Azul e Branco

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terça-feira, 10 de março de 2015

FC Porto 4 - 0 Basileia: Dragão de luxo espanta a Europa do futebol

O FC Porto recebeu e goleou esta noite a equipa suíça do Basileia e carimbou o passaporte para os quartos de final da melhor competição de clubes do Mundo. Quem teve a sorte de assistir ao jogo de hoje e quem gosta de futebol (mesmo não sendo portista) só pode ter ficado espantado com a qualidade exibida pela equipa orientada por Lopetegui. Deixo-vos aqui links do The Guardian, Globo Esporte, Marca, Uefa.com, ESPN e Bild. onde podem espreitar o se disse por esse mundo fora. A performance portista de hoje traduziu tudo aquilo que uma equipa tem de fazer em termos colectivos por forma a depois proporcionar aos mais virtuosos as oportunidades de fazer aquilo que eles melhor sabem. Foi um Porto motivado, conquistador, aguerrido, concentrado e inspirado aquele que se viu no Dragão e que levou a que Paulo Sousa e os seus jogadores perdessem a cabeça em muitos momentos do jogo (as entradas dos suiços foram assassinas e com um árbitro menos complacente teriam terminado o jogo reduzidos a 9...). A equipa, o treinador e os muitos adeptos que encheram o Estádio do Dragão estão, pois, de parabéns!
Lopetegui voltou a seguir a velha máxima de que "em equipa que ganha, não se mexe" e lançou de início o mesmo 11 de Braga (excepção feita, claro, à entrada de Aboubakar para o lugar do indisponível Jackson Martinez). No banco ficaram Helton, Martins Indi, Quaresma, Rúben Neves, Quintero, Gonçalo Paciência e o regressado Oliver Torres. Todos esperavam um jogo difícil e os primeiros minutos davam a ideia de que o FC Porto iria ter muitas dificuldades em contornar a pressão dos suíços e sua organização defensiva. Sensivelmente à passagem do décimo minuto, os Dragões começaram a ser capazes de incomodar o Basileia na sua primeira fase de construção e foram ganhando bolas à entrada do seu meio campo ofensivo. Numa dessas recuperações, Casemiro colocou a bola rapidamente em Tello que fugia para a grande área. Walter Samuel (como é que é possível um lenhador destes ser jogador de futebol?) carregou o espanhol pelas costas quando este apenas tinha o guarda redes adversário pela frente. Para estupefacção de todos os presentes, o árbitro sueco que dirigiu o encontro apenas assinalou a falta e deixou no bolso o correspondente cartão, o qual poderia ser, muito facilmente, encarnado. Na marcação do livre, Brahimi fez questão de castigar os suíços com uma execução fantástica que fez entrar a bola no ângulo da baliza contrária! Foi o terceiro golo de livre directo do argelino na Champions League desta época e o seu sexto no total.
A partir do golo, os jogadores azuis e brancos soltaram-se e o nível exibicional subiu consideravelmente. Os suíços, apesar da desvantagem mais acentudada na eliminatória, não alteraram a sua forma de jogar e contam-se pelos dedos de uma mão as vezes que se aproximaram da baliza de Fabiano com relativo perigo. Até ao intervalo, destaque apenas para três situações: 

Em primeiro lugar, para o choque violentíssimo entre Fabiano e Danilo, o qual obrigou à saída do capitão do FC Porto (substituído por Martins Indi, que se colocou na lateral esquerda da defesa, passando Alex Sandro para a direita). Felizmente, parece que foi maior o susto que a gravidade da lesão e o FC Porto já descansou os adeptos relativamente ao estado de saúde de Danilo. Que recupere bem e rápido, é o que se espera!
Em segundo lugar, para uma bomba do meio da rua de Aboubakar que tirou tinta ao poste esquerdo da baliza de Vaclik e para uma perdida de Tello quando estava isolado.
Em terceiro lugar, para os vermelhos perdoados a Derlis Gonzalez (entrada tirada a papel químico daquela que valeu o cartão vermelho a Maicon com o Boavista) e a Gashi (cotovelada em Martins Indi).

Ao intervalo, a vantagem mínima ajustava-se ao que se passara no relvado. Lopetegui sabia que um golo do Basileia empatava a eliminatória e podia causar muito desconforto nas hostes portistas. Era imperioso entrar bem na segunda parte e chegar ao segundo golo rapidamente, o que veio a verificar-se! Brahimi atraiu as atenções de vários adversários na esquerda do ataque e depois soltou a bola para Herrera à entrada da área no momento exacto. O mexicano bateu forte e colocado, fazendo a bola entrar junto ao poste mais distante. Estava feito o 2 a 0, em mais um golo de belo efeito

A partir deste momento, os suíços perderam a cabeça (Walter Samuel teve mais uma entrada assassina que apenas foi punida com cartão amarelo) e o FC Porto aproveitou para dar a estocada final. Tello sofreu uma falta a mais de 30m da baliza contrária e Casemiro decidiu tentar a sua sorte de longa distância. E em boa hora o fez, já que desferiu um indefensável Tomahawk à CR7! Justo prémio para aquele que foi o MVP da noite (quem o viu há dois meses atrás e quem o vê agora!).
Os suíços perceberam que a eliminatória estava definitivamente decidida e a sua organização táctica desapareceu na tentativa de marcar o golo de honra. Se é verdade que chegaram mais perto da área portista, não menos verdade é que abriram autênticas avenidas nas suas costas. Já com Rúben Neves (quantos jogadores no mundo marcam presença nuns quartos de final da UCL com apenas 17 anos? não haverá muitos, certamente) no lugar de Brahimi, Aboubakar não se fez rogado e aproveitou uma dessas avenidas no meio campo suíço para fuzilar o guarda redes contrário em grande estilo. Era o quarto golo do FC Porto esta noite e qual dos quatro o mais espectacular? Talvez opte pelo golo de Casemiro, mas é uma escolha muito difícil! Até final, nota apenas para a entrada de Quaresma (que ainda foi a tempo de ter uma perdida incrível na cara do guarda redes contrário) e para o bom controlo de bola dos dragões, fazendo escoar o tempo remanescente. 
Em termos individuais, não irei destacar mais nenhum jogador para além do MVP da noite. Quero, ao invés, realçar o magnífico trabalho colectivo que tem vindo a ser desenvolvido por Lopetegui. Apesar do que iremos ler e ouvir amanhã na comunicação social, na Champions League nada é alcançado sem suor e qualidade (veja-se o que o fraquinho Shaktar fez com o Bayern, o que o Schalke da Gazprom fez esta noite em Madrid ou até o que o Mónaco fez ao Arsenal há umas semanas). E o que o FC Porto fez esta noite e o que tem vindo a fazer enquanto equipa, só pode deixar os adeptos orgulhos. Não nos podemos esquecer que hoje alinhámos sem três dos quatro melhores jogadores do plantel: Danilo, Jackson Martinez e Oliver Torres. Temos também de realçar que jogámos com um central adaptado a defesa esquerdo e com um lateral esquerdo colocado no lado contrário. E mesmo com todas estas condicionantes, a equipa mostrou personalidade e deu mais uma prova de força. Não importa quem joga, o colectivo tem de ser mais que a soma das partes! E foi isso que eu vi hoje. Hoje vi uma equipa SER PORTO!

