Azul e Branco

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segunda-feira, 20 de janeiro de 2014

FC Porto 3-0 Vitória de Setúbal

O FC Porto recebeu e venceu este domingo o Vitória sadino por três bolas a zero em jogo a contar para a 1ª jornada da segunda volta da Liga Zon Sagres. Foi um resultado justo, numa vitória fácil e tranquila e que podia (e devia) ter atingido números mais contundentes tais são as diferenças de qualidade entre as duas equipas.





Os azuis e brancos entraram bem no jogo e cedo chegaram à vantagem no marcador. O primeiro golo surgiu logo aos 11' após uma jogada de entendimento na esquerda entre Alex Sandro, Fernando e Varela, com este último a centrar largo ao segundo poste, onde Quaresma rematou de primeira e Jackson Martinez emendou certeiro para dentro da baliza do desamparado Kieszek.

Como sempre sucede frente a equipas do nível do Setúbal (e que, feliz ou infelizmente, são pelo menos umas 10 ou 11 de um total de 16 equipas na Liga Zon Sagres), estava feito o mais díficil. Estas equipas têm como plano de jogo estacionar o autocarro à frente da sua baliza durante 90', limitando-se a tentar aproveitar deslizes dos adversários nas bolas paradas ou numa jogada de contra ataque. Quando sofrem um golo cedo e têm de alterar a sua estratégia, chega a ser confrangedora a falta de qualidade que demonstram, pelo que foi sem espanto que constatei que os sadinos foram inofensivos e que a defesa do FC Porto não teve dificuldades em controlar todos as iniciativas adversárias.

Não quero com isto dizer que o FC Porto não teve qualquer mérito na forma como dominou a primeira parte, porque a verdade é que nos primeiros 45' fiquei com a sensação de que a equipa apresentou ligeiras melhorias em relação a um passado não muito distante. Alex Sandro pareceu-me mais solto a atacar, Fernando limpou bem o meio campo, Quaresma e Varela abriram bem a frente de ataque (o que provoca a abertura de espaços nas defesas contrárias e permite a entrada dos médios que se incorporam no ataque) e Mangala esteve imperial na defesa. Sem nota artística, mas com um futebol agradável, o FC Porto brindou-nos ainda no primeiro tempo com um golo a fazer lembrar aquele que o Ballon D'Or marcou em Sevilha este sábado. Trabalho individual fenomenal de Varela e um tiro indefensável de pé esquerdo de fora da área a cento e tal quilómetros por hora, batendo o guarda redes polaco sem apelo nem agravo.

Na segunda parte, porém, o FC Porto baixou o ritmo (a quantidade de estupidezes que os jogadores cometeram nos primeiros 3 minutos da étapa complementar foram um claro indício do que se iria passar) e limitou-se a trocar bola sem qualquer objectividade. Foi pena, uma vez que os sadinos estavam completamente perdidos em campo. Desaproveitámos mais de uma mão cheia de jogadas de ataque em que estávamos em vantagem ou em igualdade numérica no ultimo terço do campo e não chegámos a um resultado folgado por termos sido displicentes. E que bem nos teria feito um resultado gordo, uns 6-0 ou 7-0 teriam sido um verdadeiro boost para a nossa confiança. Como que em contraponto com a monotonia dos segundos 45', é necessário destacar a obra prima de CE20 a fechar o placard. Cruzamento para área sadina, um defesa alivia para zona proibida e CE20 surge à entrada da área a fuzilar as redes adversárias, num remate em moinho sem deixar que a bola tocasse no relvado e que ainda embate com violência no poste antes de entrar. Se o golo de Matic foi candidato ao prémio Puskas, estou para ver qual a razão que vão inventar para que este golaço não entre na votação da próxima edição.

Em relação à análise individual dos jogadores, e apesar de não pretender "bater" no treinador (como tinha prometido), gostaria apenas de relembrar a Paulo Fonseca que os nomes e os estatutos não devem garantir lugares no 11 inicial. E digo isto porque não entendo o que tem feito Lucho Gonzalez para manter o estatuto de titular indiscutivel nas competições mais importantes, quando é notório que está muito longe daquilo que pode e sabe fazer. Custa-me ver El Comandante a perder quase todas as bolas divididas que disputa, a falhar a grande maioria dos passes de ruptura que tenta, a ter dificuldades em arrancar com a bola no pé ou em correr atrás dos adversários, não arriscando um único remate à baliza. Para o bem do Capitão, faça-o descansar e lance-o novamente quando estiver em melhor forma. 

Pela positiva, queria destacar Varela e Quaresma nas alas, sempre muito em jogo e com vontade de assumir as despesas do ataque. Fernando enorme no meio campo, Alex Sandro a fazer lembrar o lateral de eleição do ano passado, Mangala seguríssimo na defesa e a sair a jogar. CE20 imprime um grande ritmo ao jogo com a sua passada larga com a bola controlada e assinou um golo de levantar o estádio, mas perdeu algumas bolas quando exagerou nas jogadas individuais.
Pela negativa, realço apenas a paragem cerebral de Maicon num atraso de cabeça para Helton que foi interceptado por Cardozo. Não gosto também da atitude de Helton nestes jogos, penso que deveria tentar impor um ritmo mais elevado à equipa ao invés de estar constantemente a pedir calma e a atrasar o jogo.

Resumindo, fomos uns justos vencedores, realizámos uma exibição qb contra um adversário fraco. Vi alguns sinais que indiciam melhorias, mas que precisam de confirmação nos próximos jogos. Vi, também, alguns dos problemas que têm sido detectados desde os primeiros jogos desta época, mas tentarei focar-me nos aspectos positivos nos próximos tempos. Importa agora somar 6 pts contra o Marítimo, para carimbar primeiro o passaporte para as meias finais da Taça da Liga e depois para pressionar Benfica e Sporting no derby que se aproxima.







sexta-feira, 17 de janeiro de 2014

Pinto da Costa entrevistado para preparar a 2ª volta

Pinto da Costa deu ontem à noite uma entrevista ao Porto Canal na qual abordou vários temas da actualidade do FC Porto. Optei por escrever "deu uma entrevista" e não foi entrevistado porque tenho de ser coerente, e se não me parece bem que Luís Filipe Vieira dê entrevistas à Benfica TV da forma que o faz, também não posso ficar muito contente quando é Pinto da Costa a fazê-lo ao canal ligado ao FC Porto. Penso que nestes casos se perde o distanciamento necessário entre entrevistado e entrevistador e que não se vislumbra a independência desejável na abordagem aos diversos temas. Mas, infelizmente, é o que temos, e se o Benfica o faz e se o Sporting usa o seu jornal da forma mais populista e parcial possível, não me parecem sobrar grandes alternativas aos dragões.

No que à entrevista diz respeito, não irei sequer abordar as questões relativas ao Museu, à renovação de Fernando, às desavenças com Fernando Gomes, Mário Figueiredo ou António Oliveira nem ao despropositado comentário sobre a venda de Matic, apesar de ter sido notoriamente vendido à pressa por um preço inferior àquele que ele vale, provavelmente para fazer face a necessidades prementes de tesouraria, uma vez que as cláusulas de rescisão pouco me dizem e o normal é os jogadores serem transferidos por montantes muito inferiores às mesmas.

Ouvi com muita atenção e comentarei, isso sim, as questões que mais me preocupam e essas são, obviamente, as que dizem respeito ao futebol jogado. Era, para mim, evidente que a entrevista concedida pelo NGP iria ter como principal objectivo a defesa do treinador e dos jogadores do FC Porto. Pinto da Costa iria reiterar, como reiterou, total confiança em Paulo Fonseca e deixar claro que os jogadores têm sido inexcedíveis nos treinos e nos jogos. Foi passada a ideia que apenas não nos apurámos na Champions porque tivemos um azar incomensurável e que apenas não estamos na liderança do campeonato porque os árbitros não o permitiram.

