Azul e Branco

Azul e Branco

quarta-feira, 5 de fevereiro de 2014

Taça de Portugal: antevisão FC Porto - Estoril

Coube-me a difícil missão de lançar os dados para este jogo do FCP referente aos quartos-de-final da taça de Portugal. A expressão “lançar os dados” não foi escolhida ao acaso, pois infelizmente nos tempos que correm, os jogos do Porto têm esta incomum característica de o resultado no final do jogo poder pender para qualquer uma das equipas.

Vimos de uma sequência de maus jogos, dois deles seguidos com o Marítimo - um foi ganho sem sabermos bem como, o outro foi perdido porque não jogamos absolutamente nada. O Porto ultimamente tem sido, basicamente, composto por um aglomerado de jogadores que não jogam como uma equipa, sem garra nem fio de jogo.

Se em tempos (muito recentes, isto não é uma aula de história!) as grandes características do Porto sempre foram a raça e a entreajuda, hoje em dia nunca sabemos bem com o que contar, porque a própria equipa parece estar com os níveis de confiança nos mínimos. É, portanto, com esta mão que nos apresentamos a jogo para os quartos da taça, contra um Estoril em forma que segue confortavelmente em 5º, sendo uma das equipas com um futebol mais agradável e consistente do campeonato. 
A juntar ao momento de forma do Estoril, há que contar com a centelha de esperança suplementar com que defrontam o Dragão, pois sabem que a nossa equipa está fragilizada e num dos piores registos de que há história. 

Assim, e apesar de estarmos num momento pouco habitual para nós, Portistas, o optimismo aumenta com o aproximar da hora do jogo e não há melhor forma de quebrar o enguiço do que com uma vitória robusta. Assim sendo, diria que o factor casa é a nossa grande vantagem se o público do Dragão se mostrar forte no apoio à equipa como tem feito apesar de os resultados serem paupérrimos. 

Não podendo apostar numa equipa na máxima força, sem Fernando no meio campo (que novela...), diria que aparte a saída do Polvo, poderemos contar com a presença de Fabiano na baliza e com a interessante entrada de Reyes para o eixo da defesa, ao lado da torre eiffel Mangala, isto se o Maicon não recuperar. O restante da equipa deverá ser mantida e, mal ou bem, parece ser a melhor opção por várias razões: ainda não temos uma estratégia ou fio de jogo suficientemente oleada que permita inserir várias peças diferentes, não podemos arriscar ficar de fora de uma competição importante - mas não muito, segundo o treinador Fonseca que diz estar focado no campeonato apesar de não parecer - e temos de acreditar que uma vitória possa empurrar a equipa para uma sequência de jogos à imagem do Porto no que resta do campeonato. 

Neste momento, todos os jogadores estão com um índice de confiança baixo, logo não espero jogadas de grande efeito ou pormenores individuais de relevo. O que seria de esperar e que eu espero em todos os jogos do Porto é uma entrega total em prol da camisola do Porto. Gostava que a equipa agisse mais em bloco, mais ligada e com espírito de entreajuda do que nos últimos tempos. Pressão alta, em vez de nenhuma que temos feito; mais dureza nos lances 1 para 1 e consecutivamente nas segundas bolas; rasgos de mestria pelos extremos e um Jackson menos perdulário. 


Do lado do treinador, gostava de ver exactamente o mesmo: mais energia no banco, mais ênfase no que tem de transmitir aos jogadores e menos conversa regada de ansiolíticos antes e depois dos jogos. Os jogos do Porto são todos para ganhar, seja a taça fajuta, a taça de Portugal, o campeonato ou jogos de preparação. Isto é que é ser Porto, é entrar de forma igual em qualquer jogo. 


Em jeito de premonição, aponto pelo menos para um golo do Quaresma (cedo) e outro do Jackson. Gostava de ver o Ghilas jogar mais minutos para que ele marque o golo de que tanto precisa para mostrar o futebol que tem escondido. Nota ainda para o Quintero, que no último jogo correu mais do que vinha mostrando nos jogos anteriores, talvez porque o resto da equipa tenha corrido menos, mas isso não interessa. O miúdo é craque de bola, só precisa de um treinador que lhe ensine o que é o futebol europeu. Mikel nos convocados.


Do outro lado está uma equipa bem montada, à espreita de aproveitar o momento frágil do Dragão. Deixo uma pergunta no ar: será que não podemos experimentar trocar de treinador com o Estoril?.. Eu, pessoalmente, estou de acordo com o Tiago e acho que nesta altura mudar seria positivo, porque não vejo nada de positivo na manutenção do Sr. Fonseca, apesar de considerar que o problema não é exclusivamente do treinador. Espero que ele me coloque em xeque amanhã e que o Porto faça uma boa exibição para podermos fazer o que melhor fazemos nas meias finais, se encontrarmos por lá o ---ica, se estes vencerem o Penafiel. Ganhar o jogo de amanhã para lançar o resto do campeonato e a liga europa que aí vem. Vamos Porto.

Crónica escrita por Miguel Coomans, um grande portista radicado em território inimigo, ao qual a gerência deste estaminé desde já muito agradece. As fotografias foram escolhidas por mim.

segunda-feira, 3 de fevereiro de 2014

Marítimo 1-0 FC Porto: Um barco à deriva

Escrevo apenas agora sobre mais um desastre (anunciado) desportivo do FC Porto, porque honestamente a motivação para comentar os jogos dos dragões é tão grande como a qualidade de jogo apresentada pelos (des)comandados de Paulo Fonseca: nenhuma, portanto. Foi triste assistir a mais um espectáculo deprimente este fim de semana e constatar, mais uma vez, que com este treinador afinal é sempre possível fazer pior do que no jogo anterior e perceber que infelizmente ainda não batemos no fundo. Quer dizer, se calhar até já batemos no fundo e Paulo Fonseca aí chegado, optou por pegar numa pá e começar a cavar.


O Marítimo, com Heldon já transferido para o Sporting, com Sami e Ruben Ferreira no banco, com Salin e Fransérgio com pouco mais de uma semana de treinos e com alguns jogadores que iniciaram a época na equipa B, venceu, justamente, por 1-0. Podem dizer o que bem entenderem, podem dizer que há jogadores do FC Porto que não têm qualidade para representar o tri campeão nacional, que o Defour é mau e que o Josué só joga por ter feito parte dos super dragões, que o Varela não vale nada...mas ninguém me vai convencer que os nossos jogadores (jogadores, não equipa, porque isso não temos) não têm qualidade mais que suficiente para vencer os Marítimos, Académicas, Nacionais e Belenenses desta vida, porque isso é absolutamente falso. Ninguém espera um futebol de sonho ao nível do Bayern, City ou Barcelona, mas de certeza que também não se pode contentar com o que tem visto.