PS: Há umas semanas, Miguel Guedes dizia, penso que a brincar, que é mais fácil ou provável o FC Porto ganhar a Champions League que o campeonato. Hoje lembrei-me dessa frase e não pude deixar de sorrir. A ver o que o sorteio nos reserva para os quartos de final!

domingo, 8 de março de 2015

Antevisão Porto - Basileia: No Dragão para carimbar a passagem aos quartos




Estamos a pouco mais de 48h da segunda mão dos quartos-de-final da champions. Na Europa, o Porto é o único representante português numa competição onde ainda não perdeu este ano e tem revelado um futebol sempre ao mais alto nível. Este é o último jogo do "mês louco", que teve jogos contra Guimarães, Braga, Boavista, Basileia e Sporting. Não vacilamos, ganhamos todos os jogos para o campeonato, não deixando o nosso principal rival fugir.  Agora vem o segundo jogo contra o Basileia, depois de termos empatados a 1 num jogo que dominamos completamente.


Não querendo invocar fantasmas do passado, isto faz-me lembrar um pouco as eliminatórias contra equipas teoricamente mais fracas em que fomos eliminados; contra o Málaga fizemos uma primeira mão fabulosa, na qual "só" ganhamos 1:0 e fomos eliminados lá. Contra o Schalke fizemos uma segunda mão de outro mundo, mas o Neuer fez o jogo da vida dele e impediu-nos a passagem. Contra o Manchester fizemos um jogo incrível no teatro dos sonhos onde empatamos a duas bolas e depois no Dragão levamos com um golo de outro mundo do Ronaldo e nunca nos refizemos desse golo durante o jogo. Por isso o mais importante para este jogo: Esqueçam a primeira eliminatória! Esqueçam que estamos à frente! Vamos para cima deles como se da final se tratasse!


Eu sou bastante "sonhador" e todas as épocas, quer tenhamos um plantel com Falcao, Moutinho, Hulk e Fernando ou um com Rubens Júnior, Pavlin e Soderström, quer tenhamos um Mourinho, Villas-Boas, Jesualdo ou Paulo Fonseca a comandar, acho sempre que vamos ganhar tudo lá fora. Este ano não é diferente. Olhando para os últimos resultados das equipas teoricamente mais fortes, mais confiante fico, mas vamos vendo de jogo a jogo. Vamos a este jogo sem um dos nossos melhores jogadores do plantel (provavelmente o melhor, até). Aboubakar tem a tarefa difícil de o fazer esquecer. Apesar de não ter muitos minutos nesta época, sempre que foi chamado cumpriu o seu dever e nunca desapontou. Estou confiante que na terça não será diferente, creio que estamos perante dum excelente ponta-de-lança e que já está preparado para substituir o JM9 na próxima temporada!


O Basileia vem de uma vitória fácil por 3:0 contra o Thun. Não creio que o 11 inicial seja muito diferente do que apresentado quando fomos lá jogar há 3 semanas, com a excepção de Suchy, que viu o seu terceiro amarelo na primeira mão da eliminatória. Creio que se vão apresentar como lá, compactos na defesa, tentando surpreender no contra-ataque. Já o Porto deverá alinhar com um onze muito parecido que o das últimas duas jornadas, com Aboubakar a substituir Jackson e, possivelmente, Oliver no lugar de Evandro (apesar das boas exibições deste último nas últimas duas partidas). Alex Sandro, Danilo, Marcano, Maicon e Oliver estão em perigo de suspensão para o próximo jogo, caso o Porto passe. Pode ser uma condicionante para estes jogadores, mas espero que isso não influencie o jogo deles.

Espero daqui a umas semanas voltar aqui e escrever a antevisão da próxima jornada da champions.

sábado, 7 de março de 2015

SC Braga 0 -1 FC Porto: Tello volta a resolver em mais um jogo de sentido único

Era mais um jogo difícil, um jogo que exigia um grande FC Porto, e foi mais uma enorme demonstração de força, de organização, de vontade de vencer e de capacidade de suportar a pressão. A vitória trazida da Pedreira é tão justa quanto suada e permite aos Dragões continuarem a sonhar com o resgate do campeonato. O Braga pouco ou nada se viu e, certamente, não faltarão aqueles que desvalorizarão a performance dos azuis e brancos, argumentando que os comandados do ridículo (já lá vamos) Sérgio Conceição formam um conjunto fraco e sem qualidade. Isto é, tal como aconteceu com o Sporting no domingo passado e com o Basileia há umas semanas, a incapacidade de Braga, Sporting e Basileia colocarem em campo o seu jogo e de criam oportunidades de golo não será mérito de Lopetegui e dos seus jogadores, mas sim demérito dos adversários. Mas a isso já estamos habituados e nada há a fazer para o alterar, assim como não dá para alterar a (falta de) qualidade das perguntas colocadas nas flash interviews pós-jogo e nas conferências de imprensa. Aqui fica mais um belo exemplo dessa incompetência e mais uma resposta sem papas na língua do nosso treinador.
Quanto ao jogo, Lopetegui colocou em prática a velha máxima de que em equipa que ganha, não se mexe, escolhendo os mesmos 11 jogadores que alinharam de início na vitória sobre o Sporting. E, também, à semelhança do que sucedera no último jogo, o FC Porto não teve uma entrada forte em jogo. O primeiro quarto de hora foi aquele em que o Braga melhor disputou a partida, consequência dos muitos passes falhados pela defesa e meio campo portistas. Nesse período, os bracarenses tiveram o seu único remate perigoso à baliza, com o avançado Zé Luís a quase aproveitar um desentendimento entre Fabiano e Casemiro na sequência de um livre lateral.

