Azul e Branco

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segunda-feira, 2 de março de 2015

FC Porto 3 - 0 Sporting:Exibição colectiva de gala na noite de Tello e Evandro


O FC Porto recebeu e venceu inapelavelmente o Sporting no clássico disputado esta noite. Os mais de 43 mil adeptos que se deslocaram ao Estádio do Dragão em mais uma fria noite de domingo não deram, certamente, por mal empregue o seu tempo e dinheiro, já que puderam assistir a uma demonstração de força, qualidade e vontade de ganhar da melhor equipa do campeonato sobre um rival que há 3 semanas atrás não permitiu ao líder do campeonato efectuar um remate durante 90 minutos. Ninguém minimamente sério pode colocar em causa a justiça da vitória dos azuis e brancos (e em abono da verdade, não ouvi ninguém do SCP a fazê-lo) tal foi a superioridade demonstrada. Lopetegui considerou até que o resultado peca por escasso, e não faltou à verdade ao fazê-lo, conforme ficará visível a quem ler a crónica até ao final.
No que ao jogo diz respeito, o treinador espanhol optou por fazer entrar o 11 mais apontado nos prognósticos ao jogo. O brasileiro Evandro jogou de início no lugar de Quintero e Tello ocupou a vaga de Quaresma na frente de ataque, sendo que os três ausentes do Bessa por castigo (Danilo, Alex Sandro e Casemiro) também recuperaram a titularidade. O começo de jogo dos azuis e brancos não correu como pretendido e até ao primeiro quarto de hora de jogo os comandados de Marco Silva conseguiram equilibrar as operações e dificultar a saída de bola do FC Porto na primeira fase de construção (Maicon e Casemiro demoraram muito a entrar no jogo e falharam vários passes fáceis). No entanto, e apesar do quarto de hora inicial ter sido o melhor período do Sporting, os azuis e brancos não passaram por problemas de maior e Fabiano nem sequer foi posto à prova (nem então, nem em todo o jogo, o que é demonstrativo da performance dos azuis e brancos).

Com o passar dos minutos, os portistas tomaram conta do jogo e Jackson Martinez criou a primeira oportunidade de golo à passagem do minuto 16. Foi o tónico que os visitados precisavam e a partir desse momento não mais pararam de visar a baliza de Rui Patrício. Brahimi tentou o golo por duas vezes e Herrera em cima do minuto 30 quase conseguia um golo de pura classe após sentar duas vezes o central adversário antes do seu chapéu sair ligeiramente por cima da barra. O FC Porto estava claramente melhor que o adversário e sentia-se que o golo podia chegar a qualquer instante. E foi o que aconteceu poucos segundos mais tarde, naquele que foi o momento do jogo. E que momento esse! E porque as palavras apenas podem estragar a magia de Jackson e a frieza de Tello, não vou tentar descrever esse momento, esperando que se deliciem com o vídeo golo.

Os azuis e brancos mantiveram a pressão alta mas o resultado não se alterou até ao intervalo. Esperava-se uma entrada forte da equipa da casa por forma a tentar matar o jogo o mais cedo possível com a obtenção do segundo golo. O FC Porto voltou dos balneários com a corda toda e Tello combinou bem com Jackson, colocando o colombiano na cara de Rui Patrício, tendo o ponta de lança falhado um golo fácil. Pouco depois, e já com Quaresma em campo no lugar do desinspirado Brahimi, nova combinação entre os dois, mas desta vez com Jackson a servir o espanhol com um passe à Deco e o extremo ex-Barcelona a não vacilar na cara de Rui Patrício, aumentando a vantagem azul e branca com frieza e mestria.

O Sporting sentiu o segundo golo em demasia e deixou-se ir abaixo animicamente. A vitória dificilmente fugiria ao FC Porto e os azuis e brancos optaram por baixar um pouco o ritmo de jogo até final, mas sem nunca desrespeitar quem pagou o bilhete para ver 90 minutos de futebol e procurando sempre o golo (veja-se mais uma oportunidade desperdiçada por Jackson Martinez e também uma bola à trave cabeceada por Marcano) nas várias situações em que apanhou o Sporting mal colocado no terreno de jogo. E foi assim que surgiu o terceiro golo. Tobias Figueiredo tentou sair a jogar, mas o seu passe desastrado foi interceptado no meio campo portista por Quaresma que de primeira colocou em Herrera, sozinho entre linhas sportinguistas. O mexicano imitou Jackson nos passes à Deco e deixou Tello mais uma vez cara a cara com Rui Patrício. E como não há duas sem três, o espanhol concluiu o seu primeiro hat trick com a camisola azul e branca. Depois das boas indicações em Basileia e no Bessa, parece que Tello encontrou finalmente a confiança que necessita no seu jogo e aparenta estar embalado para uma recta final de campeonato à imagem dos seus pergaminhos. E, ou muito me engano, ou estamos perante uma situação semelhante àquela que originou a famosa frase de Cristiano Ronaldo: "O que custa é o primeiro, depois é como o Ketchup". Esperemos que sim, porque o FC Porto precisa do melhor Tello.

Em termos individuais, Tello merece claramente o prémio de MVP. Hat trick num clássico não é para qualquer um, ainda para mais quando o mesmo é composto por golos de belo efeito. Quase todos os jogadores apresentaram-se a bom nível. Jackson Martinez esteve sublime nas assistências, Herrera correu quilómetros, defendeu, atacou, assistiu, rematou e Alex Sandro e Danilo estiveram fortíssimos nos duelos contra dois adversários com muita qualidade, como são os casos de Nani e Carrillo. No entanto, opto por destacar a fantástica exibição de Evandro no meio campo azul e branco. Tudo o que faz, faz bem e com simplicidade e inteligência. É raro ver o brasileiro falhar passes, timings de entrada aos lances ou posicionamentos. TEM obrigatoriamente de jogar mais minutos, com ou sem Oliver. Pela negativa, Brahimi esteve ligeiramente abaixo dos companheiros de ataque e prendeu-se um pouco à bola. Casemiro e Maicon tiveram uma entrada em jogo desastrosa, mas conseguiram subir o seu nível de jogo e terminaram os 90 minutos já perto do nível dos restantes colegas. Sobre Lopetegui, nada direi. É o meu treinador e quanto mais oiço adversários chamarem o espanhol de Flopetegui ou de Lopatego, mais certezas tenho que é o homem certo no lugar certo. É que os últimos que tentaram enxovalhar foram o Mourinho, André Villas Boas ou Vítor Pereira...
Em resumo, continuamos na perseguição da equipa que ocupa o primeiro lugar e sabemos que, à imagem do que se viu hoje nestes lances (vídeo e vídeo) não podemos contar com a "sorte" de outros adversários. (Primeiro classificado esse que neste momento tem 59 pontos em 23 jogos. Ou seja, mais pontos que o grande Benfica do ano passado ou que o rolo compressor do ano do primeiro campeonato de Jorge Jesus. Ou ainda tantos pontos como as duas equipas do FC Porto que venceram na Europa nas épocas de Mourinho. Elucidativo, não acham?)