Como é óbvio, nem eu, nem Pinto da Costa, nem os adeptos que percebam um mínimo de futebol, acreditam que isto é verdade (a referência aos pontos perdidos com o Estoril passado todo este tempo não faz qualquer sentido. Não foi aí que começámos a perder a vantagem de cinco pontos que tínhamos e depois disso perdemos justamente em Coimbra e empatámos sem espinhas no Restelo e com o Nacional). No entanto, penso que o foco do discurso se centrou num factor externo ao grupo de trabalho por forma a afastar as atenções da equipa de futebol, para que esta se una e dê a volta por cima. Ninguém estaria à espera que Pinto da Costa despedisse o treinador em directo (isso deixamos para Jorge Jesus e para o único guarda redes que o ajudou a ser campeão) nem que tecesse duras críticas ao plantel, mas honestamente também não estava à espera que se passasse uma esponja sobre os 6 meses da época que já decorerram . 

Penso que teria sido possível unir a equipa, mas aumentando um pouco o grau de exigência e dando sinais de esperança e confiança para o futuro. Ter-me-ia feito muito mais sentido se tivesse ouvido algo como: "temos sido claramente prejudicados pelas arbitragens, mas a verdade é que temos a obrigação de saber que no FC Porto estamos habituados a enfrentar estas contrariedades e a ter qualidade suficiente para as ultrapassar. Estamos atentos fora do campo e não nos deixaremos calcar. A equipa tem dado sinais que está a evoluir e estamos preparados para os difíceis desafios que se avizinham". Quero acreditar, porém, e como li algures na internet, que "para Pinto da Costa ter vindo acalmar as hostes para a televisão é porque já virou o balneário ao contrário". Esperemos que o NGP tenha deixado claro a treinador e jogadores que é preciso jogar muito mais, é preciso falar muito menos e é preciso SER muito mais PORTO do que até aqui.

Em resumo, fiquei, também, contente por perceber que o NGP aparenta estar bem de saúde, mas penso que fomos habituados a performances mais incisivas e motivadoras por parte de Pinto da Costa. Não digo que tenha estado mal, apenas esperava mais dele. Fiquei com a certeza que Pinto da Costa não deixará cair Paulo Fonseca nos próximos tempos, até porque nos próximos 30 dias jogaremos cartadas decisivas em todas as competições em que estamos envolvidos. O próximo desafio é já este domingo com o Setúbal no Dragão e seguem-se os jogos com o Marítimo (Casa - Taça da Liga), Marítimo (Fora - Campeonato), Estoril (Casa - Taça de Portugal), Paços de Ferreira (Casa - Campeonato), Gil Vicente (Fora - Campeonato) e Frankfurt (Casa - Liga Europa). A gerência e os eventuais convidados irão fazer um esforço nos próximos trinta dias para estar do lado do treinador e irão tentar ao máximo não "cascar" em Paulo Fonseca. É um contributo mínimo na tentativa de serenar a equipa, mas se todos o fizermos pode ser que as coisas comecem a correr melhor e que em Maio festejemos o tetra campeonato para fazer face ao tri campeonato de inverno do SLB e ao campeonato de natal do SCP.

P.S.: Disse que irei tentar ao máximo não cascar em Paulo Fonseca, não prometo que o conseguirei fazer, porque se as performances da equipa e o seu discurso se mantiverem como até aqui, o mais provável é que seja mais forte que eu. No entanto, para os próximos dois jogos da Liga Zon Sagres, um a zero chega, por mim até pode ser no único remate ou na única vez que chegamos à área contrária. Quero chegar ao derby lisboeta com hipótese de encostar no primeiro classificado.


quinta-feira, 16 de janeiro de 2014

Este ano a Taça da Cerveja é a sério

Sob um dilúvio raras vezes visto no Estádio do Dragão, o FC Porto recebeu e venceu o Penafiel por 4 bolas a zero, num jogo a contar para a 2ª jornada da Taça da Liga. Foi um jogo atípico, quer por ser a ressaca da hecatombe da Luz, quer pela interrupção que se verificou no início da segunda parte. O mais importante foi alcançado: vitória por números que nos dão boas perspectivas de apuramento na última jornada, na qual recebemos o Marítimo. A vitória poderá, ainda, levantar um pouco a moral e a confiança para os jogos que aí vêm, se bem que não possam tirar grandes ilações de confrontos com equipas de escalões secundários.

O FC Porto entrou forte no desafio, pressionando o Penafiel e encostando-o à sua grande área. O primeiro e único golo da étapa inicial foi apontado por Quaresma, num gesto técnico apenas ao alcance daqueles que têm um talento natural para jogar à bola (muito diferente de jogar futebol, mas já lá vamos). Passe a rasgar de Josué para as costas da defesa, na zona do penalti, e Quaresma, de costas para a baliza e quando todos esperavam que tentasse o domínio, a decidir-se por cabeceá-la em arco por cima do guarda-redes, fazendo-a entrar junto ao poste mais distante. Estava feito o mais difícil, mas os Dragões sabiam que precisavam de vencer confortavelmente. O Sporting havia ganho na véspera por 3-0 ao Marítimo e, para deixar tudo em aberto para a última jornada, o FC Porto tinha de vencer por vários golos, até porque em caso de igualdade pontual e de goal-average, os leões terão vantagem no desempate devido à utilização de atletas mais jovens que os dragões. Até ao final da primeira parte, Defour, Ghilas e Quaresma falharam boas oportunidades para dilatar o marcador e o intervalo chegou com a vantagem mínima no placard.


Ao intervalo o temporal intensificou-se e o normalmente magnífico tapete do Dragão rapidamente se transformou numa espécie de batatal. O árbitro Duarte Gomes ainda deu início à segunda metade, mas sentiu-se na obrigação de a interromper pouco depois, uma vez que a bola não rolava em várias partes do terreno de jogo. Foi correcta a sua decisão, mas não deixo de estranhar que ele a tivesse tomado. É que não me esqueço de que aqui há uns anos foi este mesmo artista que achou por bem que o jogo em Coimbra se tivesse realizado em condições bem piores que as de ontem, quiçá na esperança de que alguém se lesionasse a poucos dias de jogar com o Benfica...

A segunda parte teve início depois de uma interrupção de 30 minutos, numa altura em que o relvado apresentava ligeiras melhorias. Ao contrário da primeira parte, os dragões entraram apáticos e demoraram a perceber o tipo de futebol que deviam utilizar com o relvado naquele estado. Paulo Fonseca mexeu bem na equipa e os jogadores passaram a apostar quase exclusivamente no jogo directo para Ghilas e Jackson. As oportunidades surgiam agora com alguma frequência e o FC Porto acabou por marcar mais três golos até final (Jackson 2x e Varela). Destaque neste capítulo para a assistência de Ghilas para o segundo golo, num delicioso cruzamento de letra no flanco esquerdo, ao qual Jackson respondeu com classe e frieza.

Em relação aos jogadores, Paulo Fonseca optou por um 11 inicial bastante diferente daquele que eu tinha sugerido. Jogaram Fabiano, Ricardo, Maicon, Mangala, Alex Sandro, Fernando, Defour, Josué, Quaresma, Kelvin e Ghilas. Na segunda parte Varela substituiu Quaresma, Jackson entrou por Kelvin e Carlos Eduardo por Defour. Na primeira parte e enquanto o campo o permitiu, jogámos com 2 alas bem abertos. Já na segunda parte e devido ao estado do terreno, Ghilas e Jackson jogaram juntos no centro do ataque, com Varela solto nas costas para ganhar as segundas bolas. Confesso que gostaria que Jackson e Ghilas jogassem mais minutos juntos, para tentar perceber se este desenho táctico resulta...

