Azul e Branco

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segunda-feira, 11 de maio de 2015

FC Porto 2 - 0 Gil Vicente: Objectivos alcançados

Os Dragões venceram o Gil Vicente ontem ao final da tarde por duas bolas a zero e não permitiram que o Benfica concretizasse aquilo que já estava decidido ainda antes do campeonato começar. O jogo correspondeu às expectativas: pouco interessante, pouco intenso, de sentido único e de vitória anunciada. Um jogo tipicamente de final de temporada cuja principal nota positiva foi o bis de Jackson Martinez, o que permitiu ao colombiano distanciar-se de Jonas e Lima no topo da lista dos melhores marcadores, Quanto à equipa "orientada" por José Mota, e depois de mais uma exibição do Gil Vicente que fez jus à classificação que ocupa na tabela, é com muita satisfação que vejo que só um milagre fará os barcelenses alcançarem a manutenção

Julen Lopetegui lançou de início o 11 "adiantado" por este estaminé. Os Azuis e Brancos não tiveram uma entrada em jogo fulgurante, mas cedo chegaram ao primeiro golo. Jackson Martinez, lançado por Maicon, foi travado em falta na área (falta evidente, ficando apenas a dúvida se a infracção terá sido fora ou dentro da área - parece-me que penalti foi bem assinalado). No entanto, Ricardo Quaresma não conseguiu bater Adriano e o Estádio do Dragão pensou que teria de esperar mais um pouco até poder festejar o primeiro golo da partida. Puro engano. Na sequência do lance, a bola acabou por sobrar para o número 7 Portista na direita do ataque e o "Cigano" arrancou um cruzamento milimétrico para a cabeça de Jackson Martinez ao segundo poste não dar hipóteses ao guardião contrário. "Melhor assim", pensei!

O jogo entrou depois numa toada lenta e o intervalo chegou com a diferença mínima no marcador. Lopetegui não estava satisfeito com o rendimento da equipa e logo no começa da étapa complementar fez entrar Rúben Neves e Evandro para os lugares de Casemiro e Herrera, o que melhorou substancialmente a performance do conjunto Portista. As oportunidades de golo começaram a surgir com frequência mas o placard só voltou a sofrer alterações perto do apito final. Já com Tello em campo, Quaresma tirou um centro da direita, a defensiva gilista não conseguiu afastar a bola da área e Jackson Martinez protagonizou o momento do jogo, bisando com um espectacular pontapé de bicicleta. O matador colombiano ainda não abandonou o FC Porto e eu (assim como 99% dos Portistas) já tenho saudades do nosso melhor jogador!

Em resumo, objectivos alcançados: vitória e consolidação de Jackson Martinez na tabela de melhores marcadores. Se em termos exibicionais podemos dizer que a equipa alternou o muito bom com o medíocre, já em termos de resultado final a ideia que fica é que a diferença peca por muito escassa. Quanto a destaques individuais, o MVP vai indiscutivelmente para Jackson Martinez. Destaques positivos ainda para Quaresma, Danilo e para a entrada de Rúben Neves. Pela negativa, saliento as displicências de Alex Sandro e o jogo menos conseguido de Herrera.

PS: Isto chega a ser repetitivo, mas estou novamente encantado com a performance de Lopetegui na conferência de imprensa pós-jogo. Haja alguém no clube que não tenha medo de denunciar a pouca vergonha que foi este campeonato. Tal como Lopetegui, eu também não me esqueço da escandaleira que foram as primeiras 20 e poucas jornadas desta liga. O basco pode não ser perfeito (e não o é), mas é o meu treinador (vão lá procurar quantos treinadores do FC Porto encontram com 78 pontos em 32 jogos - não vão encontrar muitos e não sei se encontram algum com tantos pontos sem ser campeão!).

sábado, 9 de maio de 2015

Antevisão FC Porto - Gil Vicente: Só nos resta ir vencendo

Com o campeonato a caminhar rapidamente para o seu final e com tudo decidido no topo da tabela (quanto ao topo da tabela parece-me que tudo já estava decidido ainda antes do campeonato sequer ter começado), compete ao FC Porto ir vencendo os seus jogos e tentar adiar os festejos encarnados enquanto tal lhe for possível. Os Dragões recebem amanhã às 19h15 o Gil Vicente e, depois da vitória de hoje do Benfica, pouco ou nada estará em jogo para os azuis e brancos. Resta, assim, vencer, ser digno, lutar até final e, se possível, ajudar Jackson Martinez a sagrar-se rei dos goleadores.
As recepções ao Gil Vicente são, historicamente, muito acessíveis e o jogo de amanhã não deverá fugir à regra. Os comandados de José Mota formam um conjunto bastante débil, com muitas dificuldades em marcar golos e com uma defesa que deixa muito a desejar. Ao FC Porto exige-se que comprove dentro das quatro linhas o favoritismo que lhe é atribuído e que presenteie os espectadores com uma boa exibição e com a conquista dos três pontos. Importa, ainda, referir que os gilistas estão numa posição extremamente complicada na classificação e tudo irão fazer para não sair sem pontos do Estádio do Dragão. 
Lopetegui promoveu algumas alterações em relação à convocatória do jogo com o Vitória de Setúbal e fez regressar aos eleitos Danilo, Tello e Reyes para os lugares de Ricardo, Hernani e Marcano. É expectável que o treinador basco lance de início a equipa habitual: Helton, Danilo, Maicon, Martins Indi, Alex Sandro, Casemiro, Herrera, Oliver, Quaresma, Brahimi, Jackson Martinez.