PS: O Braga jogou em Vila do Conde e nenhum dos seus quatro jogadores em risco de exclusão para o jogo com o FC Porto viu cartão amarelo. Já o Arouca jogou em Coimbra e dos cinco jogadores em risco de exclusão para o jogo com o Benfica, 4 deles viram cartão amarelo. E assim sobe para 17 (em 24 jogos) o número de jogadores que não defrontam o Benfica por estarem castigados. É mesmo preciso ter "sorte" nestas coisas.

PS2: Caro Bruno, está bom assim ou para a próxima apontamos a uma "manita"?


domingo, 1 de março de 2015

Antevisão Porto - Sporting

Estamos a cerca de uma hora do clássico desta jornada. O nosso maior rival já fez o seu trabalho ontem, agora é a nossa vez de voltar a meter a pressão do lado deles.


Lopetegui ainda não ganhou nenhum clássico, tem esta pressão adicional para o jogo daqui a pouco. Está a 7 pontos do rival, sabendo que dificilmente vão deixar que este perca pontos. Numa época "normal", perder pontos hoje não seria uma catástrofe, principalmente vendo o futebol praticado pelos rivais. Mas este ano é diferente, se hoje ficarmos a 6 ou 7 pontos da equipa do topo da tabela, muito dificilmente iremos recuperar essa desvantagem. Aliás, a comunicação social faz do jogo de daqui a pouco o "Jogo do título". Engraçado. No campeonato alemão, por exemplo, no qual o Bayern de Munique é MUITO mais forte que as restantes equipas, ninguém dá o campeonato como fechado, apesar dos 8 pontos de vantagem dos bávaros. Mas cá a realidade é diferente. Hoje, queiramos ou não, o jogo é para ganhar, ponto.



Não podemos contar com Óliver, Aboubakar e Adrian Lopez. O primeiro estava num grande momento de forma quando se lesionou, dificilmente substituível. A ausência dos 2 avançados implicará uma entrada de Gonçalo Paciência para o banco e, caso o jogo esteja por definir a uns 20 minutos do fim, muita pressão sobre o jovem português, que já deu muitas provas da sua qualidade futebolística. Mas, caso cheguemos a este ponto, não tenho dúvidas que o Gonçalo irá conseguir impor o seu futebol. Brahimi deve entrar para o lugar de Oliver, os restantes jogadores deverão ser os mais prováveis: Fabiano; Danilo, Maicon, Marcano e Alex Sandro; Casemiro, Herrera e Brahimi; Quaresma, Tello e Jackson.




Do lado do Sporting, o presidente já nos fez um favor e encostou um jogador, o Jefferson. De resto, o o 11 inicial não deverá divergir muito do seguinte: Patrício; Cedric, Tobias, Paulo Oliveira e Jonathan; William, João Mário e Adrién; Carrilho, Nani e Slimani. A principal arma deles será o contra-ataque, com jogadores rápidos na frente que podem decidir o encontro.

Vamos ter um encontro equilibrado, com muita pressão para os dois lados, visto que o Braga ontem também ganhou e se encostou ao Sporting.

Hoje é para ganhar, ponto. Certamente, teremos que comer "muita relva" como no estádio do Bessa.


terça-feira, 24 de fevereiro de 2015

Crónica Boavista - FC Porto - Na raça a manter as distâncias

Com uma vitória por 2:0 no Bessa o FC Porto mantém a distância para o primeiro classificado do campeonato do colinho. Mais um jogo em que a arbitragem não fica bem, mais uma vez contra os mesmos (ou a favor de outros, como preferirem).



Para além das 4 alterações forçadas que Lopetegui teve que efetuar, fazendo entrar como era previsto José Angel para o lugar do Alex Sandro, Ruben Neves em vez de Casemiro, Ricardo por Danilo e Quintero pelo lesionado Oliver, o treinador ainda deu (algo surpreendentemente) a titularidade a Hernâni por detrimento de Tello. Este último não acusou a pressão e esteve muito bem, tal como Ricardo e Ruben Neves. Já Quintero e José Angel estiveram uns furos abaixo do esperado. 

Num relvado péssimo, com muita lama num campo sintético (a tromba de água que caiu antes do jogo não ajudou, mas fiquei intrigado como apareceu lama no campo...), o jogo começou algo "encravado", com os "novos" jogadores a procurarem entrosamento entre eles e, como seria de esperar, com o Boavista a baixar muito as suas linhas, ocupando muito espaço no seu meio-campo, limitando-se a destruir o jogo portista. Aos 12 minutos surge a primeira jogada com pés e cabeça, mas uma má decisão de Quaresma, já dentro da área, não permitiu tirar frutos desta jogada. 

Dois minutos depois surge o primeiro grande caso do jogo. Após canto do lado esquerdo do ataque, marcado curto, sai um passe rasteiro para o primeiro poste, onde surge Marcano com um toque subtil de calcanhar para a zona da marca de penalty e aí aparece Hernani, que é derrubado pelo João Dias. O árbitro está a 10m do lance, sem que nenhum jogador lhe tapasse a visão e nada marca. Se realmente acha que não é penalty, porque não dá amarelo por pretensa simulação? Nem no erro esteve bem...