Dos onze jogadores que alinharam de início contra os insulares, tínhamos:
- Helton (internacional A pelo Brasil, venceu 1 copa américa, 1 liga europa, 7 campeonatos portugueses, 4 taças de portugal e 6 supertaças)
- Danilo (Internacional A pelo Brasil, 1 campeonato do mundo sub 20, vice campeão olímpico, 1 libertadores, 2 campeonatos portugueses)
- Mangala (Internacional A pela França,  2 campeonatos portugueses, 3 supertaças, 1 campeonato belga, 1 taça belga)
- Maicon (1 liga europa, 3 campeonatos portugueses, 2 taças de portugal e 5 supertaças)
- Alex Sandro (Internacional A pelo Brasil, 1 campeonato do mundo sub 20, vice campeão olímpico, 1 libertadores, 2 campeonatos portugueses,  2 supertaças portuguesas)
- Defour (Internacional A pela Bélgica, 2 campeonatos portugueses, 3 supertaças, 2 campeonatos belgas, 2 taças belgas)
- Josué (Internacional A por Portugal)
- Carlos Eduardo
- Varela (Internacional A por Portugal, 1 liga europa, 3 campeonatos portugueses, 2 taças de portugal e 5 supertaças)
- Jackson ( Internacional A pela Colombia, 2 campeonatos, 3 supertaças, 1 liga da colombia)
- Quaresma (Internacional A por Portugal, 1 Intercontinental, 1 liga dos campeões, 4 campeonatos portugueses, 2 taças de portugal, 3 supertaças, 2 ligas italianas, 1 taça de inglaterra).

Mas alguém tem dúvidas que com este onze qualquer treinador minimamente competente não teria dificuldades em preparar uma equipa capaz de jogar futebol? O plantel não é o melhor de sempre, mas chega e sobra para sermos muito melhores do que 90% das equipas da nossa liga. Falta é um treinador que coloque estes jogadores a jogar de uma forma que potencie as suas qualidades e esconda os seus defeitos. 7 meses depois do início da época, não há nada que se aproveite, a não ser o facto de apenas estarmos a quatro pontos da liderança, já que Benfica e Sporting também não são muito melhores. 


É necessário mudar já de treinador. Agora! Pior não pode ficar, portanto arriscamo-nos somente a que a situação melhore. Na pior das hipóteses, ficamos iguais, isto é, ficamos uma vergonha. Quarta jogamos com o Estoril e se nada for feito até lá, arriscamo-nos a ouvir no final do jogo alguma coisa como: "O Estoril é uma grande equipa. Nós jogámos à Porto, mas a relva não estava em condições. Entrámos com muitas cautelas, mas eles foram mais eficazes. É pena sairmos da taça, mas eles são os principais candidatos à vitória final. O Ghilas apenas entrou aos 85m porque estava a gostar daquilo que estava a ver e achei que era melhor não forçar muito o ataque".

P.S.: Após a entrevista de Pinto da Costa, afirmei que ia tentar não bater muito no treinador. Infelizmente, só aguentei três semanas. É impossível ficar calado depois das duas exibições que fizemos contra um Marítimo remendado que não ganhava um jogo há dois meses. Principalmente com as declarações no final dos jogos. Obrigado Mister, mas boa viagem. Só não vê, quem não quer. E vamos agradecer aos Benfica e Sporting ainda estarmos ligados às máquinas no campeonato...

P.S. 2: Este FC Porto está ao nível do FC Porto de Octávio Machado. À 17.ª jornada, o agricultor estava, também, em 3º a 4 pontos do primeiro. Esse incompetente tinha, ainda, sido apurado no grupo da Champions League, contra Juventus, Celtic e Rosenborg, um grupo que nada ficava a dever ao grupo deste ano. Sintomático, não?





sábado, 1 de fevereiro de 2014

Ao intervalo

Depois de 30m vergonhosos e à imagem daquele que todos nós sabemos, o Porto melhorou um pouco. Mesmo assim, fizemos mais 45m patéticos e a quilómetros dos mínimos exigíveis.

Prevejo a entrada do Ghilas para o lugar do Defour ou Josué. Vamos ter jogo directo, 2 avançados, zero táctica, zero bola no chão a meio campo. Se tivermos atitude, apertamos com eles.

Se não tivermos atitude e sofrermos o segundo golo, vamos perder e não vamos acabar com 11.


Bitaites em mais um sábado com um só caminho

1.º Bitaite - Mercado de transferências

Fechou ontem em Portugal e nas principais ligas europeias mais uma janela de transferências. Como quase sempre, as entidades que regulam o futebol não zelam pela igualdade de oportunidades e de direitos entre os clubes que estão sob a sua "jurisdição", permitindo que ligas como a russa e a turca possam inscrever jogadores para lá do dia 31 de Janeiro, dando-lhes vantagens absolutamente injustas, uma vez que quem se vir obrigado a vender jogadores depois dessa data, não poderá contratar alternativas. Estas vantagens não são só injustas, são também totalmente desnecessárias, uma vez que os clubes russos e turcos já têm a vantagem de ter muito mais dinheiro do que a grande maioria dos clubes...

Não se assistiu a muitas transferências sonantes na europa do futebol, tendo-se esta janela pautado maioritariamente por princípios de contenção de custos (a excepção terá sido a venda de Juan Mata para o Manchester United) que não deixam grandes dúvidas a ninguém e que me levam a concluir uma coisa em relação à capa do jornal Record de hoje: mas alguém acredita que Rodrigo e André Gomes tenham sido vendidos a um fundo por um total de 45 milhões de euros? Ou não estaremos perante mais uma grande "Robertada" aplicada por Luís Filipe Vieira? Sejamos honestos, André Gomes e Rodrigo são dois bons jogadores, com alguma margem de progressão, mas não valem as quantias que vieram a público. Se no caso de Rodrigo até podemos dizer que estamos perante um jogador com alguma rodagem, apesar de muitas vezes suplente de Cardozo e Lima, já no caso de André Gomes a verdade é outra. André Gomes é usado quase exclusivamente na equipa B e tem muitos poucos minutos na equipa principal. Basta pensarmos que o melhor jogador do Benfica, aquele que para a grande maioria dos adeptos encarnados era "o melhor jogador da liga" e "o melhor trinco da europa" foi vendido por 25 milhões de euros para percebermos que é absolutamente surreal acreditar-se que Rodrigo possa valer 30 milhões e  André Gomes 15 milhões. Mais, pense-se ainda em Isco (30M), Fellaini (32M), Negredo (25M), Christian Eriksen (13,5M), Thiago Alcantara (20M), entre muitos outros, e tire-se as devidas conclusões.