Com o passar dos minutos, os azuis e brancos foram ganhando confiança, o cerco à área bracarense começou a acentuar-se e as oportunidades de golo surgiram. Tello deu o primeiro aviso num cruzamento remate que por pouco não surpreendeu Matheus; Jackson, Brahimi, e Herrera combinaram bem na área minhota mas não foram capazes de rematar com convicção suficiente; e Tello esteve perto do golo por duas vezes em cima do minuto 45, mas as suas tentativas saíram ao lado do poste e por cima da barra, respectivamente.

Quando Jorge Sousa apitou para o intervalo, o empate aceitava-se, mas a haver uma equipa que merecesse ir para os balneários a vencer, essa equipa era a do FC Porto. A segunda parte iniciou-se com a mesma toada do final da primeira metade. Os azuis e brancos entraram melhor que os bracarenses e um corte in extremis de Aderlan Santos a cruzamento de Alex Sandro deu a sensação de golo. Nesta altura do encontro, o Sporting de Braga limitava-se a despachar a bola das imediações da sua área, já que os dragões nem permitiam ao adversário esboçar qualquer reacção ou lançar contra ataques. Lopetegui queria mais, fez entrar Quaresma para o lugar de Evandro (passando Brahimi para o centro do terreno) e foi obrigado a substituir o lesionado Jackson por Aboubakar.

Os jogadores do FC Porto sabiam que apenas a vitória interessava e que não podiam ficar a lamentar a saída do seu capitão. Quaresma tentou a sua sorte de ângulo apertado, mas a bola saiu por cima da trave. E foi quando Lopetegui já pensava naquilo que podia fazer para aumentar (ainda mais!) o volume de ataque portista que surgiu o momento do jogo, o momento que fez explodir de alegria os milhares de adeptos que se deslocaram a Braga para apoiar o FC Porto. Tello recupera uma bola no meio campo e combina com Aboubakar; o camaronês, qual organizador de jogo experiente, espera que o extremo embale em direcção à linha defensiva contrária e efectua o passe no momento perfeito para que Tello ficasse na cara de Matheus. O resto, pois, o resto já se sabe, uma vez que já tínhamos visto Tello fazê-lo por três vezes frente a Rui Patrício. Muita classe e muita frieza do espanhol, que foi capaz de colocar a bola no buraco da agulha à saída do guarda redes. Conforme foi dito no último post, meus amigos, isto agora é como o Ketchup. A partir do último jogo e até final, acredito que os golos de Tello virão em catadupa.
Em vantagem no marcador, o FC Porto abrandou o ritmo de jogo, optando por controlar a partida e jogando com o relógio. Lopetegui substituiu (e muito bem) Brahimi por Rúben Neves e segurou o meio campo. Os bracarenses tentaram reagir, mas sem sucesso, não criando qualquer lance de golo junto da área de Fabiano até ao apito final, sendo que Aboubakar foi o único a conseguir colocar em sobressalto os guarda redes nos últimos instantes com um espectacular pontapé de bicicleta.

Em termos individuais, tenho dificuldade em atribuir o prémio de MVP deste jogo. Penso que o ponto mais forte do FC Porto neste jogo (e mesmo nesta época) foi o jogo colectivo. Mesmo assim, a ter de o atribuir a alguém, escolheria Marcano. O central espanhol exibiu-se a um nível elevadíssimo, quer a cortar lances de perigo do adversário, quer saindo a jogar. Merece estrear-se a marcar com a camisola azul e branca e acredito que esse dia está para breve. A grande nível exibiram-se também Tello (decisivo pelo terceiro jogo consecutivo) e Casemiro, principalmente na segunda parte. Pela negativa, não quero realçar ninguém, porque penso que ninguém o merece.

Para o final, deixo apenas uma pequena nota sobre o antigo jogador do FC Porto e agora treinador do Braga, Sérgio Conceição. Se o ridículo matasse, já não teríamos de ouvi-lo falar depois de jogos contra os dragões. À semelhança do sucedido no Dragão, vimo-lo mais uma vez a desculpar-se com a arbitragem e mais uma vez sem razão nenhuma. Se em vez de inventar prejuízos (não o ouvi falar depois disto...) se preocupasse em colocar a sua equipa a passar do meio campo contra o FC Porto, faria muito melhor figura. Dá a ideia que precisa de mostrar a "outros" que não é portista e que não obedece a ninguém, mas a única coisa que consegue com essa postura é tornar-se persona non grata aos olhos daqueles que o admiraram enquanto jogou de dragão ao peito. Triste.

Veremos o que faz o "líder" no jogo de amanhã em Arouca (de certeza que não é melhor ser em Aveiro?) e na recepção ao Braga. Muito daquele que será o desfecho deste campeonato será jogado nos próximos 8 dias. Vamos Porto, eu acredito!


quinta-feira, 5 de março de 2015

Antevisão SC Braga - FC Porto

São indiscutivelmente as equipas mais fortes e influentes do norte de Portugal que se defrontam hoje, em Braga, acauteladas, pois claro, as diferenças de dimensão, a história e a qualidade dos planteis.
O percurso no campeonato destas 2 equipas é muito semelhante, um começo titubeante onde se percebia que havia matéria prima mas os conjuntos não funcionavam. Com o evoluir do campeonato, Porto e Braga foram construindo e cimentando os seus planteis estando ambas, nesta altura, a viver a sua melhor fase da época.

O Braga, que lutava há várias jornadas com o Guimarães pelo 4º lugar, cimenta a sua posição na tabela classificava, deixando para trás o seu maior rival e cola-se ao Sporting, ameaçando assaltar o 3º lugar. 
O Porto, por sua vez, quebra o enguiço e finalmente vence um clássico, assim como vence um adversário de renome, algo que começava a deixar os adeptos impacientes, pois nos jogos de grau de dificuldade elevado o Porto não conseguia vencer nem convencer - como foi nos jogos contra o Benfica para o campeonato, contra o Sporting para a Taça e com o Basileia para a liga do campeões.

Voltando um pouco atrás, a vitória do FC Porto contra o Sporting não valeu só 3 pontos, afastou fantasmas e demonstrou o que esta equipa é capaz de fazer quando o conjunto funciona e as individualidades aparecem, mostrou um Tello que ainda não tínhamos visto, mostrou um Jackson a assistir, fazendo as vezes do Tello (e que assistências) ,mostrou um Evandro que é capaz de entrar no 11 e jogar como se jogasse a titular desde o inicio da época, mostrou que o Porto de Lopetegui está a crescer e a amadurecer.