Até perto do intervalo o Porto não conseguiu criar nenhuma grande oportunidade de golo, apenas um remate frouxo de Jackson aos 19min e um pontapé de bicicleta do mesmo que em nada deu. Quintero não conseguia aparecer no miolo e assumir o jogo como Oliver o tem feito tão bem nos últimos jogos e as alas pouco funcionaram, muito por culpa do rigor defensivo do Boavista, que as taparam muito bem. Na minha opinião ainda ficou um vermelho por mostrar por uma entrada muito dura ao Hernâni aos 37min. Creio que nem falta, nem amarelo deu. No final da primeira parte temos a maior oportunidade do encontro, com o Jackson a falhar o que não pode (nem deve) falhar, após belíssimo passe de Quintero (a única vez que conseguiu mostrar um pouco da sua classe, aparecendo muito bem no centro do terreno e fazendo um passe magistral para JM9). As estatísticas demonstravam um domínio do FC Porto, mas não conseguia concretizar em oportunidades de golo. O Boavista só apareceu para fazer uns ataques às canelas e pouco mais.



No início da segunda parte, mais do mesmo: linhas muito baixas do Boavista, futebol durinho e impossibilidade do Porto encontrar espaços na muralha montada. Pelo meio ainda houve tempo para uma ou duas investidas do Boavista no meio-campo do Porto, para mostrar que Fabiano estava em campo e sabe defender. Uma entrada dura de JM9 podia ter corrido mal para o ponta-de-lança, mas o árbitro manteve o critério de não dar cartões, tendo ficado um amarelo por mostrar. 



Lopetegui começou a mexer na equipa, entrando Tello para a ala e Brahimi para o meio e o Porto continuava nas suas investidas no ataque até que, finalmente, aparece o golo do suspeito do costume, a passe rasteiro de Tello. A partir daqui o FC Porto tranquilizou, foi gerindo o esforço, tentando evitar umas entradas mais duras e perto do final, Brahimi "mata" o jogo com um remate na zona central muito bem colocado. Nota aqui para os festejos de Lopetegui, que a cada jogo que passa, demonstra mais o quanto vive o clube!

O Porto conseguiu uma vitória muito importante num campo tradicionalmente difícil, tendo ganho mais pela raça que demonstrou que pelo futebol de qualidade. Num jogo destes, é o que se pede: comer a relva!

Insólito: Já todos sabemos que o mundial de 2022 no Qatar está envolvido em polémica até dizer chega. Nestes dias, está uma Task Force da FIF(i)A a analisar a possibilidade de fazer o mundial em Novembro e Dezembro. Por um lado, faz todo o sentido, visto que no verão lá o calor é insuportável. Mas já estou a imaginar a final do mundial na noite de consoada. Qual bacalhau, vamos mas é todos ver a bola!

E estou mesmo a ver uma Premier League a aceitar ficar sem um "boxing day". Mas este problema já se sabia que ia acontecer no momento que fez a atribuição do campeonato do mundo.

segunda-feira, 23 de fevereiro de 2015

Antevisão Boavista - FC Porto: Valerá a pena continuar a acreditar nesta Liga Wrestling?

O FC Porto defronta esta noite às 20h00 o Boavista no Estádio do Bessa, em jogo que fecha a 22ª jornada da fraude que se tornou o campeonato deste ano. Aos azuis e brancos apenas a vitória interessa, depois do árbitro do Moreirense - Benfica ter dado de mão beijada mais três pontos aos encarnados. O mesmo árbitro que expulsou Maicon por uma falta a meio campo no FC Porto - Boavista da primeira volta (continua a ser o único jogador expulso com vermelho directo por uma falta a meio campo depois de decorridas 22 jornadas e quase 200 jogos) decidiu enviar para o banho mais cedo um adversário do Benfica alegadamente por este lhe ter dirigido algumas palavras menos simpáticas quando o resultado no marcador era de 1-1. 
Estamos a falar do mesmo árbitro que validou um golo a Luisão em Coimbra quando esteve estava mais de um metro fora de jogo (ver imagem) ou do mesmo árbitro que invalidou um golo ao Belenenses frente ao Benfica o ano passado (ver imagem) e que nesse mesmo jogo expulsou mais um adversário do Benfica por palavras. Com Jorge Ferreira, o Benfica ganhou SEMPRE, o que é demonstrativo do bom trabalho que vem sendo realizado por Vítor Pereira nesta Liga Wresting. Parabéns a ele e também a Marafona, pelo belo peru que serviu no sábado à noite. "Certamente" que é apenas mais uma coincidência e que as notícias postas a circular a semana passada nada têm que ver com o presente oferecido.

Neste momento, estou como o Miguel Guedes, do Trio de Ataque da RTP. Penso que será mais fácil e provável o FC Porto vencer a Champions League do que a Liga Wrestling deste ano. No entanto, o FC Porto tem de entrar em campo sempre para ganhar e eu continuarei a ser um daqueles tolinhos que sabe que está tudo combinado no que ao vencedor diz respeito, mas que continuará a vibrar com os jogos aos fins de semana.


Dito isto, vamos ao jogo de hoje. Depois de três amarelos cirúrgicos na jornada passada, o FC Porto não poderá contar com Danilo, Alex Sandro e Casemiro castigados para o derbi da cidade Invicta. Oliver e Adrian Lopez estão lesionados e também não poderão dar o seu contributo à equipa. Lopetegui foi, assim, obrigado a efectuar várias alterações na lista de convocados. O Boavista está longe de ser uma equipa de qualidade, mas um derbi é sempre um derbi e não se esperam facilidades para os azuis e brancos. Petit tentará incutir nos seus jogadores a característica que melhor o definia enquanto jogador: ou passa a bola ou passa o homem. Nunca os dois. Se a isto juntarmos um relvado sintético impróprio para um futebol de qualidade, temos a receita perfeita para um jogo complicado. Veremos, ainda, como se comporta o árbitro hoje. Só espero um critério semelhante ao FC Porto - Boavista da primeira volta ou então o mesmo critério de todos os jogos do nosso maior rival. Será sinal que o Boavista não acaba nem com 10 e que o FC Porto vencerá o jogo com maior ou menor dificuldade.

Equipa provável: Fabiano, Ricardo, Maicon, Martins Indi, Jose Angel, Ruben Neves, Herrera, Quintero, Quaresma, Jackson Martinez e Brahimi.












quinta-feira, 19 de fevereiro de 2015

Basileia 1 - 1 FC Porto: Só faltou a vitória em mais uma grande noite europeia

Voltaram as noites europeias da Liga dos Campeões e com elas regressou o melhor dragão da temporada. O resultado alcançado ontem em Basileia não traduz fielmente aquilo que se passou no terreno de jogo, uma vez que os azuis e brancos mereciam regressar à Cidade Invicta com a eliminatória praticamente resolvida, tal foi a sua superioridade em todos os aspectos do jogo, excepção feita à eficácia na finalização, razão pela qual só posso discordar da capa escolhida pelo JOGO.