PS: Depois da notícia do Maisfutebol publicada a meio da semana (a qual referia que este Super Benfica está a caminho de superar o razoável FC Porto de Mourinho), eis que hoje vemos que a máquina trituradora encarnada bateu o recorde de golos marcados do século XXI. Cada vez mais acredito que isto faz todo o sentido. Nunca na minha vida tinha visto uma equipa tão forte como esta e os resultados comprovam-no. Palavras para quê?


segunda-feira, 4 de maio de 2015

Vitória de Setúbal 0-2 FC Porto: Finalmente 3 pontos a Sul

O FC Porto deslocou-se ontem ao Estádio do Bonfim para defrontar o Vitória de Setúbal em jogo a contar para a 31ª jornada do campeonato. Com a vitória do Benfica em Barcelos na véspera, a partida frente aos sadinos (por que raio é que jogámos depois do Benfica?), assim como os restantes encontros até final da temporada, quase que serviu apenas para cumprir calendário. Infelizmente, o título está entregue e o segundo lugar já não nos vai fugir, o que se traduz em dificuldades acrescidas para Lopetegui conseguir motivar os jogadores e adeptos. 

Surpreendentemente, a equipa entrou forte no jogo e não pareceu muito afectada com o resultado do rival na véspera. Lopetegui optou novamente pelo 11 em melhor forma (excepção feita a Ricardo, que substituiu o castigado Danilo e ao fetiche Maicon - Helton, Ricardo, Maicon, Marcano, Alex Sandro, Casemiro, Herrera, Oliver, Quaresma, Brahimi e Jackson) e colocou a equipa a jogar no esquema táctico que melhores resultados trouxe este ano. O primeiro golo surgiu naturalmente, com Brahimi a concluir um centro de Ricardo após boa jogada colectiva pela direita. O FC Porto não abrandou e procurou o segundo golo com convicção, apesar da excessiva dureza dos adversários e da inenarrável actuação do árbitro Marco Ferreira, que tudo fez para impedir a vitória dos azuis e brancos. Alguém consegue explicar como é que uma equipa que passou o jogo a atacar e teve 70% de posse de bola acaba o jogo com 20 faltas assinaladas contra 10 do adversário? Pois, eu também não.

A segunda parte trouxe um FC Porto mais frouxo e menos concentrado e um Setúbal a mostrar novamente porque é que é uma das 4 equipas ainda em risco de descer de divisão. Lopetegui não ajudou e voltou a colocar um médio no lugar de um extremo (Evandro por Quaresma), como que passando a mensagem de que o importante era aguentar a vantagem ao invés de tentar ampliar o resultado. Substituição falhada e 25 minutos finais decepcionantes. Curiosa esta recente viragem para um 4-4-2, que tão maus resultados tem trazido, com Oliver a colar-se à linha quando temos a posse de bola...
Já sobre o apito final, Jackson Martinez acabou por fechar a contagem, concluindo com o pé esquerdo uma boa assistência do mexicano Herrera. Os Dragões regressavam aos triunfos para o campeonato em jogos a sul do Mondego, algo que já não acontecia desde Agosto de 2013. Faltam agora três encontros para terminar a época (recepções ao Gil Vicente e Penafiel + deslocação ao Restelo) e compete-nos vencê-los, adiando ao máximo os festejos do Benfica e ajudando Jackson a ser coroado novamente como Rei dos Goleadores.

segunda-feira, 27 de abril de 2015

Benfica 0-0 FC Porto: Empate comprometedor em jogo que deu sono

O FC Porto deslocou-se ontem ao Estádio da Luz com o objectivo de alcançar o Benfica no topo da classificação da Liga, sendo que para isso teria obrigatoriamente de trazer os 3 pontos para a Invicta. Muito se escreveu que os Dragões iriam (tentar) jogar para vencer por dois (ou mais) golos de diferença para assim passarem a ter vantagem no confronto directo em caso de empate pontual no final do campeonato. Como tive oportunidade de dizer, o Benfica não é uma equipa especialmente forte (e isso viu-se na maneira pequenina como jogou todos os jogos grandes esta época, tanto cá dentro, como lá fora), mas é uma equipa que é muito competente a defender e que contra equipas com qualidade apenas joga no erro do adversário. Seria, por isso, quase impossível vencer por vários golos de diferença e o objectivo do FC Porto apenas podia passar por dar tudo para marcar mais um golo que o adversário.

Infelizmente, não me parece que tal tenha acontecido no jogo de ontem. Muito honestamente, penso que faltou vontade de vencer e de dar um grito de revolta. O que vi ontem foi uma equipa entrar em campo com 4 médios centro de raiz (recuperando um sistema táctico que apenas nos trouxe dissabores esta época); uma equipa que retirou, ainda no início da segunda parte, um dos jogadores com capacidade para desequilibrar a partida; uma equipa que manteve um ponta de lança no banco os 90 minutos; uma equipa que nos últimos 60 segundos de jogo passou 45 a trocar a bola entre os defesas sem sequer tentar meter a bola na área adversária e que no final do jogo ainda nos presenteou com beijinhos e abraços com os adversários. Muito mau! Só de pensar que a última vez que o FC Porto precisou de ir vencer à Luz para não deixar fugir um campeonato, Vítor Pereira retirou um central (Rolando) e meteu um número 10 (James Rodriguez), trocou um médio centro (João Moutinho) por um ponta de lança (Kléber) e ainda pôs Djalma a fazer de defesa direito, dá-me vontade de chorar de saudades. Na altura, tivemos o prémio que fizemos por merecer! Vencemos 3-2! Este ano vamos ficar a assistir no sofá à festa do Benfica no Marquês. Comparar a vontade de vencer de ontem com a desse jogo... é impossível!