Regressando a Braga, mais logo, só um resultado interessa ao Porto, os 3 pontos! Na corrida para a meta final começam a escassear quilómetros e zonas de ultrapassagem e se o Porto quer ser campeão tem de encarar estes jogos da recta final da competição como autênticas finais independentemente do adversário.

Amanhã será sem dúvida o teste mais difícil da época para o Porto, sim, era mesmo isto que queria escrever. Passo a explicar: o próximo jogo é sempre o mais importante, é sempre aquele que pode deitar tudo a perder e tudo a ganhar, é o jogo que pode dar os 3 pontos, assim como pode fazer com que uma equipa estagne na tabela classificava. Os jogos que já passaram já não contam, tudo aquilo que sabemos depois, só o sabemos porque já o vimos, adivinhar depois de ver é fácil. 
Espera-se um Porto forte que irá procurar assumir o jogo como é seu hábito, tendo de ter em atenção que o Braga é uma equipa que se lança muito bem no contra-ataque e tem jogadores tecnicamente evoluídos na frente que podem fazer a diferença. No entanto, o Porto tem mostrado bastante solidez na defesa, não concedendo praticamente golos nos últimos jogos, algo que seguramente quererá manter em Braga.

Finalmente deixo aquele que seria o onze que gostava de ver a alinhar no jogo de logo à noite.

Fabiano; Alex Sandro; Danilo; Maicon; Marcano; Evandro; Herrera; Casemiro; Tello; Quaresma; Jackson.
          Outros convocados: Helton, Indi, Aboubakar, Quintero, Brahimi. Hernani, Ricardo e Rúben.


          Antevisão ao jogo feita pelo Miguel Guimarães

segunda-feira, 2 de março de 2015

FC Porto 3 - 0 Sporting:Exibição colectiva de gala na noite de Tello e Evandro


O FC Porto recebeu e venceu inapelavelmente o Sporting no clássico disputado esta noite. Os mais de 43 mil adeptos que se deslocaram ao Estádio do Dragão em mais uma fria noite de domingo não deram, certamente, por mal empregue o seu tempo e dinheiro, já que puderam assistir a uma demonstração de força, qualidade e vontade de ganhar da melhor equipa do campeonato sobre um rival que há 3 semanas atrás não permitiu ao líder do campeonato efectuar um remate durante 90 minutos. Ninguém minimamente sério pode colocar em causa a justiça da vitória dos azuis e brancos (e em abono da verdade, não ouvi ninguém do SCP a fazê-lo) tal foi a superioridade demonstrada. Lopetegui considerou até que o resultado peca por escasso, e não faltou à verdade ao fazê-lo, conforme ficará visível a quem ler a crónica até ao final.
No que ao jogo diz respeito, o treinador espanhol optou por fazer entrar o 11 mais apontado nos prognósticos ao jogo. O brasileiro Evandro jogou de início no lugar de Quintero e Tello ocupou a vaga de Quaresma na frente de ataque, sendo que os três ausentes do Bessa por castigo (Danilo, Alex Sandro e Casemiro) também recuperaram a titularidade. O começo de jogo dos azuis e brancos não correu como pretendido e até ao primeiro quarto de hora de jogo os comandados de Marco Silva conseguiram equilibrar as operações e dificultar a saída de bola do FC Porto na primeira fase de construção (Maicon e Casemiro demoraram muito a entrar no jogo e falharam vários passes fáceis). No entanto, e apesar do quarto de hora inicial ter sido o melhor período do Sporting, os azuis e brancos não passaram por problemas de maior e Fabiano nem sequer foi posto à prova (nem então, nem em todo o jogo, o que é demonstrativo da performance dos azuis e brancos).

Com o passar dos minutos, os portistas tomaram conta do jogo e Jackson Martinez criou a primeira oportunidade de golo à passagem do minuto 16. Foi o tónico que os visitados precisavam e a partir desse momento não mais pararam de visar a baliza de Rui Patrício. Brahimi tentou o golo por duas vezes e Herrera em cima do minuto 30 quase conseguia um golo de pura classe após sentar duas vezes o central adversário antes do seu chapéu sair ligeiramente por cima da barra. O FC Porto estava claramente melhor que o adversário e sentia-se que o golo podia chegar a qualquer instante. E foi o que aconteceu poucos segundos mais tarde, naquele que foi o momento do jogo. E que momento esse! E porque as palavras apenas podem estragar a magia de Jackson e a frieza de Tello, não vou tentar descrever esse momento, esperando que se deliciem com o vídeo golo.

Os azuis e brancos mantiveram a pressão alta mas o resultado não se alterou até ao intervalo. Esperava-se uma entrada forte da equipa da casa por forma a tentar matar o jogo o mais cedo possível com a obtenção do segundo golo. O FC Porto voltou dos balneários com a corda toda e Tello combinou bem com Jackson, colocando o colombiano na cara de Rui Patrício, tendo o ponta de lança falhado um golo fácil. Pouco depois, e já com Quaresma em campo no lugar do desinspirado Brahimi, nova combinação entre os dois, mas desta vez com Jackson a servir o espanhol com um passe à Deco e o extremo ex-Barcelona a não vacilar na cara de Rui Patrício, aumentando a vantagem azul e branca com frieza e mestria.

O Sporting sentiu o segundo golo em demasia e deixou-se ir abaixo animicamente. A vitória dificilmente fugiria ao FC Porto e os azuis e brancos optaram por baixar um pouco o ritmo de jogo até final, mas sem nunca desrespeitar quem pagou o bilhete para ver 90 minutos de futebol e procurando sempre o golo (veja-se mais uma oportunidade desperdiçada por Jackson Martinez e também uma bola à trave cabeceada por Marcano) nas várias situações em que apanhou o Sporting mal colocado no terreno de jogo. E foi assim que surgiu o terceiro golo. Tobias Figueiredo tentou sair a jogar, mas o seu passe desastrado foi interceptado no meio campo portista por Quaresma que de primeira colocou em Herrera, sozinho entre linhas sportinguistas. O mexicano imitou Jackson nos passes à Deco e deixou Tello mais uma vez cara a cara com Rui Patrício. E como não há duas sem três, o espanhol concluiu o seu primeiro hat trick com a camisola azul e branca. Depois das boas indicações em Basileia e no Bessa, parece que Tello encontrou finalmente a confiança que necessita no seu jogo e aparenta estar embalado para uma recta final de campeonato à imagem dos seus pergaminhos. E, ou muito me engano, ou estamos perante uma situação semelhante àquela que originou a famosa frase de Cristiano Ronaldo: "O que custa é o primeiro, depois é como o Ketchup". Esperemos que sim, porque o FC Porto precisa do melhor Tello.