A performance dos portistas fez parecer que os suíços não passam de uma equipa ao nível das que encontramos no Campeonato Nacional de Seniores cá do burgo, o que está longe de corresponder à verdade. Se por um lado não podemos esconder que a equipa comandada por Paulo Sousa é uma das menos fortes em prova nesta altura, por outro lado só quem não percebe de futebol de alta competição pode achar que os oitavos de final da melhor competição de clubes do mundo estão ao alcance de equipas vulgares. A verdade é que o Basileia que hoje foi dominado completamente no seu reduto é o mesmo que nos últimos anos venceu o Manchester United, o Chelsea, o Liverpool (estes na fase de grupos) e até o Bayern de Munique (o último em jogo a contar para a primeira mão dos oitavos de final de 2012). Dúvidas não restam, portanto, que na Champions League não existem almoços de borla e que, mesmo que os houvesse, o Basileia não seria o adversário generoso para os oferercer.

Lopetegui lançou de início um 11 em que a única surpresa foi a inclusão do espanhol Tello no lugar de Ricardo Quaresma, deixando Martins Indi no banco e optando por uma dupla de centrais que se tem apresentado a bom nível. O FC Porto entrou bem no jogo e conseguiu roubar a bola aos suíços, situação que se verificou durante grande parte dos 90 minutos. Apesar da primeira dezena de minutos não ter trazido quaisquer oportunidades de golo para os dragões, é justo dizer que o golo do Basileia surgiu, de alguma forma, contra a corrente do jogo. Na primeira vez que o meio campo adversário conseguiu trocar a bola à entrada do meio campo portista com alguma tranquilidade, os jogadores portistas erraram e sofreram um golo muito consentido. Herrera (que não pressionou o portador da bola), Alex Sandro, Marcano e Fabiano repartiram as culpas no golo madrugador do ex-benfiquista Derlis Gonzalez. Incrível o índice de eficácia que os adversários do FC Porto têm demonstrado esta época. O Basileia fez golo na única vez que entrou com a bola na área do FC Porto e o mesmo já havia acontecido nos jogos contra o Benfica e contra o Marítimo!
Os dragões não acusaram o golo sofrido e mantiveram uma postura séria e aguerrida em busca do golo do empate. Casemiro (2x), Brahimi e Danilo (2x)  tentaram a sorte, mas não foram felizes. Quem também não foi feliz e deu início a uma arbitragem desastrada foi o árbitro do encontro, deixando passar em claro uma grande penalidade evidente sobre Jackson Martinez e mostrando um cartão amarelo a Oliver Torres num preciosismo ridículo (especialmente quando comparado com o que sucedeu na 2ª parte no lance do penalti).

O intervalo chegou com 1 a 0 no marcador e o sentimento de injustiça já imperava. Lopetegui optou por não fazer alterações e a segunda parte iniciou-se com a tónica de sentido único dos primeiros 45 minutos a manter-se e com os suíços a abusarem das entradas violentas. A pressão alta e o ritmo forte parecia ter trazido os seus frutos, já que Casemiro empurrou a bola para o fundo das redes na sequência de um canto e o empate parecia ter sido alcançado. No entanto, o árbitro, numa decisão insólita, acabaria por anular a jogada e deu o dito por não dito, assinalando um fora de jogo ao ataque portista depois de ter deixado os jogadores azuis e brancos festejar o golo durante mais de um minuto. Não está aqui em causa a bondade da decisão (o fora de jogo existe), mas sim o porquê da decisão inicial ter sido alterada. Quem avisou o árbitro? Terá o árbitro recebido um telefonema directamente da sede da UEFA (que por acaso fica na Suíça)? Terá o sexto(?) árbitro visto o lance na TV e dado a indicação de que o golo deveria ser invalidado? Porque não fizeram o mesmo no penalti sobre Jackson na primeira parte?Não dá para compreender o que se passou!

Os dragões não se deixaram abater e continuaram em busca do empate. Tello e Jackson Martinez falharam boas oportunidades de facturar ambos depois de passes magistrais de Oliver Torres. Lopetegui lançava então Quaresma para o lugar de Brahimi e pouco depois Rúben Neves para o lugar do lesionado Oliver de Torres (tudo a rezar para que a lesão do nosso maestro não seja grave!).
E como quem (tant!) procura sempre alcança, o FC Porto chegaria ao empate à passagem do minuto 79. Walter Samuel corta um cruzamento com o braço dentro da área (surreal a forma como o árbitro decide não mostrar cartão amarelo neste lance! Seria o segundo, consequente expulsão e ausência na segunda mão da eliminatória) e Danilo não perdoa da marca dos 11 metros. Empate no marcador e do mal, o menos. O resultado continuava a não traduzir o que se passava no relvado mas permitia aos dragões passarem para a frente da eliminatória.

Até ao final, o FC Porto baixou um pouco o ritmo de jogo e optou por manter a posse de bola durante largos minutos. Já o Basileia, mesmo em desvantagem no marcador, em nada alterou a sua estratégia e nem um remate efectuou desde o golo de Derlis Gonzalez.

Em termos individuais, nota muito positiva para Herrera. Esteve em todo o lado, sendo um dos primeiros a defender e estando sempre disponível para atacar. Já se sabe que não é um primor de técnica ou um grande desequilibrador, mas foi importantíssimo no meio campo azul e branco. A defesa esteve globalmente bem e penso que o golo sofrido foi muito ingrato, já que parece-me ter surgido na sequência do único erro evidente cometido. Nota positiva para a boa entrada de Quaresma e para a classe demonstrada por Jackson e Oliver. Pela negativa, a primeira parte de Casemiro, a contrastar com as mais recentes exibições.

Finalmente, o treinador. Muito do mérito da campanha europeia é dele. Por muito que lhe queiram bater, por muito que nos queiram fazer acreditar que não faz mais que a obrigação (sim, porque o Leverkusen e o Monaco é que são bons), a verdade é que o FC Porto tem o melhor futebol do país e as portas dos quartos de final abertas. Bem bom, não? Se a isto juntarmos um discurso cada vez mais acutilante, assertivo e motivador, temos treinador!