Quanto ao impacto do mercado de transferências no plantel do FC Porto, penso que brevemente iremos perceber a amplitude do mesmo. Se até agora apenas podemos ter a certeza que chegou Quaresma e que Lucho rumou às Arábias, nos próximos dias saberemos se Fernando ficou de corpo e alma e se continuará a estar à disposição do treinador (quero acreditar que não vamos ter uma reedição de casos como os de Drulovic ou de Féher) e se Otamendi não será vendido a um clube russo, até porque o argentino esteve, ao que tudo indica, com pé e meio no Valência. Ao contrário de Fernando e Otamendi, parece que Mangala não colocou a hipótese de sair do FC Porto em Janeiro, a não ser que o negócio fosse demasiado bom para o clube poder rejeitar a venda. Se tal corresponder à verdade, Mangala sobe ainda mais na minha consideração. O francês é um jogador extremamente discreto fora do campo e aplicado dentro dele, do estilo antes quebrar que torcer. A juntar a estas características, soube também não levantar ondas quando chegou ao clube e raramente saía do banco de suplentes, já para não falar do seu discurso humilde e que demonstra respeito pelo FC Porto quando confrontado com as possibilidades de transferências milionárias. Relembro que a confirmar-se a nega ao Manchester City, estamos a falar a de um clube líder da Premier League, que lhe daria uma visibilidade que o FC Porto não lhe pode dar (estamos em ano de mundial) e um salário incomportável aos cofres dos azuis e brancos. Gostei muito, portanto




O mercado de inverno pôs um ponto final na novela Izmaylov, uma vez que o russo foi emprestado a um clube azeri. Nunca percebi esta novela e faz-me muita confusão como é que um jogador fica 4 meses e tal sem treinar e de repente aparece emprestado a um outro clube. Então não tem condições para jogar e treinar pelo FC Porto mas já tem para o fazer por outro clube? Não entendo. Relembro apenas que este é o mesmo jogador que na época passada se auto excluíu de dois dos mais importantes jogos (recepções ao Braga e Benfica para o campeonato), fazendo-se expulsar aos 90m contra o Rio Ave e levando um quinto cartão amarelo completamente desnecessário aos 90m contra o Nacional...

2.º Bitaite - Adiamento das meias finais da Taça da Liga

A Liga de Clubes recebeu uma denúncia anónima, abriu um inquérito ao FC Porto pela utilização irregular de jogadores frente ao Maritimo no último jogo da fase de grupos da Taça da Liga e adiou as meias finais contra o Benfica. Segundo o que conseguimos apurar, a irregularidade prende-se com o facto de os dragões terem alinhado com 9 jogadores com mais 1 metro e oitenta de altura, quando o máximo permitido são 8. A Liga de clubes foi, ainda, alertada para o facto de os azuis e brancos terem feito alinhar 4 jogadores esquerdinos ao longo dos 90m, o que alegadamente excede também o máximo autorizado por lei. O denunciante pretende o afastamento dos dragões e ocupar o lugar dos azuis e brancos nas meias finais. O FC Porto esclareceu que trata-se de um mal entendido, uma vez que Varela apenas mede 1,79m, pelo que só foram utilizados 8 jogadores de início com mais 1,80m. Quanto ao limite de esquerdinos, fonte dos azuis e brancos revelou não estar preocupada com essa situação, uma vez que o limite de 3 esquerdinos nos jogadores utilizados apenas se aplica caso os 4 jogadores tenham entrado de início, recordando que Josué e Quintero apenas entraram na segunda parte. Por fim, O Pé Que Está Mais À Mão sabe que o clube denunciante ponderou juntar ao rol de queixas feitas às Liga de Clubes o facto do penalty ter sido cobrado em força e com colocação, o que no seu entender prejudicou as hipóteses do guarda redes defender o remate. No entanto, acabaram por não incluir este facto na denúncia efectuada porque têm esperanças que a pressão constantemente feita sobre as equipas de arbitragem lhes "renda" vários penaltis daqui para a frente e não querem correr o risco de um penalti cobrado nas mesmas circunstâncias venha também a ser alvo de denúncias de terceiros. O Clube denunciante ameaçou que, caso não lhe fosse dada razão, na próxima edição o seu presidente jogaria de início juntamente com os elementos da secção de futebol feminino por troca com os jogadores da equipa A. 

Confesso que esta abordagem é a abordagem mais séria que consigo fazer perante tão estapafurdia queixa, pelo que me vou abster de comentar um assunto que não tem pés nem cabeça e que todas as pessoas com um mínimo de decência e bom perder sabem que nem deveria ter sido posta em causa.


3.º Bitaite - Marítimo vs FC Porto

O FC Porto joga daqui a pouco nos Barreiros um dos jogos mais importantes desta época. Não me interessa se vamos jogar bem, mal, ou médio. Tão pouco me interessa se vamos ou não jogar em 4-3-3 ou em 4-2-3-1. Interessa-me, isso sim, trazer os 3 pontos. É fundamental ganhar hoje e colocar pressão sobre Benfica e Sporting para os jogos deste fim de semana e para o jogo entre eles do próximo domingo. Só há um caminho este sábado, o da vitória!

Minha equipa para hoje: Helton, Danilo, Mangala, Maicon, Alex Sandro, Defour, Carlos Eduardo, Josuéu, Varela, Quaresma e Jackson

Banco: Fabiano, Reyes, Quintero, Ghilas, Licá, Herrera, Kelvin




terça-feira, 28 de janeiro de 2014

Desmistificar é a palavra de ordem. Obrigado Capitão, até sempre (breve?)


A taça da liga, sobejamente desvalorizada por alguns e muito apreciada por outros, está na ordem do dia. Para a pequenez do nosso campeonato, dá-se demasiada atenção a uma competição que, a meu ver, nem devia existir (por exemplo, e só para citar 2 dos 3 melhores campeonatos da Europa, a Espanha e a Alemanha não têm esta taça). Como se constata facilmente, só dá/cria polémica (como por exemplo o caso Fabiano e Abdoulaye na edição do ano passado e o suposto penalty de Pedro Silva na final de 2009 entre o 5LB e o SCP) e não vejo vantagens significativas. Dir-me-ão que é uma oportunidade para os jovens (portugueses), atente-se no onze apresentado pelo 5LB no último jogo. Acrescente-se, detalhe crucial, que só assim aconteceu porque os vermelhos já estavam apurados. Curiosamente o Manel não jogou…


Aponto com relativa facilidade, além da já mencionada, as desvantagens desta competição:

Receitas: com uma ou outra excepção não se fazem…Quantos estádios encheram (talvez nalgumas finais) ou quantos tiveram meia casa?
Clubes ditos pequenos: Nem no sorteio da fase de grupos são beneficiados.
Modelo da competição: Olhe-se para Inglaterra e França. Fase de grupos na taça da Liga? Teríamos evitado esta confusão…ver infra.
Bónus: O que ganha o vencedor da taça da liga? Apenas dinheiro. Se tivermos em conta que o grosso do prémio vai para o finalista e o vencedor (e que estes invariavelmente são os ditos grandes), então porquê apostar nesta competição quando há um campeonato, taça de Portugal (vencedor ou finalista têm acesso à Liga Europa) e para alguns as provas europeias.
Lesões: Com pelo menos duas (alguns clubes três) competições mais importantes para disputar, a utilização dos principais jogadores faz pensar duas vezes.
Liga: O próprio órgão demonstra a importância, perdão, o desprezo pela competição (ver infra).