Em termos individuais, Tello merece claramente o prémio de MVP. Hat trick num clássico não é para qualquer um, ainda para mais quando o mesmo é composto por golos de belo efeito. Quase todos os jogadores apresentaram-se a bom nível. Jackson Martinez esteve sublime nas assistências, Herrera correu quilómetros, defendeu, atacou, assistiu, rematou e Alex Sandro e Danilo estiveram fortíssimos nos duelos contra dois adversários com muita qualidade, como são os casos de Nani e Carrillo. No entanto, opto por destacar a fantástica exibição de Evandro no meio campo azul e branco. Tudo o que faz, faz bem e com simplicidade e inteligência. É raro ver o brasileiro falhar passes, timings de entrada aos lances ou posicionamentos. TEM obrigatoriamente de jogar mais minutos, com ou sem Oliver. Pela negativa, Brahimi esteve ligeiramente abaixo dos companheiros de ataque e prendeu-se um pouco à bola. Casemiro e Maicon tiveram uma entrada em jogo desastrosa, mas conseguiram subir o seu nível de jogo e terminaram os 90 minutos já perto do nível dos restantes colegas. Sobre Lopetegui, nada direi. É o meu treinador e quanto mais oiço adversários chamarem o espanhol de Flopetegui ou de Lopatego, mais certezas tenho que é o homem certo no lugar certo. É que os últimos que tentaram enxovalhar foram o Mourinho, André Villas Boas ou Vítor Pereira...
Em resumo, continuamos na perseguição da equipa que ocupa o primeiro lugar e sabemos que, à imagem do que se viu hoje nestes lances (vídeo e vídeo) não podemos contar com a "sorte" de outros adversários. (Primeiro classificado esse que neste momento tem 59 pontos em 23 jogos. Ou seja, mais pontos que o grande Benfica do ano passado ou que o rolo compressor do ano do primeiro campeonato de Jorge Jesus. Ou ainda tantos pontos como as duas equipas do FC Porto que venceram na Europa nas épocas de Mourinho. Elucidativo, não acham?)

PS: O Braga jogou em Vila do Conde e nenhum dos seus quatro jogadores em risco de exclusão para o jogo com o FC Porto viu cartão amarelo. Já o Arouca jogou em Coimbra e dos cinco jogadores em risco de exclusão para o jogo com o Benfica, 4 deles viram cartão amarelo. E assim sobe para 17 (em 24 jogos) o número de jogadores que não defrontam o Benfica por estarem castigados. É mesmo preciso ter "sorte" nestas coisas.

PS2: Caro Bruno, está bom assim ou para a próxima apontamos a uma "manita"?


domingo, 1 de março de 2015

Antevisão Porto - Sporting

Estamos a cerca de uma hora do clássico desta jornada. O nosso maior rival já fez o seu trabalho ontem, agora é a nossa vez de voltar a meter a pressão do lado deles.


Lopetegui ainda não ganhou nenhum clássico, tem esta pressão adicional para o jogo daqui a pouco. Está a 7 pontos do rival, sabendo que dificilmente vão deixar que este perca pontos. Numa época "normal", perder pontos hoje não seria uma catástrofe, principalmente vendo o futebol praticado pelos rivais. Mas este ano é diferente, se hoje ficarmos a 6 ou 7 pontos da equipa do topo da tabela, muito dificilmente iremos recuperar essa desvantagem. Aliás, a comunicação social faz do jogo de daqui a pouco o "Jogo do título". Engraçado. No campeonato alemão, por exemplo, no qual o Bayern de Munique é MUITO mais forte que as restantes equipas, ninguém dá o campeonato como fechado, apesar dos 8 pontos de vantagem dos bávaros. Mas cá a realidade é diferente. Hoje, queiramos ou não, o jogo é para ganhar, ponto.



Não podemos contar com Óliver, Aboubakar e Adrian Lopez. O primeiro estava num grande momento de forma quando se lesionou, dificilmente substituível. A ausência dos 2 avançados implicará uma entrada de Gonçalo Paciência para o banco e, caso o jogo esteja por definir a uns 20 minutos do fim, muita pressão sobre o jovem português, que já deu muitas provas da sua qualidade futebolística. Mas, caso cheguemos a este ponto, não tenho dúvidas que o Gonçalo irá conseguir impor o seu futebol. Brahimi deve entrar para o lugar de Oliver, os restantes jogadores deverão ser os mais prováveis: Fabiano; Danilo, Maicon, Marcano e Alex Sandro; Casemiro, Herrera e Brahimi; Quaresma, Tello e Jackson.




Do lado do Sporting, o presidente já nos fez um favor e encostou um jogador, o Jefferson. De resto, o o 11 inicial não deverá divergir muito do seguinte: Patrício; Cedric, Tobias, Paulo Oliveira e Jonathan; William, João Mário e Adrién; Carrilho, Nani e Slimani. A principal arma deles será o contra-ataque, com jogadores rápidos na frente que podem decidir o encontro.

Vamos ter um encontro equilibrado, com muita pressão para os dois lados, visto que o Braga ontem também ganhou e se encostou ao Sporting.

Hoje é para ganhar, ponto. Certamente, teremos que comer "muita relva" como no estádio do Bessa.


terça-feira, 24 de fevereiro de 2015

Crónica Boavista - FC Porto - Na raça a manter as distâncias

Com uma vitória por 2:0 no Bessa o FC Porto mantém a distância para o primeiro classificado do campeonato do colinho. Mais um jogo em que a arbitragem não fica bem, mais uma vez contra os mesmos (ou a favor de outros, como preferirem).



Para além das 4 alterações forçadas que Lopetegui teve que efetuar, fazendo entrar como era previsto José Angel para o lugar do Alex Sandro, Ruben Neves em vez de Casemiro, Ricardo por Danilo e Quintero pelo lesionado Oliver, o treinador ainda deu (algo surpreendentemente) a titularidade a Hernâni por detrimento de Tello. Este último não acusou a pressão e esteve muito bem, tal como Ricardo e Ruben Neves. Já Quintero e José Angel estiveram uns furos abaixo do esperado. 