Destaques pela positiva:
Ghilas - pode não ser um portento de técnica ou de velocidade, mas com um bocado de ritmo de jogo poderá ser bastante útil à equipa. Não sei se é craque ou não. O que sei é que um jogador que faz o que ele fazia sozinho no ataque do Moreirense contra 3 e 4 defesas, não pode ser peco. Espero ver mais dele, principalmente lado a lado com Jackson
Jackson - sensivelmente 30m em campo, dois golos e muita luta no meio dos defesas do Penafiel. Muito bom
Fabiano - mais um jogo sem sofrer golos. Sempre atento a dobrar a defesa, seguro nos cruzamentos e prático a jogar com os pés.
Josué - não foi uma exibição de encher o olho, mas somou mais duas assistências. Muito mais útil no meio do que na ala
Quaresma - quando quer jogar futebol e pôr a equipa a jogar com ele, é um fora de série. Tem classe e talento para dar e vender. Precisa de ganhar um pouco mais de ritmo e de cabeça fria.

Destaques pela negativa:
Quaresma - quando se põe a jogar à bola, tira qualquer um do sério, complica em demasia, exagera. No fundo, as mesmas virtudes de sempre e os mesmos defeitos de sempre, mas a verdade é que as equipas por vezes também precisam de alguém assim.
Defour - gosto do belga, penso que pode jogar muito mais do que tem feito. Mas ontem esteve apático e pouco prático. Nota-se que está desmotivado e suspeito que na porta de saída.

O sinal dado ontem por Paulo Fonseca, principalmente quando pedia aos jogadores para irem a correr buscar a bola depois de cada golo, é o de que o FC Porto quer ganhar o grupo da taça da cerveja. Acho normal que assim seja. Acho saudável até. Eu optaria por ter colocado Quintero, Reyes, Herrera e outros jogadores da "B", como Tozé, Victor Garcia ou Quiñones, mas percebo que não seja essa a ideia. O FC Porto deu sinais claros de que se quer apurar para as meias finais e que a rodagem dos menos utilizados ficará para outra ocasião. É uma opção perfeitamente legítima, só não vale é se não conseguirmos o apuramento, vir dizer-se que afinal não queríamos passar...










terça-feira, 14 de janeiro de 2014

O plantel do FC Porto e a sua falta de qualidade

Passadas 48 horas do descalabro que foi a exibição no Estádio da Luz, constatamos que o treinador do FC Porto tem cada vez menos apoios e que começam a ser muito poucos aqueles que acreditam que esta pode ser uma época de sucesso, caso Paulo Fonseca não seja substituído no comando técnico dos azuis e brancos. É público aquilo que penso que Pinto da Costa deveria fazer quanto a este assunto (facto que ficou claramente demonstrado no último post), mas tentei perceber as razões que levam alguns adeptos a defender a continuidade de Paulo Fonseca. A principal e, porventura, única razão para essa continuidade e para a sua desculpabilização prende-se com a alegada falta de qualidade do plantel dos dragões.

Alegam os defensores da continuidade do treinador que este será o plantel mais fraco dos últimos 10 ou 12 anos e que as saídas de Moutinho e James não foram devidamente colmatadas. Provavelmente serão os mesmos que defendiam que devemos contratar os jogadores que mais se destacam no nosso campeonato (fora dos três grandes), os quais já estariam adaptados a Portugal e que não seriam assim tão caros (Licá, Josué, Carlos Eduardo, Ghilas, Ricardo Pereira, Tiago Rodrigues).

Terão, ainda, sido contratados jogadores para posições em que estávamos bem servidos em detrimento da contratação de extremos de qualidade, o que até admito, mas que não justifica a pobreza franciscana a que temos assistido.

Começo por abordar a questão da falta de qualidade dos extremos. É verdade que, tirando Silvestre Varela, a equipa sentia e sente falta de um jogador que desiquilibre na ala. Não nego. Ter-nos-ia dado muito jeito um jogador como Bernard ou um qualquer novo Hulk. Chegou agora Quaresma e veremos o que é que ele tem para nos dar. No entanto, não nos esqueçamos que Vítor Pereira também não teve grandes opções para essa posição o ano passado. Atsu, um miúdo, jogou a espaços até ao Natal e depois de ter participado na CAN no início do ano, praticamente deixou de jogar, uma vez que não renovava o contrato. No lugar de extremo esquerdo jogou, várias vezes, o belga Defour, o que demonstra bem os jogadores que Vítor Pereira tinha à disposição para essa posição. Em vez de Atsu, Paulo Fonseca tem Kelvin à sua disposição, mas este apenas joga a espaços. Existia, ainda, Iturbe, mas alguém optou por não contar com ele...

No que à saída de Moutinho diz respeito, não me espanta a dificuldade que estejamos a sentir para encontrar um jogador à sua altura. No entanto, para a posição 8 do meio campo temos: Defour (titular da selecção belga que estará presente no Mundial, ao serviço da qual o nosso jogador tem assinado belíssimas exibições), Herrera (campeão olímpico pelo México e internacional A), Carlos Eduardo, Josué (internacional A por Portugal), Lucho Gonzalez e optámos por dispensar Castro. Não vou ser hipócrita, é verdade que Moutinho é superior aos que enumerei, mas também não deixa de ser verdade que compete ao treinador escolher um sistema táctico e uma estratégia de jogo que permita aos jogadores exporem da melhor forma as suas virtudes e qualidades, escondendo os seus defeitos e debilidades. Com Mourinho, Tiago e Marco Ferreira pareciam bons jogadores e Paulo Ferreira, Nuno Valente, Costinha e Derlei jogadores de classe mundial. Com Jesualdo, Adriano era um matador e Fucile um defesa lateral instransponível...


Para o lugar de James contratámos Quintero, o qual é considerado uma das grandes promessas do futebol mundial e um dos melhores jogadores da sua idade. Quintero já é internacional A pela Colombia, mais uma selecção que estará no mundial. É pior do que era James quando o FC Porto o contratou? Não me parece, competirá, mais uma vez, ao treinador lapidar o diamante que temos em mãos. E não me venham com tangas de que é muito novo e que não tem idade para jogar. Sabem que idade tem o Markovic, por exemplo? Ah, pois...é mais novo!!! E o William Carvalho? Ainda, em termos de ataque, Vítor Pereira foi campeão com Janko a titular e o ano passado nem ponta de lança suplente teve. Paulo Fonseca tem Ghilas, jogador sensação da última época numa equipa da segunda metade da tabela e que estará, também, no mundail e não consegue encontrar forma de o juntar a Jackson na frente de ataque, como, por exemplo, Leonardo Jardim faz com Slimani e Montero.

Até agora apenas falei do meio campo para a frente, porque apesar de não termos um plantel de sonho, temos um plantel capaz de fazer muito mais do que até agora. Nem me apetecia falar da defesa, mas lá terá de ser. Temos uma defesa composto por Helton, Danilo, Alex Sandro, Mangala (internacional francês), Otamendi (internacional argentino) e Fernando. Nos últimos 2 anos a defesa era praticamente intransponível e batiam-se recordes de invencibilidade e de número de golos sofridos. Esta época, qualquer adversário causa grandes calafrios na nossa defesa. Até o Austria de Viena marca no Dragão... Para além dos que enumerei, existem, ainda, Maicon e Reyes, grande esperança do futebol mexicano, internacional A e campeão olímpico. Não consigo, honestamente, perceber que se diga que de repente os nossos defesas são maus, quando durante dois ou três anos eram considerados o grande esteio da equipa.