Se quero ganhar a competição? Claro que sim, se até nos amigáveis fico doente por perder. Agora, como em tudo nesta vida, há prioridades e a nossa não é esta. Também não gosto de hipocrisia. Mas atenção que o facto de o FCP no último jogo ter utilizado 11 base (se é que há uma base este ano) está relacionada com o facto de o jogo ter sido disputado no fim-de-semana, evitando assim (mais) uma paragem de competição para os seus jogadores. Quando o jogo é a meio da semana, veja-se o encontro frente ao Penafiel no qual apresentamos um onze com várias alterações.

No que toca à tempestade que caiu Sábado por volta das 22.30h, já muito se disse e pouco ficou por dizer. O FCP jamais poderá ser responsável por algo alheio às suas obrigações. Se dizem os regulamentos e bem, que os jogos desta fase em que se encontram envolvidas equipas que ainda lutam por objectivos idênticos têm que iniciar à mesma hora… só têm é que começar. Será assim tão difícil? Porque não ter delegados em cada um dos campos em contacto e só com o aval destes se dar início aos respectivos jogos e segundas partes. Ou se o sporting estava com tanto receio de uma cabala destas para os afastar da tão prestigiada taça da liga, porque não tomaram as devidas precauções? Vem-me à memória o recente título inglês do Manchester City (esse sim, bem importante) e que ninguém ousou colocar em causa.


Por sua vez, o senhor wanna be Pinto da Costa está numa campanha por um futebol diferente, um futebol limpo. Nesse sentido não tem feito outra coisa senão queixar-se. Imagens como esta aqui ao lado acontecem porque BdC se senta no banco de suplentes. Até aqui nada contra mas quando era o NGP a sentar-se junto da sua equipa técnica logo a comunicação social tratava de a catalogar como uma estratégia para condicionar os árbitros. O coitadinho mor começou por dizer que não falava de árbitros, falou. Em campo mostrariam que são melhores, a verdade é que estão fora das taças e que a sua grande preocupação é imputar responsabilidades a outrem. Torna-se cansativo viver neste clima de constante suspeita em que o mérito é algo tão utópico que nem vale a pena falar nele. Sim, este ano temos um Sporting à Atlético de Madrid e ainda bem, dá mais valor às nossas conquistas. Veremos se esta performance é a excepção ou a regra.

Adeus Lucho. Quando na manhã de Sábado se falou da saída do capitão, uma sensação de déjà vu e ligeiro mal-estar apoderou-se de mim. De certo modo e com as devidas diferenças, veio-me à memória o mês de Junho de 2011 quando AVB nos abandonou. Mais uma vez as palavras atraiçoaram aqueles que acreditam, como eu (e gosto de acreditar no poder delas), que na vida os interesses não se sobrepõem aos valores.

Relembrando a segunda chegada de El Comandante ao Dragão, não posso deixar de evocar algumas semelhanças com o período que agora atravessamos. Em Janeiro de 2012, o FCP não ocupava o primeiro lugar, estava fora da champions e já tinha dito adeus à Taça de Portugal (este ano e por enquanto ainda não). O NGP vendo que o balneário se encontrava disperso (para ser simpático) e que VP precisava de uma mãozinha vai buscar um jogador com passado, de inegável qualidade mas que sobretudo une e cria uma dinâmica de grupo que até então não havia. Assume a titularidade, arruma o meio campo e leva a equipa à conquista do campeonato.

Tudo isto para dizer que me custa conformar com esta saída abrupta do nosso Capitão. Do que sei parece que foi a pedido e na busca de uma reforma dourada. É certo que poupamos na folha salarial mas isso parece tão pouco quando comparado com o que perdemos no passado fim-de-semana. Numa breve análise à época de Lucho, esta fica marcada pela peregrina ideia de Paulo Fonseca o colocar como 10, pedindo a um homem de 33 anos que tenha pernas de 25. El Comandante não precisava da titularidade, sobretudo nos momentos em que, à vista de (quase) todos, o cansaço era notório. Lucho não rendeu (no campo) esta época mas a culpa não é sua. As suas qualidades, bem para além das técnicas e tácticas, não foram devidamente aproveitadas pelo nosso treinador. Partiu alguém que era uma extensão, um elo de ligação, que não precisava de jogar para se fazer notar e isso, oxalá que não, terá repercussões a breve prazo.   


Foram 6 anos de Dragão ao peito, 6 campeonatos, 2 taças, 3 supertaças e uma unanimidade entre a nação portista que poucos jogadores conseguiram.



“Seguiremos adelante
Como junto a tí seguimos
E como saludo te décimos
Hasta siempre Comandante” 






Este texto é da autoria de Luís Santiago Sottomayor, meu amigo e grande portista, ao qual agradeço a disponibilidade de escrever pela segunda vez aqui na tasca.  A 2.ª fotografia foi escolhida e adicionada por mim.


Caro Santi,

Quanto ao primeiro assunto, concordo contigo quanto à importância e/ou relevância de uma competição como a Taça da Liga. Também me parece que é uma competição que não faz muito sentido, principalmente no actual formato. Caso fosse uma competição a eliminar, com um sorteio puro e livre entre todas as equipas da 1.ª e 2ª Ligas, em que nas fases iniciais da competição os jogos se realizassem no recinto da equipa mais fraca e em que a partir das meias finais ou quartos de final estivéssemos perante eliminatórias a duas mãos, talvez mudasse de ideias. De qualquer forma, com o aumento do número de equipa na 1ª Liga na próxima época (mais 2 equipas significam mais 4 jogos por equipa), parece-me que a competição irá ser votada ao abandono ou então mudará de formato. Dito isto, penso que depois do que passámos esta época na competição, não nos restam alternativas a não ser fazer tudo para ganhar a competição e que uma eventual eliminação às mãos (pés?) do SLB nas meias finais, terá de ser vista como um fracasso ou desilusão. 
No que ao triste e sem vergonha choro das ridículas virgens ofendidas diz respeito, penso que o Miguel Sousa Tavares na sua crónica semanal n'A Bola e o Estilhaço no seu post no Bibó Porto Carago já disseram quase tudo. 