Não vou entrar em pormenores sobre o jogo, uma vez que o considero um dos piores clássicos a que alguma vez assisti. Se do ponto de vista táctico e estratégico até é possível considerar-se que o jogo tenha sido interessante, já do ponto de vista do espectáculo, da qualidade de jogo e oportunidades de golo o mesmo deixou imenso a desejar. No que diz respeito à arbitragem, acho que Jorge Sousa fez um trabalho razoável e sem influência no resultado. No entanto, gostaria de saber as proporções que este lance teria atingido caso Jackson Martinez tivesse feito a bola entrar na baliza em vez de ter acertado no poste. A bola está parada, o jogador do Benfica pontapeia a bola e, como é óbvio, ela passa a estar jogável, tal e qual como sucedeu no jogo Valência-Real Madrid este ano (3m35s). A sorte de Jorge Sousa foi Jackson não ter acertado com a baliza...

O campeonato está, muito provavelmente, perdido. Cabe no entanto ao FC Porto ser digno até ao final do campeonato e vencer os 4 jogos que faltam. Se por milagre o Benfica e o colinho não forem suficientes para os encarnados somarem 9 pontos, o FC Porto tem de saber aproveitar. Domingo jogamos em Setúbal (mais uma vez, apenas entramos em campo depois do Benfica ter jogado e sem possibilidades de colocarmos alguma pressão) e é necessário dar uma sapatada na apatia dos dois últimos encontros.

P.S: Pensei em fazê-lo num post independente e autónomo, mas acabei por decidir que faz mais sentido inserir no final deste post um texto que li hoje no facebook de mais um grande portista (Manel Brandão). Aqui vai:

"Falhamos, falhamos redondamente… Falhamos é muita gente, falharam eles, porque nós, adeptos, não lhes falhamos. Fomos incansáveis, estivemos sempre presentes, ida para Munique, regresso de Munique depois de um 6-1 - não para passar a mão pelas costas, mas para que soubessem que estamos com eles, e que no Domingo terão todo o nosso apoio para ir buscar o campeonato. Chegaram ao Altis, tinham lá adeptos, mais uma vez, a dar força a apoiar, a cantar.. Desde Braga, para a Taça da Liga, a passar por Basileia, e mais recentemente, em Munique.. Estivemos, nós adeptos, sempre presentes.
Chegou o dia da grande decisão, com todo o apoio do mundo, sem nunca baixarmos os braços, sem NUNCA deixarmos de cantar, porque sim, estávamos empatados 0-0 e aos 92’ fizemo-nos ouvir naquele estádio com 63 mil pessoas. Não temos, nem tivemos medo, mostramos totalmente a raça, o acreditar, o lutar, que deveria caracterizar todos aqueles que entram em campo com a camisola do FC Porto.
Os tempos mudaram, e infelizmente já não temos jogadores com a alma do Jorge Costa, com a raça do Paulinho, com o amor do João Pinto, com a capacidade de agarrar um jogo pelos colarinhos (quando as coisas apertam) do Deco… e falharam. Tiveram medo de jogar por estarem 60 mil pessoas caladas, aflitas, com o rabinho entre as pernas, por receber o Porto com 3 pontos de vantagem e com vantagem de 2-0 no confronto directo. Tal como os adeptos, a equipa entrou em campo cheia de medo, metida lá atrás, sem ambição, sem capacidade de fazer mais que aquilo. (QUE SERIA alguma vez, eu ir ver o Porto ao Dragão, a 4 jornadas do fim, com 3 pontos de vantagem, e o meu Porto não assumir o jogo, não querer NAQUELE JOGO, matar o campeonato… QUE SERIA). Mas os nossos jogadores não entraram com a vontade, e não tiveram a percepção do medo que estava do outro lado, do respeito, do assumir de inferioridade que vinha, dos 60 mil e 11 que estavam de vermelho.
Ontem tinham de dizimá-los, tinham de estar com a confiança nos 100, concentração nos 500, e vontade nos 1000%. Mas tivemos atitude à Benfica, tivemos medo, jogamos com alguma alma na primeira parte, mas tivemos sempre medo de ir para cima deles e mostrar que somos diferentes… não foram diferentes. O que faltou ontem? PORTO, faltou PORTISMO, raça do Norte, e azul no sangue. E estas características existem, não são uma utopia de que se fala. Aqui no Norte, cá no Porto, a história fala por si. Pedroto, se nos ouvires… Deves estar doente, a terra até deve tremer em cima de ti - contigo, ontem, eram 5-0 e Xeque-Mate!
Falhou o Lopetegui, e eu que sempre disse 100% Lopetegui, ontem digo bem claramente: FALHASTE. Não foste capaz de passar as ideias de jogo, e a mentalidade que devias. Falhaste porque o Rúben tem qualidade de passe, mas não é criativo, portanto ser ele a aparecer entre linhas à entrada do último terço, foi um erro. Na primeira parte criamos esse espaço entre a linha defensiva e média do Benfica, mas quem apareceu, não tinha soluções por jogarmos com 4 médios sem capacidade de rotura ofensiva. O Brahimi devia ter ficado de fora, não tem raça, não tem cabeça, não tem entrega, para neste momento ser titular neste jogo – Nem capacidade de encarar o merdas do Eliseu, COM AMARELO, foi capaz, e tive oportunidades para isso. Na segunda parte, faltaram soluções, o Hernâni entrou com medo de assumir o jogo, e também ele, teve oportunidade de o fazer, particularmente em duas jogadas, que a bola entra nas costas do Eliseu, e mesmo com a sua velocidade, preferiu voltar para trás.. O Quaresma, com 31 anos, já não tem pernas para fazer a diferença com o Porto a jogar a 40 metros da linha de fundo. (Tello… que saudades).
Por fim, nos últimos 10 minutos, mantivemos a mesma matriz de jogo, e mesmo a vermos que não funcionava, não tivemos capacidade de arranjar um solução, de tentarmos chuveirinho… não sei, qualquer coisa, qualquer coisa menos gastarmos os 3 minutos de compensação a trocar a bola entre o Danilo, Maicon, Marcano e Alex Sandro.
Falharam.. Mesmo com o colinho, hoje não somos primeiros, porque ontem falhamos, e o Porto a mim, habituou-me a não tremer nestes momentos. Ontem, faltou o meu Futebol Clube do Porto, e faltou porque o plantel não o tem."