PS: E vão três derrotas na Champions League este ano! Este wishful thinking tem tanto que se lhe diga.




segunda-feira, 16 de fevereiro de 2015

Antevisão Basileia - FC Porto: O regresso da Liga dos Grandes

Dois meses e pouco depois, a principal competição europeia está de volta, tendo como único representante português o FC Porto. Nesta minha primeira intervenção neste blog (o texto de hoje é escrito por mais um grande portista, Andreas Seufert, outra grande contratação deste estaminé) vou tentar fazer uma pequena análise ao Basileia, adversário do Porto dos oitavos da champions.

Comecemos com o óbvio: em termos de nomes das equipas adversárias que nos poderiam ter saído, esta era a menos sonante que nos poderia ter saído. Isto não quer dizer que é a mais fácil. Pessoalmente, preferia um Schalke ou um Leverkusen. Tem sido recorrente época após época que esta altura é a altura mais fraca do Leverkusen. E o Schalke? Primeiro, há aquele sentimento de vingança ainda da eliminatória contra o Super-Neuer. Segundo, pelo fraco futebol apresentado esta época. Mas não é deles que vamos falar aqui, é do Basileia.

Não há grande volta a dar, nós somos favoritos: ganhamos o grupo sem derrotas, temos um plantel mais forte e nem se comparam o currículo e a experiência europeia. Mesmo assim, e tenho esta opinião quer enfrentemos o Bayern, quer o Tirsense, temos que respeitar o adversário, não menosprezá-lo, mas sempre tentando impor o nosso futebol.
Comecemos pelos números:
Ficaram em segundo num grupo com Real e Liverpool. Em casa fizeram 3 jogos muito fortes: ganharam ao Liverpool por 1:0, deram 4 ao Ludogorets e perderam por 1:0 contra o Real. Já fora, foi bem pior, perderam(!) com o Ludogorets, levaram uma goleada do Real, mas, no momento da verdade, num jogo que não poderiam perder, foram empatar a Anfield.
No campeonato estão em primeiro com 8 pontos de avanço sobre o 2º, tendo este fim-de-semana empatado depois de 6 vitórias consecutivas. Tiveram há pouco o intervalo de Inverno, que deu tempo para recuperar forças e testar mais opções. Voltaram com uma vitória imponente em casa do Grasshoppers por 4:2, mas este fim-de-semana empataram a 1 em casa com o Sion.
Vou tentar tirar umas conclusões daqui: em primeiro lugar, é preciso ter cuidado com eles a jogar em casa (apesar deste último empate). Pelos resumos que vi (vamos ser francos, poucos devem ter sido que viram jogos inteiros deles, eu não vi nenhum, por isso esta análise vale o que vale), eles apresentam-se sempre muito disciplinados em casa, gostam de ter a bola e rodá-la no meio-campo a ver se encontram um espaço que se abra.
Vamos ao plantel. Não têm grandes nomes. Têm um Walter Samuel (lembram-se?), que não é usado regularmente (infelizmente, sempre o achei bom a enterrar J ). Têm um Marco Streller, avançado experiente de 33 anos, bastante alto (1,95m), sendo que esta última característica é a única que nos pode causar problemas. No meio campo têm o Fabian Frei, que assume o comando e tem uma visão de jogo muito boa, é preciso não dar-lhe tempo para pensar. São os nomes que melhor conheço, não me alongar nos outros. Mas em termos de equipa, são fortes e coesos. “Comem relva” e dobram-se muito bem. Nota ainda para o treinador português deles, o Paulo Sousa, que sabe muito bem o que é estar na champions. Começou por treinar as camadas jovens da seleção portuguesa, passando de seguida por Inglaterra, e, depois de passar por equipas bem mais modestas (Videoton e Maccabi Tel Aviv), foi parar ao Basileia. Em termos curriculares não tem muito para mostrar (apenas um campeonato israelita), uma taça húngara e a respetiva supertaça. Mas é muito acarinhado em Basileia, principalmente por causa dos bons resultados que tem tido nesta época.
Em jeito de conclusão: somos favoritos e temos tudo para passar. Mas os oitavos da champions são sempre os oitavos da champions. Eles não estão lá por acaso e, infelizmente, não seria a primeira vez que seríamos eliminados por uma equipa mais fraca no papel. 

Ver aqui os convocados para o jogo.


Insólito: Vou tentar deixar sempre deixar um toque do insólito do futebol no fim dos textos. Há duas semanas o Bayern empatou com o Schalke a uma bola. No início do jogo, Boateng foi expulso com vermelho directo, a federação alemã aplicou-lhe inicialmente 3 jogos de suspensão, mas depois baixou para 2. A justificação para não ter baixado para 1 jogo? O Neuer defendeu o penalty, por isso a penalização para o Bayern no jogo foi menor. (nota: na Alemanha costumam dar um jogo apenas por uma falta como último defesa a um avançado que se vai isolar, como neste caso, 2 ou mais para faltas violentas). O que penso é: se uma equipa já estiver a ganhar ou a perder por muitos, mais vale deixar entrar a bola então…

sábado, 14 de fevereiro de 2015

FC Porto não descola e coloca pressão no 1º Classificado

O Porto recebeu e venceu o Vitória SC no jogo a contar para a 21ª jornada da Primeira Liga, jogo esse que ficou marcado pela inclusão no 11 inicial de um dos protagonistas da presente temporada, Brahimi. 
O início do jogo mostrou um FC Porto pressionante e a circular a bola com rapidez, conseguindo chegar várias vezes ao último terço do terreno com perigo. Logo aos 10 minutos de jogo essa mesma pressão surtiu efeito e numa bola ganha à defessa do Vitória, Jackson remata por cima da baliza, mas os lances de ataque não ficaram por aqui.

Se na manobra ofensiva Jackson é o suspeito do costume, a 1ª parte mostrou que os laterais do FC Porto não quiseram ficar atrás, subidos no terreno e muito activos no ultimo terço, conseguiram momentos de desequilíbrio como por exemplo a excelente jogada pela esquerda protagonizada por Alex Sandro que, com um túnel sobre o defesa do Vitória, conseguiu ganhar espaço para o cruzamento perigoso.

