Coube-me a difícil missão de lançar os dados para este
jogo do FCP referente aos quartos-de-final da taça de Portugal. A expressão
“lançar os dados” não foi escolhida ao acaso, pois infelizmente nos tempos que
correm, os jogos do Porto têm esta incomum característica de o resultado no
final do jogo poder pender para qualquer uma das equipas.
Vimos de uma sequência de maus jogos, dois deles seguidos com o Marítimo -
um foi ganho sem sabermos bem como, o outro foi perdido porque não jogamos
absolutamente nada. O Porto ultimamente tem sido, basicamente, composto por um
aglomerado de jogadores que não jogam como uma equipa, sem garra nem fio de
jogo.
Se em tempos (muito recentes, isto não é uma aula de história!) as grandes
características do Porto sempre foram a raça e a entreajuda, hoje em dia nunca
sabemos bem com o que contar, porque a própria equipa parece estar com os
níveis de confiança nos mínimos. É, portanto, com esta mão que
nos apresentamos a jogo para os quartos da taça, contra um Estoril em forma que
segue confortavelmente em 5º, sendo uma das equipas com um futebol mais
agradável e consistente do campeonato.
A juntar ao momento de forma do Estoril, há que contar com a centelha de
esperança suplementar com que defrontam o Dragão, pois sabem que a nossa equipa
está fragilizada e num dos piores registos de que há história.
Assim, e apesar de estarmos num momento pouco habitual para nós, Portistas,
o optimismo aumenta com o aproximar da hora do jogo e não há melhor forma de
quebrar o enguiço do que com uma vitória robusta. Assim sendo, diria que o
factor casa é a nossa grande vantagem se o público do Dragão se mostrar forte
no apoio à equipa como tem feito apesar de os resultados serem
paupérrimos.
Não podendo apostar numa equipa na máxima força, sem Fernando no meio campo
(que novela...), diria que aparte a saída do Polvo, poderemos contar com a
presença de Fabiano na baliza e com a interessante entrada de Reyes para o eixo
da defesa, ao lado da torre eiffel Mangala, isto se o Maicon não recuperar. O
restante da equipa deverá ser mantida e, mal ou bem,
parece ser a melhor opção por várias razões: ainda não temos uma estratégia ou
fio de jogo suficientemente oleada que permita inserir várias peças diferentes,
não podemos arriscar ficar de fora de uma competição importante - mas não
muito, segundo o treinador Fonseca que diz estar focado no campeonato apesar de
não parecer - e temos de acreditar que uma vitória possa empurrar a equipa para
uma sequência de jogos à imagem do Porto no que resta do campeonato.
Neste momento, todos os jogadores estão com um índice de confiança baixo,
logo não espero jogadas de grande efeito ou pormenores individuais de relevo. O
que seria de esperar e que eu espero em todos os jogos do Porto é uma entrega
total em prol da camisola do Porto. Gostava que a equipa agisse mais em bloco,
mais ligada e com espírito de entreajuda do que nos últimos tempos. Pressão
alta, em vez de nenhuma que temos feito; mais dureza nos lances 1 para 1 e
consecutivamente nas segundas bolas; rasgos de mestria pelos extremos e um
Jackson menos perdulário.
Do lado do treinador, gostava de ver exactamente o mesmo: mais energia no
banco, mais ênfase no que tem de transmitir aos jogadores e menos conversa
regada de ansiolíticos antes e depois dos jogos. Os jogos do Porto são todos para
ganhar, seja a taça fajuta, a taça de Portugal, o campeonato ou jogos de
preparação. Isto é que é ser Porto, é entrar de forma igual em qualquer
jogo.
Em jeito de premonição, aponto pelo menos para um golo do Quaresma (cedo) e
outro do Jackson. Gostava de ver o Ghilas jogar mais minutos para que ele
marque o golo de que tanto precisa para mostrar o futebol que tem escondido.
Nota ainda para o Quintero, que no último jogo correu mais do que vinha
mostrando nos jogos anteriores, talvez porque o resto da equipa tenha corrido
menos, mas isso não interessa. O miúdo é craque de bola, só precisa de
um treinador que lhe ensine o que é o futebol europeu. Mikel nos
convocados.
Do outro lado está uma equipa bem montada, à espreita de aproveitar o
momento frágil do Dragão. Deixo uma pergunta no ar: será que não podemos
experimentar trocar de treinador com o Estoril?.. Eu, pessoalmente, estou de
acordo com o Tiago e acho que nesta altura mudar seria positivo, porque não
vejo nada de positivo na manutenção do Sr. Fonseca, apesar de considerar que o
problema não é exclusivamente do treinador. Espero que ele me coloque em xeque
amanhã e que o Porto faça uma boa exibição para podermos fazer o que melhor
fazemos nas meias finais, se encontrarmos por lá o ---ica, se estes vencerem o
Penafiel. Ganhar o jogo de amanhã para lançar o resto do campeonato e a liga
europa que aí vem. Vamos Porto.
Crónica escrita por Miguel Coomans, um grande portista radicado em território inimigo, ao qual a gerência deste estaminé desde já muito agradece. As fotografias foram escolhidas por mim.
