Resumindo, se em termos ofensivos a qualidade do plantel não é extraordinária, que não é, já a defesa e o meio campo dão-nos opções mais do que suficientes para, pelo menos, sermos uma equipa segura, confiante e que sabe o que faz. Deveríamos ser uma equipa que sofre poucos golos, que controla o jogo e que apenas sentiria algumas dificuldades no último terço, o que não é o que se tem visto. Seja contra equipas fortes ou fracas, a verdade é que o FC Porto poucas vezes dá a sensação de que controlo verdadeiramente o jogo e que só não ganha porque não concretiza as ocasiões que cria.

Não vou entrar em grandes comparações com o plantel dos rivais. Apenas digo que o FC Porto tem jogadores muito superiores aos jogadores do Benfica nas posições recuadas e que o Benfica tem melhores jogadores que o FC Porto na frente de ataque. Quanto ao Sporting, tenho muita dificuldade em perceber como é que uma equipa de jogadores contratados na Argélia, Estados Unidos e 2ª divisão do Brasil misturados com putos de 20 anos é capaz de jogar mais do que o FC Porto. Em termos individuais, o Sporting tem 3 ou 4 grandes jogadores: Patrício, William Carvalho, Adrien e Montero. No entanto, o treinador do SCP conseguiu que jogadores que nos últimos dois anos eram autênticos coxos parecessem jogadores de futebol, os quais encostaram o FC Porto às cordas em Alvalade. Já Paulo Fonseca fez o contrário aos jogadores do FC Porto...

Não exijo que o FC Porto vença sempre, nem sequer considero que o FC Porto tenha qualquer obrigação de ganhar ao Benfica que maior investimento fez nos últimos anos. É normal que não se ganhe sempre. É normal que os jogadores precisem de algum tempo para se adaptarem. Exijo é que não se jogue consecutivamente tão pouco e tão mal. Exijo um discurso e atitude à Porto. É anormal o que temos visto esta equipa fazer. É anormal que o treinador não perceba que tem de mudar, sob pena de se ter de mudar de treinador...

P.S.: Convocados para amanhã (Penafiel, taça da cerveja) - Helton, Fabiano, Maicon, Quaresma, Josué, Jackson, Quintero, Ghilas, Reyes, Herrera, Varela, Carlos Eduardo, Ricardo, Mangala, Fernando, Alex Sandro, Kelvin e Defour.

Minha equipa: Fabiano, Ricardo, Reyes, Mangala, Alex Sandro, Defour, Herrera,Carlos Eduardo, Kelvin/Quintero, Ghilas, Quaresma






domingo, 12 de janeiro de 2014

Agora já só não vê quem não quiser!

Li nas notícias que o FC Porto perdeu hoje por 2-0 com o Benfica no Estádio da Luz. Fui confirmar e fiquei aliviado. Na verdade, quem perdeu o jogo não foi o FC Porto, tri-campeão nacional e dominador do futebol português nos últimos trinta anos, mas sim um grupo de 11 jogadores vestidos com umas tshirts azuis e brancas. Estes outrora bons jogadores de futebol não fazem, hoje em dia, a menor ideia do que estão a fazer em campo e parece que não têm qualquer noção da importância do símbolo que trazem ao peito. Sob a  (des)orientação de um dos maiores incompetentes desde os tempos de Octávio Machado, os jogadores que entraram em campo, na sua esmagadora maioria internacionais pelos seus países, os quais eram cobiçados até há pouco pelos colossos do futebol mundial, proporcionaram aos magníficos adeptos que se deslocaram a Lisboa um espectáculo na senda daqueles com que têm vindo a brindar os portistas esta época. Um espectáculo deplorável, deprimente e amador, o qual envergonha todos aqueles que tenham um nível de exigência minimamente semelhante àquele que foi imposto por Pinto da Costa quando tomou conta do clube. Realço a lição de civismo e fair play dada pelos adeptos dos dragões ao respeitarem (na sua esmagadora maioria) o minuto de silêncio em memória de Eusébio e, também, a lição de amor ao clube que nos foi sendo dada durante os 90m, já que, mesmo a perder por 2-0, por diversas vezes se ouviram os cânticos a puxar pela nossa equipa.

Foi um FC Porto sem ideias, sem organização, sem garra, sem crença e sem qualidade aquele que se apresentou hoje na Luz. O Benfica, apesar de não ter feito uma grande exibição, fez aquilo que lhe competia. Explorou o centro do terreno e aproveitou as falhas da nossa defensiva. Teve várias oportunidades de golo para além das duas que concretizou, ao contrário do FC Porto, que apenas podia ter feito o golo num cruzamento de Licá desviado por Jackson (em fora de jogo). Penso, até, que a vitória do Benfica podia ter atingido outros contornos depois do segundo golo e, ainda, após a expulsão de Danilo. Fiquei com a ideia que os encarnados tiraram o pé do acelerador (ou então estavam simplesmente esgotados) e que não forçaram o terceiro golo. Enfim, demasiado mau para ser verdade, à imagem do sucedido em Alvalade (e no Restelo e em Coimbra), com a diferença de que o SCP não concretizou as suas oportunidades.

Individualmente, apenas gostei de Varela e em parte de Mangala (apesar de batido por Garay no segundo golo) e de Alex Sandro. Pela negativa, Danilo fez o terceiro jogo consecutivo em que não me causou boa impressão, Otamendi foi simplesmente horrível a defender (o primeiro golo tem duas falhas claras do argentino, falhando o passe na saída para o ataque e não fechando o meio na assistência de Markovic), Fernando perdido no meio dos dois centro campistas encarnados, Lucho novamente sem pernas para jogos com maior intensidade, CE20 longe daquilo que pode fazer e demasiado encostado a Jackson, Licá esteve melhor do que nos últimos jogos mas mesmo assim não chega, Jackson irreconhecível e perdulário, Quaresma sem ritmo mas com vontade e toque de bola, Josué entrou bem. Helton alternou o bom com o muito mau (talvez pudesse ter feito melhor no primeiro golo, mas o remate foi muito forte; no segundo golo fez me lembrar o Ricardo na final do Euro 2004...).

Quanto ao árbitro, confesso que não sei o que me enerva mais. Se a incompetência de Artur Soares Dias, se as desculpas esfarrapadas dos adeptos do nosso clube. A arbitragem foi muito fraca, mas não foi por aí que o FC Porto perdeu. Existiram erros grosseiros para os dois lados, sendo que, para mim, os mais evidentes foram o penalti por marcar por mão de Mangala e o lance interrompido quando Jackson vai isolado. Podia também falar do cartão mostrado a Jackson por empurrão a Maxi, do encosto por trás a Quaresma na área e no 2º amarelo a Danilo, mas não vou entrar por aí. Não vou tapar o sol com a peneira.

Quando decidi começar "O pé que está mais à mão", nos primeiros dias de Dezembro de 2013, prometi a mim mesmo que não iria estar constantemente a dizer mal do treinador do FC Porto e que iria aguardar, pelo menos, até aos jogos em Alvalade e na Luz. No entanto, e chegados a essa altura, já não consigo esconder a minha total descrença neste treinador. Não tem decididamente capacidade e qualidade para treinar o tri-campeão nacional. A regressão comparativamente com as últimas três épocas é indesmentível. Não existe qualquer vertente do jogo em que tenha existido evolução e nem o discurso é capaz de motivar adeptos e jogadores.