Num relvado péssimo, com muita lama num campo sintético (a tromba de água que caiu antes do jogo não ajudou, mas fiquei intrigado como apareceu lama no campo...), o jogo começou algo "encravado", com os "novos" jogadores a procurarem entrosamento entre eles e, como seria de esperar, com o Boavista a baixar muito as suas linhas, ocupando muito espaço no seu meio-campo, limitando-se a destruir o jogo portista. Aos 12 minutos surge a primeira jogada com pés e cabeça, mas uma má decisão de Quaresma, já dentro da área, não permitiu tirar frutos desta jogada. 

Dois minutos depois surge o primeiro grande caso do jogo. Após canto do lado esquerdo do ataque, marcado curto, sai um passe rasteiro para o primeiro poste, onde surge Marcano com um toque subtil de calcanhar para a zona da marca de penalty e aí aparece Hernani, que é derrubado pelo João Dias. O árbitro está a 10m do lance, sem que nenhum jogador lhe tapasse a visão e nada marca. Se realmente acha que não é penalty, porque não dá amarelo por pretensa simulação? Nem no erro esteve bem...

Até perto do intervalo o Porto não conseguiu criar nenhuma grande oportunidade de golo, apenas um remate frouxo de Jackson aos 19min e um pontapé de bicicleta do mesmo que em nada deu. Quintero não conseguia aparecer no miolo e assumir o jogo como Oliver o tem feito tão bem nos últimos jogos e as alas pouco funcionaram, muito por culpa do rigor defensivo do Boavista, que as taparam muito bem. Na minha opinião ainda ficou um vermelho por mostrar por uma entrada muito dura ao Hernâni aos 37min. Creio que nem falta, nem amarelo deu. No final da primeira parte temos a maior oportunidade do encontro, com o Jackson a falhar o que não pode (nem deve) falhar, após belíssimo passe de Quintero (a única vez que conseguiu mostrar um pouco da sua classe, aparecendo muito bem no centro do terreno e fazendo um passe magistral para JM9). As estatísticas demonstravam um domínio do FC Porto, mas não conseguia concretizar em oportunidades de golo. O Boavista só apareceu para fazer uns ataques às canelas e pouco mais.



No início da segunda parte, mais do mesmo: linhas muito baixas do Boavista, futebol durinho e impossibilidade do Porto encontrar espaços na muralha montada. Pelo meio ainda houve tempo para uma ou duas investidas do Boavista no meio-campo do Porto, para mostrar que Fabiano estava em campo e sabe defender. Uma entrada dura de JM9 podia ter corrido mal para o ponta-de-lança, mas o árbitro manteve o critério de não dar cartões, tendo ficado um amarelo por mostrar. 



Lopetegui começou a mexer na equipa, entrando Tello para a ala e Brahimi para o meio e o Porto continuava nas suas investidas no ataque até que, finalmente, aparece o golo do suspeito do costume, a passe rasteiro de Tello. A partir daqui o FC Porto tranquilizou, foi gerindo o esforço, tentando evitar umas entradas mais duras e perto do final, Brahimi "mata" o jogo com um remate na zona central muito bem colocado. Nota aqui para os festejos de Lopetegui, que a cada jogo que passa, demonstra mais o quanto vive o clube!

O Porto conseguiu uma vitória muito importante num campo tradicionalmente difícil, tendo ganho mais pela raça que demonstrou que pelo futebol de qualidade. Num jogo destes, é o que se pede: comer a relva!

Insólito: Já todos sabemos que o mundial de 2022 no Qatar está envolvido em polémica até dizer chega. Nestes dias, está uma Task Force da FIF(i)A a analisar a possibilidade de fazer o mundial em Novembro e Dezembro. Por um lado, faz todo o sentido, visto que no verão lá o calor é insuportável. Mas já estou a imaginar a final do mundial na noite de consoada. Qual bacalhau, vamos mas é todos ver a bola!

E estou mesmo a ver uma Premier League a aceitar ficar sem um "boxing day". Mas este problema já se sabia que ia acontecer no momento que fez a atribuição do campeonato do mundo.

segunda-feira, 23 de fevereiro de 2015

Antevisão Boavista - FC Porto: Valerá a pena continuar a acreditar nesta Liga Wrestling?

O FC Porto defronta esta noite às 20h00 o Boavista no Estádio do Bessa, em jogo que fecha a 22ª jornada da fraude que se tornou o campeonato deste ano. Aos azuis e brancos apenas a vitória interessa, depois do árbitro do Moreirense - Benfica ter dado de mão beijada mais três pontos aos encarnados. O mesmo árbitro que expulsou Maicon por uma falta a meio campo no FC Porto - Boavista da primeira volta (continua a ser o único jogador expulso com vermelho directo por uma falta a meio campo depois de decorridas 22 jornadas e quase 200 jogos) decidiu enviar para o banho mais cedo um adversário do Benfica alegadamente por este lhe ter dirigido algumas palavras menos simpáticas quando o resultado no marcador era de 1-1. 
Estamos a falar do mesmo árbitro que validou um golo a Luisão em Coimbra quando esteve estava mais de um metro fora de jogo (ver imagem) ou do mesmo árbitro que invalidou um golo ao Belenenses frente ao Benfica o ano passado (ver imagem) e que nesse mesmo jogo expulsou mais um adversário do Benfica por palavras. Com Jorge Ferreira, o Benfica ganhou SEMPRE, o que é demonstrativo do bom trabalho que vem sendo realizado por Vítor Pereira nesta Liga Wresting. Parabéns a ele e também a Marafona, pelo belo peru que serviu no sábado à noite. "Certamente" que é apenas mais uma coincidência e que as notícias postas a circular a semana passada nada têm que ver com o presente oferecido.

Neste momento, estou como o Miguel Guedes, do Trio de Ataque da RTP. Penso que será mais fácil e provável o FC Porto vencer a Champions League do que a Liga Wrestling deste ano. No entanto, o FC Porto tem de entrar em campo sempre para ganhar e eu continuarei a ser um daqueles tolinhos que sabe que está tudo combinado no que ao vencedor diz respeito, mas que continuará a vibrar com os jogos aos fins de semana.


