Azul e Branco

Azul e Branco

quarta-feira, 27 de setembro de 2017

Monaco 0 - 3 FC Porto: Onde já vimos isto antes?

Não poderia começar esta crónica de outra forma. FC Porto 3 - 0 Monaco. Onde é que eu já vi isto antes!?

Assim que nos calhou em sorte o Monaco no sorteio da Liga dos Campeões, certamente que não houve Portista que não se tenha lembrado, provavelmente com muita nostalgia à mistura, daquela mágica noite de 26 de Maio de 2004 em que nos tornámos, mais uma vez, os Reis da Europa do Futebol. 

No entanto, ao contrário do que sentíamos àquela data enquanto Portistas, este ano sentíamos que não podíamos ser considerados favoritos no embate frente ao actual campeão francês. Afinal, estamos a falar da equipa sensação da Europa do tempos mais recentes, que comandados pela batuta de Leonardo Jardim poucas hipóteses têm dado a quem lhes sai ao caminho.

Sérgio Conceição também sentia que o adversário era demasiado forte para optar pela estratégia escolhida em todos os jogos oficiais até à data. Se nas provas internas a táctica usada até à data é a mais adequada face à valia (inexistente) de 95% dos adversários, já na prova rainha do futebol as coisas mudam de figura. Decidiu o nosso Mister, e muito bem, acrescentar um elemento na zona central do terreno (calma, já falaremos da surpresa reservada) e com isso equilibrar a equipa,  principalmente em comparação com o que acontecera frente ao Besiktas.

Em termos defensivos, a estratégia passou por colocar a equipa a jogar num misto de 4-4-1-1 e 4-5-1, com Herrera a pressionar (com Aboubakar) tentando evitar que o adversário ligasse a primeira fase de construção e a recuar para junto dos restantes médios quando os franceses conseguiam subir no terreno com bola. Quando remetidos ao último terço do terreno, obrigar sempre a equipa a jogar "por fora" e a recorrer a cruzamentos, depositando muita confiança na principal qualidade de Danilo, Marcano e Felipe, que é o jogo aéreo e a capacidade de vencer duelos individuais.

Em termos ofensivos, e ao contrário do habitual, fomos uma equipa que privilegiou menos a posse de bola e as saídas mais pensadas e que optou por tentar aproveitar a velocidade de Marega e Aboubakar nas transições rápidas. E aqui entra a surpresa lançada por Sérgio Conceição. Ao optar por fazer estrear Sérgio Oliveira esta época num jogo desta dimensão, o treinador Portista sabia que o lhe poderia acontecer caso as coisas corressem mal. Todos se lembram das experiências de António Oliveira com Costa em Manchester, de Lopetegui com Reyes em Munique ou de Jesualdo Ferreira com Nuno André Coelhos em Londres e não há quem não se arrepie só de pensar nisso.

Mas o nosso Mister não quis saber disso para nada. Na sua cabeça havia um plano para este jogo e na sua cabeça era irrelevante se o jogador que melhor podia interpretar esse plano tivesse zero minutos esta época. E no fim de contas, estava certo. Ganhou a aposta. Sérgio Oliveira pode não ter a intensidade que lhe permita ser titular no FC Porto, mas oferece coisas à equipa que mais nenhum médio pode oferecer: poder de fogo de meia distância, passes de média e longa distância ao pormenor (aquele passe de pé esquerdo de 40 metros a isolar Marega foi brilhante) e uma vontade de ter a bola e abrir linhas de passe ao nível de Oliver Torres.

O jogo não foi perfeito (para mim não existem jogos perfeitos), mas a equipa teve um comportamento irrepreensível e um desempenho brilhante. Aceitou que o adversário tem qualidade e adaptou-se de forma a aproveitar tudo aquilo que o jogo lhe deu. Adiantou-se no marcador por Aboubakar na sequência de um lançamento de linha lateral (um dia um lance destes também tinha de cair para o nosso lado), ampliou a vantagem novamente pelo avançado camaronês a meio da segunda parte num contra ataque daqueles que se ensinam nos manuais de bem jogar futebol e fechou a contagem por Layun numa jogada de muita insistência.

Em termos individuais, e correndo o risco de ser injusto porque todos os jogadores exibiram-se a um bom nível, destaco o nosso esquadrão de assalto africano. Se o Real Madrid tem a BBC e se o Barcelona tinha a MSN, o FC Porto tem a MBA: Marega, Brahimi e Aboubakar. Se Marega (que boa surpresa) dá cabo dos defesas pelo físico e Brahimi (que maldade) pela drible desconcertante e criatividade, já Aboubakar tenta misturar um pouco das características dos seus dois colegas, resolvendo na força aquilo que à primeira não consegue resolver na técnica.

Para finalizar, e porque a crónica já vai longa, não podia deixar de pegar no título do post do Francisco Ortigão ao jogo com o Besiktas. Nem tudo está bem quando se ganha, nem tudo está mal quando se perde. Vem aí mais um ciclo de jogos muito difíceis e não podemos embandeirar em arco depois desta vitória, nem podemos entrar em pânico caso as coisas corram menos bem em Alvalade ou em Leipzig. Continuo convencido que o trabalho está a ser muito bem feito, que vamos conseguir coisas boas este ano, mas que ainda somos uma equipa em crescimento. E para continuarmos a crescer, temos de continuar com este Mar Azul que desta vez até galgou fronteiras e conquistou o Principado no Sul de França.

Sem comentários:

Enviar um comentário