Comparativamente com os últimos anos, esta equipa defende INDISCUTIVELMENTE pior. Não existe qualquer comparação possível entre a solidez defensiva das equipas de André Villas Boas e Vítor Pereira e a tremideira que se verifica com Paulo Fonseca. Jogadores que eram sinónimo de fiabilidade e concentração e que eram alvo constante do interesse de grandes equipas europeias são hoje jogadores que dificilmente teriam lugar em equipas de Champions League. Danilo raramente era ultrapassado no passado, Alex Sandro defendia bem e saía para o ataque com critério, Mangala impressionava pela imponência. Hoje, o comum adepto até treme quando a bola está nos pés de Otamendi. Hoje, nem me entusiasmo quando vejo Danilo ou Alex Sandro subirem no terreno porque dificilmente as suas incursões terão sucesso...

A equipa de Paulo Fonseca sofre mais golos e marca menos, sendo certo que este ano, ao contrário do último, temos dois pontas de lança de raiz no plantel. Esta equipa perde 12 pontos em 15 jogos quando o ano passado Vítor Pereira perdeu 12 pontos em 30 jogos. Esta equipa não é forte nas bolas paradas defensivas, nem tem um meio campo que consiga imprimir o ritmo de jogo que mais lhe convém, nem tão pouco é capaz de pressionar à saída da área do adversário, recuperando a bola no último terço do terreno. Esta equipa está em terceiro lugar no campeonato, atrás de um Sporting com um orçamento muito inferior e com uma equipa de miúdos. Esta equipa fez uma prestação nas competições europeias em que consegue alcançar os mesmos pontos que o inofensivo Austria de Viena, não conseguindo vencer um único jogo em casa. Esta equipa, em ano de mundial, não consegue valorizar um único jogador. Não há nenhum jogador (talvez Fernando) que neste momento valha mais do que valia no final da última época. O futebol é qualitativamente muito inferior ao das últimas épocas. O discurso do treinador é fraco e não vemos evoluções desde Julho. A equipa joga há 6 meses junta e não conseguimos perceber qual a estratégia delineada nem existe qualquer fio de jogo.

Está na hora de dizer basta. Paulo Fonseca será, certamente, uma óptima pessoa e estará a fazer o seu melhor. Não duvido. Mas isto é o FC Porto. Só isso não chega. É preciso mais. MUITO mais. Como disse na antevisão do jogo, não exijo vitórias, não exijo resultados. Exijo atitude, exijo qualidade. Exijo ser Porto. E isso não se tem visto desde meio de Setembro. Está na altura de procurar alternativas. A altura é boa, o mercado de inverno está aberto, o treinador que vier/voltar poderá retocar o plantel à sua medida. Podem-me dizer que um novo treinador poderá não fazer melhor. Acredito, é um risco. Mas de uma coisa não tenho dúvidas. Quem vier só muito dificilmente poderá fazer pior. Vamos à 32.ª decisão, Presidente?

P.S. 1 - A desculpa de que mudar de treinador não dá resultado no Porto é uma falácia. Não é possível saber isso! Mourinho substituiu Octávio quando estava em 4.º a 7 pontos do SCP. Terminou em 3.º a 7 pontos do SCP. Ou seja, não perdeu qualquer ponto para o SCP desde que entrou e subiu um lugar na classificação. E preparou as duas épocas que se seguiram. Quem vos garante que se Octávio tivesse sido corrido um pouco mais cedo, que o FCP não teria sido campeão também em 2001-2002? É fácil dizer que as trocas de treinador não dão resultado quando o Porto está já a meia dúzia de pontos na tabela...

P.S. 2 -  Robson substituiu Ivic e foi o melhor que nos aconteceu

quinta-feira, 9 de janeiro de 2014

UM SÓ CAMINHO: O DA VITÓRIA

Domingo está próximo e o clássico dos clássicos está quase a começar. Faltam 3 dias para começar o jogo que põe o País parado em frente ao ecrã mágico. Para os que como eu acompanham o nosso Clube por esse Mundo fora, é o jogo da época que mais nos dá prazer. Dois ou três mil adeptos de cachecol ao pescoço, gargantas afinadas como nunca, cantando bem alto o nome do nosso Clube pelas ruas daquela cidade, desde o inicio do cortejo na Pontinha, até ao minuto 92. Se há algo que nos dá prazer é sentir que estamos em território inimigo, hasteando bem alto a bandeira do Futebol Clube do Porto. E com jogo às 16h00, tudo se conjuga, pois, para um dia perfeito para os Nossos!

Quanto ao jogo em si, esse tem sido preparado, fora dos relvados, de uma forma pouco “normal”. O ambiente que se tem gerado tem sido de pouca (ou mesmo nenhuma) tensão, tanto por parte da comunicação social como por parte dos dirigentes de ambos os Clubes. Apesar de toda esta “nuvem” gerada pelo falecimento do jogador do clube de Carnide, quero acreditar que a mensagem tem sido passada internamente, na nossa fortaleza, no nosso balneário, da melhor forma possível: no Domingo só há um caminho, o da vitória !


Estamos praticamente na máxima força, não podendo apenas contar com (o claro suplente) Ghilas que sofreu uma contusão no joelho esquerdo (pela segunda vez na mesma semana). Podemos e devemos apresentar-nos no estádio do adversário com a melhor equipa possível, e no esquema que tem, ano após ano, vergado o treinador e equipa adversários. Entre o dia 02/05/2010 (vitória por 3-1 no Estádio do Dragão ) e o dia K92 em Maio do ano passado, já lá vão 5 vitórias para o Futebol Clube do Porto e 2 empates, em jogos da I Liga.


Para qualquer treinador do FCPorto, principalmente para um estreante, este é “O” teste de fogo: é naquele relvado que Paulo Fonseca tem tudo para defrontar, olhos nos olhos, sem medo e pondo em sentido o nosso rival. É a altura do nosso treinador pôr a nossa equipa a jogar à Porto, ganhando (e bem!) três pontos que terão um efeito emocional flamejante. São estes os jogos que podem mudar o destino tanto de uma equipa como de uma época ! Acredito (quero acreditar) que ele estará à altura da dimensão da partida, escolhendo os melhores guerreiros para a próxima batalha !


A equipa não andará pois, muito longe da escolhida no último jogo para o campeonato. Se Helton tem lugar garantido na baliza, na defesa, e tendo em conta que estamos na segunda melhor fase defensiva desde o início da época (339 minutos sem sofrer golos), parece-me lógico utilizar os 4 que têm jogado com maior acerto e qualidade:Alex Sandro (recuperado) como defesa-esquerdo, Danilo na lateral contrária, e como dupla de centrais Mangala e Maicon. Por um destes dois poderá passar a decisão do clássico, visto que o FCPorto tem sido fortíssimo na forma como tem aproveitado as bolas paradas nos clássicos (Mangala marcou nas duas ultimas deslocações a este estádio).


O meio-campo será a chave do clássico. Precisamos de ser rápidos na recuperação da bola e transmitir uma sensação de força, qualidade e objectividade quando tal acontece. Tudo vai depender da capacidade de trabalho tanto dos recuperadores, como do jogador que assumir a posse do esférico. PF resolveu finalmente a questão do (não) duplo-pivôt, tendo percebido que esta situação retirava ao Polvo protagonismo, tanto na saída de bola, como na amplitude progressiva de movimentos. Tendo reencontrado o seu “habitat” natural, observo uma clara melhoria de jogo, tanto nos equilíbrios como nas dinâmicas de jogo.

Esta alteração resultou da entrada de um jogador para a posição de nº10, encaixando outra peça no lugar certo. Observamos de certa forma, nas ultimas partidas, uma “reciclagem” do nosso Capitão: recuou no terreno, passando a jogar de frente para o jogo como tanto gosta. Desta forma, ficou a mais metros da baliza adversária (às vezes parecia ponta-de-lança), mas muito mais perto do jogo em si.


