Azul e Branco

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terça-feira, 10 de março de 2015

FC Porto 4 - 0 Basileia: Dragão de luxo espanta a Europa do futebol

O FC Porto recebeu e goleou esta noite a equipa suíça do Basileia e carimbou o passaporte para os quartos de final da melhor competição de clubes do Mundo. Quem teve a sorte de assistir ao jogo de hoje e quem gosta de futebol (mesmo não sendo portista) só pode ter ficado espantado com a qualidade exibida pela equipa orientada por Lopetegui. Deixo-vos aqui links do The Guardian, Globo Esporte, Marca, Uefa.com, ESPN e Bild. onde podem espreitar o se disse por esse mundo fora. A performance portista de hoje traduziu tudo aquilo que uma equipa tem de fazer em termos colectivos por forma a depois proporcionar aos mais virtuosos as oportunidades de fazer aquilo que eles melhor sabem. Foi um Porto motivado, conquistador, aguerrido, concentrado e inspirado aquele que se viu no Dragão e que levou a que Paulo Sousa e os seus jogadores perdessem a cabeça em muitos momentos do jogo (as entradas dos suiços foram assassinas e com um árbitro menos complacente teriam terminado o jogo reduzidos a 9...). A equipa, o treinador e os muitos adeptos que encheram o Estádio do Dragão estão, pois, de parabéns!
Lopetegui voltou a seguir a velha máxima de que "em equipa que ganha, não se mexe" e lançou de início o mesmo 11 de Braga (excepção feita, claro, à entrada de Aboubakar para o lugar do indisponível Jackson Martinez). No banco ficaram Helton, Martins Indi, Quaresma, Rúben Neves, Quintero, Gonçalo Paciência e o regressado Oliver Torres. Todos esperavam um jogo difícil e os primeiros minutos davam a ideia de que o FC Porto iria ter muitas dificuldades em contornar a pressão dos suíços e sua organização defensiva. Sensivelmente à passagem do décimo minuto, os Dragões começaram a ser capazes de incomodar o Basileia na sua primeira fase de construção e foram ganhando bolas à entrada do seu meio campo ofensivo. Numa dessas recuperações, Casemiro colocou a bola rapidamente em Tello que fugia para a grande área. Walter Samuel (como é que é possível um lenhador destes ser jogador de futebol?) carregou o espanhol pelas costas quando este apenas tinha o guarda redes adversário pela frente. Para estupefacção de todos os presentes, o árbitro sueco que dirigiu o encontro apenas assinalou a falta e deixou no bolso o correspondente cartão, o qual poderia ser, muito facilmente, encarnado. Na marcação do livre, Brahimi fez questão de castigar os suíços com uma execução fantástica que fez entrar a bola no ângulo da baliza contrária! Foi o terceiro golo de livre directo do argelino na Champions League desta época e o seu sexto no total.
A partir do golo, os jogadores azuis e brancos soltaram-se e o nível exibicional subiu consideravelmente. Os suíços, apesar da desvantagem mais acentudada na eliminatória, não alteraram a sua forma de jogar e contam-se pelos dedos de uma mão as vezes que se aproximaram da baliza de Fabiano com relativo perigo. Até ao intervalo, destaque apenas para três situações: 

Em primeiro lugar, para o choque violentíssimo entre Fabiano e Danilo, o qual obrigou à saída do capitão do FC Porto (substituído por Martins Indi, que se colocou na lateral esquerda da defesa, passando Alex Sandro para a direita). Felizmente, parece que foi maior o susto que a gravidade da lesão e o FC Porto já descansou os adeptos relativamente ao estado de saúde de Danilo. Que recupere bem e rápido, é o que se espera!
Em segundo lugar, para uma bomba do meio da rua de Aboubakar que tirou tinta ao poste esquerdo da baliza de Vaclik e para uma perdida de Tello quando estava isolado.
Em terceiro lugar, para os vermelhos perdoados a Derlis Gonzalez (entrada tirada a papel químico daquela que valeu o cartão vermelho a Maicon com o Boavista) e a Gashi (cotovelada em Martins Indi).

Ao intervalo, a vantagem mínima ajustava-se ao que se passara no relvado. Lopetegui sabia que um golo do Basileia empatava a eliminatória e podia causar muito desconforto nas hostes portistas. Era imperioso entrar bem na segunda parte e chegar ao segundo golo rapidamente, o que veio a verificar-se! Brahimi atraiu as atenções de vários adversários na esquerda do ataque e depois soltou a bola para Herrera à entrada da área no momento exacto. O mexicano bateu forte e colocado, fazendo a bola entrar junto ao poste mais distante. Estava feito o 2 a 0, em mais um golo de belo efeito

A partir deste momento, os suíços perderam a cabeça (Walter Samuel teve mais uma entrada assassina que apenas foi punida com cartão amarelo) e o FC Porto aproveitou para dar a estocada final. Tello sofreu uma falta a mais de 30m da baliza contrária e Casemiro decidiu tentar a sua sorte de longa distância. E em boa hora o fez, já que desferiu um indefensável Tomahawk à CR7! Justo prémio para aquele que foi o MVP da noite (quem o viu há dois meses atrás e quem o vê agora!).
Os suíços perceberam que a eliminatória estava definitivamente decidida e a sua organização táctica desapareceu na tentativa de marcar o golo de honra. Se é verdade que chegaram mais perto da área portista, não menos verdade é que abriram autênticas avenidas nas suas costas. Já com Rúben Neves (quantos jogadores no mundo marcam presença nuns quartos de final da UCL com apenas 17 anos? não haverá muitos, certamente) no lugar de Brahimi, Aboubakar não se fez rogado e aproveitou uma dessas avenidas no meio campo suíço para fuzilar o guarda redes contrário em grande estilo. Era o quarto golo do FC Porto esta noite e qual dos quatro o mais espectacular? Talvez opte pelo golo de Casemiro, mas é uma escolha muito difícil! Até final, nota apenas para a entrada de Quaresma (que ainda foi a tempo de ter uma perdida incrível na cara do guarda redes contrário) e para o bom controlo de bola dos dragões, fazendo escoar o tempo remanescente. 
Em termos individuais, não irei destacar mais nenhum jogador para além do MVP da noite. Quero, ao invés, realçar o magnífico trabalho colectivo que tem vindo a ser desenvolvido por Lopetegui. Apesar do que iremos ler e ouvir amanhã na comunicação social, na Champions League nada é alcançado sem suor e qualidade (veja-se o que o fraquinho Shaktar fez com o Bayern, o que o Schalke da Gazprom fez esta noite em Madrid ou até o que o Mónaco fez ao Arsenal há umas semanas). E o que o FC Porto fez esta noite e o que tem vindo a fazer enquanto equipa, só pode deixar os adeptos orgulhos. Não nos podemos esquecer que hoje alinhámos sem três dos quatro melhores jogadores do plantel: Danilo, Jackson Martinez e Oliver Torres. Temos também de realçar que jogámos com um central adaptado a defesa esquerdo e com um lateral esquerdo colocado no lado contrário. E mesmo com todas estas condicionantes, a equipa mostrou personalidade e deu mais uma prova de força. Não importa quem joga, o colectivo tem de ser mais que a soma das partes! E foi isso que eu vi hoje. Hoje vi uma equipa SER PORTO!

PS: Há umas semanas, Miguel Guedes dizia, penso que a brincar, que é mais fácil ou provável o FC Porto ganhar a Champions League que o campeonato. Hoje lembrei-me dessa frase e não pude deixar de sorrir. A ver o que o sorteio nos reserva para os quartos de final!

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