Uma vez que não pude ver o jogo
frente ao Cruz Azul na passada segunda-feira, a partida de ontem frente ao
Chivas Guadalajara permitiu-me ter uma primeira impressão deste novo FC Porto.
E como não existem segundas oportunidades para causar uma boa primeira
impressão, o conjunto Azul e Branco não se fez rogado e apresentou-se a um
nível muito interessante, principalmente nos primeiros 45 minutos.
Alinhando de início com Iker,
Ricardo, Filipe, Marcano, André André, Oliver, Hernani, Octávio, Tiquinho Soares
e Aboubakar, o timoneiro Portista tentou e conseguiu impor um ritmo de jogo
muito forte e implementou uma pressão alta asfixiante.
A primeira parte do jogo foi
praticamente de sentido único e o FC Porto embalado, também, pelo golo madrugador do avançado camaronês, podia ter chegado ao intervalo com uma
vantagem mais confortável do que aquela que o marcador assinalava (Octávio fez o segundo golo à passagem do minuto 42, culminando de cabeça uma excelente
jogada colectiva).
A segunda parte foi bastante
diferente dos primeiros 45 minutos, fruto das muitas alterações verificadas em
ambas as equipas (de todos jogadores que participaram no estágio na América
Central, apenas Diego Reyes, Danilo e João Costa não jogaram ontem), o que
levou a que o jogo fosse mais aberto, de parada e resposta, com mais desequilíbrios
e com mais oportunidades de golo nas duas balizas, tendo o FC Porto voltado a
pecar muito na finalização.
Em termos colectivos, e em comparação
e contraponto com a época passada, e apesar dos jogos de preparação poderem
enganar imenso, como aconteceu com a boa pré-época do FC Porto de Paulo Fonseca
e com a decepcionante preparação do FC Porto de André Villas Boas, fiquei muito
entusiasmado com duas coisas: com a vontade de pressionar no campo todo (apesar
de na TV ter ficado com a ideia que ainda existe muito espaço entre sectores,
fruto de uma linha defensiva demasiado recuada no terreno) e com a tentativa de
sair sempre a jogar pelo chão, fazendo recuar um dos médios centro para “pegar
no jogo” e adiantando muito os laterais.
Individualmente, e pela positiva,
Oliver encheu o campo e mostrou que
quando o futebol é jogado com a bola no chão, e não em pontapés constantes da
defesa para o ataque, como se via o ano passado, será “o” jogador chave do FC
Porto. Ricardo Pereira apresentou-se
também a um excelente nível e confirmou que pode oferecer um leque de trunfos à
equipa que Maxi já não tem (nunca
teve?) capacidade para dar. Aboubakar esteve
muito interventivo e deixou água na boca aos adeptos. Caso esteja focado no FC
Porto, pode ser um caso sério e não precisamos de ir ao mercado.
Pela negativa, Hernâni voltou a falhar com estrondo a
oportunidade concedida por Sérgio Conceição, denotando imensas dificuldades em
tomar a melhor decisão e em jogar um futebol menos vertiginoso do que aquele
praticado pelo Vitória de Guimarães onde se destacou na última época. Martins Indi também não consegui
aproveitar para se mostrar ao treinador e aos adeptos, falhando recorrentemente
posicionamentos, tempos de entrada aos lances e não acrescentando nada à equipa
em construção. Galeno, não obstante
ter jogado na posição de avançado centro, que não é a sua posição natural,
também esteve bastante desinspirado e não conseguiu dar seguimento à grande
maioria dos lances em que foi solicitado pelos seus colegas.
Ainda em termos individuais,
confesso que estou muito curioso com a época que Filipe e Tiquinho Soares
irão realizar. A época passada apresentaram-se a um nível muito elevado e seria
muito importante para o FC Porto que repetissem essas performances. No entanto,
ainda não consegui perceber se as suas boas exibições estão directa ou
exclusivamente relacionadas com o tipo de jogo físico e pouco pensado escolhido
por Nuno Espírito Santo e se serão capazes de manter o nível numa equipa que
queira jogar de forma diferente.
Em jeito de conclusão, e
utilizando mais uma daquelas frases feitas tão típicas do “futebolês”, não há
dúvidas que ainda existe muito trabalho pela frente e muito por onde melhorar (o
que não é novidade ou dificuldade, tendo em conta a qualidade de jogo
apresentada o ano passado), mas os sinais são positivos. E se a esta equipa conseguirmos
juntar um 8 para o lugar de Herrera e trazer um extremo de qualidade…



