A posição de médio-ofensivo, foi então entregue a Carlos Eduardo, jogador (craque) que não engana. E foi a sua entrada na equipa que permitiu a tal mudança táctica no nosso meio-campo: o brasileiro não preenche apenas os espaços à frente de Lucho, mas pisa igualmente outros terrenos de jogo, procurando bola tanto em zonas mais recuadas, como em zonas laterais. Carlos Eduardo procura a sua equipa antes de olhar nos olhos o seu adversário, conseguindo ser desta forma algo que se exige aos médios de maior qualidade: é um grande trabalhador sem bola e um talento na explosão, criatividade e ruptura na posse da mesma. Não esquecendo obviamente a sua enormíssima qualidade a cobrar cantos e livres, algo que pura e simplesmente tinha desaparecido desde a saída dos “batedores” João Moutinho e James Rodriguez.

Quanto ao ataque, esse tem para mim os três lugares reservados para este jogo: Varela e Jackson serão na minha opinião sempre ou quase sempre titulares, sendo que a ala contrária será entregue (provisoriamente) a Licá. Apesar de, na minha opinião, não ter qualidade suficiente para ser titular numa equipa do nosso calibre, creio não existir outra hipótese para esta partida. É um trabalhador incansável, com muita qualidade táctica, ajudando desta forma a equilibrar tanto o meio-campo como as alas. Aliado, claro, ao facto de Ricardo Quaresma ainda não apresentar os índices físicos e competitivos necessários, e Kelvin não ter maturidade e músculo para uma batalha desta envergadura.

Este é, de facto, um jogo muito muito apetecível para o FCPorto, e acredito que temos tudo para triunfar novamente: o nosso adversário está claramente obrigado a ganhar, principalmente fruto da morte do seu maior símbolo, aliado ao facto de jogar no seu terreno de jogo. Apresentando-nos com a maturidade e a experiência que nos caracterizam nestas partidas, creio que estão criadas todas as condições para destabilizarmos psicologicamente a equipa e a massa associativa oponentes, entrando pressionantes, categóricos e perigosos. Marcando um golo cedo, confio que o jogo se resolverá rapidamente, agarrando mais três pontos rumo ao desejado Tetra Campeonato.


Apenas vejo um caminho: O DA VITÓRIA !!

Texto da autoria de Afonso "Zé do Boné" Salcedo

quarta-feira, 8 de janeiro de 2014

SL Benfica vs FC Porto e mais um bitaite

Caminhamos a passos largos para o clássico dos clássicos do futebol português dos últimos anos. Domingo está ao virar da esquina, embora lendo a imprensa desportiva destes dias possamos ficar com a ideia que ele ainda vem longe. 

A preparação do grande jogo tem passado quase despercebida e os níveis de tensão e nervosismo parecem anormalmente baixos para estas ocasiões. Claro que a morte de Eusébio ajudou a que assim seja, mas parece-me que não será só isso. Ou muito me engano ou os dirigentes, treinadores e jogadores do Benfica aprenderam a lição nos últimos anos... Nos clássicos mais recentes, declarações como "a vitória está no papo", "menos que 3 é derrota" e "os andrades não jogam nada" eram o pão nosso de cada dia. Para este clássico a abordagem tem sido diferente, o que me preocupa um pouco. 
O Benfica tem optado por uma estratégia mais "low-profile", tentando não espicaçar o FC Porto. O que é pena, porque o FC Porto gosta é disso, que o espicacem, que o insultem, que tentem minimizar as suas qualidades. É nessas circunstâncias que vem ao de cima o melhor FC Porto e que os jogadores se transcendem e mostram todo o seu valor. Espero, no entanto, estar enganado e que Jorge Jesus nos brinde com uma conferência de imprensa ao seu nível, cheia de bazófia, minimizando o Porto e, se possível, pressionando os árbitros para que os nossos jogadores fiquem "no ponto" para domingo...



O Porto terá o seu plantel praticamente na máxima força. Alex Sandro vai recuperar a tempo e Ghilas prevê-se que também esteja disponível. Ausentes estão Fucile (de malas feitas, quem sabe até para um dos rivais da segunda circular) e Izmailov, mas também já ninguém contará verdadeiramente com ele. Não sei bem o que esperar do jogo. É um daqueles jogos que me tolda o raciocínio e não me permite analisar a sua envolvente com a racionalidade e clarividência desejada. No entanto, de uma coisa não tenho dúvidas. Espero que em campo esteja o FC Porto e não a equipa que vimos em Alvalade. Não exijo vitórias, nem mesmo empates em jogos de tripla como estes. 


Exijo, isso sim, que se jogue à Porto. Que se entre em campo para vencer, que tudo seja feito nesse sentido. Que os jogadores não se deixem intimidar pelo adversário nem pelo ambiente e que façam aquilo que melhor sabem. Exijo garra, atitude, espírito de sacrifício. Ao treinador exijo o mesmo. Não tenha medo de jogar para ganhar. Seja corajoso, ambicioso e transmita confiança aos jogadores. Se jogarmos à Porto, até podemos perder, que não serei capaz de criticar. Prefiro perder jogando à Porto do que empatar como equipa pequenina que joga para o pontinho. Jogando à Porto podemos não ganhar domingo, mas estaremos mais perto de o fazer regularmente no futuro.

Quanto à equipa inicial, gostava que Paulo Fonseca fizesse alinhar o seguinte onze: 
Helton, Danilo, Mangala, Otamendi, Alex Sandro, Fernando, Lucho, CE20, Varela, Kelvin/Quaresma e Jackson Martinez.

Os intervenientes podem até nem ser estes, mas espero sinceramente que o esquema se mantenha e não se caia na tentação de alterar o 4-3-3 com dois extremos "verdadeiros". Não quero ver Josué encostado à ala, até porque a probabilidade de ser expulso é demasiado elevada.
Admito, porém, que vá jogar Maicon no lugar de Otamendi e Licá no lugar de Kelvin/Quaresma.

Eusébio:
Nada disse até hoje, porque preferi deixar assentar um bocado a poeira e não falar quando os ânimos estavam ainda muito exaltados. Morreu o melhor (pelo menos por enquanto, porque não me restam dúvidas que no fim da carreira de CR7 este estatuto mudará de dono) jogadores português de sempre. Símbolo do Benfica e baluarte da selecção nacional da década de 60, Eusébio foi um jogador fabuloso, reconhecido mundialmente pelos golos que apontava com o seu pontapé canhão. Fico triste como amante do futebol, ficarei sempre que morrerem as grandes lendas.

O espectáculo mediático em que se transformou este acontecimento deixa-me um bocado confuso. Sempre preferi respeitar aqueles que nos deixam de uma forma diferente porque acho que é um momento privado de família e amigos. Compreendo a necessidade de partilhar a informação, mas o destaque dado em toda a imprensa à morte de personalidades famosas torna-se um pouco mórbido e exagerado. Por alguma razão utilizamos o descanse em paz (vulgo RIP - rest in peace) nestas ocasiões, o que no caso de personalidades famosas está, definitivamente, longe de poder ser aplicado. Prefiro não me alongar sobre o aproveitamento de toda esta triste situação feito pelo presidente do Benfica, que certamente irá conhecer novos capítulos nas próximas semanas, mas que hoje se traduziu na capa do jornal "ABola" de hoje...

Como que por ironia do destino, o primeiro jogo na Luz será com o FC Porto e muito se tem especulado sobre qual vai ser o comportamento dos adeptos azuis e brancos durante o minuto de silêncio. 
Se eu fosse à Luz no Domingo, respeitava o minuto de silêncio. Não batia palmas, não cantava, ficava calado. É para isso que serve o minuto de silêncio, se bem que a liga de clubes parece ter uma ideia diferente.

