Azul e Branco

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segunda-feira, 27 de abril de 2015

Benfica 0-0 FC Porto: Empate comprometedor em jogo que deu sono

O FC Porto deslocou-se ontem ao Estádio da Luz com o objectivo de alcançar o Benfica no topo da classificação da Liga, sendo que para isso teria obrigatoriamente de trazer os 3 pontos para a Invicta. Muito se escreveu que os Dragões iriam (tentar) jogar para vencer por dois (ou mais) golos de diferença para assim passarem a ter vantagem no confronto directo em caso de empate pontual no final do campeonato. Como tive oportunidade de dizer, o Benfica não é uma equipa especialmente forte (e isso viu-se na maneira pequenina como jogou todos os jogos grandes esta época, tanto cá dentro, como lá fora), mas é uma equipa que é muito competente a defender e que contra equipas com qualidade apenas joga no erro do adversário. Seria, por isso, quase impossível vencer por vários golos de diferença e o objectivo do FC Porto apenas podia passar por dar tudo para marcar mais um golo que o adversário.

Infelizmente, não me parece que tal tenha acontecido no jogo de ontem. Muito honestamente, penso que faltou vontade de vencer e de dar um grito de revolta. O que vi ontem foi uma equipa entrar em campo com 4 médios centro de raiz (recuperando um sistema táctico que apenas nos trouxe dissabores esta época); uma equipa que retirou, ainda no início da segunda parte, um dos jogadores com capacidade para desequilibrar a partida; uma equipa que manteve um ponta de lança no banco os 90 minutos; uma equipa que nos últimos 60 segundos de jogo passou 45 a trocar a bola entre os defesas sem sequer tentar meter a bola na área adversária e que no final do jogo ainda nos presenteou com beijinhos e abraços com os adversários. Muito mau! Só de pensar que a última vez que o FC Porto precisou de ir vencer à Luz para não deixar fugir um campeonato, Vítor Pereira retirou um central (Rolando) e meteu um número 10 (James Rodriguez), trocou um médio centro (João Moutinho) por um ponta de lança (Kléber) e ainda pôs Djalma a fazer de defesa direito, dá-me vontade de chorar de saudades. Na altura, tivemos o prémio que fizemos por merecer! Vencemos 3-2! Este ano vamos ficar a assistir no sofá à festa do Benfica no Marquês. Comparar a vontade de vencer de ontem com a desse jogo... é impossível!

Não vou entrar em pormenores sobre o jogo, uma vez que o considero um dos piores clássicos a que alguma vez assisti. Se do ponto de vista táctico e estratégico até é possível considerar-se que o jogo tenha sido interessante, já do ponto de vista do espectáculo, da qualidade de jogo e oportunidades de golo o mesmo deixou imenso a desejar. No que diz respeito à arbitragem, acho que Jorge Sousa fez um trabalho razoável e sem influência no resultado. No entanto, gostaria de saber as proporções que este lance teria atingido caso Jackson Martinez tivesse feito a bola entrar na baliza em vez de ter acertado no poste. A bola está parada, o jogador do Benfica pontapeia a bola e, como é óbvio, ela passa a estar jogável, tal e qual como sucedeu no jogo Valência-Real Madrid este ano (3m35s). A sorte de Jorge Sousa foi Jackson não ter acertado com a baliza...

O campeonato está, muito provavelmente, perdido. Cabe no entanto ao FC Porto ser digno até ao final do campeonato e vencer os 4 jogos que faltam. Se por milagre o Benfica e o colinho não forem suficientes para os encarnados somarem 9 pontos, o FC Porto tem de saber aproveitar. Domingo jogamos em Setúbal (mais uma vez, apenas entramos em campo depois do Benfica ter jogado e sem possibilidades de colocarmos alguma pressão) e é necessário dar uma sapatada na apatia dos dois últimos encontros.

