que fomos solidários e fomos Porto quando vencemos o Arouca com 10, se depois ao primeiro deslize passamos a ser uma vergonha.
A todos aqueles que argumentam que o FC Porto não falha nestes momentos e que uma equipa que desperdiça uma oportunidade destas não merece ser campeã, relembro apenas quatro episódios dos últimos dois títulos conquistados. Em 2011/2012, num jogo épico e com uma reviravolta memorável, o FC Porto venceu o Benfica na Luz por 3 bolas a 2. Quando todos pensavam que tinha sido dada a machadada final nas aspirações benfiquistas dessa época, o que é que o FC Porto fez nos jogos que se seguiram? Empatou na recepção à fraquinha Académica e quinze dias mais tarde voltou a empatar em Paços de Ferreira. Ou seja, o FC Porto vacilou em duas alturas cruciais, foram quatro pontos deitados fora, mas mesmo assim foi suficientemente forte para terminar o campeonato na frente. Ou em 2012/2013, num ano em que FC Porto e Benfica discutiam taco a taco o primeiro lugar, o que fez o FC Porto duas horas depois do Benfica perder 2 pontos na Choupana? Empatou com a inqualificável Olhanense em pleno Estádio do Dragão. E isto sem falar no empate nos Barreiros a uma bola, duas horas antes do Benfica jogar em Guimarães aquele que seria presumivelmente o desafio mais difícil até ao FC Porto-Benfica da penúltima jornada. No entanto, todos sabemos como acabou esse campeonato...

Em termos práticos, falhámos uma boa oportunidade para encostar ao Benfica, mas estamos melhores do que há uma semana atrás. Hoje sabemos que se ganharmos os nossos jogos, somos campeões. A semana passada isso não era verdade. A semana passada, todos chorávamos e dizíamos que podíamos ganhar os jogos todos, que mesmo assim o "colinho" não iria permitir que o Benfica deixasse o primeiro lugar. E se o FC Porto tivesse empatado na Choupana antes do Benfica perder em Vila do Conde, estávamos hoje todos eufóricos! Vamos lá reunir as tropas, transmitir confiança aos jogadores e treinador e vencer as últimas 8 finais que faltam (Estoril, Rio Ave, Académica, Benfica, Setúbal, Gil Vicente, Belenenses e Penafiel), à semelhança do que fizemos em 2012/2013.
Eu acredito e, muito honestamente, quem não acredita pode muito bem trocar de clube e juntar-se àqueles que, mesmo tendo a sua equipa em primeiro, já rezam para perder só por um contra o FC Porto para terem uma reduzida hipótese de manter o primeiro lugar.






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