quarta-feira, 22 de abril de 2015

Vamos levantar-nos ainda mais fortes

Hoje não me vou alongar, nem pretendo alterar nada do que escrevi aqui ontem. À semelhança da noite de ontem, o dia de hoje também não está fácil. E é normal que assim seja. Ontem todos (todos os Portistas, não falo dos outros medíocres que adoravam ter estado nuns quartos de final da Uefa Champions League e cujo único triste consolo é acreditar que o que se passou nestes 180 minutos envergonha ou de alguma forma diminui o orgulho que sentimos nesta campanha europeia e em ser Portistas) acreditávamos que podíamos fazer história. Ontem acreditávamos na magia do futebol. Tínhamos a esperança que David vencesse novamente Golias e que iríamos tocar o céu no final dos 90 minutos. Tal surpresa, tal momento mágico, tal alegria imensa não se concretizou. Mas não tem mal. Não tem importância. Não batemos as probabilidades desta vez, nem tão pouco o fizemos da última vez que chegámos a esta fase e caímos aos pés do Manchester United de Cristiano Ronaldo. Mas a verdade é só uma. Já fomos capazes de superar desafios semelhantes. Já houve situações em que nos transcendemos, alturas em que os astros se alinharam a nosso favor e fizemos história. E vimo-lo com os nossos próprios olhos. Ao vivo. A cores. Ninguém nos contou, não tivemos de ler sobre isso em lado nenhum. Estávamos lá! E essa alegria, essa magia, essa ilusão faz-nos acreditar que o iremos repetir novamente e faz-nos ter a certeza que podemos cair como caímos ontem, mas que nos iremos levantar ainda mais fortes com a noção exacta de que valeu a pena ter sonhado.

O post de hoje apenas pretende reforçar que ainda há muito por que batalhar esta época e que no Domingo é necessário que estejamos unidos para trazer os três pontos de Lisboa. E acreditem, um Porto ao nível daquilo que já nos demonstrou por várias vezes esta época é um Porto capaz de vencer tudo e todos, colinho incluído. Esta altura é de apoiar e dizer presente. É tempo de mostrar que não somos adeptos apenas de vitórias (embora elas sejam parte significativa do nosso ADN) e que, à imagem do que se viu ontem na chegada da equipa ao aeroporto, também nos cabe a nós, Portistas, ajudar a levantar a equipa. Só assim faz sentido ser-se adepto, só assim podemos dizer no final que o(s) título(s) também é(são) nosso(s).

Eu acredito, com tanta ou mais força do que acreditava ontem!

Um abraço Portista!


Bayern 6-1 FC Porto: O sonho europeu voltará para o ano.

Para desilusão de milhões de Portistas por esse mundo fora, o sonho europeu dos Azuis e Brancos terminou esta noite em Munique. Assistimos hoje a uma pesada (e justa) derrota perante aquela que é, para mim, a melhor equipa do planeta do momento e uma das melhores de sempre. Todos estamos tristes e desiludidos com o desfecho da eliminatória, principalmente depois das perspectivas abertas pelo brilhante jogo da primeira mão. Acabámos por ser goleados hoje e terminámos a eliminatória com um total de 4-7 (os milionários do PSG terminaram a eliminatória com 1-5, sendo que o golo dos franceses é um auto golo de um defesa do Barcelona, ou seja, pode acontecer a qualquer equipa que apanhe estes gigantes). É compreensível que a derrota custe a digerir e que num primeiro momento se tenda a considerar que tudo ou quase tudo está mal. No entanto, meus amigos, o FC Porto de hoje é o mesmo FC Porto que nos orgulhou a todos na semana passada e que mostrou que num dia sim (e na máxima força, sem adaptações na defesa) se pode bater de igual para igual com os gigantes. Por isso, tristes com a derrota, sim, mas nunca envergonhados desta equipa, nunca com vergonha de ser Portista, até porque vai ser esta que nos vai fazer sorrir no próximo Domingo e que nos vai fazer querer gritar aos sete ventos o quando gostamos de ser Portistas.

A tarefa que tínhamos pela frente era dificílima e, mesmo após a primeira mão, os alemães continuavam favoritos a garantir o apuramento para as meias finais. Em condições normais, e como lembrou o "nojento" Thomas Müller na antevisão ao jogo, o Bayern vencer o adversário em casa por duas bolas a zero para a Liga dos Campeões não é novidade nenhuma (esta época já tinham batido a Roma por 2-0, o CSKA por 3-0, o Shaktar por 7-0 e o Manchester City nem sabe como saiu de Munique apenas com 1 golo sofrido e nenhum marcado). Se a isto juntarmos as ausências de Danilo e Alex Sandro na defesa, sabendo que para os substituir teríamos sempre de promover adaptações, a tarefa que se avizinhava era praticamente impossível de superar. Só um FC Porto perfeito em todos os momentos do jogo poderia sonhar em discutir o jogo no Allianz Arena. E, infelizmente, não houve sequer vislumbre desse FC Porto esta noite.

Estou convencido que esse FC Porto, o nosso FC Porto, estará de volta no Domingo (nunca mais é Domingo!) e provará que merece resgatar o título ao Benfica em pleno Estádio da Luz. Hoje foi apenas um percalço, um trambolhão, uma pausa no crescimento desta equipa e no projecto de Lopetegui para o futuro. O sonho europeu voltará no próximo ano e se me disserem que perdemos 7-4 (ou 8-4 ou 8-5) nos quartos de final da Champions do próximo ano, eu assino já por baixo! Prefiro ser o "pior" dos oito melhores da Europa do que nem sequer marcar presença nos quartos de final!