P.S: Pensei em fazê-lo num post independente e autónomo, mas acabei por decidir que faz mais sentido inserir no final deste post um texto que li hoje no facebook de mais um grande portista (Manel Brandão). Aqui vai:

"Falhamos, falhamos redondamente… Falhamos é muita gente, falharam eles, porque nós, adeptos, não lhes falhamos. Fomos incansáveis, estivemos sempre presentes, ida para Munique, regresso de Munique depois de um 6-1 - não para passar a mão pelas costas, mas para que soubessem que estamos com eles, e que no Domingo terão todo o nosso apoio para ir buscar o campeonato. Chegaram ao Altis, tinham lá adeptos, mais uma vez, a dar força a apoiar, a cantar.. Desde Braga, para a Taça da Liga, a passar por Basileia, e mais recentemente, em Munique.. Estivemos, nós adeptos, sempre presentes.
Chegou o dia da grande decisão, com todo o apoio do mundo, sem nunca baixarmos os braços, sem NUNCA deixarmos de cantar, porque sim, estávamos empatados 0-0 e aos 92’ fizemo-nos ouvir naquele estádio com 63 mil pessoas. Não temos, nem tivemos medo, mostramos totalmente a raça, o acreditar, o lutar, que deveria caracterizar todos aqueles que entram em campo com a camisola do FC Porto.
Os tempos mudaram, e infelizmente já não temos jogadores com a alma do Jorge Costa, com a raça do Paulinho, com o amor do João Pinto, com a capacidade de agarrar um jogo pelos colarinhos (quando as coisas apertam) do Deco… e falharam. Tiveram medo de jogar por estarem 60 mil pessoas caladas, aflitas, com o rabinho entre as pernas, por receber o Porto com 3 pontos de vantagem e com vantagem de 2-0 no confronto directo. Tal como os adeptos, a equipa entrou em campo cheia de medo, metida lá atrás, sem ambição, sem capacidade de fazer mais que aquilo. (QUE SERIA alguma vez, eu ir ver o Porto ao Dragão, a 4 jornadas do fim, com 3 pontos de vantagem, e o meu Porto não assumir o jogo, não querer NAQUELE JOGO, matar o campeonato… QUE SERIA). Mas os nossos jogadores não entraram com a vontade, e não tiveram a percepção do medo que estava do outro lado, do respeito, do assumir de inferioridade que vinha, dos 60 mil e 11 que estavam de vermelho.
Ontem tinham de dizimá-los, tinham de estar com a confiança nos 100, concentração nos 500, e vontade nos 1000%. Mas tivemos atitude à Benfica, tivemos medo, jogamos com alguma alma na primeira parte, mas tivemos sempre medo de ir para cima deles e mostrar que somos diferentes… não foram diferentes. O que faltou ontem? PORTO, faltou PORTISMO, raça do Norte, e azul no sangue. E estas características existem, não são uma utopia de que se fala. Aqui no Norte, cá no Porto, a história fala por si. Pedroto, se nos ouvires… Deves estar doente, a terra até deve tremer em cima de ti - contigo, ontem, eram 5-0 e Xeque-Mate!
Falhou o Lopetegui, e eu que sempre disse 100% Lopetegui, ontem digo bem claramente: FALHASTE. Não foste capaz de passar as ideias de jogo, e a mentalidade que devias. Falhaste porque o Rúben tem qualidade de passe, mas não é criativo, portanto ser ele a aparecer entre linhas à entrada do último terço, foi um erro. Na primeira parte criamos esse espaço entre a linha defensiva e média do Benfica, mas quem apareceu, não tinha soluções por jogarmos com 4 médios sem capacidade de rotura ofensiva. O Brahimi devia ter ficado de fora, não tem raça, não tem cabeça, não tem entrega, para neste momento ser titular neste jogo – Nem capacidade de encarar o merdas do Eliseu, COM AMARELO, foi capaz, e tive oportunidades para isso. Na segunda parte, faltaram soluções, o Hernâni entrou com medo de assumir o jogo, e também ele, teve oportunidade de o fazer, particularmente em duas jogadas, que a bola entra nas costas do Eliseu, e mesmo com a sua velocidade, preferiu voltar para trás.. O Quaresma, com 31 anos, já não tem pernas para fazer a diferença com o Porto a jogar a 40 metros da linha de fundo. (Tello… que saudades).
Por fim, nos últimos 10 minutos, mantivemos a mesma matriz de jogo, e mesmo a vermos que não funcionava, não tivemos capacidade de arranjar um solução, de tentarmos chuveirinho… não sei, qualquer coisa, qualquer coisa menos gastarmos os 3 minutos de compensação a trocar a bola entre o Danilo, Maicon, Marcano e Alex Sandro.
Falharam.. Mesmo com o colinho, hoje não somos primeiros, porque ontem falhamos, e o Porto a mim, habituou-me a não tremer nestes momentos. Ontem, faltou o meu Futebol Clube do Porto, e faltou porque o plantel não o tem."


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