Porto Bayern

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quarta-feira, 22 de abril de 2015

Bayern 6-1 FC Porto: O sonho europeu voltará para o ano.

Para desilusão de milhões de Portistas por esse mundo fora, o sonho europeu dos Azuis e Brancos terminou esta noite em Munique. Assistimos hoje a uma pesada (e justa) derrota perante aquela que é, para mim, a melhor equipa do planeta do momento e uma das melhores de sempre. Todos estamos tristes e desiludidos com o desfecho da eliminatória, principalmente depois das perspectivas abertas pelo brilhante jogo da primeira mão. Acabámos por ser goleados hoje e terminámos a eliminatória com um total de 4-7 (os milionários do PSG terminaram a eliminatória com 1-5, sendo que o golo dos franceses é um auto golo de um defesa do Barcelona, ou seja, pode acontecer a qualquer equipa que apanhe estes gigantes). É compreensível que a derrota custe a digerir e que num primeiro momento se tenda a considerar que tudo ou quase tudo está mal. No entanto, meus amigos, o FC Porto de hoje é o mesmo FC Porto que nos orgulhou a todos na semana passada e que mostrou que num dia sim (e na máxima força, sem adaptações na defesa) se pode bater de igual para igual com os gigantes. Por isso, tristes com a derrota, sim, mas nunca envergonhados desta equipa, nunca com vergonha de ser Portista, até porque vai ser esta que nos vai fazer sorrir no próximo Domingo e que nos vai fazer querer gritar aos sete ventos o quando gostamos de ser Portistas.

A tarefa que tínhamos pela frente era dificílima e, mesmo após a primeira mão, os alemães continuavam favoritos a garantir o apuramento para as meias finais. Em condições normais, e como lembrou o "nojento" Thomas Müller na antevisão ao jogo, o Bayern vencer o adversário em casa por duas bolas a zero para a Liga dos Campeões não é novidade nenhuma (esta época já tinham batido a Roma por 2-0, o CSKA por 3-0, o Shaktar por 7-0 e o Manchester City nem sabe como saiu de Munique apenas com 1 golo sofrido e nenhum marcado). Se a isto juntarmos as ausências de Danilo e Alex Sandro na defesa, sabendo que para os substituir teríamos sempre de promover adaptações, a tarefa que se avizinhava era praticamente impossível de superar. Só um FC Porto perfeito em todos os momentos do jogo poderia sonhar em discutir o jogo no Allianz Arena. E, infelizmente, não houve sequer vislumbre desse FC Porto esta noite.

Estou convencido que esse FC Porto, o nosso FC Porto, estará de volta no Domingo (nunca mais é Domingo!) e provará que merece resgatar o título ao Benfica em pleno Estádio da Luz. Hoje foi apenas um percalço, um trambolhão, uma pausa no crescimento desta equipa e no projecto de Lopetegui para o futuro. O sonho europeu voltará no próximo ano e se me disserem que perdemos 7-4 (ou 8-4 ou 8-5) nos quartos de final da Champions do próximo ano, eu assino já por baixo! Prefiro ser o "pior" dos oito melhores da Europa do que nem sequer marcar presença nos quartos de final!

O jogo em si teve pouca história para os Dragões. Começámos terrivelmente mal e o Bayern não nos deixou respirar. Enviou uma bola ao poste ainda dentro dos primeiros dez minutos e inaugurou o marcador pouco depois com o baixinho Thiago Alcantara a ganhar de cabeça a Maicon na pequena área; o segundo golo surgiu novamente de cabeça por Boateng na sequência de um canto (Fabiano muito lento a fazer-se à bola); o terceiro golo surgiu mais uma vez de cabeça por Lewandowski (Maicon a marcar com os olhos) a culminar uma grande jogada colectiva; o quarto golo apareceu de seguida num remate de muito longe de Thomas Müller (monumental frango de Fabiano) e o quinto golo teve de novo a assinatura de Lewandowski que fez balançar as redes com um potente remate cruzado (com Maicon demasiado passivo na marcação - que jogo tenebroso de Maicon e Fabiano!). 5-0 ao intervalo, zero remates efectuados pelo FC Porto. Elucidativo do massacre que sofremos.

Para a segunda parte, e certamente já com o Benfica no pensamento, Lopetegui fez descansar Quaresma e lançou para o seu lugar Rúben Neves (para mim o melhor dos Dragões no jogo de hoje), alterando o sistema táctico para um 3-5-2, com Maicon, Casemiro e Marcano na defesa, Herrera, Oliver e Rúben Neves no centro do terreno, Martins Indi e Ricardo nas alas e Jackson e Brahimi (acabaria substituído por Evandro) na frente. Surpreendentemente, a segunda parte foi bastante melhor do que a primeira e passámos a conseguir trocar a bola no meio campo adversário e a chegar perto da área de Neuer. O Bayern sentiu que a eliminatória estava ganha e retirou o pé do acelerador. O FC Porto aproveitou, reduziu por Jackson de cabeça após boa jogada colectiva pela direita e ficava a dois golos do apuramento. É evidente que dois golos em Munique são muitos golos... mas a verdade é que logo depois Jackson ficou a centímetros de voltar a facturar e de abrir totalmente a eliminatória. O Bayern sentiu o toque, voltou a acelerar e, após a expulsão de Marcano, acabou por fazer o sexto golo, num livre directo superiormente batido por Xabi Alonso.

P.S: Por fim, e deixo-o para o "P.S." exactamente por achar que não é o mais importante do jogo de hoje, tenho de comentar o 11 inicial escolhido por Lopetegui. Não vou tentar esconder ou fingir que não me apercebi do enorme erro de casting que foi a escolha de Reyes para defesa direito e a estratégia associada a essa escolha, a fazer lembrar Costa em Old Trafford com António Oliveira ou Nuno André Coelho no Emirates com Jesualdo Ferreira. É evidente que podem argumentar que com Ricardo a titular o descalabro teria sido igualmente assustador. E fazem-no bem! É até provável que assim fosse! Mas penso que, e vale o que vale, que a aposta do treinador espanhol saiu claramente furada, já que o mexicano pouco ou nada acrescentou a defender (por amor de Deus, o rapaz é do mais fraco que alguma vez vi!) e nada conseguiu fazer em posse de bola. Parece-me que a ideia passava apenas por aguentar a avalanche bávara e por retardar ao máximo o golo contrário, abdicando de pressionar alto, desistindo de subir as linhas e atacar o portador da bola como tão bem tínhamos feito (principalmente na segunda parte) no jogo do Dragão. Prefiro perder ou ser goleado tentando ganhar e discutir o jogo, do que perder a jogar à retranca. Mas adiante. Não é por um mau jogo ou por uma má opção que vou mudar a opinião que venho formando sobre a equipa e sobre o treinador desde Julho e que, como todos os que me lêem sabem, é bastante positiva.




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