O jogo em si teve pouca história para os Dragões. Começámos terrivelmente mal e o Bayern não nos deixou respirar. Enviou uma bola ao poste ainda dentro dos primeiros dez minutos e inaugurou o marcador pouco depois com o baixinho Thiago Alcantara a ganhar de cabeça a Maicon na pequena área; o segundo golo surgiu novamente de cabeça por Boateng na sequência de um canto (Fabiano muito lento a fazer-se à bola); o terceiro golo surgiu mais uma vez de cabeça por Lewandowski (Maicon a marcar com os olhos) a culminar uma grande jogada colectiva; o quarto golo apareceu de seguida num remate de muito longe de Thomas Müller (monumental frango de Fabiano) e o quinto golo teve de novo a assinatura de Lewandowski que fez balançar as redes com um potente remate cruzado (com Maicon demasiado passivo na marcação - que jogo tenebroso de Maicon e Fabiano!). 5-0 ao intervalo, zero remates efectuados pelo FC Porto. Elucidativo do massacre que sofremos.

Para a segunda parte, e certamente já com o Benfica no pensamento, Lopetegui fez descansar Quaresma e lançou para o seu lugar Rúben Neves (para mim o melhor dos Dragões no jogo de hoje), alterando o sistema táctico para um 3-5-2, com Maicon, Casemiro e Marcano na defesa, Herrera, Oliver e Rúben Neves no centro do terreno, Martins Indi e Ricardo nas alas e Jackson e Brahimi (acabaria substituído por Evandro) na frente. Surpreendentemente, a segunda parte foi bastante melhor do que a primeira e passámos a conseguir trocar a bola no meio campo adversário e a chegar perto da área de Neuer. O Bayern sentiu que a eliminatória estava ganha e retirou o pé do acelerador. O FC Porto aproveitou, reduziu por Jackson de cabeça após boa jogada colectiva pela direita e ficava a dois golos do apuramento. É evidente que dois golos em Munique são muitos golos... mas a verdade é que logo depois Jackson ficou a centímetros de voltar a facturar e de abrir totalmente a eliminatória. O Bayern sentiu o toque, voltou a acelerar e, após a expulsão de Marcano, acabou por fazer o sexto golo, num livre directo superiormente batido por Xabi Alonso.

P.S: Por fim, e deixo-o para o "P.S." exactamente por achar que não é o mais importante do jogo de hoje, tenho de comentar o 11 inicial escolhido por Lopetegui. Não vou tentar esconder ou fingir que não me apercebi do enorme erro de casting que foi a escolha de Reyes para defesa direito e a estratégia associada a essa escolha, a fazer lembrar Costa em Old Trafford com António Oliveira ou Nuno André Coelho no Emirates com Jesualdo Ferreira. É evidente que podem argumentar que com Ricardo a titular o descalabro teria sido igualmente assustador. E fazem-no bem! É até provável que assim fosse! Mas penso que, e vale o que vale, que a aposta do treinador espanhol saiu claramente furada, já que o mexicano pouco ou nada acrescentou a defender (por amor de Deus, o rapaz é do mais fraco que alguma vez vi!) e nada conseguiu fazer em posse de bola. Parece-me que a ideia passava apenas por aguentar a avalanche bávara e por retardar ao máximo o golo contrário, abdicando de pressionar alto, desistindo de subir as linhas e atacar o portador da bola como tão bem tínhamos feito (principalmente na segunda parte) no jogo do Dragão. Prefiro perder ou ser goleado tentando ganhar e discutir o jogo, do que perder a jogar à retranca. Mas adiante. Não é por um mau jogo ou por uma má opção que vou mudar a opinião que venho formando sobre a equipa e sobre o treinador desde Julho e que, como todos os que me lêem sabem, é bastante positiva.




terça-feira, 21 de abril de 2015

Crónica de antevisão ao Bayern - FC Porto: É HOJE!

É hoje!



É hoje que o Futebol Clube do Porto joga em Munique. O ontem já lá foi e da brilhante vitória na quarta-feira passada fica apenas a vantagem relativa.

A confiança no Reino do Dragão está no seu nível mais elevado desde a temporada 2010/11, e prova disso foi a despedida apoteótica, com centenas de Portistas a dirigirem-se ao aeroporto para dizer "presente!".

Alheio a toda essa azáfama Julen Lopetegui tem no entanto um grave problema para resolver: a ausência dos habituais titulares nas laterais!
E, na minha opinião, vai ser aqui que residirá a chave dos 90 minutos que nos esperam no Arena de Munique. Julen poderia ceder à tentação de apenas defender o resultado, numa cópia das meias finais de 2010 que opuseram o Inter de Mourinho ao Barcelona de Guardiola, mas isso seria trair não só os seus princípios como também os do Futebol Clube do Porto. Sobretudo deste Futebol Clube do Porto que permanece invicto na Europa nas vésperas da segunda mão dos Quartos de Final.
Apesar de sair de peito aberto no Arena não ser estratégia que costume resultar, o Borussia Mönchengladbach mostrou há quase um mês exacto (22.03) que a este Bayern também se pode ganhar em casa.
Esse jogo deve ter sido estudado pela equipa técnica do Porto algumas vezes e espero venha a servir de inspiração, acima de tudo porque acredito que a vitória em Munique não só é possível como preparar o jogo para a conseguir será a única forma de passar a eliminatória.