Esta surreal tentativa de eliminar o FC Porto através de manobras de secretaria é uma manobra já muito famosa na segunda circular, a qual terá exactamente o mesmo desfecho das anteriores. Os 2m40s (!!!) de atraso não influenciaram em nada os resultados de ambos os jogos e nem os próprios calimeros acreditam nisso, não passando esta manobra de uma tentativa de pressionar os árbitros para o que resta do campeonato, na esperança de vir a obter benefícios futuros. Concluindo, e muito honestamente, gosto muito de ver os sportinguistas aderirem à forma de ser dos benfiquistas e de ver Bruno de Carvalho copiar o seu mentor Vale e Azevedo, já que todos sabemos qual é o resultado dessas opções a curto/médio prazo...



Quanto a Lucho Gonzalez, confesso que é um negócio ou uma opção do FC Porto que não me faz qualquer sentido e penso que não saberemos tão cedo a história completa desta repentina saída. Compreendo o lado do jogador, a proposta é realmente muito tentadora para um jogador em final de carreira, apesar de a El Comandante concerteza não faltar tranquilidade em termos financeiros, depois de várias épocas em França com um ordenado milionário.
Já o lado do clube, e apesar de aceitar que o FC Porto anuiu em fazer a vontade ao jogador, acho estranho que a um jogador que até à sua saída era um titular indiscutível para o treinador e que tinha aparentemente um papel fundamental no balneário, tenha sido permitida a saída em poucas horas, sem sequer se procurar um substituto e quando até estava convocado para um jogo decisivo.

Se consideram que não irá fazer muita falta na 2ª volta do campeonato, por que razão jogou os jogos quase todos até sair? Estranho, no mínimo.



domingo, 26 de janeiro de 2014

FC Porto 3 - 2 Marítimo: Que grande chouriço

O FC Porto recebeu o Marítimo a contar para a 3ª e última jornada da Taça da Liga e alcançou 1 vitória por 3 bolas a 2, o que lhe permitiu apurar-se para as meias finais da competição. Foi um jogo de loucos, com 2 reviravoltas no marcador e com indecisão até ao último segundo no que diz respeito ao 1º classificado do grupo, uma vez que o Sporting jogava à mesma hora em Penafiel, sendo expectável que ambas as equipas terminassem a fase de grupos com os mesmos 7 pontos, decidindo-se o apuramento pelos restantes factores de desempate.


Paulo Fonseca escolheu um 11  sem grandes surpresas e não deu lugar a qualquer rotação do plantel, tirando a já habitual presença de Fabiano nas taças. Dos restantes 10 jogadores, parece-me claro que 8 deles são, neste momento, titulares indiscutíveis, sendo que apenas tenho dúvidas se Maicon e Defour (que desilusão!) são os homens certos para jogaram de início. Os dragões tiveram uma entrada em jogo muito áquem do que seria de esperar, permitindo que o Marítimo subisse as suas linhas no terreno de jogo e causasse muitas dificuldades aos dragões na primeira fase de construção. Os primeiros 20m de jogo foram francamente maus, tendo o FC Porto chegado ao golo inaugural sem que nada tivesse feito para o justificar (boa jogada de combinação entre CE20, Jackson e Defour, com este último a rematar cruzado para a defesa do guarda redes insular e com o colombiano a aproveitar a recarga para empurrar a bola para o fundo das redes). Conseguido aquilo que aparentemente seria o mais difícil, foi surreal perceber que logo no minuto seguinte e numa jogada repleta de asneiras individuais (Defour, Alex Sandro e Maicon) o Marítimo chegaria ao empate, sem que também até ao momento tivesse criado reais oportunidades de golo.

Seguiram-se 10m interessantes de reacção dos azuis e brancos, com algumas jogadas de relativo perigo junto à baliza dos visitantes. O golo acabaria por surgir na baliza portista, numa rapidíssima transição ofensiva maritimista, aproveitando o balanceamento ofensivo do FC Porto. Incrível a forma como o FC Porto é constantemente apanhado em contrapé nas transições ataque defesa, mesmo com a surreal insistência na utilização do duplo pivot defensivo.Até ao intervalo, realce apenas para a substituição de Josué por Fernando, ao que tudo indica por lesão do luso brasileiro.


Esperava-se uma entrada determinada dos dragões na segunda parte, até porque o Sporting nessa altura já tinha recuperado da desvantagem no marcador e empatava em Penafiel, conjugação de resultados essa que atirava o FCP para longe das meias finais. Puro engano. O início da segunda parte trouxe muito coração, muita vontade, muito suor mas trouxe também a mesma (ou talvez ainda mais) desorganização táctica e falta de inspiração da primeira parte. Paulo Fonseca desesperava no banco com aquilo que o FC Porto não fazia em campo e também porque deve ter tomado conhecimento de que o SCP tinha dado a volta no marcador no seu jogo, pelo que o FC Porto estava obrigado a marcar dois golos para se apurar. Ghilas substituiu Defour e juntou-se no centro do ataque a Jackson e mais tarde entrou Quintero para o lugar de Maicon. Estava, assim, literalmente a carne toda no assador: CE20, Josué, Quintero, RQ7, Varela, Jackson e Ghilas. E ainda há quem me queria convencer que a taça da liga não é para ganhar.,, Mérito para a coragem de Paulo Fonseca neste sentido, o que atenua um pouco todos os restantes os erros e aspectos negativos do jogo em termos de organização, qualidade técnica e estratégia.

O Sporting acabaria por fazer o 3-1 em Penafiel e muitos pensaram (eu e Paulo Fonseca incluídos, bastando para isso ver a reacção do treinador depois do 3-2) que seriam necessários 3 golos para o FC Porto conseguir o apuramento. CE20 acabaria por empatar de cabeça ao segundo poste após canto de Josué e os adeptos e a equipa pareciam acreditar que o milagre era possível. Faltava pouco tempo para o final do jogo e agora todos faziam contas de cabeça e analisavam os regulamentos para tentar perceber os critérios de desempate: um golo chegava, vamos equipa! Já não havia táctica, já não existiam posições, só existia coração e a lembrança do minuto 92 de Kelvin. Ghilas falha de cabeça o terceiro golo por pouco, RQ7 desperdiça um livre em zona frontal, o tempo de descontos (estupidamente escasso para o anti jogo permanente dos jogadores do Marítimo) voa para o final...Acredita Porto!!! Bola bombeada para a entrada da área do Marítimo, o defesa atrapalha-se e falha o corte, Ghilas aproveita, segue isolado para a baliza e cai na área embrulhado com o adversário. O Dragão sustém a respiração...será penalti? será cartão amarelo estapafurdio para Ghilas por simulação (ao estilo de Soares Dias a Danilo na Luz)? É penalti!! As imagens não deixam margens para dúvidas, e por muito que custe aos adversários, os penaltis devem ser assinalados ao 1m, aos 37m, aos 81m ou aos 93m de jogo. 