Gostava que os adeptos do FC Porto ficassem em silêncio. Mas tenho dúvidas que isso aconteça. Não concordarei se tal se verificar e darei nota disso. No entanto, caso tal aconteça, espero que os adeptos do Porto não sejam alvo da normal discriminação da muito imparcial e selectiva imprensa e dos meios de comunicação social. 
Tal atitude não será nem mais nem menos reprovável do que muitas atitudes perpetradas por grupos de adeptos de outros clubes e que normalmente se safam com uma pequena nota de rodapé em oposição às primeiras páginas com que os Super Dragões são regularmente brindados. Neste sentido, basta relembrar as capas dos desportivos no que aos apedrejamentos dos autocarros de Benfica e Porto diz respeito, como comprovam as imagens.








segunda-feira, 6 de janeiro de 2014

O calendário é nosso amigo, vamos aproveitar o que de bom ele nos pode proporcionar!

Se eu fosse apenas adepto do FCP, o futebol seria, não aborrecido porque ninguém se cansa de ganhar mas monótono. Ano após ano, domínio avassalador em Portugal com a vitória (quase) garantida no campeonato (8 nos últimos 10 anos), prestação exemplar na Europa (excepção deste ano confirma a regra) e confirmação como maior clube a nível nacional e o que mais títulos conquistou no século XXI (de realçar a ausência de taças da liga no currículo). Mais, o Porto nem devia precisar de jogar a Liga! Deixava-se jogar as outras 15 equipas entre elas e o vencedor não teria a desilusão de, ao olhar para a classificação final, ver uma equipa à sua frente. Está claro que no final o troféu seria entregue ao FCP.

Já no 5LB isso não acontece. Cada ano é um mar agitado. Até à derradeira jornada, os encarnados não sabem qual será a sua classificação. A época do 5LB é marcada por um grande número de “tragédias” e perseguições. Ao Benfica acontece tudo! O adepto benfiquista vive todos os jogos na incerteza de os jogadores encarnados se agredirem entre si ou não e de criarem mais perigo aos próprios do que ao respectivo adversário. Assim que sai o matutino, o adepto benfiquista procura incansavelmente na primeira página, qual a atrocidade que saiu da boca do jogador/treinador/director/presidente do Benfica. Ou então procura saber qual é o árbitro que prejudicou a sua equipa. Ou ainda qual será a próxima coqueluche a juntar-se ao “maior” clube do mundo (provavelmente acabará a jogar no Dragão).

Falando agora mais a sério, enquanto uns embandeiram em arco por estarem a fazer o melhor início de campeonato que há memória (pelo menos na minha), outros afirmam terem o melhor plantel dos últimos 30 anos e o 14º mais valioso do mundo, nós seguimos o nosso caminho. Um início de época titubeante da nossa parte, em que de 5 pontos à frente passamos para 2 atrás, uma campanha na LC a roçar a humilhação, e só assim não foi porque “conseguimos” a LE, alegraram não 6, porque eles agora não estão sós, mas 7 ou 8 milhões de portugueses. Porém, o ano começa com os 3 candidatos [1] em igualdade pontual…curioso e sintomático, em especial, se atentarmos às capas dos jornais e telejornais dos últimos tempos.


Relativamente ao jogo do próximo fim-de-semana, capricho do sorteio para uns, pesadelo para outros, este será o ensaio para aquilo que se irá passar na derradeira jornada da liga em Maio, ou seja, a confirmação ou mesmo a consagração de mais um título, o tetra-campeonato.


E porque é de estatísticas que o futebol vive, embora tal como o biquíni, mostrem muito mas não mostrem tudo, nas últimas 10 deslocações para o campeonato o saldo é claramente favorável aos portistas, com 4 vitórias, 4 empates e 2 derrotas apenas, a última das quais com o golo irregular de Saviola.
Como tal e para vincar esta superioridade espelhada em números, solicita-se que os de PF entrem com vontade de mostrar em campo, aquilo que todos cá fora sabem, ou seja, que somos melhores. E também somos melhores porque o único jogador adversário que caberia no nosso 11 seria o Gaitán, vá talvez o Matic também, o que atesta a qualidade do nosso oponente…
Porém, e para finalizar cabe dizer que neste momento “o todo não é mais forte que a soma das partes” mas para lá caminhamos.

PS: Um conselho ao Paulo, quando um treinador não inventa está sempre mais próximo de ganhar, esqueça o duplo pivot, só por exemplo. Ah e já agora se quiser dar uns minutos a sério ao Ghilas, nós, adeptos, encantados.

PS2: 11 provável: Helton, Danilo, Otamendi, Mangala, Alex Sandro, Fernando, Lucho, Carlos Eduardo, Varela, Licá e Jackson

11 que eu gostava: Helton, Danilo, Otamendi, Mangala, Alex Sandro, Fernando, Lucho, Carlos Eduardo, Varela, Kelvin e Jackson

[1] *Se os verdes não são candidatos nesta altura, não sei quando serão…

Texto da autoria de Luís Santiago Sottomayor

domingo, 5 de janeiro de 2014

FCPorto 6 - 0 Atlético

O FC Porto recebeu e venceu ontem o Atlético por 6-0 num jogo a contar para os oitavos de final da Taça de Portugal. Foi um jogo sem grande história, fácil (porque os dragões também não complicaram) e em que deu para dar minutos de utilização a alguns jogadores que não têm sido opção. Ninguém se lesionou antes da deslocação à Luz e talvez esse seja o facto mais importante a realçar.

O FC Porto não entrou muito bem, demorando alguns minutos a encostar o adversário à sua grande área. Lentamente, a concentração dos jogadores foi aumentando e a diferença de valia das equipas foi-se acentuando. Varela inaugurou o marcador e Defour aumentou a contagem pouco depois, sendo que em ambos os golos o guarda redes do Atlético não ficou muito bem a fotografia.

Ao intervalo a vantagem ajustava-se. A primeira parte não foi de encher o olho, mas o Atlético praticamente não passava do meio campo e o FC Porto teve várias oportunidades de golo.

A segunda parte começou com o terceiro golo do FC Porto, desta vez sem a contribuição do guarda redes adversário, mas com um defesa adversário a fazer o papel de avançado e a empurrar um centro de Varela para o fundo das redes.

O Atlético desanimou ainda mais com o golo sofrido e começou a dar cada vez mais espaços na defesa. Varela facturou pela segunda vez, num golo digno dos Watt's da Eurosport, Otamendi desviou um centro remate de Josué fazendo o 5.º golo e Kelvin fechou a contagem em cima do minuto 90 num bom remate de pé direito.

Nestes jogos é difícil perceber se existiu mérito e competência do FC Porto ou se se verificou apenas demérito e falta de qualidade do adversário. O Atlético foi, juntamente com os Limianos, a equipa mais fraca q passou no dragão nos últimos anos e mostrou a razão de estar a fazer um campeonato muito fraco na 2ª Liga. De qualquer forma, o FC Porto fez o que se exigia. Venceu de forma clara, jogou constantemente ao ataque e aproveitou para rodar o plantel. 

O FC Porto começou o jogo com Fabiano, Ricardo, Reyes, Otamendi, Alex Sandro, Defour, Lucho, Josué, Varela, Kelvin e Jackson. De positivo, em termos tácticos, destaco o facto de termos jogado com dois extremos colados à linha. Não consegui perceber, mais uma vez, se jogámos com duplo pivot defensivo ou se finalmente desistimos dessa ideia. Tal como no jogo com o Olhanense, Lucho jogou numa zona entre o médio mais avançado (ontem Josué) e o médio mais recuado (Defour). Penso que o duplo pivot é um erro crasso, mas a resultar será apenas com Lucho no papel de 2º médio, uma vez que é único com cultura táctica suficiente para perceber quando recuar um pouco e quando se juntar mais ao ataque. Na segunda parte entraram, ainda, Danilo, Ghilas e Herrera por troca com Alex Sandro, Jackson e Lucho.