O Vitória SC não conseguia ligar as jogadas muito por culpa do meio campo musculado do FC Porto, com Casemiro em bom plano, que conseguiu colocar sempre por terra as poucas investidas que o Vitória dispôs em terrenos mais avançados. Se Casemiro esteve bem a destruir, Oliver foi sempre o mais clarividente dos 3 homens do meio campo Portista com a bola nos pés, sempre de cabeça levantada à procura do colega em melhor posição para receber a bola, foi um elemento chave na ligação defesa ataque, alias tem sido jogo após jogo um jogador preponderante na equipa dos Dragões.

Não é por acaso que esta crónica ao jogo começa com a referência a Brahimi, depois da participação na CAN, o Argelino havia regressado a semana passada e talvez por respeito aos que o substituíram no período em que esteve ausente e também eventualmente por causa do cansaço acumulado que uma competição, curta mas intensa como a CAN provoca, havia começado o jogo no banco frente ao Moreirense. Desta vez começou de inicio e num jogo em que o FC Porto ganha por 1-0 é impossível não destacar o jogador que fez o único golo da partida e que consequentemente deu os 3 pontos aos azuis e brancos. Com alguns bons pormenores na primeira parte foi-se esvaziando com o desenrolar do jogo, muito por culpa do cansaço físico, mas já havia deixado a sua marca no jogo.

O golo não mudou o rumo da partida e esta foi para intervalo tal e qual como começou, com o FC Porto com mais posse, mais velocidade e mais clarividência no ataque controlando todas as operações desde a defesa ao ataque.
A história da segunda parte não poderia começar de maneira mais diferente, o intervalo não foi bom conselheiro para os Dragões (principalmente os primeiros 15 minutos) e demonstrou um Porto que foi uma sombra do mesmo que havia controlado e gerido a seu bem querer o jogo nos primeiros 45 minutos. Sinal disso foram os dois pontapés de canto que o Vitória SC ganhou de rajada logo a abrir o segundo tempo. O FC Porto parecia ter deixado o pulmão no balneário, Herrera que, sem ser exuberante havia sido peça importante na 1ª parte, voltou do balneário sem a intensidade dos primeiros 45 minutos, Brahimi acusou o cansaço acumulado, com o baixar de intensidade do FC Porto, o Vitória SC galvanizou-se e começou a ter mais bola nos pés, embora nunca tenha conseguido criar verdadeiras situações de perigo junto da baliza portista, gerou um desconforto nos azuis e brancos que venciam apenas pela margem mínima e passavam a ter menos posse e a ver os Vimaranenses mais adiantados no terreno.
O antídoto não demorou, Lopetegui leu bem o momento do jogo e lançou Ruben Neves para o lugar de Herrera, assim como Tello para o lugar de Brahimi. O meio campo voltou a funcionar e Ruben Neves voltou a fechar a porta que Herrera havia deixado escancarada, assim como ofereceu mais profundidade ao jogo dos azuis e brancos. Tello trouxe a velocidade e intensidade que já faltavam a Brahimi, mexendo um pouco mais as manobras do ultimo terço do terreno. O antídoto teve efeito imediato e as rédeas do jogo voltaram para onde estavam inicialmente, o Porto voltava a controlar.

A segunda parte fica marcada também pelas muitas faltas (algumas delas de cortar a respiração) por parte do Vitória SC, Cafu conseguiu a proeza de se manter em campo após uma entrada assassina de sola a Casemiro que valia certamente a exclusão da partida. 

Aliás, disciplinarmente, o árbitro demonstrou dualidade de critérios, prejudicando a equipa Portista com amarelos cirúrgicos que colocam de fora da partida do Bessa três titulares indiscutíveis Danilo, Alex Sandro e Casemiro.
Os Dragões terminam o jogo como começaram, por cima, embora sem a exuberância da primeira parte. O resultado peca por escasso num jogo que só poderia ter um vencedor, pois, na realidade, o FC Porto foi a única equipa capaz de criar lances de perigo junto a baliza do Vitória SC.

Lopetegui ciente da importância do jogo e, também, aliviado pelo apito final, pois vencia pela margem mínima, festejou de punhos cerrados a vitória que coloca os azuis e brancos provisoriamente a morder os calcanhares do 1º classificado a 1 ponto da liderança da Liga.

(Crónica escrita pelo Miguel Guimarães, novo colaborador do blog, a quem desde já muito agradeço, saudando esta grande contratação).

sexta-feira, 13 de fevereiro de 2015

Antevisão FC Porto - Vitória Sport Clube: Não pôr a carroça à frente dos bois

O FC Porto recebe hoje às 20h30 o Vitória de Guimarães em jogo que abre a 21ª jornada do campeonato e o qual se prevê de dificuldade bastante elevada. Os comandados de Rui Vitória formam uma equipa bastante compacta, competente e dura a defender e perigosa no contra ataque. Apesar de não poderem contar com o castigado André André e de terem vendido Hernâni no mercado de Inverno, os vimaranenses têm várias individualidades (incluindo Octávio, Ivo Rodrigues e Sami que, ao que tudo indica, e ao contrário de outros, não estarão condicionados) capazes de pôr em sentido os azuis e brancos. 
Pese embora a valia do adversário, ao FC Porto é exigida uma exibição séria e concentrada. Os jogadores portistas sabem que apenas a vitória interessa nesta luta pelo primeiro lugar e que para poderem alcançar o triunfo esta noite o desafio de Basileia não pode ser uma preocupação. Não é sequer imaginável qualquer poupança de esforços hoje à noite, porque a perda de pontos pode pôr em causa definitivamente o sonho de reconquistar o título em Maio.

Lopetegui repetiu os convocados escolhidos para o jogo de Moreira de Cónegos e é expectável que repita também o 11 inicial apresentado no fim de semana passado. Dúvidas apenas quanto à dupla de centrais, já que Martins Indi precisa de jogar depois de ter ficado duas semanas de fora e quanto à hipótese de Brahimi tirar o lugar a um dos extremos. Relativamente à convocatória de Hernâni, acredito que desta vez não será ele a ir para a bancada e que estará no banco de suplentes pela primeira vez. Será curioso ver se a subida de forma de Casemiro, Alex Sandro e Tello veio para ficar.