Faltava Josué converter. E que tarefa hérculea tem sido para os portistas a de converter grandes penalidades! No entanto, Josué não treme e fuzila as redes adversárias, convertendo uma grande penalidade da forma que elas devem ser sempre convertidas. Em força, para um dos cantos, de preferência a dois ou três palmos da relva: indefensável!!

Análise rápida aos jogadores:

Fabiano: globalmente bem, dificilmente poderia ter feito melhor nos golos, manteve viva possibilidade de apuramento ao negar o terceiro golo do Marítimo;
Danilo: excessivamente nervoso e quezilento, acabou batido no 2º golo, fraca exibição apesar de uma outra boa jogada de envolvimento com RQ7 no ataque;
Maicon: jogo bastante fraco do brasileiro, batido facilmente no primeiro golo e não conseguindo limpar a zona defensiva com eficácia;
Mangala: não começou muito bem, mas acabou por ser fundamental quando a equipa defendeu só com 3 unidades;
Alex Sandro: defensivamente bastante desconcentrado. O Marítimo atacou maioritariamente pelo seu lado (vejam-se os 2 golos). Bastante melhor a atacar, efectuou alguns bons cruzamentos para a área;
Fernando: menos exuberante que o normal, talvez por estar com limitações fisicas;
Defour: é este jogador que está constantemente a mandar recados pelo empresário para a imprensa? Se sim, pode muito bem fazer as malas. Quero o Defour do ano passado de volta, sff;
CE20: Marcou um golo pleno de sentido de oportunidade, tentou levar o jogo para a frente (foi ele que recuperou a bola no primeiro golo). Pecou por ter jogado na primeira parte muito perto de Jackson e por não ter arriscado a sua forte meia distância;
Varela: Jogo menos bom do Drogba da Caparica, muito mais apagado do que nos últimos jogos;
RQ7: Aplica-se o mesmo que disse de Varela. Tentou assumir o jogo, mas as coisas não lhe saíram bem;
Jackson: Exibição esforçada, coroada com um golo (mais um) e com uma assistência deliciosa para Defour. Ao contrário do "melhor jogador colombiano do campeonato", do avançado mortífero que vai em sete jogos seguidos sem marcar, este parece que engatou e que não vai parar de facturar;
Josué: Gostei da sua entrada em campo. Nem sempre é o mais esclarecido e tem de controlar o seu ímpeto, mas penso que com o tempo vai melhorar e subir de rendimento. Muito bom o penalti aos 95m;
Ghilas: Sofreu o penalti, o que por si só foi positivo. Falta algum poder de explosão e alguma espontâneidade no momento do remate;
Quintero: As características do jogo não se enquadravam na sua forma de jogar, uma vez que o FC Porto optou por jogar muitas vezes directo para os avançados, fazendo com que a bola passasse menos na sua zona de acção. Não teve oportunidades de se destacar, portanto.

Em conclusão, objectivo alcançado, primeiro lugar no grupo e SCP pelo caminho. A exibição foi fraquinha, salvou-se a coragem e ambição de Paulo Fonseca e dos jogadores, porque em termos de jogo jogado, os dragões ficaram muito aquém daquilo que podem e sabem fazer. Nos Barreiros tenho a certeza que seremos fortemente castigados se não subirmos de rendimento. Que este chouriço monumental embale a equipa para melhores exibicoes, o que certamente nao sera nada dificil!!

P.S.: Sobre a saída de Lucho, da qual discordo veementemente, falarei amanhã.

P.S. 2: Sobre a alegada farsa no apuramento do FC Porto, deixo aqui dois links:

 - o segundo para os que têm coragem de dizer que o penalti do Ghilas foi mal assinalado, para se lembrarem que houve outro clarinho que nem assinalado foi (vale o que vale, mas o tribunal d'O Jogo é unânime em ambos):




quinta-feira, 23 de janeiro de 2014

O mês das grandes decisões

Começa este sábado frente ao Marítimo aquele que para mim é o ciclo de jogos que vai definir a época do FC Porto. Até ao final de Fevereiro, os dragões vão estar envolvidos nas quatros competições que ainda disputam, jogando cartadas absolutamente decisivas em todas elas. Se em relação às taças não há meio termo e a participação do clube nas mesmas termina ao primeiro passo em falso, no que diz respeito ao campeonato, eventuais deslizes poderão ainda ser recuperados, embora eu não acredite que tenhamos capacidade de o fazer, caso os próximos jogos nos tragam amargos de boca.

Comecemos então pela Taça da Liga, competição habitualmente menosprezada, apesar de mesmo assim o FC Porto ter alcançado a final na última edição. O jogo deste fim de semana é jogado num contexto especial, já que será o primeiro teste de grau de dificuldade relevante depois da entrevista de Pinto da Costa ao Porto Canal e que foi encarada por muitos portistas como um possível ponto de viragem na época dos dragões. Não existe qualquer margem de erro, e apesar do Marítimo estar virtualmente afastado do apuramento para as meias finais, não se esperam grandes facilidades por parte dos insulares, atendendo ao histórico de desentendimentos entre as direcções de ambos os clubes. A equipa da casa está obrigada a alcançar, pelo menos, o mesmo resultado que o SCP conseguir em Penafiel, pelo que possivelmente irá ver-se obrigada a vencer por mais do que um golo de diferença. Os dragões quererão dar uma resposta firme a todos aqueles que os dão como acabados e têm a oportunidade de afastar os leões de um dos seus grandes objectivos da época. Espero um FC Porto na máxima força, com a presença de grande parte dos habituais titulares e perspectivo apenas a entrada de Fabiano em relação ao onze que defrontou o Setúbal. A ver vamos se não estou redondamente enganado e Paulo Fonseca surpreende e lança jogadores pouco utilizados. O primeiro lugar no grupo dá direito a receber o Benfica no Dragão nas meias finais e espero que os jogadores já estejam com vontade de vingar a derrota na Luz para o campeonato. 

Em relação à Taça de Portugal, e apesar dos muito falados sorteios encomendados pelos Dragões, a verdade é que a fava saiu ao FC Porto, enquanto o Benfica foi presenteado com uma das duas equipas da segunda liga constantes do sorteio, beneficiando, ainda, de jogar o embate decisivo das meias finais em casa, caso a equipa consiga o apuramento. Se nos lembrarmos das vicissitudes do sorteio, não podemos deixar de rir quando ouvimos acusações de sorteios falseados... O adversário dos dragões é o Estoril Praia: uma equipa superiormente comandada por Marco Silva e aquela que melhor joga não contando com os 3 grandes. Irá certamente exigir o melhor FC Porto, sendo que o apuramento dará direito, muito provavelmente, à disputa das meias finais com o Benfica. O jogo é já na quarta feira dia 5 de Fevereiro, poucos dias depois da difícil deslocação aos Barreiros para o campeonato.