Análise aos jogadores:

Na baliza, Fabiano manteve a titularidade e a baliza inviolada, tal como em Alvalade, Guimarães e na recepção ao Trofense. Não foi obrigado a defesas apertadas nem sequer a sujar o equipamento. De qualquer forma, é sempre bom continuar sem sofrer qualquer golo pela equipa principal.

Na defesa, gostei muito de Ricardo. Penso que pode ser uma alternativa válida, caso Danilo esteja impedido de jogar ou precise de descansar em algum jogo. Esteve muito seguro a defender (o que também não era muito difícil ontem), tendo até dobrado os centrais uma ou duas vezes. Gostei de Reyes. Parece-me um central que joga de cabeça levantada e que sabe sair a jogar. Otamendi esteve bem e marcou o 5.º golo. Alex Sandro na primeira parte e Danilo na segunda parte ocuparam a lateral esquerda da defesa e estiveram muito longe do que podem e sabem fazer, sendo que o primeiro esteve particularmente desinspirado e desconcentrado.


No meio campo, gostei bastante da exibição de Defour. Não é nenhum portento de técnica, mas o que faz, normalmente faz bem. Simples e prático. A rever apenas a sua atitude, pareceu amuado e nem festejou o primeiro golo. Lucho esteve desinspirado, falhando muitas vezes o último passe. Josué deste vez não jogou na ala e penso que esteve razoavelmente bem. Nem sempre esclarecido, mas com vontade de mostrar serviço e acrescenta capacidade de remate a um meio campo que tem medo de o fazer. Herrera substituiu Lucho e novamente foi capaz do melhor e do pior. Por vezes é capaz de ultrapassar alguns adversários com a bola controlada, causando desiquilibrios na defesa contrária, mas falha passes que não se podem falhar.


No ataque, gostei muito de Varela. Está a subir de forma. A contratação de Quaresma deve tê-lo espicaçado. Jackson Martinez esteve um pouco perdulário e pareceu-me um bocado desmotivado face à fraca oposição. Ghilas entrou mal e falhou alguns golos fáceis. Precisa desesperadamente de marcar o primeiro de dragão ao peito. Kelvin esteve muito bem na maior parte do tempo. Está mais maduro que o ano passado e acrescente magia ao ataque. Contra equipas pequenas, tem de jogar. É muito mais útil que Licá em jogos de sentido único. Se conseguir controlar aquelas paragens cerebrais de artista circense em que tenta passar várias adeversários com malabarismos poderá tornar-se um caso sério.


Estoril, Rio Ave, Benfica, Aves, Penafiel, Académica e Braga (ainda recebe o Arouca, mas acredito que se vão apurar) são os adversários que nos podem calhar em sorte no próximo sorteio.

Se pudesse escolher, preferia receber o Benfica no Dragão nos quartos de final. Em casa teríamos de ser considerados favoritos e é sempre melhor jogar o SLB a uma mão em casa do que a uma mão fora ou a duas mãos caso os encontrássemos nas meias finais. Se não for o Benfica, ao menos que recebamos o Penafiel, Aves ou Paços de Ferreira e que o SLB se desloque à Pedreira ou à Linha.

sexta-feira, 3 de janeiro de 2014

Taça de Portugal - Começar bem o ano

O FC Porto volta amanhã a jogar para a Taça de Portugal e tem como objectivo entrar com o pé direito em 2014. Depois de uma exibição muito abaixo dos mínimos exigíveis (estou a falar do nível que é exigido aos tri-campeões nacionais e não do nível que é exigido às restantes equipas do futebol português porque já vi o Sporting e o Benfica fazerem muito menos do que o Porto fez em Alvalade sem sequer metade das repercussões na imprensa desportiva e sem que isso criasse grande alarido junto dos seus adeptos), é obrigatório que o FC Porto dê sinais de que está preparado para os difíceis desafios que se avizinham. É fundamental marcar posição, corrigir os erros que continuam a ser cometidos e dar uma demonstração da força do dragão antes da sempre peculiar (ia escrever complicada, mas depois lembrei-me dos resultados dos últimos anos) visita ao estádio da Luz. Rezo para que Paulo Fonseca abdique do duplo pivot defensivo e que não volte a encostar quer Lucho, quer Carlos Eduardo ao ponta de lança, mas já não tenho grandes esperanças quanto a isto.

O Atlético, adversário de amanhã, ocupa actualmente o 21.º e penúltimo lugar da 2ª liga e tem-se revelado uma equipa demasiado frágil quer a defender quer a atacar. Em termos ofensivos, regista apenas 12 golos marcados em 23 jogos, precisando de quase 180 minutos para marcar um golo, o que é demonstrador da fraca oposição que espera os portistas  no jogo de amanhã. Salta, ainda, à vista o facto de o Atlético ter perdido 13 dos 23 jogos efectuados, pelo que não se espera também grande resistência e qualidade em termos defensivos. 

No entanto, note-se que o FC Porto já defrontou o 20.º classificado da 2.ª liga também para a Taça de Portugal e a exibição deixou muito a desejar (1-0 contra o Trofense). O adversário de amanhã já causou uma surpresa para a Taça há uns anos atrás, tendo o agora regressado Quaresma desperdiçado um penalti perto do apito final que podia ter levado o jogo para o prolongamento. Espero que a história não se repita e que o FC Porto vença convincentemente amanhã.


Lista de convocados:
Guarda-redes: Fabiano e Sinan Bolat;
Defesas: Danilo, Otamendi, Mangala, Diego Reyes e Alex Sandro;
Médios: Fernando, Lucho, Defour, Herrera e Josué;
Avançados: Jackson, Ghilas, Varela, Licá, Kelvin, Ricardo e Quaresma.

Relativamente ao jogo de Alvalade para a Taça da Liga, registam-se as saídas de Maicon e Carlos Eduardo e as entradas de Reyes, Ricardo e Quaresma. 

Apesar do FC Porto defrontar um adversário teoricamente acessível, acho que Paulo Fonseca deveria fazer alinhar um onze muito próximo daquele que subirá ao relvado da Luz no domingo a oito. Penso que este é o adversário ideal para os jogadores ganharem confiança e para deixar para trás a aura negativa do último jogo. Os jogadores menos utilizados terão oportunidades nos jogos da Taça da Liga que se realizam depois da deslocação à Luz, sendo que se o jogo de amanhã for resolvido na primeira parte, poderão ainda entrar no decorrer do segundo tempo. Tenho pena que CE20 esteja suspenso, gostaria que continuasse a evoluir a titular.

Minha equipa para amanhã:

Fabiano, Danilo, Mangala, Otamendi, Alex Sandro, Fernando, Defour, Lucho, Quaresma/Kelvin, Varela e Jackson. 
Na segunda parte entrariam Ghilas, Josué e Kelvin/Quaresma.

P.S.: Muito bem Paulo Fonseca a confrontar Defour e Quintero relativamente às declarações em que manifestam a sua insatisfação. Eu até entendo que eles estejam insatisfeitos e que este é realmente um ano importante para ambos, mas as queixas não são para ser feitas nos jornais, mas em conversas privadas. Gostei de ouvir Paulo Fonseca neste aspecto, só tenho pena que esta exigência não exista para com ele próprio e que venha sempre com paninhos quentes e com discursos de coitadinhos nas conferências de imprensa antes e depois dos jogos. Custava alguma coisa ter dito no final do jogo de Alvalade que "não jogámos nada! Os jogadores e eu deixámos muito a desejar e exibições destas não se podem admitir no FC Porto"? Era isso que eu gostava de ter ouvido...