Fabiano na baliza com Maicon e Marcano à frente dele será o mais normal, mas não é certo, já cá voltaremos. No meio campo Casemiro, Herrera e Oliver devem voltar a servir Brahimi, Quaresma e Jackson e os 6 oferecem a garantia de meter o Bayern em sentido a partir do 1o minuto.



Voltando à defesa. Atendendo a que a ida de Indi para a esquerda é praticamente certa a grande incógnita está no lado direito. Existem 3 possibilidades e todas elas promoveriam uma adaptação: 

1) Ricardo fez a formação como extremo e, apesar dos progressos, ainda anda longe de poder ser considerado um lateral que ofereça garantias (defensivas) na Europa.
2) Maicon, que no passado já fez essa posição e a meu ver seria a melhor opção, desfalcaria o centro no entanto.
3) Reyes, que não tem rotinas nessa posição mas pode oferecer uma segurança no jogo aéreo que Ricardo não tem. E o jogo aéreo do Bayern vai ser uma das armas que Pep Guardiola vai usar certamente.
Acho que Julen vai apostar em Reyes para titular, mantendo Ricardo no banco, mas hoje mais tarde saberemos!

Aconteça o que acontecer hoje, a certeza de já ter deixado marca nesta edição da Champions League ninguém nos tira. A ambição de jogar pelo menos mais dois jogos vai certamente fazer com que os Azuis e Brancos, sejam os 11 em campo ou os 4000 nas bancadas, dêem hoje tudo de si na capital da Baviera.
Quanto ao Bayern München:

O Bayern conta com o regressado Schweinsteiger como a principal novidade, mas consta que Bernat e Ribery não treinaram, o que deixaria o Bayern coxo do lado esquerdo atendendo à ausência prolongada de Alaba. Sinceramente acredito que Guardiola quer ensinar a missa ao vigário, escondendo o espanhol e o francês até à hora de jogo, tentando imitar a jogada de mestre do FCP na 1a mão com Jackson Martínez.


Neuer na baliza (o que não aconteceria se vestisse outra camisola!), Lahm na direita, Dante e Boateng no centro e Bernat na esquerda, Xabi Alonso, Thiago e Schweinsteiger, Götze, Müller e Lewandowski.
Esse deve ser o onze dum Bayern ferido de morte e por isso mais perigoso que nunca, todavia exposto a sofrer o golpe de graça.
E que graça teria que fosse hoje...


Crónica escrita pelo grande portista Ricardo Lima, que muito nos honrou por ter correspondido ao convite!

domingo, 19 de abril de 2015

FC Porto 1-0 Académica: Serviços mínimos rumo ao título

O Futebol Clube do Porto apresentou ontem o 11 mais “surpreendente” da época em jogos a contar para o campeonato.

Com o desgaste do jogo de 4ª feira e já com a segunda mão em vista, Lopetegui mudou 9 jogadores, mantendo somente Fabiano e Alex Sandro (que jogou a central).

Eram esperadas mexidas na equipa pelos motivos acima mencionados, mas eventualmente não de maneira tão radical, no que diz respeito ao numero de mudanças e também de certo modo a surpreendente posição a que jogou Alex Sandro.
Mas vamos ao jogo - os primeiros 10 minutos de jogo foram o espelho das mudanças. A equipa não entrou mal mas via-se que o entrosamento entre jogadores não era o melhor, dado que raramente jogaram juntos de inicio. No entanto, com o passar do tempo e à boleia de uma grande exibição de Evandro e de Hernani, a equipa começou a chegar mais vezes e com mais perigo ao ultimo terço do terreno. 

Foi então que aos 12 minutos Hernani (de mota) ganha na velocidade ao defesa da Académica e remata forte, Cristiano faz uma defesa de recurso e a bola acaba por cair novamente nos pés de Hernani, que só com o guarda-redes pela frente remata forte e sem hipótese de defesa.

A partir dai, o Porto controlou sempre o jogo, o meio campo estava forte na recuperação de bola e na pressão à saída da defesa da Académica, que só uma vez no jogo e devido a um erro clamoroso de Alex Sandro, que num passe na horizontal na defesa entrega a bola de bandeja a Rafa, no entanto o mesmo com espaço e tempo para decidir melhor rematou ao lado.

O resultado era, no entanto, perigoso e escasso. Na segunda parte Lopetegui mexeu meteu Oliver, Jackson e Marcano. Com estes 3 jogadores em campo a equipa que começava a baixar ligeiramente a guarda, voltou a recuperar na totalidade as rédeas do jogo. 

Os únicos episódios dignos de registo na segunda parte foram, num trabalho notável ao nível de recepção de bola e desmarcação Jackson disfere um remate cruzado que só devido à grande defesa de Cristiano é que a bola não acabou no fundo das redes e novamente o mesmo protagonista foi o autor de um falhanço clamoroso a 1 metro da baliza escancaradamente aberta envia a bola por cima da trave.

Dever cumprido, 3 pontos ganhos, grande exibição de Hernani, Evandro e na minha opinião José Angel. Um jogo com pouca história mas muito importante naquilo que são dos objectivos do Porto que ontem jogou em dois campos.

Lopetegui conseguiu o melhor dos dois mundos, poupou quase toda a equipa para 3ª feira e conseguiu ainda assim o que era impreterível - os 3 Pontos.