Dito isto, vamos ao jogo de hoje. Depois de três amarelos cirúrgicos na jornada passada, o FC Porto não poderá contar com Danilo, Alex Sandro e Casemiro castigados para o derbi da cidade Invicta. Oliver e Adrian Lopez estão lesionados e também não poderão dar o seu contributo à equipa. Lopetegui foi, assim, obrigado a efectuar várias alterações na lista de convocados. O Boavista está longe de ser uma equipa de qualidade, mas um derbi é sempre um derbi e não se esperam facilidades para os azuis e brancos. Petit tentará incutir nos seus jogadores a característica que melhor o definia enquanto jogador: ou passa a bola ou passa o homem. Nunca os dois. Se a isto juntarmos um relvado sintético impróprio para um futebol de qualidade, temos a receita perfeita para um jogo complicado. Veremos, ainda, como se comporta o árbitro hoje. Só espero um critério semelhante ao FC Porto - Boavista da primeira volta ou então o mesmo critério de todos os jogos do nosso maior rival. Será sinal que o Boavista não acaba nem com 10 e que o FC Porto vencerá o jogo com maior ou menor dificuldade.

Equipa provável: Fabiano, Ricardo, Maicon, Martins Indi, Jose Angel, Ruben Neves, Herrera, Quintero, Quaresma, Jackson Martinez e Brahimi.












quinta-feira, 19 de fevereiro de 2015

Basileia 1 - 1 FC Porto: Só faltou a vitória em mais uma grande noite europeia

Voltaram as noites europeias da Liga dos Campeões e com elas regressou o melhor dragão da temporada. O resultado alcançado ontem em Basileia não traduz fielmente aquilo que se passou no terreno de jogo, uma vez que os azuis e brancos mereciam regressar à Cidade Invicta com a eliminatória praticamente resolvida, tal foi a sua superioridade em todos os aspectos do jogo, excepção feita à eficácia na finalização, razão pela qual só posso discordar da capa escolhida pelo JOGO.

A performance dos portistas fez parecer que os suíços não passam de uma equipa ao nível das que encontramos no Campeonato Nacional de Seniores cá do burgo, o que está longe de corresponder à verdade. Se por um lado não podemos esconder que a equipa comandada por Paulo Sousa é uma das menos fortes em prova nesta altura, por outro lado só quem não percebe de futebol de alta competição pode achar que os oitavos de final da melhor competição de clubes do mundo estão ao alcance de equipas vulgares. A verdade é que o Basileia que hoje foi dominado completamente no seu reduto é o mesmo que nos últimos anos venceu o Manchester United, o Chelsea, o Liverpool (estes na fase de grupos) e até o Bayern de Munique (o último em jogo a contar para a primeira mão dos oitavos de final de 2012). Dúvidas não restam, portanto, que na Champions League não existem almoços de borla e que, mesmo que os houvesse, o Basileia não seria o adversário generoso para os oferercer.

Lopetegui lançou de início um 11 em que a única surpresa foi a inclusão do espanhol Tello no lugar de Ricardo Quaresma, deixando Martins Indi no banco e optando por uma dupla de centrais que se tem apresentado a bom nível. O FC Porto entrou bem no jogo e conseguiu roubar a bola aos suíços, situação que se verificou durante grande parte dos 90 minutos. Apesar da primeira dezena de minutos não ter trazido quaisquer oportunidades de golo para os dragões, é justo dizer que o golo do Basileia surgiu, de alguma forma, contra a corrente do jogo. Na primeira vez que o meio campo adversário conseguiu trocar a bola à entrada do meio campo portista com alguma tranquilidade, os jogadores portistas erraram e sofreram um golo muito consentido. Herrera (que não pressionou o portador da bola), Alex Sandro, Marcano e Fabiano repartiram as culpas no golo madrugador do ex-benfiquista Derlis Gonzalez. Incrível o índice de eficácia que os adversários do FC Porto têm demonstrado esta época. O Basileia fez golo na única vez que entrou com a bola na área do FC Porto e o mesmo já havia acontecido nos jogos contra o Benfica e contra o Marítimo!
Os dragões não acusaram o golo sofrido e mantiveram uma postura séria e aguerrida em busca do golo do empate. Casemiro (2x), Brahimi e Danilo (2x)  tentaram a sorte, mas não foram felizes. Quem também não foi feliz e deu início a uma arbitragem desastrada foi o árbitro do encontro, deixando passar em claro uma grande penalidade evidente sobre Jackson Martinez e mostrando um cartão amarelo a Oliver Torres num preciosismo ridículo (especialmente quando comparado com o que sucedeu na 2ª parte no lance do penalti).

O intervalo chegou com 1 a 0 no marcador e o sentimento de injustiça já imperava. Lopetegui optou por não fazer alterações e a segunda parte iniciou-se com a tónica de sentido único dos primeiros 45 minutos a manter-se e com os suíços a abusarem das entradas violentas. A pressão alta e o ritmo forte parecia ter trazido os seus frutos, já que Casemiro empurrou a bola para o fundo das redes na sequência de um canto e o empate parecia ter sido alcançado. No entanto, o árbitro, numa decisão insólita, acabaria por anular a jogada e deu o dito por não dito, assinalando um fora de jogo ao ataque portista depois de ter deixado os jogadores azuis e brancos festejar o golo durante mais de um minuto. Não está aqui em causa a bondade da decisão (o fora de jogo existe), mas sim o porquê da decisão inicial ter sido alterada. Quem avisou o árbitro? Terá o árbitro recebido um telefonema directamente da sede da UEFA (que por acaso fica na Suíça)? Terá o sexto(?) árbitro visto o lance na TV e dado a indicação de que o golo deveria ser invalidado? Porque não fizeram o mesmo no penalti sobre Jackson na primeira parte?Não dá para compreender o que se passou!

Os dragões não se deixaram abater e continuaram em busca do empate. Tello e Jackson Martinez falharam boas oportunidades de facturar ambos depois de passes magistrais de Oliver Torres. Lopetegui lançava então Quaresma para o lugar de Brahimi e pouco depois Rúben Neves para o lugar do lesionado Oliver de Torres (tudo a rezar para que a lesão do nosso maestro não seja grave!).
E como quem (tant!) procura sempre alcança, o FC Porto chegaria ao empate à passagem do minuto 79. Walter Samuel corta um cruzamento com o braço dentro da área (surreal a forma como o árbitro decide não mostrar cartão amarelo neste lance! Seria o segundo, consequente expulsão e ausência na segunda mão da eliminatória) e Danilo não perdoa da marca dos 11 metros. Empate no marcador e do mal, o menos. O resultado continuava a não traduzir o que se passava no relvado mas permitia aos dragões passarem para a frente da eliminatória.