Em finais de Fevereiro o FC Porto irá iniciar a sua participação na Liga Europa. As recordações da última vez que o clube disputou a competição ainda estão bem vivas na memória dos seus adeptos e uma entrada com o pé direito na edição deste ano é a única opção que se admite. O sorteio foi simpático e uma eventual eliminação perante o Eintracht de Frankfurt será pouco menos que um escândalo. Exige-se uma demonstração de força na europa depois da vergonhosa prestação na Liga dos Campeões. Espero que Izmaylov e Fucile "saltem" da lista a enviar para a UEFA e que sejam inscritos Quaresma  e Carlos Eduardo nos seus lugares (se der para também inscrever o Kelvin, óptimo).

No que ao campeonato diz respeito, o FC Porto tem uma deslocação muito complicada aos Barreiros e irá ainda a Barcelos defrontar um Gil Vicente em péssima forma. Pelo meio, recebe no Dragão o aflito e inofensivo Paços de Ferreira. Os dragões não podem sequer pensar noutra coisa que não seja a conquista dos 9 pontos em disputa, os quais trarão a confiança e a motivação necessárias para encarar a parte final da época. Deslizes nestes três jogos serão fatais, até porque daqui a duas jornadas Benfica e Sporting defrontam-se no derby  lisboeta, e os dragões quererão aproveitar o deslize de um deles (ou de ambos).

O mês de Janeiro tem sido estranhamente calmo relativamente a eventuais entradas e saídas no plantel. Parece-me óbvio que Fucile e Izmaylov já não contam e que, com a entrada de Quaresma, dificilmente serão contratados mais jogadores. Quanto a saídas, Defour é o único que me parece poder abandonar o Dragão, o que eu espero sinceramente que não venha a acontecer, já que apenas o belga me parece ter qualidade para substituir Fernando ou Lucho no 11 inicial sem que se sinta uma grande diferença de valia. Penso que o plantel tem tido todas as condições para preparar os jogos que se avizinham (saiba Paulo Fonseca motivar os jogadores e ter consciência do clube que representa) e que temos tudo para dar a volta por cima nos próximos embates. Vamos a isso!








segunda-feira, 20 de janeiro de 2014

FC Porto 3-0 Vitória de Setúbal

O FC Porto recebeu e venceu este domingo o Vitória sadino por três bolas a zero em jogo a contar para a 1ª jornada da segunda volta da Liga Zon Sagres. Foi um resultado justo, numa vitória fácil e tranquila e que podia (e devia) ter atingido números mais contundentes tais são as diferenças de qualidade entre as duas equipas.





Os azuis e brancos entraram bem no jogo e cedo chegaram à vantagem no marcador. O primeiro golo surgiu logo aos 11' após uma jogada de entendimento na esquerda entre Alex Sandro, Fernando e Varela, com este último a centrar largo ao segundo poste, onde Quaresma rematou de primeira e Jackson Martinez emendou certeiro para dentro da baliza do desamparado Kieszek.

Como sempre sucede frente a equipas do nível do Setúbal (e que, feliz ou infelizmente, são pelo menos umas 10 ou 11 de um total de 16 equipas na Liga Zon Sagres), estava feito o mais díficil. Estas equipas têm como plano de jogo estacionar o autocarro à frente da sua baliza durante 90', limitando-se a tentar aproveitar deslizes dos adversários nas bolas paradas ou numa jogada de contra ataque. Quando sofrem um golo cedo e têm de alterar a sua estratégia, chega a ser confrangedora a falta de qualidade que demonstram, pelo que foi sem espanto que constatei que os sadinos foram inofensivos e que a defesa do FC Porto não teve dificuldades em controlar todos as iniciativas adversárias.

Não quero com isto dizer que o FC Porto não teve qualquer mérito na forma como dominou a primeira parte, porque a verdade é que nos primeiros 45' fiquei com a sensação de que a equipa apresentou ligeiras melhorias em relação a um passado não muito distante. Alex Sandro pareceu-me mais solto a atacar, Fernando limpou bem o meio campo, Quaresma e Varela abriram bem a frente de ataque (o que provoca a abertura de espaços nas defesas contrárias e permite a entrada dos médios que se incorporam no ataque) e Mangala esteve imperial na defesa. Sem nota artística, mas com um futebol agradável, o FC Porto brindou-nos ainda no primeiro tempo com um golo a fazer lembrar aquele que o Ballon D'Or marcou em Sevilha este sábado. Trabalho individual fenomenal de Varela e um tiro indefensável de pé esquerdo de fora da área a cento e tal quilómetros por hora, batendo o guarda redes polaco sem apelo nem agravo.

Na segunda parte, porém, o FC Porto baixou o ritmo (a quantidade de estupidezes que os jogadores cometeram nos primeiros 3 minutos da étapa complementar foram um claro indício do que se iria passar) e limitou-se a trocar bola sem qualquer objectividade. Foi pena, uma vez que os sadinos estavam completamente perdidos em campo. Desaproveitámos mais de uma mão cheia de jogadas de ataque em que estávamos em vantagem ou em igualdade numérica no ultimo terço do campo e não chegámos a um resultado folgado por termos sido displicentes. E que bem nos teria feito um resultado gordo, uns 6-0 ou 7-0 teriam sido um verdadeiro boost para a nossa confiança. Como que em contraponto com a monotonia dos segundos 45', é necessário destacar a obra prima de CE20 a fechar o placard. Cruzamento para área sadina, um defesa alivia para zona proibida e CE20 surge à entrada da área a fuzilar as redes adversárias, num remate em moinho sem deixar que a bola tocasse no relvado e que ainda embate com violência no poste antes de entrar. Se o golo de Matic foi candidato ao prémio Puskas, estou para ver qual a razão que vão inventar para que este golaço não entre na votação da próxima edição.

Em relação à análise individual dos jogadores, e apesar de não pretender "bater" no treinador (como tinha prometido), gostaria apenas de relembrar a Paulo Fonseca que os nomes e os estatutos não devem garantir lugares no 11 inicial. E digo isto porque não entendo o que tem feito Lucho Gonzalez para manter o estatuto de titular indiscutivel nas competições mais importantes, quando é notório que está muito longe daquilo que pode e sabe fazer. Custa-me ver El Comandante a perder quase todas as bolas divididas que disputa, a falhar a grande maioria dos passes de ruptura que tenta, a ter dificuldades em arrancar com a bola no pé ou em correr atrás dos adversários, não arriscando um único remate à baliza. Para o bem do Capitão, faça-o descansar e lance-o novamente quando estiver em melhor forma. 