Crónica de Miguel Guimarães

quarta-feira, 15 de abril de 2015

FC Porto 3-1 Bayern München: Mais uma noite europeia que nunca esquecerei

Se é verdade que depois das derrotas a vontade de escrever é nula e as palavras não surgem com clareza, não posso esconder que, também hoje, depois daquilo que tive a sorte de ver, escrever a crónica ao jogo é uma tarefa hérculea e de execução quase impossível. Em dias como os de hoje, e nós portistas já vivemos vários dias assim (lembro-me do empate em Old Trafford, recordo-me das vitórias em Sevilha ou na Corunha e nunca esquecerei a exibição de gala nas Antas frente à Lazio de Roma, entre tantos, tantos outros), um sentimento de alegria imenso e de orgulho desmedido apodera-se de mim e as inúmeras ideias que povoam a minha mente não passam para o "papel" de uma forma genuína e simples. Confesso que já tinha saudades de uma noite europeia deste calibre, de uma noite em que teríamos vencido qualquer equipa que nos tivesse aparecido pela frente. E hoje a infeliz equipa que teve o azar de comparecer no Estádio de Dragão foi, apenas e só, a melhor equipa do mundo, a qual assistiu ao vivo (assim como todo o mundo do futebol) a uma enorme demonstração de força do FC Porto. Nada está ganho, estamos no intervalo da eliminatória e não sei se iremos ou não conseguir o apuramento, mas como diz o grande Miguel Guimarães, "esta vitória já ninguém me tira" e isso, por hoje, chega-me.

Ambiente fantástico num Estádio do Dragão lotado
Lopetegui avisou que queríamos ser protagonistas, que estávamos com ganas de mostrar o nosso valor e foi exactamente isso que se viu desde o apito inicial. Logo à passagem do segundo minuto de jogo, o regressado Jackson (nem parecia que voltava de uma paragem superior a um mês) roubou uma bola a Xabi Alonso à entrada da área adversária, aparecendo isolado na cara de Neuer, que acabou por derrubá-lo quando este se preparava para inaugurar o marcador. O árbitro assinalou a grande penalidade mas perdoou escandalosamente o cartão vermelho ao alemão. Marcando falta (que me parece existir), não havia como não expulsar Neuer (o Bayern ficaria reduzido a 10 jogadores durante 90 minutos e Neuer falharia, ainda, a segunda mão). Quaresma não tremeu e inaugurou o marcador, enviando a bola para um lado e o gigante alemão para o outro.

"Não podia haver melhor início de jogo", pensei. Errado! E o que é melhor que marcar um golo nos instantes iniciais? Marcar dois golos, pois claro! Quaresma pressionou Dante no centro do terreno, roubando-lhe a bola com determinação e caminhou sozinho para a área bávara. À saída de Neuer, e num gesto técnico idêntico àquele que utilizou frente a Petr Cech em Stamford Bridge em 2007, Quaresma não perdoou e aumentou a vantagem dos Portistas, levando o lotado Estádio do Dragão ao delírio
Festejos de Quaresma com o castelo bávaro a desabar ao fundo
A táctica idealizada por Lopetegui surtia efeito e os jogadores do Bayern pareciam surpreendidos e desconfortáveis com a pressão sufocante dos azuis e brancos. Infelizmente, e certamente por mérito do Bayern, à passagem dos 20 minutos a equipa Portista começou a recuar as suas linhas e apenas conseguia defender à entrada da sua área. A equipa de Guardiola não criava perigo de bola corrida mas o FC Porto também não arranjava soluções para se estender no terreno de jogo. O golo dos bávaros acabou por surgir na sequência de um canto, com Thiago Alcantara a aproveitar bem uma desatenção da defesa Portista, colocando alguma justiça no marcador. Até ao intervalo a toada de jogo manteve-se e foi sem espanto que as equipas foram para os balneários com 2-1 no marcador.

Quando todos pensavam que a segunda parte iria ser uma réplica daquilo que o jogo nos mostrara a partir dos 20 minutos de jogo e que o Bayern iria encostar o Dragão à sua área, eis que surgiu o melhor FC Porto de toda a temporada, o melhor FC Porto de há muitos anos a esta parte. O que se viu o FC Porto fazer ao Bayern em grande parte da étapa complementar foi, muito provavelmente, inédito. Quem diria que uma equipa em vantagem frente ao Bayern teria capacidade para ter bola, pressionar alto, criar oportunidades e, mesmo assim, não permitir grandes veleidades aos alemães? Observem o quadro com as estatísticas do jogo e tentem encontrar algum outro jogo em que o Bayern tenha rematado e criado tão pouco!

A cereja no topo do bolo que foi a segunda parte dos Dragões estava reservada para Jackson Martinez. O colombiano carimbou com um golo o seu regresso à competição e colocou justiça no resultado final, finalizando de pé esquerdo com classe depois de fintar Neuer. O resultado dá legítimas esperanças de apuramento ao FC Porto e permite encarar a segunda mão com confiança, sabendo que o sonho continua vivo.




Em termos individuais, gostaria de destacar Casemiro, jogador que tanto critiquei há dois/três meses atrás. Esteve simplesmente brilhante na defesa do meio campo portista e tentou sair a jogar com simplicidade de processos, apesar da forte pressão germânica. Não posso também deixar de elogiar a prestação de Quaresma, absolutamente decisivo na frente e com disposição para ajudar na defesa, assim como tenho de sublinhar as performances de Oliver, Jackson e Alex Sandro. Pela negativa, não me parece justo realçar nenhum jogador, apesar de Herrera ter estado algo desastrado a sair a jogar e de Brahimi ter complicado algumas vezes na primeira fase de construção.

Terça-feira há mais! Infelizmente sem Danilo e Alex Sandro, excluídos por acumulação de amarelos, mas com outros que certamente nos deixarão orgulhosos e que tudo darão pela passagem às meias finais. A cair, será certamente de pé, e isso é tudo o que podemos exigir!
Antes disso, regressa a liga portuguesa e sábado às 18h00 (parece que a Liga não autorizou o adiamento, certamente a torcer por um tropeção do Dragão) recebemos a Académica em mais uma dura batalha neste caminho que nos levará ao título de campeão. Sim, porque a jogar assim, não há #colinho que resista a este Dragão! Será mais uma oportunidade para jogadores como Quintero, Aboubakar, Ricardo, Evandro e Rúben Neves dizerem "presente" e mostrarem que também têm valor.
ACREDITEM!
Vídeo dos golos com melhor qualidade: aqui.

