Depois de uma pré temporada muito
bem conseguida, a expectativa em torno da estreia do FC Porto no campeonato
2017/2018 era enorme. Os adeptos azuis e brancos praticamente lotaram o Estádio do Dragão (48011 espectadores –
e só não se chegou aos 50000 porque muitos adeptos com lugar anual estão a
gozar férias e ainda não devem conhecer as condições de transmissibilidade delugar anual – ver aqui) para ajudar a equipa orientada por Sérgio Conceição a conseguir a primeira vitória no campeonato e os
jogadores portistas não deixaram os seus créditos por mãos alheias e
presentearam a plateia com uma exibição que, em determinados momentos do jogo,
chegou a ser brilhante. Se é verdade que a primeira meia hora não foi
particularmente exuberante, não menos verdade é que, após a abertura do
marcador por Marega ao minuto 35, o
FC Porto, comandado pelo seu pequeno maestro espanhol, embalou para uma
exibição na esteira das realizadas nos jogos particulares.
Entrando de início com o 11 mais
esperado e que mais rotinas tem neste momento, cedo o FC Porto foi à procura do
golo. Jogando com os laterais muito projectados no terreno de jogo, como que
fazendo as vezes de extremos puros que Brahimi
e Corona nunca serão, Sérgio Conceição transforma aquilo que
no papel é um meio campo a 2 num meio campo a 3+1. Isto é, Danilo recua um pouco no terreno para formar com Filipe e Marcano uma linha de 3, e Oliver assume a construção do jogo
ofensivo fazendo a ligação com Brahimi
e Corona, os quais flectem para o
centro do terreno quando em posse de bola. Se a isto somarmos o facto de um dos
avançados vir sempre dar um apoio frontal ao portador da bola (enquanto que o
outro tenta esticar a equipa para abrir espaços entre as linhas adversárias),
percebemos que o FC Porto consegue transformar uma teórica inferioridade
numérica na zona central do terreno numa superioridade que oferece várias
linhas de passe constantemente, dificultando o trabalho defensivo dos
adversários.
A primeira meia hora de jogo não
foi particularmente exuberante, mas os princípios idealizados por Sérgio Conceição com bola referidos no
parágrafo anterior saltavam à vista. Importa, então, nas alturas em que a
inspiração dos jogadores não é suficiente para causar desequilíbrios, ter
ideias de equipa grande e fazer a diferença rapidamente aquando da perda da
bola. E esta equipa mostra ter enorme vontade de ser grande. Nos momentos em
que o adversário tem (tenta ter?) a bola, equipa tenta mover-se em bloco no
terreno de jogo para a recuperar no mais curto espaço de tempo possível. Soares e Aboubakar saem na pressão alta, Oliver junta-se a eles tentando condicionar o responsável pela
ligação da defesa-meio campo do adversário e, principalmente, a defesa dos
azuis e brancos sobre para muito perto da linha do meio campo, tentando reduzir
ao máximo os espaços entre linhas deixados pela pressão alta.
Entrando para a segunda parte na
frente do marcador, a equipa soltou-se e partiu para cima do Estoril ainda com
mais vontade de fazer mexer o marcador. Foi sem espanto que Brahimi aumentou o score à passagem dominuto 54, que Marega bisou napartida ao minuto 62 e que Marcano fechouas contas da partida ao minuto 70. Foram 4 golos de diferença, podiam ter sido
mais uns quantos, até porque Aboubakar
esteve desinspirado na finalização, apesar de se ter apresentado em bom nível.
Os 10 minutos finais foram de descompressão, o que permitiu aos homens da linha
respirar e dar um ar da sua graça, obrigando Casillas a mostrar serviço e a sujar o equipamento.
Porque o texto já vai longo, não
vou fazer a habitual análise individual aos jogadores do FC Porto. Apenas deixo
um comentário: aquele novo número 10 só custou 20 milhões?! Uma verdadeira
pechincha, principalmente quando vejo os valores praticados neste defeso.
Em jeito de conclusão, parece-me
evidente que ainda há muito aspectos a necessitar de serem limados (continuo
com a sensação que o Danilo se
esconde muito do jogo na primeira fase de construção), mas a diferença deste FC
Porto para o de anos recentes é já abismal. Ninguém pode garantir que esta
equipa irá ter o sucesso que todos os adeptos portistas desejam, até porque há
padres, missas e polvos que teimam em não arredar pé deste campeonato, mas não tenho
dúvidas que continuando a jogar como a equipa grande que é, este novo velho FC
Porto estará muito mais próximo de atingir os seus objectivos.
PS: a arbitragem começa bem, mais uma vez. A velocidade com que os
fiscais de linha levantam a bandeirola ao ataque do FC Porto e aos adversários
do benfica é fenomenal. No Dragão, a ordem é para levantar a bandeirola
imediatamente, exista ou não fora de jogo dos atacantes azuis e brancos. Só
ontem foram 3 golos anulados (+ 1 ao Danilo).
Na luz, a ordem também é para levantar a bandeirola imediatamente, mas apenas
se aplica aos adversários do benfica. Só ontem foram 2 golos anulados. Um deles,
nem com a ajuda do vídeo-padre viram que foi mal anulado.


