Até ao final, o FC Porto baixou um pouco o ritmo de jogo e optou por manter a posse de bola durante largos minutos. Já o Basileia, mesmo em desvantagem no marcador, em nada alterou a sua estratégia e nem um remate efectuou desde o golo de Derlis Gonzalez.

Em termos individuais, nota muito positiva para Herrera. Esteve em todo o lado, sendo um dos primeiros a defender e estando sempre disponível para atacar. Já se sabe que não é um primor de técnica ou um grande desequilibrador, mas foi importantíssimo no meio campo azul e branco. A defesa esteve globalmente bem e penso que o golo sofrido foi muito ingrato, já que parece-me ter surgido na sequência do único erro evidente cometido. Nota positiva para a boa entrada de Quaresma e para a classe demonstrada por Jackson e Oliver. Pela negativa, a primeira parte de Casemiro, a contrastar com as mais recentes exibições.

Finalmente, o treinador. Muito do mérito da campanha europeia é dele. Por muito que lhe queiram bater, por muito que nos queiram fazer acreditar que não faz mais que a obrigação (sim, porque o Leverkusen e o Monaco é que são bons), a verdade é que o FC Porto tem o melhor futebol do país e as portas dos quartos de final abertas. Bem bom, não? Se a isto juntarmos um discurso cada vez mais acutilante, assertivo e motivador, temos treinador!


PS: E vão três derrotas na Champions League este ano! Este wishful thinking tem tanto que se lhe diga.




segunda-feira, 16 de fevereiro de 2015

Antevisão Basileia - FC Porto: O regresso da Liga dos Grandes

Dois meses e pouco depois, a principal competição europeia está de volta, tendo como único representante português o FC Porto. Nesta minha primeira intervenção neste blog (o texto de hoje é escrito por mais um grande portista, Andreas Seufert, outra grande contratação deste estaminé) vou tentar fazer uma pequena análise ao Basileia, adversário do Porto dos oitavos da champions.

Comecemos com o óbvio: em termos de nomes das equipas adversárias que nos poderiam ter saído, esta era a menos sonante que nos poderia ter saído. Isto não quer dizer que é a mais fácil. Pessoalmente, preferia um Schalke ou um Leverkusen. Tem sido recorrente época após época que esta altura é a altura mais fraca do Leverkusen. E o Schalke? Primeiro, há aquele sentimento de vingança ainda da eliminatória contra o Super-Neuer. Segundo, pelo fraco futebol apresentado esta época. Mas não é deles que vamos falar aqui, é do Basileia.

Não há grande volta a dar, nós somos favoritos: ganhamos o grupo sem derrotas, temos um plantel mais forte e nem se comparam o currículo e a experiência europeia. Mesmo assim, e tenho esta opinião quer enfrentemos o Bayern, quer o Tirsense, temos que respeitar o adversário, não menosprezá-lo, mas sempre tentando impor o nosso futebol.
Comecemos pelos números:
Ficaram em segundo num grupo com Real e Liverpool. Em casa fizeram 3 jogos muito fortes: ganharam ao Liverpool por 1:0, deram 4 ao Ludogorets e perderam por 1:0 contra o Real. Já fora, foi bem pior, perderam(!) com o Ludogorets, levaram uma goleada do Real, mas, no momento da verdade, num jogo que não poderiam perder, foram empatar a Anfield.
No campeonato estão em primeiro com 8 pontos de avanço sobre o 2º, tendo este fim-de-semana empatado depois de 6 vitórias consecutivas. Tiveram há pouco o intervalo de Inverno, que deu tempo para recuperar forças e testar mais opções. Voltaram com uma vitória imponente em casa do Grasshoppers por 4:2, mas este fim-de-semana empataram a 1 em casa com o Sion.
Vou tentar tirar umas conclusões daqui: em primeiro lugar, é preciso ter cuidado com eles a jogar em casa (apesar deste último empate). Pelos resumos que vi (vamos ser francos, poucos devem ter sido que viram jogos inteiros deles, eu não vi nenhum, por isso esta análise vale o que vale), eles apresentam-se sempre muito disciplinados em casa, gostam de ter a bola e rodá-la no meio-campo a ver se encontram um espaço que se abra.
Vamos ao plantel. Não têm grandes nomes. Têm um Walter Samuel (lembram-se?), que não é usado regularmente (infelizmente, sempre o achei bom a enterrar J ). Têm um Marco Streller, avançado experiente de 33 anos, bastante alto (1,95m), sendo que esta última característica é a única que nos pode causar problemas. No meio campo têm o Fabian Frei, que assume o comando e tem uma visão de jogo muito boa, é preciso não dar-lhe tempo para pensar. São os nomes que melhor conheço, não me alongar nos outros. Mas em termos de equipa, são fortes e coesos. “Comem relva” e dobram-se muito bem. Nota ainda para o treinador português deles, o Paulo Sousa, que sabe muito bem o que é estar na champions. Começou por treinar as camadas jovens da seleção portuguesa, passando de seguida por Inglaterra, e, depois de passar por equipas bem mais modestas (Videoton e Maccabi Tel Aviv), foi parar ao Basileia. Em termos curriculares não tem muito para mostrar (apenas um campeonato israelita), uma taça húngara e a respetiva supertaça. Mas é muito acarinhado em Basileia, principalmente por causa dos bons resultados que tem tido nesta época.
Em jeito de conclusão: somos favoritos e temos tudo para passar. Mas os oitavos da champions são sempre os oitavos da champions. Eles não estão lá por acaso e, infelizmente, não seria a primeira vez que seríamos eliminados por uma equipa mais fraca no papel. 

Ver aqui os convocados para o jogo.


Insólito: Vou tentar deixar sempre deixar um toque do insólito do futebol no fim dos textos. Há duas semanas o Bayern empatou com o Schalke a uma bola. No início do jogo, Boateng foi expulso com vermelho directo, a federação alemã aplicou-lhe inicialmente 3 jogos de suspensão, mas depois baixou para 2. A justificação para não ter baixado para 1 jogo? O Neuer defendeu o penalty, por isso a penalização para o Bayern no jogo foi menor. (nota: na Alemanha costumam dar um jogo apenas por uma falta como último defesa a um avançado que se vai isolar, como neste caso, 2 ou mais para faltas violentas). O que penso é: se uma equipa já estiver a ganhar ou a perder por muitos, mais vale deixar entrar a bola então…