Equipa provável: Fabiano, Danilo, Maicon, Marcano/Indi, Alex Sandro, Casemiro, Herrera, Oliver, Tello, Quaresma/Brahimi, Jackson Martinez.

Infelizmente não poderei ver o jogo desta noite em directo (mais uma vez a AFP marcou jogo do campeonato de futsal para a mesma hora de um jogo do FC Porto), mas aproveito para informar que o estaminé passará a partir de hoje a contar com a colaboração do grande portista Miguel Guimarães, o qual fará a crónica e comentários ao jogo.

PS: Tenho observado com grande curiosidade e interesse as notícias relativas ao Sporting e ao Benfca postas a circular esta semana. Numa só semana caíram de vez e com grande estrondo dois mitos com várias anos. 



Em primeiro lugar, caiu o mito muito divulgado segundo o qual os portistas e em particular os super dragões são uns grandes vândalos e arruaceiros, ao contrário das restantes claques e respectivos adeptos. Longe de mim defender quaisquer claques ou marginais da sociedade, mas parece-me que ficou claro que nem uns são os anjnhos que defendem ser, nem os outros são os únicos delinquentes em Portugal. Que fique claro: há pessoas boas e pessoas más, há delinquentes e pessoas espectaculares, há quem não valha nada e quem tudo mereça em todos os clubes. TODOS.


Em segundo lugar, caiu também o mito de que o FC Porto é o único beneficiado pelas Câmaras Municipais e pelo Estado. Mais uma vez, todos têm telhados de vidro, pelo que o melhor é ninguém andar a atirar pedras ao telhado do vizinho e, em vez disso, meterem a viola no saco. O Miguel Fernandes do Tribunal do Dragão explica muito bem a queda deste mito numa grande posta. Ver aqui.

segunda-feira, 9 de fevereiro de 2015

O derbi de Lisboa visto por dentro

Fui surpreendido no sábado pela minha namorada (leoa convicta, assim como quase toda a sua família) com um convite para ir assistir ao Sporting - Benfica do dia seguinte. "Há sacrifícios que todos temos de fazer a bem de uma relação saudável", pensei eu, aceitando assim o convite que me foi endereçado. E se havia jogo em que podia torcer pelo rival de Alvalade sem com isso sentir que estava a trair o meu FC Porto, o jogo de ontem era esse jogo, porque por muito que não goste do Sporting, a minha relação de animosidade com o Benfica é proporcionalmente inversa à minha paixão pelo azul e branco (não gosto nem um pouquinho do Benfica, nem tão pouco de tudo o que ser do Benfica representa. Desde o mau perder nas recorrentes derrotas até à bazófia desmedida nas pontuais conquistas). Para além disso, e não menos importante, uma vitória dos verdes e brancos deixaria o FC Porto a três pontos da liderança do campeonato, passando a depender apenas de si próprio para resgatar o título de campeões nacionais.

As previsões apontavam para casa cheia no Estádio José de Alvalade e para um jogo grande, recheado de momentos de espectáculo e animação. No entanto, tais previsões apenas se confirmaram em parte. Se por um lado é verdade que se bateram recordes de assistência na noite de ontem, por outro lado o jogo deixou muito a desejar em termos de qualidade e os momentos de animação só surgiram nos instantes finais. O Santa Clar...ups, o Benfica optou por dar todas as despesas do jogo ao Sporting, limitando-se a defender e a jogar directo na frente no desamparado Jonas. Jorge Jesus colocou um verdadeiro autocarro à frente da baliza de Artur, jogando da mesma maneira que o fizera no Dragão: como uma equipa pequena que se contenta com o pontinho e que nem contra ataques tenta esboçar. É incrível como é que uma equipa tão fraca como o SLB deste ano lidera o campeonato. Está a anos luz daquilo que produzia o ano passado e a qualidade individual dos seus jogadores faz-me remontar aos anos 90 e às equipas orientadas por Souness (e mesmo essas equipas tinham JVP, Poborsky ou Preud'homme...). Se o colinho da primeira volta não se repetir neste ultimo terço do campeonato (incrível como Maxi Pereira não foi expulso, mais uma vez), o Benfica só por milagre revalidará o título. Nem a organização colectiva que Jesus empresta à equipa lhes irá valer. Já o Sporting, mesmo tendo sido muito superior ao Benfica e mesmo tendo feito o suficiente para vencer o jogo, esteve longe de fazer uma exibição de grande classe. As ocasiões de golo contaram-se pelos dedos de uma mão e Artur acabou por não ser obrigado a grandes trabalhos, até porque Nani e Carrillo não estiveram particularmente inspirados, ao contrário de William Carvalho, que encheu o meio campo, e de Tobias Figueiredo, que esteve impecável na defesa.

Perto do final, e já depois de Artur ter simulado lesões repetidamente, Samaris corta a bola na direcção da sua baliza e João Mário aproveita o erro para surgir isolado na frente de Artur. O guarda redes brasileiro consegue defender a primeira investida do jogador do Sporting mas já não foi eficaz o suficiente para travar a recarga vitoriosa de Jefferson. O Sporting inaugurava o marcador aos 87 minutos e o estádio explodiu de alegria, festejando antecipadamente um triunfo que dificilmente fugiria. Ouviam-se Olés nas bancadas e também os tradicionais cânticos a picar os adeptos adversários. O pior viria logo depois, já que nem Marco Silva (que substituições são aquelas depois do Sporting se ter adiantado no marcador? erro de principiante), nem os jogadores sportinguistas tiveram a experiência e matreirice suficientes para meter o jogo no congelador nos 5 minutos que sobravam. O Benfica acabou por empatar quando o cronómetro marcava 93m30´. Jardel empurrou a bola para o fundo das redes de Rui Patrício (acabou por sofrer um golo no único remate enquadrado com a baliza), aproveitando bem uma série de ressaltos na área leonina na sequência de um balão de Pizzi. Tremendo balde de água fria em Alvalade, até porque o Benfica nada fizera para justificar a obtenção de um golo. 