PS: Aqueles que diziam que só passámos os grupos e os oitavos de final da Uefa Champions League porque tínhamos apanhado equipa fracas, neste momento, ou "já não ligam muito a futebol" ou estão fechados no quarto a tentar inventar argumentos mirabolantes para o que se passou hoje no Dragão. ENORME PORTO!







segunda-feira, 13 de abril de 2015

Antevisão FC Porto - Bayern - Façam história miúdos

Nota prévia: Como luso-alemão sigo o campeonato alemão como o português. Sou adepto fervoroso do Karlsruhe, equipa da 2ª divisão alemã. Em relação ao adversário de quarta para a Champions, tenho um sentimento: Gosto deles tanto como do nosso principal adversário dentro de portas, que partilha a cor vermelha: só gosto deles a perder.



Quem pensa num jogo nosso contra o clube todo-poderoso da Alemanha lembra-se forçosamente da mítica final de Viena. Os mais "experientes" (não vou chamar velho a ninguém ;) ) entre os nossos leitores lembram-se certamente de ver ao vivo o mítico jogo de 1987, do calcanhar de Madjer e do Juary a festejar à beira da bandeirola de canto de joelhos, com os braços no ar a agradecer a Deus. Eu ainda não tinha grande capacidade para absorver o jogo com os meus 2 aninhos de idade, mas o meu pai, alemão e um grande Portista, filmou o jogo. Sim, filmou o jogo que estava a passar na TV com a sua câmara de vídeo, para mais tarde podermos (eu e o meu irmão) recordar. Aqui fica uma versão mais atualizada do que se passou há 18 anos.
Mas também é difícil esquecer a eliminatória de 2000, num jogo em que empatamos a segunda eliminatória aos 90' e sofremos logo a seguir o golo que nos eliminaria da prova. Lembro-me bem dum comentário do meu primo sobre o árbitro da segunda mão: "Este cabrão do Dallas, dá-las só para um lado". Espero que o árbitro não seja o centro das atenções durante a eliminatória...


Chega de nostalgia, vamos ao que interessa, o jogo de quarta. Comecemos pelo Porto: Depois de 2 jogos na Madeira não muito bem conseguidos (para não dizer pior), vieram duas vitórias tranquilas, onde voltaram a impor o seu futebol. Não estamos a falar (nem de perto) de adversários ao nível de um Bayern, mas não se pode dizer que o jogo em Vila do Conde eram favas contadas. O 11 inicial não deverá mudar muito em relação ao apresentado frente ao Rio Ave; Jackson parece que continua de fora (nem que já esteja a treinar a 100% duvido que entre num jogo deste calibre após uma lesão tão prolongada) e certamente irá fazer-nos muita falta. Marcano estará de fora por acumulação de amarelos e entrará Maicon para o lugar dele. Maicon terá que estar no melhor das melhores da sua forma e mesmo assim não sei se chega (não sou o maior fã dele...). De resto deveremos ter Danilo e Alex Sandro a laterais e Indi ao lado de Maicon, Casemiro a trinco, com Herrera e Oliver mais à frente, Quaresma e Brahimi nas alas a assistirem Aboubakar. Agora fica a dúvida: como abordar o jogo?



Acho sempre que devemos ser nós a impor o nosso jogo e não adaptarmos-nos ao jogo do adversário. Obviamente que é sempre necessário uma certa adaptação, mas a base do jogo tem que ser nossa. Neste caso é trocar a bola nas nossas linhas até encontrar uma brecha na defesa adversária e manter a pressão alta quando perdemos a bola (atacar logo com 2 jogadores o portador da bola). E isto é tudo muito bonito, mas quando o adversário é treinado por Guardiola isto pode dar muita asneira, pois por norma as equipas dele rodam melhor a bola que nós, pressionam mais e correm mais (para além dos jogadores terem uma melhor qualidade individual). Por isso peço para esquecerem os bitaites clássicos de treinadores de bancada (do estilo das que escrevi há 3 frases atrás). Esqueçam o que acham melhor e o pensam que devia ser feito. Vamos confiar no Lopetegui. Tenho a certeza que anda a estudar este jogo desde o sorteio, anda a ver a melhor abordagem táctica e a melhor maneira de sair vencedor na quarta e na eliminatória. A equipa técnica e os jogadores devem ter visto inúmeros vídeos de jogos deles e analisado tudo ao pormenor. Os nossos 11 jogadores serão relativamente jovens e a maior parte com pouca rodagem nestas andanças, mas estou confiante que farão tudo para atingir o melhor resultado possível e terão a lição muito bem estudada.


Vamos agora ao nosso adversário. Comecemos pela lista de lesionados: Robben, Ribbery, Schweinsteiger, Alaba e Javi Martinez e Benatia. Isto até parecem boas notícias, mas olhando para os que "sobram" podemos concluir que a qualidade dos substitutos não é inferior aos que não vão jogar. Xabi Alonso, Götze, Thiago, Müller, Lewandowski e afins seriam titulares indiscutíveis na nossa equipa. E jogando com estes jogadores não os fará mudar o sistema de jogo: posse de bola, muitos passes curtos, pressão dentro do meio-campo adversário e jogar sempre no erro do oponente. Teremos que estar muito concentrados, ser estupidamente eficientes (que infelizmente não tem sido o nosso forte) e não fazer erros na defesa (algo que acontece com muita frequência).



Venha quarta. Venha o Bayern. Vamos encher o Dragão e não calar-nos o jogo todo. Eu acredito.


Façam história miúdos.