Pela positiva, queria destacar Varela e Quaresma nas alas, sempre muito em jogo e com vontade de assumir as despesas do ataque. Fernando enorme no meio campo, Alex Sandro a fazer lembrar o lateral de eleição do ano passado, Mangala seguríssimo na defesa e a sair a jogar. CE20 imprime um grande ritmo ao jogo com a sua passada larga com a bola controlada e assinou um golo de levantar o estádio, mas perdeu algumas bolas quando exagerou nas jogadas individuais.
Pela negativa, realço apenas a paragem cerebral de Maicon num atraso de cabeça para Helton que foi interceptado por Cardozo. Não gosto também da atitude de Helton nestes jogos, penso que deveria tentar impor um ritmo mais elevado à equipa ao invés de estar constantemente a pedir calma e a atrasar o jogo.

Resumindo, fomos uns justos vencedores, realizámos uma exibição qb contra um adversário fraco. Vi alguns sinais que indiciam melhorias, mas que precisam de confirmação nos próximos jogos. Vi, também, alguns dos problemas que têm sido detectados desde os primeiros jogos desta época, mas tentarei focar-me nos aspectos positivos nos próximos tempos. Importa agora somar 6 pts contra o Marítimo, para carimbar primeiro o passaporte para as meias finais da Taça da Liga e depois para pressionar Benfica e Sporting no derby que se aproxima.







sexta-feira, 17 de janeiro de 2014

Pinto da Costa entrevistado para preparar a 2ª volta

Pinto da Costa deu ontem à noite uma entrevista ao Porto Canal na qual abordou vários temas da actualidade do FC Porto. Optei por escrever "deu uma entrevista" e não foi entrevistado porque tenho de ser coerente, e se não me parece bem que Luís Filipe Vieira dê entrevistas à Benfica TV da forma que o faz, também não posso ficar muito contente quando é Pinto da Costa a fazê-lo ao canal ligado ao FC Porto. Penso que nestes casos se perde o distanciamento necessário entre entrevistado e entrevistador e que não se vislumbra a independência desejável na abordagem aos diversos temas. Mas, infelizmente, é o que temos, e se o Benfica o faz e se o Sporting usa o seu jornal da forma mais populista e parcial possível, não me parecem sobrar grandes alternativas aos dragões.

No que à entrevista diz respeito, não irei sequer abordar as questões relativas ao Museu, à renovação de Fernando, às desavenças com Fernando Gomes, Mário Figueiredo ou António Oliveira nem ao despropositado comentário sobre a venda de Matic, apesar de ter sido notoriamente vendido à pressa por um preço inferior àquele que ele vale, provavelmente para fazer face a necessidades prementes de tesouraria, uma vez que as cláusulas de rescisão pouco me dizem e o normal é os jogadores serem transferidos por montantes muito inferiores às mesmas.

Ouvi com muita atenção e comentarei, isso sim, as questões que mais me preocupam e essas são, obviamente, as que dizem respeito ao futebol jogado. Era, para mim, evidente que a entrevista concedida pelo NGP iria ter como principal objectivo a defesa do treinador e dos jogadores do FC Porto. Pinto da Costa iria reiterar, como reiterou, total confiança em Paulo Fonseca e deixar claro que os jogadores têm sido inexcedíveis nos treinos e nos jogos. Foi passada a ideia que apenas não nos apurámos na Champions porque tivemos um azar incomensurável e que apenas não estamos na liderança do campeonato porque os árbitros não o permitiram.

Como é óbvio, nem eu, nem Pinto da Costa, nem os adeptos que percebam um mínimo de futebol, acreditam que isto é verdade (a referência aos pontos perdidos com o Estoril passado todo este tempo não faz qualquer sentido. Não foi aí que começámos a perder a vantagem de cinco pontos que tínhamos e depois disso perdemos justamente em Coimbra e empatámos sem espinhas no Restelo e com o Nacional). No entanto, penso que o foco do discurso se centrou num factor externo ao grupo de trabalho por forma a afastar as atenções da equipa de futebol, para que esta se una e dê a volta por cima. Ninguém estaria à espera que Pinto da Costa despedisse o treinador em directo (isso deixamos para Jorge Jesus e para o único guarda redes que o ajudou a ser campeão) nem que tecesse duras críticas ao plantel, mas honestamente também não estava à espera que se passasse uma esponja sobre os 6 meses da época que já decorerram . 

Penso que teria sido possível unir a equipa, mas aumentando um pouco o grau de exigência e dando sinais de esperança e confiança para o futuro. Ter-me-ia feito muito mais sentido se tivesse ouvido algo como: "temos sido claramente prejudicados pelas arbitragens, mas a verdade é que temos a obrigação de saber que no FC Porto estamos habituados a enfrentar estas contrariedades e a ter qualidade suficiente para as ultrapassar. Estamos atentos fora do campo e não nos deixaremos calcar. A equipa tem dado sinais que está a evoluir e estamos preparados para os difíceis desafios que se avizinham". Quero acreditar, porém, e como li algures na internet, que "para Pinto da Costa ter vindo acalmar as hostes para a televisão é porque já virou o balneário ao contrário". Esperemos que o NGP tenha deixado claro a treinador e jogadores que é preciso jogar muito mais, é preciso falar muito menos e é preciso SER muito mais PORTO do que até aqui.

Em resumo, fiquei, também, contente por perceber que o NGP aparenta estar bem de saúde, mas penso que fomos habituados a performances mais incisivas e motivadoras por parte de Pinto da Costa. Não digo que tenha estado mal, apenas esperava mais dele. Fiquei com a certeza que Pinto da Costa não deixará cair Paulo Fonseca nos próximos tempos, até porque nos próximos 30 dias jogaremos cartadas decisivas em todas as competições em que estamos envolvidos. O próximo desafio é já este domingo com o Setúbal no Dragão e seguem-se os jogos com o Marítimo (Casa - Taça da Liga), Marítimo (Fora - Campeonato), Estoril (Casa - Taça de Portugal), Paços de Ferreira (Casa - Campeonato), Gil Vicente (Fora - Campeonato) e Frankfurt (Casa - Liga Europa). A gerência e os eventuais convidados irão fazer um esforço nos próximos trinta dias para estar do lado do treinador e irão tentar ao máximo não "cascar" em Paulo Fonseca. É um contributo mínimo na tentativa de serenar a equipa, mas se todos o fizermos pode ser que as coisas comecem a correr melhor e que em Maio festejemos o tetra campeonato para fazer face ao tri campeonato de inverno do SLB e ao campeonato de natal do SCP.

P.S.: Disse que irei tentar ao máximo não cascar em Paulo Fonseca, não prometo que o conseguirei fazer, porque se as performances da equipa e o seu discurso se mantiverem como até aqui, o mais provável é que seja mais forte que eu. No entanto, para os próximos dois jogos da Liga Zon Sagres, um a zero chega, por mim até pode ser no único remate ou na única vez que chegamos à área contrária. Quero chegar ao derby lisboeta com hipótese de encostar no primeiro classificado.