No final do jogo estava triste pela minha namorada e pelo facto de ainda não ser desta que o FC Porto volta a depender apenas de si para ser campeão. No entanto, e mais friamente, penso que foi o melhor resultado possível para os azuis e brancos. Por um lado o Sporting ficou definitivamente afastado da luta pelo título e o ímpeto que vinham conquistando no último mês e meio sofreu um forte revés (até porque dentro de pouco tempo temos um FC Porto - Sporting). Por outro lado, o Benfica está agora a 4 pontos de distância, quando há duas semanas atrás se preparavam para jogar em Paços de Ferreira e todos davam como certo o aumento da distância para 9 pontos.
Ainda falta muito campeonato e depois do que vi ontem, acredito fortemente que somos os mais fortes candidatos ao título. Quem os viu na Madeira a festejar há dois anos, não pode ter deixado de esboçar um sorriso ao ver os festejos do Benfica pelo empate de ontem em Alvalade... Vamos Porto!

PS: A organização do jogo por parte do Sporting e/ou da PSP foi do mais amador que pode existir. Fazer entrar a claque do Benfica pela mesma porta dos adeptos do Sporting só podia dar mau resultado. Cheguei ao estádio às 19h20 e tive de esperar até às 20h20 pela entrada da claque do Benfica no recinto para finalmente ser autorizado a entrar também. Eram 20h28 quando me sentei no meu lugar, sendo que o jogo começou às 20h00. E não estamos a falar de bilhetes ao preço da chuva...O meu bilhete custou mais de 40 euros. É assim que pretendem levar gente aos estádios? É assim que se pretende promover este negócio? Que incompetência.

domingo, 8 de fevereiro de 2015

Moreirense 0 - 2 FC Porto: Vitória fundamental em jornada de grandes decisões


O FC Porto deslocou-se esta noite a Moreira de Cónegos para defrontar o Moreirense em jogo a contar para a 20ª jornada da Primeira Liga e trouxe para a Cidade Invicta um justo e merecido triunfo por duas bolas a zero. Numa jornada em que apenas um resultado interessava aos azuis e brancos (como quase sempre, refira-se), os comandados de Lopetegui foram competentes e aplicaram-se a fundo para não dar quaisquer hipóteses à bem organizada e complicada equipa verde e branca. Se por um lado é verdade que a equipa orientada por Miguel Leal é, em termos de qualidade individual dos seus jogadores, bastante inferior àquela que iniciou o campeonato e infinitamente mais fraca que a equipa portista, por outro lado é, também, verdade que as surpresas acontecem frequentemente no futebol e que nada é garantido (veja-se o exemplo do derbi de Madrid!). Com o triunfo alcançado, o FC Porto pressiona os rivais lisboetas em fim de semana de embate entre Sporting e Benfica. Irá o Benfica aguentar a pressão? Será necessário mais um pouco de colinho para impedir a aproximação de FC Porto e Sporting? Ou irão as águias subjugar os leões, afastando-os definitivamente da luta pelo título e mantendo uma distância confortável para os dragões? Resposta a estas perguntas amanhã à noite, sendo certo que o FC Porto ganhará pontos a pelo menos um dos adversários, podendo até ganhar pontos a ambos.

Relativamente ao jogo jogado, Lopetegui fez entrar a equipa que tão boa conta do recado tinha dado no fim de semana passado frente ao Paços de Ferreira. Martins Indi e Brahimi iniciaram, assim, o jogo no banco, onde tiveram a companhia de Quintero, Helton, Evandro, Aboubakar e Rúben Neves. Um banco de luxo, repleto de jogadores que vão ser, certamente, postos à prova nos próximos 30 dias (Guimarães, Basileia, Boavista, Sporting, Braga, Basileia). Os dragões entraram fortes e mostraram que queriam inaugurar o marcador com rapidez. Quaresma, Tello e Maicon (muitas dúvidas no lance em que o brasileiro surge cara a cara com o guarda redes Marafona) podiam ter aberto a contagem, mas o golo 5000 do FC Porto em jogos do campeonato estava reservado para o suspeito do costume. À passagem do minuto 29, Herrera descobre Jackson Martinez com um passe espectacular por cima da defesa contrária e o colombiano não perdoou, rematando de pé esquerdo para fora do alcance do guarda redes e defesas adversários.

Até ao intervalo os dragões baixaram muito o ritmo de jogo e o Moreirense aproveitou para tentar chegar perto da baliza de Fabiano, mas sem criar nenhuma verdadeira situação de golo iminente. Na segunda parte, o FC Porto voltou a entrar forte na tentativa de resolver o jogo assim que possível. Tello teve o golo nos pés, mas o seu remate passou rente ao poste. Os azuis e brancos carregavam e sentia-se que o segundo golo era uma questão de tempo. E assim foi. Herrera com mais uma fantástica assistência descobriu Casemiro solto ao segundo poste e o brasileiro não se fez rogado e empurrou com classe para o fundo das redes. Golo merecido do trinco do FC Porto, naquela que foi uma das suas melhores exibições de dragão ao peito.

A vitória já dificilmente fugiria e os jogadores portistas optaram por controlar o jogo até final. No entanto, houve ainda tempo e hipótese para aumentar a diferença no marcador, mas Tello assim não o quis. Nota negativa para o extremo que foi muito egoísta num lance de contra ataque, preferindo tentar fazer tudo sozinho quando tinha companheiros em óptima posição para finalizar facilmente. Um lance tirado a papel químico do lance no final do jogo em Alvalade...

Em termos individuais, nota bastante positiva para a dupla de centrais. Marcano no seu registo duro e simples e Maicon a fazer (finalmente) uma exibição sólida e sem provocar calafrios aos adeptos. Jackson e Oliver já se percebeu que não sabem jogar mal e a sua bitola é sempre alta. A principal surpresa para mim foi a performance de Casemiro. Já se tinham notado melhorias contra o Paços de Ferreira e ontem o brasileiro confirmou que está em muito melhor forma do que a apresentada no mês de Janeiro. Menos faltoso, mais solto e com muito melhor qualidade de passe (mais vertical e com muito menos tentativas de virar o jogo por alto). MVP!

Pela negativa, realce apenas para o individualismo de Tello e para algum desacerto de Quaresma na hora de centrar ou rematar à baliza. Nada de preocupante no caso de Quaresma, ao contrário do que sucede com o espanhol. Esperemos que Lopetegui tenha puxado umas orelhas no final do jogo.
Agora é hora de descansar (sexta feira há mais) e relaxar no sofá (no sofá não, que amanhã vou a Alvalade observar os nossos rivais) a ver o derbi. Podia ser como Lopetegui queria, mas não é possível. Que perca o Benfica, então!